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quinta-feira, setembro 24, 2009

Post destinado à carneirada que se limita a ler o Expresso, a ver os telejornais, e que vai votar candidamente no Centrão – PS / PSD

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Ricardo Araújo Pereira, dos Gatos Fedorentos, questionou o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, no programa "Esmiuçar os Sufrágios" de 23/9/2009:

"Sr. Ministro, quando, enfim, essa vida atarefada acabar e sair do Governo, já escolheu em que grande empresa, daquelas que têm negócios com o Estado, é que vai ser Director-Geral? A Caixa [Geral de Depósitos], eu sei lá, a EDP, a Galp, a Mota Engil, o que é que lhe apetece?"

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O Mecanismo do Poder e a «Democracia»



Rui Mateus em "Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido, 1996":

"Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos pilares morais do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa, de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo suspeito, de algo subversivo."


João Cravinho (Revista Visão – 4/10/2007):

"Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou de preparação da decisão por parte de lóbis. [...] Não pode estar a promover-se uma pseudo-economia de mercado, em que o Estado serve de muleta aos grandes e até aos pequenos negócios. Muitos acham que deve ser essa a originalidade do neoliberalismo à portuguesa. [...]"


Miguel Sousa Tavares (Jornal Expresso 07/01/2006):

"Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.» «Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre."


Fernando Madrinha (Jornal Expresso - 1/9/2007):

[...] Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.
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A falsa saturação do aeroporto da Portela e os seis mil milhões de euros que vão ser gastos no aeroporto de Alcochete

Diario Economico - 31/10/2007

O coordenador da equipa responsável pelo estudo da CIP, José Manuel Viegas, disse hoje que o aeroporto em Alcochete, contabilizando os custos das acessibilidades, custará 6 mil milhões de euros...

Aeroporto de Alcochete com acessibilidades vai custar 6 mil milhões de euros


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TVI - A falsa saturação do aeroporto da Portela



O Estudo referido na reportagem da TVI pode ser descarregado aqui (PDF)

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Bem perguntou Ricardo Araújo Pereira, dos gatos Fedorentos, ao Ministro das Finanças, Teixeira os Santos, no programa "Esmiuçar os Sufrágios" de 23/9/2009:

Ricardo Araújo Pereira: O Sr. Ministro, quando, enfim, essa vida atarefada acabar e sair do Governo, já escolheu em que grande empresa, daquelas que têm negócios com o Estado, é que vai ser Director-Geral? A Caixa [Geral de Depósitos], eu sei lá, a EDP, a Galp, a Mota Engil, o que é que lhe apetece?
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sábado, fevereiro 21, 2009

Robin Who? - A saga de roubar aos Contribuintes para dar aos Bancos

Miguel Sousa Tavares, que há duas semanas atrás, concordando com José Miguel Júdice, avisou que: «[caso Sócrates seja derrubado] Portugal torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente», vem agora, quinze dias depois, referir-se ao primeiro-ministro como: "O Robin dos tolos".




Jornal Expresso - 16/02/2009




O Robin dos tolos

[...] Agora, chegou a vez da campanha contra os 'ricos', com a qual José Sócrates espera tocar a reunir toda a esquerda em volta deste seu Robin Hood - o mesmo, o mesmíssimo, que andou e anda a usar o dinheiro de quem trabalha e paga impostos para proporcionar os grandes negócios dos escandalosamente ricos, através de sucessivas empreitadas de obras públicas, algumas inúteis, quase todas ruinosas.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que a Caixa Geral de Depósitos, o banco público, tenha andado a financiar com centenas de milhões de euros operações de pura especulação bolsista e agora, não conseguindo cobrar os créditos, poupe o património pessoal dos devedores (como não faz a quem se tenha endividado para comprar um T1) e lhes dê condições de renegociação da dívida que são um privilégio escandaloso.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o seu ministro Mário Lino gaste meio milhão de euros em festas de inauguração de cada novo troço de auto-estrada.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que os dinheiros públicos sirvam para acorrer ao salvamento de negócios bancários irresponsáveis e inviáveis, como o BPP ou o BPN, em lugar de os deixar afundar, como, além de mais, o exigia a credibilidade do mercado.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o que resta do património natural ainda preservado do país seja vandalizado ao abrigo dos projectos PIN e com a chancela de interesse público dada pelo Governo.

