segunda-feira, dezembro 10, 2007

Judeus e Sionistas – duas faces de duas moedas distintas


Judaism versus Israel


Uriel Zimmer

Depois da catástrofe da II Guerra (…) os judeus encontraram uma multidão de intrometidos arrogantes auto-nomeados líderes e porta-vozes do Mundo Judeu, na maioria dos casos com motivos ulteriores adicionais e muito duvidosos.

Nunca durante o holocausto Nazi, e desde então, os líderes Sionistas deixaram de manobrar os cordelinhos. Quando todo o povo Judeu estava esmagado em agonia com o terrível destino dos seus irmãos, que só furaram a cortina de silêncio forjada pelos Sionistas quando já era demasiado tarde para ajudar, a altura foi considerada oportuna para continuar o processo de "cirurgia geral" segundo o qual o povo Judeu seria transformado numa "nação normal", impondo através da força "um fim do Exílio [Galuth]" através do estabelecimento de um Estado Judeu. A "manobra dos cordelinhos" dos Sionistas durante a era do massacre e depois disso contém vários capítulos que deveriam ter sido, e certamente serão um dia, documentados e discutidos.

Alguns destes factos vieram ao de cima durante o julgamento de Kastner que teve lugar já há uns anos. A discussão pública sobre eles ainda permanece. Por muito interessante e vital que este assunto possa ser, não faz parte do nosso tópico. Não obstante, talvez valha a pena relatar aqui um "pequeno" mas típico exemplo que eu próprio ouvi do mais tarde Rabi Michael Ber Weissmandl, uma testemunha credível de toda a tragédia (Um homem que foi considerado "o justo" [the righteous one] até pelo Procurador Geral de Israel Mr. Chaim Cohen, ver "Criminal File 124" ed. Yediot Acharonot, Tel Aviv).

O Sr. Rabi Weissmandl contou-me o seguinte:

A primeira informação acerca da existência e natureza do campo de extermínio de Auschwitz-Bierkenau foi recebida nos princípios de 1942, através de dois jovens judeus eslovacos (o denominado "Protectorado" da Eslováquia foi o primeiro país situado na órbita Nazi a enviar Judeus para campos de extermínio) que conseguiram escapar milagrosamente para a Eslováquia. Os dois homens apresentaram testemunhos detalhados, números, mapas, diagramas e muitas outras coisas, os testemunhos registados foram feitos na presença de um oficial Consular neutral (o documento já foi em parte publicado em várias revistas, e foi agora publicado na totalidade nas memórias de Rabi Weissmandl). Através de vários artifícios, com risco da sua própria vida e segurança, o Rabi Weissmandl conseguiu enviar este documento aos representantes da "Judiaria Mundial", (a Agência Judia, a JCD [American Jewish Joint Distribution Committee], etc.) na Suíça. Uma resposta foi finalmente recebida depois de uma longa espera: "Entreguei a sua carta a Chayim Weitzman, e ele vai ficar muito satisfeito com ela. Vai ajudar-nos a conseguir o Estado de Israel. ["I have handed your letter over to Chayim (Weitzman), and he will greatly enjoy it. It will help us get the State"]

Nas suas memórias (recentemente publicadas), Rabi Weissmandl menciona o texto original de uma carta recebida da mesma representação Sionista na Suíça, em resposta a um pedido de ajuda que lhes foi dirigido pela Sra. Gizella Fleischman, uma Sionista veterana e uma activa trabalhadora de salvamento durante a guerra. O pedido de ajuda da Sra. Fleischman continha igualmente directivas explícitas de como a ajuda podia ser dada, etc. A resposta foi "Todas as nações aliadas derramaram o sangue dos seus filhos neste esforço de guerra. O que nós queremos é um Estado Judeu, e ("rak b'dam tih'ye lanu ha'aretz") só com sangue poderemos ter um país".

Aqueles que tão eloquentemente acusam outros de difamação sanguinária [blood-libel] por mencionarem estes factos, seria melhor lerem o livro de Rabi Weissmandl e a documentação que ele contém. Mas, repetimos, não é nossa intenção avançar neste assunto. Os exemplos acima são apenas citados de forma a ilustrar o rumo do pensamento Sionista.

O representante acima mencionado de Agência Judaica tinha razão, afinal. O grande desastre na Europa e a desesperada situação dos restantes (judeus) em campos de refugiados depois da guerra foram um trunfo nas mãos da liderança Sionista nas negociações nos corredores da ONU, na Casa Branca em Washington e nas principais capitais. Em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas com uma maioria de dois terços dos votos ratificou as resoluções que exigiam a divisão da Palestina, envolvendo o estabelecimento de um Estado soberano Judeu na parte do território da ex-Palestina [former Palestine Mandate].


Comentário:

As palavras de Rabi Weissmandl parecem confirmar que o povo Judeu foi utilizado, por uma classe de gente muito poderosa, para estabelecer uma base militar permanente, chamada Israel, no coração dos países produtores de petróleo do Médio Oriente. Os Sionistas são, por conseguinte, homens de mão dessa plutocracia planetária e nada têm a ver com Judaísmo. A sua única religião é servir o dinheiro e o poder.

Uma prova de que é a plutocracia planetária quem controla as operações, consiste na Declaração de Balfour, dirigida precisamente a Lord Walther Rothschild:

A Inglaterra expressou o seu apoio ao sionismo com a Declaração de Balfour, que colocou em prática com a aquisição do mandato sobre a região por ocasião da perda dos territórios pelo Império Otomano como consequência da Primeira Guerra Mundial, dando início a um aumento substancial da migração de judeus para lá durante duas décadas até 1945, migração esta que se acentuou com a "solução final" que levou os nazis a «exterminarem mais de seis milhões de judeus» durante a Segunda Guerra Mundial sob o governo de Hitler.

