sexta-feira, setembro 11, 2009

Boaventura de Sousa Santos - o intenso debate em curso sobre o 11 de Setembro

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.


(...) Acresce que as possibilidades de manipulação dos media nunca foram tão grandes (a politização dos media) como contrapartida do imenso mercado mediático em que a política se transformou (a mediatização da política). Nestas circunstâncias tornou-se mais fácil e mais necessário mentir sempre que a manutenção do poder está em causa. E, pelas mesmas razões, tornou-se cada vez mais difícil encontrar jornalistas e órgãos de comunicação social dispostos a fazer investigação séria que contrarie com fundamento as versões oficiais.

Um dos países em que este problema tem hoje mais acuidade são os EUA. Neste país, as versões oficiais têm tradicionalmente um enorme peso e tendem a ser reproduzidas como verdadeiras sem mais averiguações pelos grandes media. Os jornalistas que as questionam têm sido marginalizados, como aconteceu a I. F. Stone. A verdade é que ao longo dos últimos cem anos foram muitos os casos em que o governo mentiu, como se veio mais tarde a verificar, muitas vezes a partir de... fontes oficiais. As mentiras envolveram quase sempre decisões importantes que justificaram intervenções militares em países estrangeiros.

Assim, continua hoje por esclarecer a causa da explosão no navio de guerra Maine em 1898 no porto de Havana que mobilizou o país para a guerra contra a Espanha com o objectivo de libertar Cuba (saiu a Espanha entrou a United Fruit Company). Sabe-se hoje que o segundo ataque norte-vietnamita no Golfo de Tokin em 1964 foi, de facto, forjado pelos serviços secretos com o fim de justificar a escalada da guerra no Vietname; que o ataque à fábrica de produtos farmacêuticos do Sudão em 1998 foi ordenado por Clinton sabendo que ela não produzia armas químicas; que o FBI nunca teve provas que ligassem a Al-Quaeda a Saddam Hussein; que o governo teve conhecimento detalhado do ataque em preparação às Torres Gémeas e nada fez para o impedir; que à data da invasão do Iraque o governo sabia que não havia armas de destruição maciça; que a luta contra o terrorismo, longe de estar a ter êxito, está a provocar mais terrorismo, estando hoje o país menos seguro que em 2001.

A acumulação recente de mentiras e a revolução nas tecnologias da informação e da comunicação explica o que, à primeira vista, seria impensável: o intenso debate em curso sobre a verdadeira causa do ataque às Torres Gémeas (estaria o governo envolvido?), sobre o colapso das Torres (resultado do impacto ou de explosivos pré-posicionados nos andares inferiores?) sobre o ataque ao Pentágono (avião ou míssil?). O debate envolve cientistas credíveis e cidadãos do "movimento para a verdade do 11 de Setembro", e ocorre quase totalmente fora dos grandes media e sem a participacao de jornalistas. Será que a internet, os vídeos e os telemóveis tornam a mentira dos governos mais difícil?

7 comentários:

Anónimo disse...

"... e sem a participacao de jornalistas"

Jornaleiros

;)

Ana Camarra disse...

Diogo

A 11 de setembro de 1973, Pinochet com o apoio militar dos EUA deu um golpe na democracia chilena, assassinou o Presidente Democráticamente eleito, Salvador Allende, assassinou milhares de chilenos, institui uma ditadura feroz e sanguinaria, com o apoio directo e consciênte dos EUA.
Os chilenos viveram em ditadura, Pinochet morreu de velho, os EUA entre outras coisas continuaram a explorar as maiores minas de cobre do mundo,a maior parte da comunicação social dos EUA e parte da Europa pactuou.
Uma coisa não valida a outra. As vitimas são vitimas e os crimes são crimes.
Há oito anos atrás, as Torres gemeas foram destruidas, cheias de inocentes, muitas duvidas se levantam face ao crime, se foi atentado, se foi serviço interno, se foi explosão ou implosão, se foram os aviões.
Certo é que garantiu ao Bronco Bush mais um mandato, a quebra de liberdades individuais nos EUA, a desculpa para mais uma guerra, um ataque á paz mundial, a recondução de torturas medievais, entre outros mimos.

Seja como for, datade más memórias!

Beijos

O Trigo e o Joio disse...

Ainda ontem vi um documentário, em um policia se apressava a "empurrar" para fora do WTC 7 os últimos empregados, ao que parece cumprindo ordens da empresa dona do edificio. Minutos depois deu-se o colapso do edificio, numa mais que evidente demolição controlada. Acontece que uma demolição por implosão demora semanas a ser preparada. O caso do WTC 7, é sistematicamente omitida pelas media, quando se referem aos atentados.

Diogo disse...

Anónimo, com uma ou outra excepção bem controlada, os “jornalistas” são apenas catatuas que papagueiam o que os donos lhes ditam.


Ana, para aqueles que descartam tudo o que não caiba nas suas cabecinhas pequeninas como «teorias da conspiração», era bom que se lembrassem da actuação no Chile, no Irão (quando repuseram o Xá) e praticamente em todo o lado? Não foram conspirações?

Quanto ao 11 de Setembro não há dúvida que foi o próprio governo americano. Dentre as inumeráveis impossibilidades do golpe, realço a de quatro aviões comerciais, pirateados, andarem totalmente à vontade, durante tempos infinitos, nos céus da mais poderosa potência aérea do planeta. Beijo.


O Trigo e o Joio, a queda do WT7 é outra impossibilidade absoluta desta macacada que os media se esforçam por abafar.

Diz disse...

Obrigada pelo comentário gentil. Pois é,esta gripe... abs,Laura

Zorze disse...

Diogo,

O artigo de Boaventura de Sousa Santos é interessante. Já por si só sair na nossa comunicação social é de realçar.
Mas agora, quantas pessoas o leram? E dos que o leram, o que interpretaram, ou seja, será se o perceberam, na sua profundidade?

As pessoas já estão de tal forma formatadas, que mesmo havendo por aí uns laivos de lucidez, ela passa ao lado.

Essa é a gravidade que, mostra ao ponto a que chegou esta manipulação intensa das sociedades.

Abraço,
Zorze

Alfredo disse...

Parece-me interessante notar que há mentiras e mentiras - os jornalistas são extremamente activos se a mentira envolve um «escândalo», uma festa do Berlusconi, umas massas por baixo da mesa para um ministro, uma opção sexual duma estrela. Mas são completamente «alinhados» nas coisas que não despertam inveja.

Ou seja, o jornalismo não tem a ver com «verdade» mas com a satisfação dos impulsos primários das pessoas, com aquilo em que as pessoas gostam de acreditar.