Não. O que incomoda o socialista José Sócrates é que os 'ricos', como ele lhes chama (isto é, a ínfima minoria que declara os seus rendimentos e paga 42% de IRS, em lugar de criar empresas fictícias para lá enfiar despesas pessoais ou abrir contas em offshores estrangeiras), possam deduzir com a saúde ou a educação as quantias que o próprio Governo definiu como razoáveis. Vai, pois, conforme anunciou, subir ainda mais o IRS para quem mais paga e cumpre, para o 'redistribuir' pela 'classe média' - contas feitas, e se alguma vez devolver dinheiro a alguém, parece que caberão quatro euros a cada representante da 'classe média'. Eis o socialismo, tal como José Sócrates acaba de descobrir. Dá vontade de ir pagar impostos para outro lado...

Acredito que nem José Sócrates nem Teixeira dos Santos imaginaram que a bola de neve que começou a rolar suavemente há um ano pudesse degenerar na avalancha que agora nos engoliu. Nisso, estiveram, aliás, acompanhados por todos os dirigentes políticos e gurus económicos do planeta inteiro. Mas quando se tornou evidente, aí há uns quatro meses, que o vendaval originado nos Estados Unidos iria varrer tudo, o PM e o ministro das Finanças perderam o controlo emocional da situação. O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata. Mas o auxílio pressuroso e não ponderado ao BPN e depois ao BPP foi um tiro monumental no pé. A menos que ocorra um milagre não previsto nos livros, o que vai acontecer é que o Estado gastou uma fortuna irrecuperável para tentar salvar o que não tinha nem merecia ter salvação possível. Mas não foi apenas como medida financeira que essa decisão se revela, a cada dia que passa, desastrosa. Foi o exemplo que ficou, uma espécie de pecado original sem remissão possível: perante uma crise cuja principal causa foi a ganância e a a irresponsabilidade de alguns banqueiros, o Governo, em lugar de aproveitar para seleccionar logo o trigo do joio, preferiu jogar o dinheiro dos contribuintes para tapar provisoriamente buracos de negócios de vão de escada. E agora, como é óbvio, todos se sentem no direito de reclamar que ele acorra a tudo, ao que presta e ao que não presta, ao que tem viabilidade e ao que não tem.

Prisioneiro político desta tremenda asneira inicial, sinto que o Governo navega à vista, enfrentando a crise sem bússola e sem rumo. Incapaz de pensar, marra em frente, recusando-se a arrepiar ou alterar caminho no que quer que seja - como nos faraónicos e inúteis projectos de obras públicas com que entusiasticamente nos ameaça. Confunde a dúvida legítima com a hesitação e teme o preço político a pagar se der sinais de indecisão. Visivelmente nervoso e tenso, Sócrates não quer reflectir nem ser contrariado. Abre a televisão e vê todos os dias centenas de novos desempregados desesperados, vê as imagens chocantes dos milhares de sobreiros (um dos verdadeiros clusters de futuro da nossa economia), derrubados para a urbanização do Vale da Rosa, em Setúbal (viabilizada por despacho do próprio Sócrates, quando ministro do Ambiente), e concluí pela fuga em frente. Acredita que o eleitorado interiorizou que a culpa da crise é da direita dos negócios e vai ser preciso um salvador vindo da esquerda. Ei-lo.

Se não pode impedir o crescimento do desemprego, se não quis e não quer enfrentar o poder do grande capital, resta ao socialista Sócrates rapar no caldeirão da demagogia: eutanásia, casamento de homossexuais, Robin Hood fiscal, e, para acabar, senhoras e senhores, tomem lá outra vez com a ameaça da Regionalização - essa medida 'socialista' tão cara ao aparelho do PS.