A Declaração de Balfour consta de uma carta escrita a 2 de novembro de 1917 pelo então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, dirigida a Lord Rothschild comunicando-lhe o seu empenho em conceder ao povo judeu facilidades na povoamento da Palestina no caso da Inglaterra conseguir derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.


Israel, o maior e único porta-aviões americano que é impossível afundar

Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.

O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.

Tal como o contribuinte americano, também o contribuinte alemão tem feito o jeito aos Sionistas: o Presidente Congresso Mundial Judaico, Nahum Goldmann, afirmou que metade das infra-estruturas de Israel foram pagas pelos alemães, que todos os comboios de Israel foram pagos pelos alemães, assim como uma grande parte da marinha mercante israelita.

E da Alemanha, o pinga-pinga não pára: no Herald Tribune de 21 de Abril de 2005: Israel calcula os prejuízos do Holocausto em 240 mil milhões de dólares [Israel sets Holocaust damages at $240 billion].


Em suma, não obstante o sofrimento e a morte causados a um incontável número de pessoas de todas os credos e raças, um pequeno grupo de famílias: Rothschild, Rockefeller, Morgan, Mantagu, Harriman, Kuhn, Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Pyne, Sterling, Stillman, Lazard, etc, que dominam há mais de um século a alta finança mundial, edificaram uma sólida base militar, na forma de um Estado Judaico, junto das maiores reservas energéticas do planeta.
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38 comentários:

Johnny Drake disse...

Este excelente resumo a ser simplesmente divulgado em qualquer Universidade Americana ou mesmo pela Europa, seria motivo para ser censurado, criticado, repleto de acusações normais para o politicamente correcto ("racista", "anti-semita", bla bla bla)... O seu autor seria multado, ridicularizado, desacreditado...
Actualmente, questões como esta não precisam de ser "defendidas". Basta aos visados aplicar as leis penais que eles próprios fizeram aprovar...

Liberdade de expressão?! Actualmente é algo em perigo de extinção...

contradicoes disse...

A relação dos EUA com Israel é demasiado forte e comprometedora do seu envolvimento para além do mero interesse económico. A tentativa na sua denuncia embora deva ser fortemente aplaudida infelizmente não vai contribuir para alterar o rumo das coisas e os interesses vão continuar a ser defendidos por ambos os estados. De resto a própria escolha dos dirigentes israelitas passa pelo conhecimento prévio da Casa Branca. Um abraço do Raul

xatoo disse...

Israel e "Estados Unidos" são uma e a mesma coisa, desde que os Sionistas fizeram uma OPA ao território americano cerca de 1900 e picos.
0 "pequeno grupo de familias" derivam basicamente dos 5 ramos da familia Rothchild que se ramificaram numa miriade de outras instituições financeiras. Esses Lehmans aqui citados são os detentores da Lehman Brothers que, com a Goldman Sachs, a Morgan Stanley, a Merryl Lynch, etc são todas propriedades de judeus. Como isto já dura há séculos, desde o gueto de Frankfurt na Idade Média, claro que há subcontratações empresariais com gente que não sendo judia lhes é próxima.
P/e o Jorge Sampaio, no caso de um politico relevante, chegou onde chegou e onde está, pq tb é judeu por parte da mãe, embora pouca gente saiba disto.

xatoo disse...

"o Rabi Weissmandl conseguiu enviar este documento aos representantes da "Judiaria Mundial", (a Agência Judia, a JCD [American Jewish Joint Distribution Committee], etc.) na Suíça"

Diogo,
no caso que ficou conhecido por “The Kosher Connection” - vamos parar ao BCCI o banco suiço fundado em 1959 pelo Dr. Tibor Rosenbaum, um judeu que tinha sido refugiado no Gueto de Budapeste. A séde do Banco abriu num edificio ao lado do Centro Cultural e da Universidade judaicas, nas imediações da Sinagoga de Genebra. De seguida, seguindo as pistas depois do escândalo da falência, vais parar à “Israel Corporation” (presidida pelo Barão Edmond de Rothchild) e ao procurador americano Robert M. Morghentau, que também era judeu.
isto é giro pq
por mais voltas que se dêem vamos parar sempre aos mesmos

Diogo disse...

Xatoo: «por mais voltas que se dêem vamos parar sempre aos mesmos»

Tu levantas uma questão interessante. Vou buscar este trecho para ajudar:

“Os judeus da época estavam proibidos de possuir terra, mas podiam exercer actividades mercantis e financeiras proibidas aos cristãos. Ao enriquecer com esta actividade, os judeus suscitaram generalizada desconfiança: de onde vem esta riqueza, se eles não possuem terras? A "explicação" mais à mão dizia que eles só poderiam estar roubando. Daí surgiu a imagem do povo judeu como um parasita sugador da riqueza das nações, que perdurou até o século XX.”

Contudo, sobretudo no século XX, os judeus começaram-se a integrar nas respectivas comunidades, seja através do casamento, seja através de outras profissões. É natural que existisse um certo espírito de grupo, que os levaria a favorecem-se uns aos outros. Mas isso também acontece com qualquer grupo que se sinta um pouco à parte do resto da comunidade. Os emigrantes portugueses na Suíça, por exemplo, também se sentirão um grupo «à parte». Mas à medida que estas pessoas se forem integrando nas comunidades onde residem, esse «apartheid» vai desaparecendo.

