terça-feira, agosto 28, 2007

Mário Lino ao Expresso - “Não tenho opinião sobre a Ota”

Entrevista do jornalista Fernando Diogo ao ministro Mário Lino - Jornal Expresso – 25 de Agosto de 2007

Numa feroz entrevista realizada para o Expresso, o jornalista Fernando Diogo almoça no Pabe com o ministro Mário Lino. O ambiente, dada a controvérsia dos temas, foi de cortar à faca. O tom agressivo do jornalista Fernando Diogo para com Mário Lino é revelador da crispação de uma comunicação social interventiva. O ministro Mário Lino foi, por assim dizer, encostado à parede:


Fernando Diogo:

- «Mário Lino fala de si próprio, da Ota, do TGV, de Sócrates, das «gaffes» e do PCP. De coração nas mãos»

- "Um grande sorriso iluminava-lhe a cara redonda e os grandes olhos verdes brilhavam de genuína satisfação."

- «a provocação pelo nosso ligeiro atraso deu-lhe um gozo muito especial»

- «O ministro das Obras Públicas riu-se com gosto»

- «O ministro opta sem hesitações pelos pastelinhos de bacalhau»

- «À hora dos linguadinhos o ministro das Obras Públicas de José Sócrates já está às voltas com a Ota. Sem desculpas esfarrapadas nem subtilezas semânticas, assume que teve de mudar de opinião. "Sou capaz de mudar radicalmente de opinião"»

- «“É verdade que sou muito teimoso, mas não o sou ao ponto de teimar num caminho apenas porque é aquele que sempre defendi” - A confissão [do ministro] é feita num tom de sincera convicção»

- «Apesar do recuo na Ota e da continuação dos investimentos no aeroporto de Lisboa, Mário Lino não se converteu à opção Portela+1, devido em larga medida ao aumento dos custos operacionais e à incerta rentabilidade da operação

- «Aterramos e logo seguida apanhamos o TGV para uma curta viagem, durante a qual se percebe que o Governo não vai fazer alterações ao traçado. "Qualquer que seja o local do aeroporto teremos de fazer uma linha ferroviária dedicada. É óbvio que não iremos fazer qualquer estação de TGV na Ota ou em Alcochete".»

- «...mas o seu irreprimível bom-humor leva de vencida a desconfiança e quando completa a frase já o omnipresente sorriso lhe banha a face»

- «As Obras Públicas agradam-lhe, ele que é um executivo nato, um "homem a quem dá grande um gozo fazer coisas", ou não fosse ele um engenheiro»

- «O sentido prático distanciou-o da "esquerda proclamatória" e aproximou-o da esquerda que deixa marcas civilizacionais»


Comentário:

Até que enfim, um repórter consegue, graças a uma agressividade pouco habitual, obrigar um ministro a respostas concretas sobre assuntos vitais para todos nós. Ainda bem que tivemos um Fernando Diogo, ao invés de um Miguel Sousa Tavares (um reconhecido banana), a interpelar um homem do «inner circle» do poder.

Relembremos um inofensivo artigo de opinião neste jornal assinado por Miguel Sousa Tavares sobre os candentes problemas dos transportes do nosso rectângulo:


Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
...

17 comentários:

a.castro disse...

Pois é, caro Diogo: como que por "magia", Mário Lino (e não só) deixou de ter opinião (que era 100% segura) sobre a Ota, talvez porque, também por magia, tenha surgido a opção Alcochete.
Estamos entregues aos bichos.
Um abraço.

A. Castanho disse...

Realmente, tudo isto cheira a esturro...

Diogo disse...

Sua Excelência nem se digna dar uma vista de olhos à Portela + 1. A Portela, tirando duas horas de ponta, está praticamente às moscas. Mas esta opção não agrada aos banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos da obra. E, como se sabe, Mário Lino é um amigo confesso da banca. A Portela + 1 era capaz de apagar o sorriso da cara redonda do ministro e dos seus poderosos confrades financeiros.

A. Castanho disse...

Sim, mas não alteraria rigorosamente nada do essencial deste sistema iníquo e privaria Lisboa de um Aeroporto a sério.


Não, caro Diogo, não concordo com a histeria anti-Ota. Nem concordo com a manutenção da Portela, apesar de ser um sentimental e de, acima de tudo, morar lá perto e dar muito jeito às vezes (e já estou habituado, só me incomodou o Aeroporto quando estudei em Alvalade, no Liceu P.e Ant.º Vieira, e na Faculdade de Letras).