Eu penso que José Sócrates está a ver mal as coisas: os portugueses têm muitos defeitos, mas nunca foram politicamente tolos.




Comentário:

Este Sousa Tavares, que agora se refere a Sócrates como o Robin dos tolos, é o mesmo que há 15 dias atrás avisou que «derrubado Sócrates, o país ficará entregue à deliquescência». E, também, concordando com José Miguel Júdice: «Portugal [na falta de Sócrates] torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente».

Acrescenta agora o genial autor do romance 'EQUADOR': «O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata.»

Mas os neurónios, as sinapses e os guizos que chocalham no crânio do conceituado romancista não se sentem incomodados pelo facto dos Bancos privados terem lucrado mais de 3,3 milhões de euros por dia no ano 2008, donde, não haver qualquer necessidade de refinanciamentos ou avales de 20 mil milhões de euros, muito pelo contrário:


Jornal de Notícias – 29/1/2009: O Banco Espírito Santo (BES) obteve um lucro de 402,3 milhões de euros no exercício de 2008...


Agência Financeira – 23/1/2009: Os lucros consolidados do BPI foram, em 2008, de 150,3 milhões de euros...



Açoriano Oriental – 13/2/2009: O Millennium bcp terá registado lucros de 189,4 milhões de euros em 2008...



Jornal de Notícias – 5/2/2009: O Santander-Totta obteve um lucro de 517,7 milhões de euros em 2008...

terça-feira, outubro 28, 2008

Miguel Sousa Tavares: no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro - há grandes jogadas feitas na sombra



Miguel Sousa Tavares

Expresso 25/10/2008

«... mais parecendo um menino divertido com os seus brinquedos sem perceber que a casa está a arder, temos Mário Lino, o infatigável ministro das Obras inúteis. Encontrei-o há dias num restaurante a almoçar, e ele, simpático como sempre, confessou-me que se tem “fartado de rir” com as “asneiras” que eu digo, em particular aquela de que basta olhar para o céu, no aeroporto da Portela, para perceber que ele não está saturado, ao contrario do que juram. De facto, eu acho que a história da saturação do Aeroporto da Portela é a mentira da década, destinada a vender-nos um aeroporto novo, inútil. Assim como acho inútil e ruinoso o TGV para Madrid ou para Vigo ou as novas auto-estradas em concurso. Mais inútil ainda, e esse altamente lesivo do interesse público, é o contrato com a Liscont para o terminal de contentores de Alcântara - a última asneira do ministro Mário Lino e objecto do último texto aqui.»

«Asneira por asneira, a diferença é que as minhas, a serem reais, são inofensivas, e as dele não. De Janeiro a Julho, eu trabalho exclusivamente para proporcionar ao Estado o dinheiro de que ele necessita para fazer obras públicas. E achar que parte significativa delas são inúteis e se destinam apenas a alimentar uma clientela empresarial que não vive sem o Estado, não me dá vontade nenhuma de rir. Ainda se isto fosse a feijões...»



Comentário:

Mas não é a feijões, é a milhares de milhões. Andamos todos a trabalhar, de Janeiro a Julho, para encher os bolsos a banqueiros, a empresários de obras públicas e a subservientes amigos políticos. Como afirmou o mesmo Miguel Sousa Tavares no Expresso de 07/01/2006:

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro - há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»

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terça-feira, julho 29, 2008

Os atentados ao contribuinte português


Diário Económico Online/Lusa - 20/05/2008:

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou estimar que o plano de investimento em infra-estruturas para os próximos dez anos vá aumentar o nível de actividade no sector da construção de sete para 11 mil milhões de euros por ano.

(...) Os projectos de investimento em grandes infra-estruturas lançados pelo Governo para os próximos 10 anos ascendem a quase 40 mil milhões de euros.



Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006)

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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segunda-feira, julho 07, 2008

TVI - É falso um dos argumentos centrais do Governo para fechar o Aeroporto da Portela


Notícia TVI - 2008-06-06

Aeroporto da Portela tem afinal muitos espaços livres

A falta de espaços para os aviões aterrarem e descolarem é muito mais problemático na grande maioria dos aeroportos de outras capitais europeias.


É falso um dos argumentos centrais do Governo para fechar o Aeroporto da Portela. O actual aeroporto de Lisboa continua com tempos disponíveis para os aviões aterrarem e descolarem praticamente durante todo o dia.

A falta de slots, o nome que os técnicos dão aos horários livres, é muito mais problemático na grande maioria dos aeroportos de outras capitais europeias.

Este facto pode ser verificado numa simples consulta à Internet. O Aeroporto da Portela está muito longe de ter necessidade de recusar voos por falta de disponibilidade de slots.

Desfazer esta mentira é algo que está ao alcance de todos. Se se for ao Google e pesquisar pela expressão slots na Portela aparece um estudo publicado online pelo especialista em transportes Rui Rodrigues.

Com esse estudo aprende-se a consultar o site da Coordenação Internacional de slots.

Se se atender à semana de 8 de Agosto, período por excelência de saturação de tráfego aéreo, o mapa de disponibilidades do Aeroporto da Portela mostra que, na maioria das horas, continuam disponíveis dezenas de tempos de descolagem e aterragem. Só há alguns problemas entre as 07:00 e as 08:00. Mesmo assim sem a disponibilidade do aeroporto não chega a estar esgotada.

No mapa de disponibilidades do Aeroporto de Gatwick, em Londres, a mesma semana de Agosto está quase toda ocupada. Noutro aeroporto da capital britânica, em Heathrow, são ainda mais os horários onde não há espaço para aterrar ou descolar um único avião a mais.

A empresa coordenadora de slots de Portugal confirma que não há recusa de slots na Portela, porque o aeroporto procura disponibilizar horários alternativos às companhias aéreas. A empresa argumenta com os constrangimentos ao estacionamento de aviões e das infra-estruturas de passageiros.

João Soares, ex-presidente da Câmara de Lisboa, garante que só por má vontade é que não se resolve o problema com os terrenos disponíveis.

Torna-se assim muito mais difícil perceber por que insiste o Governo em fechar a Portela. O pior é que o novo aeroporto pode tornar-se um «elefante branco». O custo estimado de 3 mil milhões de euros terá de ser pago ou pelos contribuintes ou pelos utilizadores. Por isso, é previsível que as taxas aeroportuárias a pagar pelos passageiros sejam elevadas, o que afastaria os voos das companhias low cost, que cada vez conquistam mais mercado.

Os aeroportos portugueses cobram agora o dobro em taxas do que, por exemplo, os espanhóis. O aeroporto de Girona cobra 17 euros por cada passageiro que viaja para o Porto mas, no regresso, esse passageiro tem de pagar o dobro, quase 30 euros, para utilizar o aeroporto do Porto.

O Aeroporto da Portela também cobra o dobro do aeroporto de Madrid. Os espanhóis, apesar de terem folga orçamental, optaram por construir aeroportos baratos, que servem de base às companhias low cost, que cada vez oferecem ligações directas para mais cidades europeias.




Reportagem TVI - 2008-07-04

Aeroporto da Portela tem espaço para crescer

A uma hora de ponta, em pleno Verão, chega a passar meia hora sem que se movimente um único avião.


É do senso comum e pode comprovar-se à vista desarmada que o aeroporto da Portela não está mesmo esgotado. A TVI filmou o aeroporto a uma hora de ponta, em pleno Verão, e verificou que chega a passar meia hora sem que se movimente um único avião. As previsões oficiais para este Verão também provam que a Portela é dos aeroportos com maior folga na Europa.

A TVI confrontou o presidente da TAP com estes factos e Fernando Pinto acabou a explicar que, afinal, o grande problema é a falta de espaço para o estacionamento de aviões. Mas uma análise simples aos terrenos da Portela demonstra que o aeroporto ainda tem muito espaço para crescer e só não é ampliado porque parece não haver vontade política para isso.