Os sionistas, homens de mão do "pequeno grupo de famílias que deriva basicamente dos 5 ramos da família Rothshild”, com o objectivo de criar a base militar de Israel junto ao petróleo, começou uma campanha de ódio contra os judeus para os obrigar a ir para a Palestina. Esse processo começou a seguir à Primeira Guerra Mundial e acentuou-se durante a Segunda Guerra (com a história do “holocausto”). Hoje, Israel está cheio de descendentes de judeus que já se tinham inserido perfeitamente nas sociedades onde viviam e que foram para lá viver contrariados.

Um judeu é um homem que acredita num Deus, tal como um cristão ou um muçulmano. Aliás, eles até partilham o mesmo Deus.

As pessoas que formam o “pequeno grupo de famílias que deriva dos Rothshild” são ateus. A sua origem pode ser maioritariamente judaica mas a sua religião hoje é o poder e o dinheiro. Tanto se lhes dá massacrar judeus, cristãos ou outros. Os Rothshild não têm qualquer simpatia especial por judeus.

Acoral disse...

xatoo disse...
P/e o Jorge Sampaio, no caso de um politico relevante, chegou onde chegou e onde está, pq tb é judeu por parte da mãe, embora pouca gente saiba disto.

http://www.radioislam.org/islam/english/jewishp/portugal/sampaio-jew.htm

"P/ e o..." quem é P/?

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Diogo,

Já vi o documentário. Compreendo a sua apreensão, mas asseguro-lhe que o documentário tem inexactidões críticas. Aliás, há um momento em que o documentário entra em auto-contradição, precisamente no aspecto mais fulcral. Mas vamos por partes.

O documentário afirma que os bancos podem criar dinheiro para crédito. Como o fazem? Segundo eles, o banco, ao criar o crédito (activo do banco), pede uma garantia, e utiliza essa mesma garantia como depósito (passivo do banco).

Ora, isso é algo que os bancos simplesmente não podem fazer. Como não tenho os elementos legais que me permitam provar esta afirmação, e para evitar a anterior discussão de que eu digo que não é possível, e o Diogo diz-me que é possível, vou utilizar o seguinte procedimento para demonstrar que tenho razão. Primeiro, explicarei qual é o verdadeiro processo. Depois, evidenciarei um conjunto de factos facilmente comprováveis, e que não seriam possíveis caso o processo não fosse o q ue eu descrevi, mas o do documentário.

O que eu afirmo é que os bancos não podem criar dinheiro. Não podem emprestar dinheiro que não têm.

1- O activo dos bancos é composto por imobilizado do banco, pelo crédito concedido a particulares e empresas, pelas aplicações do banco (i.e. crédito a outras sociedades financeiras, ou seja, a outros bancos), e pelas reservas. O conjunto dos passivos é composto pelo capital dos accionistas (capital próprio), pelos depósitos dos clientes, e pelo crédito pedido a outros bancos.

2- Se o documentário tivesse razão, então o conjunto dos passivos do banco seria composto pelo capital dos accionistas, e pelas garantias prestadas pelos clientes aquando da cedência de crédito. Poderia ainda haver um valor reduzido de depósitos, mas muito diminuto (inferior a 10% do valor do crédito concedido), mas em caso algum haveria dívidas a outros bancos (porque motivo teria o banco que se endividar?)

3- Decorre do anterior que os bancos não teriam grande interesse em captar depósitos dos clientes. Nomeadamente, depósitos a prazo, uma vez que os depósitos à ordem seriam suficientes para cobrir as necessidades para concessão de crédito. Mais, porque motivo haveriam os bancos de pagar taxas de 3%, 4% ou mesmo 10% para captar depósitos? Não haveria motivo. Porque motivo estariam os bancos em competição para captar depósitos? Por nenhum, pois não precisariam de depósticos para nada.

4- O documentário responde a esta questão afirmando que os bancos teriam uma obrigação de ter em depósitos à ordem de clientes um valor superior a 10% do crédito concedido. Ups…erro fundamental…se os bancos precisam de mais 10% de DO do que crédito, então isso significa que teriam em caixa o dinheiro necessário para emprestar. Mas que não emprestavam esse, mas um outro dinheiro "criado". Mas no entretanto, precisavam de retirar de circulação 1,1x o dinheiro que teriam criado. Significaria na verdade, uma taxa de reserva de 110%, e não de 10%... Mas adiante, vamos ignorar o cício fundamental deste argumento. Ainda assim, não é verdade o que é afirmado. De todos os 5 maiores bancos portugueses, apenas a CGD tem mais DO do que crédito concedido. Ou seja, não é verdade que os bancos necessitem tanto dos depósitos de clientes.

5- Porque podem "criar" dinheiro? Não. Porque podem pedí-lo emprestado a outros bancos. O que nunca fariam se pudessem criar dinheiro. Mas fazem. Já ouviram falar na Euribor? A Euribor é a taxa de empréstimo interbancária, i.e., a média das taxas praticadas nos empréstimos entre bancos. Mais, conhecem o conceito de spread? O spread é a receita do banco (que serve para cobrir a margem de lucro, o custo de oportunidade da reserva, e o custo do risco de crédito). Se os bancos criassem o seu dinheiro, porque motivo ter taxas indexadas? Se os bancos criassem dinheiro as taxas seriam exactamente iguais aos spreads agora praticados.