Mas tenho consciência de que um Aeroporto não é nenhum luxo, nem uma obra "faraónica", mas uma necessidade. E a Portela, digam o que disserem, não caminha para o esgotamento. Está esgotada. Veja-se o cochicho que lá fizeram agora, a que chamam Terminal 2, puramente para atamancar e tentar adiar o inevitável: a degragdação intolerável das condições de serviço no principal Aeroporto português.


Não senhor, não concordo com a demagogia e o populismo da Roseta e do Sá Fernandes, nem com o oprtunismo cínico e interesseiro do "meio técnico" (os Engenheiros Civis à cabeça). Sim, senhor, concordo com o Ant.º Costa: os terrenos da Fereguesia dos Olivais onde actualmente está o Aeroporto deveriam ser CLASSIFICADOS COMO ZONA VERDE, NOVO PULMÃO DA CIDADE no P. D. M. de Lisboa, actualmente em fase de Revisão. Por menos razões (ambientais, como é óbvio) investiu o Estado uma fortuna nos terrenos (então privados) de Monsanto para criar um Parque Florestal. Há quase 80 anos! Se Duarte Pacheco fosse vivo e activo, com o aumento da poluição que se verificou desde então para cá certamente já haveriam mais DOIS OU TRÊS MONSANTOS na Região de Lisboa. Sobretudo na zona oriental, onde se concentram as indústrias poluentes. Sim ao renascer da Mata da Encarnação nos terrenos do actual Aeroporto!


Pois, porque é preciso muita lata para invocar a teoria da "reversão" dos terrenos aos seus anteriores proprietários se o Aeroporto for desactivado! Os terrenos foram expropriados para um fim. Esse fim consumou-se. Não há direito a qualquer reversão! A expropriação NÃO É UM DIREITO DE SUPERFÍCIE ATÉ O USO PERDURAR!



Não há volta jurídica a dar-lhe. Eu não sou jurista, mas trabalho em urbanismo. Sei bem que, infelizmente, em termos de Direito "tudo é sempre possível", desde que pelas pessoas certas. Mas aqui não se trata de Direito, mas sim de JUSTIÇA.


O famoso "direito de reversão" existe até à concretização do motivo que fundamenta a expropriação. Finda definitivamente com a mesma, precisamente porque não é um "direito de superfície".


Quanto ao Aeroporto, na Ota ou noutro local qualquer, mas faça-se, que já era para ontem...

Um abraço.

Diogo disse...

Meu caro Castanho, você está completamente enganado. A Portela está literalmente às moscas. Recomendo vivamente que leia com atenção este artigo:

SLOTS NA PORTELA

Um abraço

A. Castanho disse...

Obrigado, já li e não tenho conhecimentos que me permitam conferir-lhe, ou não, alguma credibilidade.


Como bem sabe, cada um diz o que quer e lhe apetece na internet, não é por isso que passa a ter credibilidade. A internet serve para debater e opinar. A informação também lá está, mas sujeita a severas contingências de veracidade.


Como já lhe disse, moro junto ao Aeroporto há muitos, muitos anos. O que sei, para além destas fanfarronices dos que falam sobre slots como eu poderia falar sobre lagares de azeite, é que no Domingo passado foi batido mais um recorde na Portela: mais de 420 voos. Sem EXPO, sem Euro'2004, só com o tráfego "normal" de Agosto. Se isto é estar às moscas, para que precisamos de um Aeroporto em Lisboa? Quantos slots tem o Aeroporto Sá Carneiro? A sua fonte não se dignou informar sobre esse asunto. Mas sabe que o Sá Carneiro foi alvo de vultuosíssimos investimentos ("faraónicos"?) na década de ouro do cavaquismo, não sabe? E quantos "buracos" (slots é mais um estrangeirismo com ar de "tecnicismo" para basbaques) tèm ainda os Aeroportos do Funchal (aqueles pilares todos que lá puseram seriam mesmo necessários? E não foi à custa do pagante madeirense...)? E o de Faro?


Bom, quanto a "slot machines" parece que ficámos conversados.


Quanto aos níveis de serviço vá com algum familiar ao já famoso Terminal 2 e despeça-se dele à porta. Ficará bem impressionado.



Quanto ao Terminal 1, está tão às moscas que cada dia se perdem mais bagagens. É uma vergonha! Há dias em que só a TAP perde 900 (sim, NOVECENTAS) malas! Se calhar caem dentro dos "slots"...


Caro Diogo, aprecio muito este seu espaço. Mas demagogia, bem ou mal intencionada, revolta-me as vísceras. Para isso voltava a ler o "Público", ou o "Expresso" (Sol só o verdadeiro...)!


Sinceros cumprimentos.

Nicolaias disse...