O encerramento da Portela representa por outro lado uma ameaça grave para o turismo. Os operadores turísticos têm medo que aconteça em Lisboa uma verdadeira «tragédia grega». Os gregos fizeram um aeroporto novo em Atenas, grande e caro, que afastou os turistas e levou muitas empresas do sector à falência.

O receio é maior porque o turismo de Lisboa nunca viveu tão bem, graças aos voos das companhias aéreas de baixo custo. No Algarve, por exemplo, os hoteleiros até pagam a essas companhias para aterrarem em Faro.

segunda-feira, junho 16, 2008

Mário Lino brinda as Mota Engis com 40 mil milhões de euros

Miguel Sousa Tavares: «Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


Diário Económico Online/Lusa - 20/05/2008:

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou estimar que o plano de investimento em infra-estruturas para os próximos dez anos vá aumentar o nível de actividade no sector da construção de sete para 11 mil milhões de euros por ano.

(...) Os projectos de investimento em grandes infra-estruturas lançados pelo Governo para os próximos 10 anos ascendem a quase 40 mil milhões de euros.

(...) "Estamos perante uma situação que é urgente mudar radicalmente e é nesse sentido que temos vindo a trabalhar arduamente, afrontando muitas vezes incompreensões só justificáveis por preconceitos contra o que se tem, inapropriadamente designado por 'política do betão', e por obstáculos só justificáveis por quem põe interesses particulares, nomeadamente politico-partidários, à frente dos interesses do país", afirmou.



Comentário:

Quando um quinto dos portugueses (1,8 milhões) tem emprego precário, quando existem dois milhões de pobres em Portugal, quando se contam por várias centenas de milhares o número de desempregados no nosso país, «os mesmos de sempre» voltam a apostar em «obras» criminosamente inúteis e dispendiosas.
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O sequestro do Estado Português pelos Bancos e pelos Grandes Empreiteiros




Rui Mateus em "Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido, 1996"

"Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos pilares morais do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa, de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo suspeito, de algo subversivo."


João Cravinho (Revista Visão – 4/10/2007)

"Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou de preparação da decisão por parte de lóbis. [...] Não pode estar a promover-se uma pseudo-economia de mercado, em que o Estado serve de muleta aos grandes e até aos pequenos negócios. Muitos acham que deve ser essa a originalidade do neoliberalismo à portuguesa. [...]"


Miguel Sousa Tavares (Jornal Expresso 07/01/2006)

"Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.» «Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre."


Fernando Madrinha (Jornal Expresso - 1/9/2007)

[...] Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.
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quarta-feira, novembro 28, 2007

Governo mal informado ou desGoverno mal amanhado?

Como é sabido, o apoio destes três cavalheiros ao aeroporto da Ota tem sido incondicional.



Expresso - 12.05.2007: «A NAER, empresa que lidera o projecto do novo aeroporto na Ota, recebeu instruções precisas do primeiro-ministro, José Sócrates, para que seja lançado, no Verão, o concurso para selecção do consórcio que liderará o processo de construção e a exploração do aeroporto da Ota.»

Expresso - 09.06.2007: «Mário Lino anuncia segunda-feira, na Assembleia da República, a abertura em Outubro do concurso internacional para a construção do novo aeroporto. O Governo decidiu acelerar o procedimento, inicialmente previsto para o final do ano, por forma a não alimentar mais dúvidas sobre a opção pela Ota.»

Público - 27.03.2007: «Teixeira dos Santos referiu que "está claramente reconhecido que o aeroporto de Lisboa já dá sinais de esgotamento da sua capacidade" e que "os estudos técnicos apontam como a localização adequada a Ota".»