6- Aliás, indexadadas a quê? Quanto muito indexadas às taxas directoras dos bancos centrais. Mas, se o banco pode criar dinheiro para emprestar ao banco central, porque não emprestar dinheiro "criado" ao banco central, onde nem sequer existe risco de crédito? Ou, mesmo que não pudessem emprestar dinheiro ao banco central, porque motivo pediriam dinheiro emprestado a este? Como é que as taxas definidas por este teriam qualquer impacto na actividade dos bancos? Simplesmente não teriam.

7- O banco tem que manter em depósito um valor que representa parte do valor emprestado. Uma reserva de 10% significa que para um empréstimo de 100€, o banco tem que manter em depósito 10€. Ou seja, é dinheiro que não pode emprestar a ninguém (excepto aos bancos centrais). Significa isto que tendo um depósito de 10€, o banco pode "criar" 100€? Não. O banco tem agora que pedir 100€ emprestados. Sim: 100€! Não 90€, porque 10€ já estão usados como reservas. E pode pedí-los emprestados a outros bancos, ou aos seus clientes (depósitos). Os bancos preferem pedir dinheiro emprestado aos clientes porque é mais barato que pedir emprestado aos outros bancos. Há um motivo simples. Supondo que eu pago 4% de juros aos meus depositantes, só estarei disposto a emprestar a pelo menos 4,4% a outros bancos, pois tenho que fazer uma reserva de 10% (e o banco a quem emprestei só o fará a 4,8%, pois também teve que fazer uma reserva). Note-se que em nenhum momento entrei em contradição com o que disse no ponto 4.

8- Pode-se dizer a coisa de outra forma. Se tiver 100€ de depósitos, posso emprestar ~90€. Estes 90€ serão re-depositados no sistema bancário, onde darão origem a um empréstimo de 81€, e daí por diante. Aqui estamos de acordo. Existe um factor de multiplicação da massa monetária em resultado da actividade dos bancos. Neste caso, é um multiplicador de 10x.

9- Mas se os bancos pudessem criar dinheiro da forma como é dito, o multiplicador do crédito não seria 10, mas infinito. Se o banco tem 100 e pode emprestar 1000, e se alguém depositar estes 1000 noutro banco e este pode criar 10.000, e assim por diante o dinheiro é infinito. Tendo em conta que a inflacção relaciona-se fortemente com o volume de massa monetária, a inflacção seria infinita (ou algo próxima da do Zimbabué: 15.000%, onde o banco central emite dinheiro de forma contínua). Porque motivo não é? Porque os bancos não podem "criar" dinheiro. É verdade que a actividade dos bancos aumenta a massa monetária em circulação. Mas a sua capacidade de fazer isto é limitada tanto pelo valor das reservas, como pelo preço que têm que pagar pelo dinheiro. Ou seja, uma taxa do banco central mais alta significa que o dinheiro fica mais caro para os bancos, que o repercutem para os clientes, reduzindo assim a procura de crédito. Por outro lado, as taxas de reserva limitam o factor multiplicativo dos depósitos, como vimos atrás. Quando os bancos centrais querem restringir drasticamente a massa monetária, obrigam ao aumento das taxas de reserva (e indirectamente ao preço do crédito, como vimos no ponto 7. Uma taxa de 20% passaria a taxa interbancária de 4,4% para 4,8% e a dos empréstimos a clientes para 5,3%).

10- Assim, tendo em conta que a inflação não é infinita, que existem taxas de empréstimos interbancários, que existem taxas directoras dos bancos centrais, que os bancos não pagam valores residuais pelos depósitos a prazo, que existem spreads indexados a taxas interbencárias, etc., a conclusão só pode ser uma: os bancos não podem utilizar as garantias prestadas pelos clientes como equivalente a depósitos. Ou seja, os bancos não podem "criar" dinheiro.

Acoral disse...

"P/ e o..." quem é P/?"

:( está tudo junto, será paralelamente?

Diogo disse...

Menezes: «Pode-se dizer a coisa de outra forma. Se tiver 100€ de depósitos, posso emprestar ~90€. Estes 90€ serão re-depositados no sistema bancário, onde darão origem a um empréstimo de 81€, e daí por diante. Aqui estamos de acordo. Existe um factor de multiplicação da massa monetária em resultado da actividade dos bancos. Neste caso, é um multiplicador de 10x. Mas se os bancos pudessem criar dinheiro da forma como é dito, o multiplicador do crédito não seria 10, mas infinito. Se o banco tem 100 e pode emprestar 1000, e se alguém depositar estes 1000 noutro banco e este pode criar 10.000, e assim por diante o dinheiro é infinito.»

«O que eu afirmo é que os bancos não podem criar dinheiro. Não podem emprestar dinheiro que não têm.»



Diogo: Pois você está redondamente enganado Menezes. Vá ao Google e procure por "Fractional Reserve Banking":


Fractional versus 100% Reserve Banking By Morris J. Markovitz

Morris Markovitz is President of a Wall Street management firm.

To show this, let us first summarize both sides of the debate. The 100-percenters say that in a free society, force is outlawed, a statement both sides can endorse. Next, since fraud is a form of (implicit) force, it too must be banned. Since a fractional reserve system promises to pay specie in amounts greater than what actually exist, that promise is a fraud. Therefore, the 100-percenters contend, a fractional reserve banking system has no place in a free society.

The fractional reserve advocates, who disagree with the 100-percenters, also base their arguments on free market principles. In a free market, they say, anyone can do what he wants as long as he doesn’t use force against others. This includes banks. If a bank issues notes that aren’t 100 per cent backed by specie, by what right do we stop them? They aren’t forcing people to accept the notes.



