quarta-feira, maio 02, 2007

Jean-Claude Trichet e os quarenta ladrões

Os analistas económicos andam confusos. Não obstante o aumento da massa monetária, actualmente em redor dos 10 %, a inflação continua abaixo dos 2%. Então, porque diabo continua o Banco Central Europeu a subir as taxas de juro e, dessa forma, a aumentar as dívidas das pessoas, das empresas e do Estado?


Domingos Amaral – Diário económico - 2 de Maio de 2007:

"O Banco Central Europeu continua demasiado paranóico com a inflação, descobriu uma nova fonte de aflição chamada “massa monetária”, que segundo o BCE cresce em demasia, e portanto há que conter essa energia desalmada, e a única forma de o fazer é aumentar as taxas de juro. A subida das taxas complica tudo. Complica porque valoriza ainda mais o euro perante o dólar, e complica porque aumenta as dívidas das pessoas, das empresas e do Estado. Com mais dívida a pagar todos os fins de mês, toda a gente faz o mesmo, corta noutro lado. Para manter os filhos bem alimentados e a casa onde se vive, os portugueses fazem o que têm de fazer, ou seja, sacrifícios. Cortam no que é supérfluo. Tal como as empresas, que vivem em permanente sobressalto, sempre em ‘cost-cutting’, e sem libertar fundos para investir."


Miguel Frasquilho – Jornal de negócios - 2 Maio 2007:

"(...) Assim sendo, por que continua o BCE a sua escalada dos juros? Promover o crescimento económico sem pressões inflacionistas não é positivo?"

"Além disto, nota-se também que, apesar de a massa monetária estar a crescer, actualmente, em redor de 10%, a inflação mantém-se abaixo de 2%... nem com a melhor das boas vontades se consegue encontrar uma relação convincente entre estas duas variáveis."

"Tudo leva a que seja difícil de entender o que move o BCE a continuar a subir os juros, como os mercados antecipam e já atrás referi. Não deverá o BCE deixar de utilizar a massa monetária como principal factor para explicar o comportamento da inflação?"


A confusão dos analistas económicos provém da crença de que o Banco Central Europeu tem por missão manter a estabilidade dos preços na zona do EURO. Ora, a missão do Banco Central Europeu é bastante mais prosaica:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...


Comentário de Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 3 de Fevereiro de 2007:

E que esses lucros colossais [da banca] são, afinal, uma expressão da dependência cada vez maior das famílias e das empresas em relação ao capital financeiro. Daí que, em lugar de aplauso e regozijo geral, o que o seu anúncio provoca é o mal-estar de quem sente que Portugal inteiro trabalha para engordar a banca. Ganha força essa ideia de que os bancos sugam a riqueza do país mais do que a fomentam.


As sanguessugas continuam a sorrir com a perplexidade dos analistas, focados que estão na «estabilidade dos preços»:


6 comentários:

ALI BABÁ disse...

As subidas dos juros são a versão moderna do abre-te Sésamo!

Basílio disse...

A subida das taxas de juro como viste bem é mundial e completamente artificial, tendo sido decidida na reunião Bilderberg do ano passado. Milhões de pessoas por todo o mundo vão perder as suas casas por não conseguirem pagá-las (em Portugal isso já se vê e pode disparar), só para a elite mundial receber mais uns quatriliões de euros (para eles é uns trocos).

Home foreclosures skyrocketing around the nation

paulo disse...

Desde 2005 a prestação mensal do crédito à habitação subiu uma média de 80 euros (16 contos), ou seja, um aumento de 21 por cento em relação a Dezembro de 2005, quando as taxas de juro não passavam dos 2%. Mas como ainda não estamos todos a dormir debaixo da ponte, as sanguessugas vão continuar a chupar empresas e famílias até já poderem mais.

Carlinhos Medeiros disse...

A política de juros altos, tal qual acontece aqui no Brasil, privilegia o capital especulativo em detrimento da produção e da geração de emprego e renda. O Motivo? Nada de conter a inflação, é simplesmente encher os bolsos dos mega-investidores do mercado financeiro.

Um abraço,

C. Medeiros.

Manuel disse...

Realmente, estes exemplos só provam a direcção funesta do neo-liberalismo desenfreado.

E acredito que isto é apenas o princípio. Pois enquanto puderem "espremer as tetas da vaca", neste caso as economias de todos os que trabalham fora da banca, vão continuar a fazê-lo. E será fácil manter do seu lado o poder político, seja comprado ou pela força da repressão económica.

Já se perguntaram para que serve o Banco Mundial? É uma excelente arma de repressão económica para manter pobres os países pobres e ainda mais ricos os países ricos. Contudo, também os cidadãos dos países ricos começam a pagar a ganância desmedida da banca mundial. Estão a matar a galinha dos ovos de ouro.
Talvez nem se apercebam do risco que correm se continuarem a criar pobreza nos países ricos... Pode ser que lhes saia o tiro pela culatra...

Abraço a todos.

Nicolaias disse...

Não vai sair o tiro pela culatra a ninguém: a Nova Ordem Mundial é para uma restrita elite que quer viver uma era dourada de paz com o minimo de pessoas possiveis sobre o planeta.... nao importa o preço!

Operários serão, futuramente, em número reduzido, somente para garantir o funcionamento daquilo que as tecnologias não conseguirem executar de forma independente à mão-de-obra humana.

Guerras, drogas, legalizacao do aborto, desemprego, aumento da criminalidade... formas de extremínio e de justificação para implementar um sistema tecnológico de controle absoluto sobre a população.