Mas eis que, hoje, 28 de Novembro de 2007, a opção Portela + Montijo saltou para as primeiras páginas de toda a comunicação social:

TSF Online: «O estudo encomendado pela Associação Comercial do Porto sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa defende a opção Portela + Montijo como solução ideal. Os técnicos da Universidade Católica apontam para uma poupança de cerca de dois mil milhões de euros.»



Público: «Um estudo encomendado pela ACP à Universidade Católica incide na análise económica e defende manutenção da Portela, apoiado por uma base low cost na margem esquerda.»



Jornal de Negócios: «A opção "Portela+1", em que o aeroporto adicional fica situado no Montijo, permite um benefício líquido de cerca de dois mil milhões de euros em relação à opção pela Ota»



Agência Financeira: «O estudo que avalia economicamente o mérito da alternativa à OTA, considerando a construção de um segundo aeroporto de Lisboa, que foi divulgado esta terça-feira pela Associação Comercial do Porto (ACP), revela que, na hipótese de não abandono da Portela, mais de 3,6 mil milhões de euros separam a pior e melhor opção. Ou seja, OTA e «Portela+1», com localização no Montijo».



Em suma

Será que os media portugueses só agora acordaram para o facto de que o aeroporto da Portela está positivamente às moscas durante todo o dia, excepto nas duas horas (7h às 8h e das 17 às 18h) em que a TAP faz coincidir chegadas e partidas em faixas horárias coincidentes, para potenciar os voos de ligação entre diversos destinos? Os slots disponíveis na Portela:



Assim sendo, por que se afadigam os senhores governantes num novo e desnecessário aeroporto de Lisboa, no valor de vários milhares de milhões de contos? Será que outros valores mais "baixos" se alevantam? Ou como diz Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006) sobre os projectos da Ota e do TGV - "Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos."


Quid Bono, senhores governantes? Faites vos jeux!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Os slots disponíveis na Portela e as jogadas pouco claras do Governo Sócrates

A gigantesca fraude do "esgotamento" do aeroporto da Portela


SLOTS NA PORTELA

Excerto de um texto de Rui Rodrigues - Site: www.maquinistas.org


Tem surgido na imprensa um argumento relativo à recusa de 'slots' na Portela (direitos de aterragem e descolagem) no período do Verão. O número de slots em causa corresponde a apenas 6,8% do total disponível no aeroporto de Lisboa para todo o ano. Os pedidos de slots podem ser rejeitados às horas de pico, contudo, as aeronaves podem aterrar ou descolar em Lisboa noutra altura do dia de menor tráfego. Esta situação também ocorre nos principais aeroportos da Europa como Paris, Londres e em todos esses casos a situação é muito mais grave.

A informação sobre slots disponíveis nos aeroportos já é possível obter através da Internet bastando, para isso, Ir ao site da ANA-Aeroportos em www.ana.pt e, no final da página, onde se lê "coordenação de slots". Fazer aí um clique e depois podemos ler:

"Ter toda a informação sobre a coordenação de slots ficou mais fácil. Na nova ferramenta do portal ANA pode consultar os slots disponíveis, os slots atribuídos por transportadora e por aeroporto, a legislação nacional e europeia e muito mais fácil".

Sobre os slots disponíveis na Portela. A grande surpresa é verificar que só há limitação de slots das 7h às 8h e das 17 às 18h:



Após se ter visualizado a situação na Portela podemos observar o que se passa no aeroporto de Gatwick, em Londres. Neste, a situação é muito mais grave pois desde as 6 h até às 18 horas os slots ou estão esgotados ou existe ainda 1 ou 2 disponíveis:



Seguidamente, poderemos ver o que se passa no aeroporto de Heathrow. Este aeroporto também tem os slots quase sempre completos e, além disso, o números de voos nocturnos é limitado. Será que estes dois aeroportos vão ser destruídos e encerrados como se pretende fazer na Portela? Evidentemente que não:



Uma das questões que podem ocorrer relativamente à Portela é saber porque é que em determinadas faixas horárias existem poucos slots e nas restantes, que são a maioria, não há qualquer problema. Este problema deve-se essencialmente ao facto da TAP adoptar uma estratégia de hubing, isto é, faz coincidir chegadas e partidas em faixas horárias coincidentes, para potenciar os voos de ligação entre diferentes destinos.