From Wikipedia - How a bank can lend more than it has:

Reserves (silver, gold, and U.S. Bonds in past banking eras and U.S Bonds or Credit in the present banking era) are a special form of money which can be held by the commercial banks either in their vaults or on deposit at the central bank. They are generally described as a "high-powered" form of money and are needed to perform fractional reserve banking. When a bank is in possession of bank reserves this means that it is able to lend more currency to others than it has on deposit.

If we imagine a bank which has $100 in reserves, with a 20% reserve ratio the bank would be able to lend up to $400 without breaching the ratio. Hence, through each round of lending a portion is held in reserve until that portion approaches a limit of Zero and the issued credit lent into existence approaches of a limit of $400. Thus begetting a sum total of credit dollars approaching $500 total dollars (The initial seed currency "high-powered money" plus newly issued bank created credit dollars).



Murray N. Rothbard - Fractional Reserve Banking:

Let's see how the fractional reserve process works, in the absence of a central bank. I set up a Rothbard Bank, and invest $1,000 of cash (whether gold or government paper does not matter here). Then I "lend out" $10,000 to someone, either for consumer spending or to invest in his business. How can I "lend out" far more than I have? Ahh, that's the magic of the "fraction" in the fractional reserve. I simply open up a checking account of $10,000 which I am happy to lend to Mr. Jones. Why does Jones borrow from me? Well, for one thing, I can charge a lower rate of interest than savers would. I don't have to save up the money myself, but simply can counterfeit it out of thin air. (In the nineteenth century, I would have been able to issue bank notes, but the Federal Reserve now monopolizes note issues.) Since demand deposits at the Rothbard Bank function as equivalent to cash, the nation's money supply has just, by magic, increased by $10,000. The inflationary, counterfeiting process is under way.



Modern Banking and the Fractional Reserve System

Do you know where the bank gets the $160,000 for your mortgage? It's very simple. Someone walks over to a computer and types 160,000 beside your name. With only $27.93 of cash reserves for every $10,000 of assets (as of June 1999) the bank has just created the remaining $159,553 of that interest-earning money out of thin air. When, after 25 years of hard work, you pay off your mortgage, the $159,553 vanishes back into thin air. Not so the interest however. It vanishes into the banker's pocket. Chartered (i.e. privately owned) banks, such as The Bank of Montreal, The Royal Bank, The CIBC, etc. have created about 95 percent of our total money supply ($589.1 billion as of Sept 1999) in exactly this way. But the cash reserves in their vaults amount to only a paltry $3.893 billion. (About $32 billion of cash circulates in public hands.) This is called fractional reserve banking, and it's the greatest scam of all time because it creates debt for no reason other than to enrich the banking class.

luis oliveira disse...

Caro Pedro Menezes Simões:

O argumento 9, que é facilmente entendível, é mais do que suficiente para refutar estas teses delirantes.

No entanto, se espera convencer alguém por aqui, acho que vai dar o seu tempo por mal empregue. Prepare-se para links "irrefutáveis" e aritmética "dioguiana" que o farão revirar os olhos.

E para uma boa barrigada de riso.

luis oliveira disse...

Puxa, mais rápido que a própria sombra! Nem o vi ultrapassar-me!

luis oliveira disse...

Muito bom o artigo da wikipedia:

"The neutrality of this article is disputed.
Please see the discussion on the talk page.(December 2007)
Please do not remove this message until the dispute is resolved.
The factual accuracy of this article is disputed."

LOL!

Pedro Menezes Simoes disse...

"Diogo: Pois você está redondamente enganado Menezes."

Argumente comigo, p.f., em vez de me indicar links. O primeiro link em nada vai contra o que eu afirmei. Antes pelo contrário.

O 2º link, da wikipedia, tem a sua neutralidade questionada. Pudera: tem erros factuais graves.

O 3º link é apenas propaganda, baseada nos mesmos erros do vídeo que me mostrou.

De resto, parece-me que se está a confundir duas coisas. Uma, é a possibilidade dos bancos emprestarem o dinheiro dos seus depositantes. (sem "fractional reserve banking" tal não é simplesmente possível). Ora, como todos sabemos que o banco empresta o nosso dinheiro, não vejo qual o problema.

Outra, é o facto de que o valor da moeda não está relacionada com nenhum activo subjacente. Ou seja, o facto do dinheiro não ser convertível num activo como o ouro, e no facto consequente de que os bancos centrais (mas não os comerciais) poderem emitir moeda de forma ilimitada. No entanto, essa discussão nada tem a ver com o facto dos bancos criarem dinheiro.

Do meu lado, fico à espera que contra-argumente, ou alternativamente que aceite a minha explicação. Eu apontei todos os vícios de raciocínio e factos incorrectos da teoria que me apontou. O Diogo limitou-se a repetir as mesmas teorias. Teorias que a realidade desmente de forma arrasadora. Por uma simples razão: ao contrário do que sucedia no século XIX, hoje o monopólio da emissão da moeda pertence aos bancos centrais, e não aos bancos comerciais.

Pedro Menezes Simoes disse...

De resto, aconselho-o a ler a discussão no wikipedia.
http://en.wikipedia.org/wiki/Talk:Fractional-reserve_banking#Disputed

Note-se que o texto do wikipedia confunde tudo. Confunde a inexistência de um padrão-ouro com fractional reserve (1) e o fractional reserve com a possibilidade de criar dinheiro (2). Note-se que a confusão (2) deriva da (1).