A mim parece-me indespensável a criação de um outro aeroporto, não só pelas precárias condições em que o da Portela funciona, mas também porque a sua localização é de grande risco para os moradores que o circundaram com o crescimento da cidade.
Porém, não concordo com as maquinações bancárias de querer virar-se para projectos altamente dispendiosos visando somente o lucro pessoal... nem tão pouco concordo com a destruição da OTA (talvez a melhor base aérea do território) para dar lugar ao aeroporto.
Se fizérmos um estudo sério sobre a situação militar em Portugal (já para não falar na área da saúde, ou jurídica), talvez fiquemos com sérias e preocupantes dúvidas sobre os verdadeiros planos que o grupo de Bilderberg aponta para o território nacional.

Diogo disse...

Caro castanho, a informação disponível sobre SLOTS - direitos de aterragem edescolagem - são dados objectivos e estão disponíveis na Internet. Se for ao respectivo site verificará que a Portela está efectivamente às moscas. Compare com Gatwick ou Heatrow, por exemplo. Lá poderá também constatar os movimentos dos outros aeroportos nacionais.

Portanto, quanto a "slot machines" parece que ficámos conversados. Leia o documento com atenção. Estão lá as respostas a todas as suas perguntas. Quanto à perda da bagagem, é um assunto que nada tem a ver com este. É pura e simplemente má organização.

Um abraço

Diogo disse...

Nicolaias,

«porque a sua localização é de grande risco para os moradores que o circundaram com o crescimento da cidade»

Quase todos os aeroportos mais antigos estão rodeados de zonas habitadas. São inúmeros na Europa e na América do Norte. E ainda mais no «Terceiro Mundo». Não é por isso que deixam de funcionar.

Um «Novo Aeroporto Internacional de Lisboa» é apenas uma necessidade forjada por aqueles que ganham rios de dinheiro com obras faraónicas e inúteis. Veja-se o caso do CCB, da Expo, dos Estádios do Euro e dos TGVs.

Um abraço.

Nicolaias disse...

Concordo que a coisa esteja a ser feita de modo ganancioso, mas a necessidade de um aeroporto em local mais seguro advém da prevenção contra um acidente de grandes proporções. O facto de haverem grandes aeroportos circundados por urbanizações não faz disso uma situação "normal".
Agora, se me disser que, invés de investirem na construção de um novo aeroporto, utilizassem as mesmas divisas para melhorar, p. ex., o sistema de saúde, ou equipar melhor as forças policiais, ou a vida de muitas famílias, aì sim, concordo plenamente.
Ou seja, a construção de um aeroporto não está, realisticamente, no topo da lista de prioridades da nação... mas é uma necessidade.

Diogo disse...

Exacto Nicolaias. Antes da construção de um novo aeroporto num local não urbanizado (e não urbanizável), existe um sem número de outras necessidades bastante mais prementes.

Mas não é esse o argumento do Governo. Estes defendem que a Portela está «esgotada», o que é uma rematada mentira.

A. Castanho disse...

Caro Diogo, o facto de um estudo estar disponível na "internet" não significa rigorosamente NADA quanto à sua credibilidade. Quem o escreveu não tem de provar nada a ninguém, pode fazer os quadrinhos que muito bem entender e publicá-los. Isso prova o quê? Zero. Mostre-me dados oficiais, ou de entidades respeitáveis e independentes (conhece alguns?) e depois voltamos a falar sobre isto.


Eu vi há muito esse documento dos "slots" e percebi logo que só poderia ser banha-da-cobra.


Mas, enfim, para não me ficar pela simples intuição, informei-me e posso garantir-lhe que esse "ESTUDO" só ainda não foi cabalmente desmentido porque a ANA considera que nem vale a pena, tal a sua falta de credibilidade.


Mas aceito a sua opinião. Só que ela não altera em nada a situação objectiva: a Portela está tecnicamente esgotada e a sua expansão ficou inviabilizada com a aprovação da Alta de Lisboa.


Pior do que isso, a política irresponsável dos (des)Governos anteriores e a pressão ilegítima da CIP e do P. R. sobre o Ministro vão ter como consequência que o novo Aeroporto não vai estar pronto quando se tornar insutentável a operação da Portela. Com todos os prejuízos daí advenientes para a economia nacional.


Todas as opiniões são válidas, mas isso não implica que, para o Governo português, o Aeroporto de Lisboa não seja uma prioridade. Em Democracia o destino dos nossos impostos decide-se nas urnas. O Novo Aeroporto de Lisboa estava no programa deste Governo, que tem maioria absoluta, concorde-se com ele ou não. Daqui a dois anos se verá.


E não me venha argumentar com Londres: compare os "buracos" da Portela mas é com os do Aeroporto Sá Carneiro, ou o de Faro, e diga-me depois se Lisboa precisa ou não de um Aeroporto novo.