Comentário:

Se, como é facilmente demonstrável, o aeroporto da Portela está positivamente às moscas durante todo o dia, excepto nas duas horas (7h às 8h e das 17 às 18h) em que a TAP faz coincidir chegadas e partidas em faixas horárias coincidentes, para potenciar os voos de ligação entre diversos destinos, para que diabo é necessário um novo aeroporto de Lisboa no valor de vários milhares de milhões de contos?

Será simplesmente para contentar abastados patrocinadores da política como tem sugerido Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006)?

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


Os croupiers de um casino que o grande dinheiro agradece e aproveita:


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terça-feira, agosto 28, 2007

Mário Lino ao Expresso - “Não tenho opinião sobre a Ota”

Entrevista do jornalista Fernando Diogo ao ministro Mário Lino - Jornal Expresso – 25 de Agosto de 2007

Numa feroz entrevista realizada para o Expresso, o jornalista Fernando Diogo almoça no Pabe com o ministro Mário Lino. O ambiente, dada a controvérsia dos temas, foi de cortar à faca. O tom agressivo do jornalista Fernando Diogo para com Mário Lino é revelador da crispação de uma comunicação social interventiva. O ministro Mário Lino foi, por assim dizer, encostado à parede:


Fernando Diogo:

- «Mário Lino fala de si próprio, da Ota, do TGV, de Sócrates, das «gaffes» e do PCP. De coração nas mãos»

- "Um grande sorriso iluminava-lhe a cara redonda e os grandes olhos verdes brilhavam de genuína satisfação."

- «a provocação pelo nosso ligeiro atraso deu-lhe um gozo muito especial»

- «O ministro das Obras Públicas riu-se com gosto»

- «O ministro opta sem hesitações pelos pastelinhos de bacalhau»

- «À hora dos linguadinhos o ministro das Obras Públicas de José Sócrates já está às voltas com a Ota. Sem desculpas esfarrapadas nem subtilezas semânticas, assume que teve de mudar de opinião. "Sou capaz de mudar radicalmente de opinião"»

- «“É verdade que sou muito teimoso, mas não o sou ao ponto de teimar num caminho apenas porque é aquele que sempre defendi” - A confissão [do ministro] é feita num tom de sincera convicção»

- «Apesar do recuo na Ota e da continuação dos investimentos no aeroporto de Lisboa, Mário Lino não se converteu à opção Portela+1, devido em larga medida ao aumento dos custos operacionais e à incerta rentabilidade da operação.»

- «Aterramos e logo seguida apanhamos o TGV para uma curta viagem, durante a qual se percebe que o Governo não vai fazer alterações ao traçado. "Qualquer que seja o local do aeroporto teremos de fazer uma linha ferroviária dedicada. É óbvio que não iremos fazer qualquer estação de TGV na Ota ou em Alcochete".»

- «...mas o seu irreprimível bom-humor leva de vencida a desconfiança e quando completa a frase já o omnipresente sorriso lhe banha a face»

- «As Obras Públicas agradam-lhe, ele que é um executivo nato, um "homem a quem dá grande um gozo fazer coisas", ou não fosse ele um engenheiro»

- «O sentido prático distanciou-o da "esquerda proclamatória" e aproximou-o da esquerda que deixa marcas civilizacionais»


Comentário:

Até que enfim, um repórter consegue, graças a uma agressividade pouco habitual, obrigar um ministro a respostas concretas sobre assuntos vitais para todos nós. Ainda bem que tivemos um Fernando Diogo, ao invés de um Miguel Sousa Tavares (um reconhecido banana), a interpelar um homem do «inner circle» do poder.

Relembremos um inofensivo artigo de opinião neste jornal assinado por Miguel Sousa Tavares sobre os candentes problemas dos transportes do nosso rectângulo:


Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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