(1) Padrão ouro significa que toda a moeda emitidad tem um activo subjacente (i.e. o ouro)

Antes de se abandonar o padrão ouro, os bancos centrais começaram a usar o fractional reserve, i.e., a emitir mais moeda do que o valor que tinham em ouro (algo que os bancos comerciais tinham feito décadas antes, mas entretanto foi proibido).

A inexistencia do padrão ouro significa que os bancos centrais (e nunca os comerciais) podem emitir moeda sem ter um activo subjacente.

Portanto, do padrão ouro para o padrão "dólar" houve um período de fractional reserve, mas que é diferente do fractional reserve da banca comercial.

(2) Fractional reserve na banca comercial significa apenas que os bancos comerciais têm que manter em reserva uma parte do dinheiro que emprestam (mas nunca que podem criar moeda). Usam 10% dos depósitos para reservas, e 90% do depósito para empréstimos.

Como é que o (1) cria a confusão no (2). Simples. Alguém confundiu o fractional reserve dos bancos centrais com o dos bancos comerciais e pensou que estes podiam emitir moeda. Como se vê, é um total disparate.

De resto, não digo mais. Na discussão da wikipedia está lá tudo.

Diogo disse...

Caro Menezes, vamos então a um exemplo (para uma reserva obrigatória de 10%):

No Banco A são depositados $100 em dinheiro-notas.

O Banco A faz um empréstimo de 90$ ao Manel criando uma conta de depósitos à ordem no valor de $90 (isto é dinheiro-crédito). Este empréstimo vai ter de ser pago com juros.

O Manel passa um cheque de $90 ao Jaquim (para lhe comprar um carro) e este deposita-o no Banco B. Por este cheque, o Banco B pede ao Banco A 90$ em dinheiro-notas.

Note-se que o Manel está a dever 90$ ao Banco A que neste momento só tem $10 de reserva no cofre. No Banco B estão agora $90 em dinheiro-notas.

O Banco B faz um empréstimo de 81$ ao Lopes criando uma conta de depósitos à ordem no valor de $81 (em dinheiro-crédito). Este empréstimo vai ter de ser pago com juros.

O Lopes passa um cheque de $81 ao Mário (para lhe comprar um televisor) e este deposita-o no Banco C. Por este cheque, o Banco C pede ao Banco B 81$ em dinheiro-notas.

Note-se que agora o Manel está a dever 90$ ao Banco A e que o Lopes está a dever 81$ ao Banco B, que neste momento só tem $9 ($90 - $81) de reserva no cofre. No Banco C estão agora $81 em dinheiro-notas.

Neste momento, o Manel e o Lopes devem $171 à banca, que vão pagar ao longo do tempo com juros.

Etc., etc., etc.

Não sei se reparou, mas o Banco B, que começou com $0, tem neste momento $9 em dinheiro-notas de reserva no cofre e o Lopes deve-lhe $81 com juros. Como o Banco deve ao Jaquim $90, o banco está a empochar a diferença dos juros que recebe do Lopes (pelo empréstimo), dos juros que paga ao Jaquim (pelo depósito). Ou seja o Banco está a receber juros de nada.

No fim desta triste história, haverá rapaziada a dever um total de $900 mais juros para um depósito inicial de $100 em dinheiro-notas. Estes $900 de dinheiro-crédito foram criados do nada, mas pagam juros.

Supondo que havia dez bancos envolvidos (e que a coisa estava repartida irmanamente), cada banco, a partir de $10 em reservas de dinheiro-notas, criou $90 em dinheiro-crédito.

Any question?

xatoo disse...

carissimo Pedro Menezes Simões:
se não existe nenhuma possibilidade (vista por si, claro) de os Bancos Centrais criarem dinheiro ficticio,
eu gostaria que nos desse uma explicação lógica para o facto de Ron Paul, um dos principais candidatos republicanos à presidência dos EUA, questionar veementemente o actual responsável do FED pela criação de,,, "dinheiro ficticio" que o ouviu atentamente - estarão os dois loucos?
(a entrevista passada na tv está aqui)

Diogo:
Qualquer um destes dois cavalheiros é Judeu (provavelmente laicos)

Pedro Menezes Simoes disse...

Diogo, o seu raciocínio está perfeitamente correcto.

Excepto num ponto: "Ou seja o Banco está a receber juros de nada."

Falso. O Banco assume o risco de crédito. Vamos supor (por simplificação), que o banco tem 10 depositantes (100€/pessoa), e emprestou o dinheiro a 10 devedires (900€/pessoa) que pagam 5% ao ano (50€)

Se um dos devedores só pagar metade (-45€), o banco vai ter de usar os juros dos outros (50€) para cobrir a dívida que tem aos depositantes. Se não fosse suficiente, teria que usar o capital dos accionistas.

O que sobra é a remuneração do banco. E que consiste na recompensa por encontrar devedores dispostos a pagar juros pelo dinheiro dos depositantes, e por assumir esse risco de crédito.

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Xatoo,

eu não afirmei que os Bancos Centrais não podem criar dinheiro. Antes pelo contrário, só eles podem criar dinheiro do nada. Os bancos comerciais é que não o podem fazer.

Quanto aos Bancos Centrais são, de facto, um perigo quando estão nas mãos dos políticos, pois são quase sempre uma forma de aplicar um imposto escondido: a inflação. Uma medida que, graças a Deus, já não podemos tomar em Portugal.

Veja por exemplo o PCP, que defende a saída do Euro e desvalorização da moeda. Isso corresponde a uma desvalorização real dos salários. Conhece algum comunista que queira verdadeiramente isso?

luis oliveira disse...