Eu também lhe posso dizer que as Auto-estradas italianas ou americanas estão muito mais congestionadas que as nossas, isso não serve de argumento para nada...


Repare nesta singularidade espantosa: os mesmos que afirmam que a Portela ainda tem viabilidade são os primeiros a criticar a Ota por... não ter perspectivas de expansão!!!


Diga o que quiser, mas acho que não vai convencer ninguém bem-intencionado de que o Aeroporto de Lisboa deve continuar a ser na Portela...


"No hard feelings"...


Um abraço.

Nicolaias disse...

Pelo comentário anterior podemos ver que existe muita gente que não se importa que uma divisa megalítica seja gasta num aeroporto, quando existem outras prioridades - muito mais importantes - em que tal divisa deveria ser gasta, tais como a saúde, logística policial, logística de bombeiros, protecção florestal, reflorestamento, logística de socorros a naufragos, apoio a famílias carenciadas, apoio a idosos, ajuda a crianças, restruturação de nossas cidades e meios de transporte pensando nos deficientes, etc, etc, etc...
Quer dizer, se estas prioridades não bastarem para, simplesmente, anular a obstinada opinião do Castanho de que se tem, forçosamente, de construir um outro aeroporto, então, questiono-me: afinal, verdadeiramente, estamos aqui a falar com quem?

xatoo disse...

ah,ah,ah
"o destino da democracia decide-se nas urnas"
ora, ora, deixa-me rir
se o voto decidisse alguma coisa já desde há muito que teria sido proibido

A. Castanho disse...

Nicolaias,


não sei por que hei-de ser eu o obstinado. Só por ter uma opinião diferente da sua?


Só mais duas coisas, que o pior cego é sempre aquele que não quer ver:


1º) Não é por ter de comprar leite e pão que desisto de comprar sapatos;


2º) O custo do Aeroporto é elevado e há que evitar que aconteça o que sempre tem acontecido em Portugal nestas circunstâncias - C. C. de Belém, Expo'98, Casa da Música, etc. -, mas a alternativa é prejudicar o País: sabe qual a importância do Turismo nas nossas exportações? Ou pensa que nós vivemos exactamente de quê?


3º) O custo do novo Aeroporto é parcialmente suportado pela U. E., tal como o da Alta Velocidade, dinheiro que só virá para Portugal para esses fins, não para aqueles que o Nicolaias decide que são prioritários.


Tenha um bom dia.


P. S.: Xatoo, se o seu voto não decide nada, os seus comentários ainda menos. Alka Seltzer pode ser a solução.

luikki disse...

hoje é o blogday...
a gotinha passou-me a "batata". agora é a tua vez...
abraço

Nicolaias disse...

Ao Castanho:

"não sei por que hei-de ser eu o obstinado. Só por ter uma opinião diferente da sua?"

Não. Simplesmente porque é obstinado.

"1º) Não é por ter de comprar leite e pão que desisto de comprar sapatos;"

Mas se não tem nem dinheiro para leite e pão, é completamente ignorante endividar-se para comprar sapatos!

"O custo do Aeroporto é elevado e há que evitar que aconteça o que sempre tem acontecido em Portugal nestas circunstâncias - C. C. de Belém, Expo'98, Casa da Música, etc."

Neste contexto não compreendo o que o projecto do aeroporto tem de diferente dos projectos que menciona, uma vez que nada mais serve do que para encher os bolsos de uns quantos poucos.

"mas a alternativa é prejudicar o País"

Alternativa, não: objectivo! Ou ainda não conhece o universo Bilderberg?

"sabe qual a importância do Turismo nas nossas exportações? Ou pensa que nós vivemos exactamente de quê?"

O turismo está cada vez mais baixo, uma vez o custo de vida em Portugal está igual, ou superior, aos países que nos forneciam o turismo.
E nós não vivemos de "quê", mas estamos entalados até ao pescoço em dívidas aos bancos e à União Europeia.
Desculpe-me a frontalidade, mas você soa-me um pouco ingénuo.

"O custo do novo Aeroporto é parcialmente suportado pela U. E."

E ingenuamente Vª Exª pensa que esse dinheiro é-nos oferecido?
Rapazes, com as ideias que por aqui se expõem (ainda por cima de mente completamente fechada para ouvir coisas novas e vê-las em uma nova prespéctiva) não me admira nada o sucesso que os bancos, a família Rothschild, o grupo de Bilderberg, etc., estão a obter com a aprovação do próprio povo.

Sabem o que lhes digo? Ás vezes interrogo-me se a melhor coisa não será mesmo microchipar esta gente toda, uma vez que só sabem andar se estiverem debaixo de controle, se lhes estiverem a dizer o que hão-de pensar, comer, sentir, viver...