[encontrar devedores dispostos a pagar juros pelo dinheiro dos depositantes]

É essa a funçaõ fundamental dos bancos: fazer o encontro de quem tem um excedente de capital disponível e o quer rentabilizar com quem precisa dele para o investir.

Por este serviço essencial à sociedade os bancos fazem-se renumerar, naturalmente. E assim criam valor para si, não a partir do nada, mas como resultado do seu trabalho. E criam valor para toda a sociedade com o aumento de produtividade brutal que o sistema bancário permite.

O diogo está preocupado por que isto gera obrigações (dinheiro-crédito na sua lingua de trapos). Parece que alguém é obrigado a recorrer aos bancos... Eu diria que se as pessoas recorrem aos bancos é porque vêem alguma vantagem nisso. O diogo claro que não, com certeza põe o dinheiro debaixo do colchão!

É, não é!? Pois, está-se mesmo a ver!

xatoo disse...

Pedro Menezes Simoes
ponto 1 - os Bancos Centrais podem criar moeda, os Bancos Comerciais não podem. Certo?
Mas aqui é que bate o ponto. É que os Bancos Centrais (leia-se por exemplo o FED, a mãe de todos os bancos) são bancos comerciais, na medida em que pertencem a entidades privadas e actuam exclusivamente em função da obtenção de lucros.Em favor de quem? - não sabemos.
O Banco de Portugal não é um banco comercial. Porém depende e está subjugado às politicas monetárias implementadas pela BCE, que por sua vez tem de determinar as politicas europeias em função do FED. Compreende?, é um rede muito bem montada e estruturada, que foge completamente à soberania dos Estados nacionais. (Quem é que elegeu V.Constâncio e a quem presta ele contas?). Essa rede, na prática recolhe, por via da concessão da emissão de moeda a crédito e da obrigatioriedade do cumprimento dos défices nacionais, lucros sobre quase todas as economias mundiais. A causa das crises cíclicas reside nos juros exponenciais cobrados por duas instituições chave: o Banco Mundial (ou o BIRD onde até há pouco tempo esteve o judeu Wolfwitz) e o FMI que elabora os projectos técnicos de endividamento.

ponto 2 - "graças a Deus" não será propriamente um conceito racional sobre o qual eu me possa pronunciar

ponto 3 - Quanto ao problema do crash mundial em curso não gostaria de estar na pele dos decisores. Escolha:
Ou baixam os juros (o que aconteceu hoje) e baixam, baixam e morrem à mingua
Ou “fabricam” dinheiro e o despejam para tapar falências em dominó e morrem de enfarte (e morremos nós tb, com a tal inflação)

luis oliveira disse...

[os Bancos Centrais ... são bancos comerciais, na medida em que pertencem a entidades privadas e actuam exclusivamente em função da obtenção de lucros]

Ah, sim!? Que interessante. Qual é a estrutura accionista do banco de Portugal? Quem são os seus donos? Qual foi o seu lucro em 2006?

xatoo disse...

como de costume não percebeste nada Oliveirinha
O Banco de Portugal em termos de volume de negócios é absolutamente desprezivel, por exemplo em comparação com o Banco da Mitshubishi,(que se chama Banco de Tokyo e é um banco comercial)
Onde eu quero chegar é que "Portugal" é uma empresa como outra qualquer. O volume de crédito concedido repercute-se em re-empréstimos aos bancos centrais que controlam a emissão de moeda (BCE e FED)E é por essa via que pagamos juros. Até na estrutura pública do BP saímos prejudicados, uma vez que o V.Constâncio aufere um ordenado maior que o presidente do FED americano.Porque será? Por bons serviços, como é evidente.(pq esta "crise" desde o golpe da tanga tem-lhes valido uns bons milhões de lucro.

Diogo disse...

Caro Menezes,

Ao contrário do que você afirma, os bancos recebem de facto juros de nada.

Relembro um dos meus últimos pontos (com os quais você já concordou inteiramente): «No fim desta triste história, haverá rapaziada a dever um total de $900 mais juros para um depósito inicial de $100 em dinheiro-notas. Estes $900 de dinheiro-crédito foram criados do nada, mas pagam juros.»

Donde, a partir de apenas $100 de dinheiro-notas, os bancos criaram $900 de dinheiro-crédito, out of thin air, que emprestaram com juros. Este dinheiro-crédito é real. Circula na economia e conta para a inflação. É incluído na massa monetária M1, que inclui a circulação monetária e os depósitos à ordem, O Lopes pode perfeitamente passar um cheque de $300 ao Manel (e no entanto só existem $100 de dinheiro-notas na economia).

Portanto, se os bancos criaram dinheiro ($900) a partir do nada e o emprestam com juros, então vão receber juros desse dinheiro que eles criaram a partir do nada. È este passe de mágica que torna a actividade bancária tão gratificante.

Isto, meu caro, é um roubo de proporções bíblicas. Os bancos emprestam dinheiro que não têm, que criaram a partir do nada, graças ao esquema das reservas obrigatórias, e recebem juros por esses «empréstimos».

Eu e você não podemos fazer isso. Se eu emprestar dinheiro a alguém com juros, eu tenho de ter esse dinheiro para o poder emprestar. Os bancos não. Os bancos criam-no do nada e emprestam-no com juros.


Meneses: «Se um dos devedores só pagar metade (-45€), o banco vai ter de usar os juros dos outros (50€) para cobrir a dívida que tem aos depositantes. Se não fosse suficiente, teria que usar o capital dos accionistas. O que sobra é a remuneração do banco. E que consiste na recompensa por encontrar devedores dispostos a pagar juros pelo dinheiro dos depositantes, e por assumir esse risco de crédito.»

Meu caro Meneses, você traçou um quadro muito negro. Vejamos, de facto, as percentagens de crédito malparado no mundo real – no Jornal de Negócios (Setembro de 2007): o crédito malparado representa actualmente 1,8% do crédito total. O crédito à habitação que representa 79,8% do total concedido. Repare, Menezes, que o crédito à habitação implica a existência de hipotecas, que os bancos podem executar quando há incumprimento. Ou seja, praticamente 80% (79,8%) de todo o crédito malparado está na habitação que está mais ou menos seguro pelas hipotecas. Quer isto dizer que 0,36% (1,8% * 20%) do crédito total é que está verdadeiramente em risco. Se eu fosse accionista acho que poderia dormir muito descansado e muito recompensado.

Pedro Menezes Simoes disse...

"É que os Bancos Centrais (leia-se por exemplo o FED, a mãe de todos os bancos) são bancos comerciais"

Isso é absolutamente falso. Não foi o seu presidente indicado pelo governo dos EUA? Só que uma vez nomeado, tem independência. Ainda bem. Caso contrário aconteceria como em Portugal na década de 80, com várias crises sucessivas porque o governo adiava os problemas emitindo moeda.

"Essa rede, na prática recolhe, por via da concessão da emissão de moeda a crédito e da obrigatioriedade do cumprimento dos défices nacionais, lucros sobre quase todas as economias mundiais."

?!?!? Emissão de moeda a crédito?!? O que significa isso? E qual o problema do cumprimento dos défices nacionais? Não percebo. Por um lado quer acabar com os bancos, por outro quer que os estados utilizem o crédito...

"A causa das crises cíclicas reside nos juros exponenciais"
A causa das crises cíclicas reside apenas nos mercados financeiros?|? Juros exponenciais, o que é isso?!?

"cobrados por duas instituições chave: o Banco Mundial (ou o BIRD onde até há pouco tempo esteve o judeu Wolfwitz) e o FMI que elabora os projectos técnicos de endividamento."

Sobre estas entidades o problema é outro: chama-se corrupção. Chama-se pagar a consultores que convencem ditadores em áfrica a assinarem empréstimos bilionários, e depois esses ditadores ficam com algum, e os consultores ficam com uma comissão. Mas nós em Portugal já recorremos ao FMI, e olhe, deu muito jeito.

"Quanto ao problema do crash mundial em curso"
Qual crash mundial em curso?


"Escolha: Ou baixam os juros (o que aconteceu hoje) e baixam, baixam e morrem à mingua"
Quem é que morre à mingua? Porquê?

Pedro Menezes Simoes disse...

"Portanto, se os bancos criaram dinheiro ($900) a partir do nada e o emprestam com juros, então vão receber juros desse dinheiro que eles criaram a partir do nada. È este passe de mágica que torna a actividade bancária tão gratificante."

Estou a ver que, embora o Diogo descreva bem os mecanismos, não os consegue compreender. Está a ignorar uma questão essencial. Se não houver redepósito do primeiro empréstimo, não há reempréstimo. E o "redepósito" exige remuneração. Exactamente a mesma que o depósito inicial. Suponha que há um depósito inicial em cash de 100€, a uma taxa de 4%. O Banco pode criar 900€ de crédito, emprestando a 5%. Quanto recebe o Banco? 45€. E quanto paga? Se criasse dinheiro a partir de "thin air", pagava 4€. Mas não, paga 40€. Não pode ignorar os re-depósitos.

"Eu e você não podemos fazer isso. Se eu emprestar dinheiro a alguém com juros, eu tenho de ter esse dinheiro para o poder emprestar."
Não, não tem. Pode pedí-lo emprestado a outra pessoa para o reemprestar, que é o que os bancos fazem. E o Diogo tem que fazer uma reserva, ao contrário dos bancos. E estará a criar ainda mais dinheiro que os bancos. Meta isto na cabeça: os bancos pedem emprestado o dinheiro que emprestam a outros. A depositantes, ou a outros bancos. Em última análise, é sempre aos depositantes. E os bancos PAGAM por esse dinheiro, tal como você e eu pagamos pelos nossos empréstimos. Nem mais, nem menos.

"Meu caro Meneses, você traçou um quadro muito negro. Vejamos, de facto, as percentagens de crédito malparado no mundo real – no Jornal de Negócios (Setembro de 2007): o crédito malparado representa actualmente 1,8% do crédito total."
Suponha que 50% desse crédito nunca chega a ser pago. Significa pelo menos 1% de spread adicional. Quanto à questão do crédito à habitação, não é à toa que o spread é cerca de 0,5%.
O que o Diogo está a propor é que os bancos deixem de pagar juros nos depósitos, e que não reponham o capital dos depositantes quando os empréstimos correm mal.
Não percebo mesmo qual o seu problema. O sistema é transparente e remunera todas as partes envolvidas. Só tem crédito quem quer, e só tem depósitos quem quer. Há liberdade de entrada e saída no negócio bancário. O Diogo pode fundar um banco e conceder crédito gratuito, se entende ser essa a melhor situação. Até pode não pagar pelo dinheiro dos depositantes, uma vez que entende que esse é dinheiro que não existe. Até pode conceder crédito a taxas muito baixinhas, se quiser remunerar o seu trabalho. Todas as partes são livres, a informação é absolutamente transparente. Os bancos até têm, na verdade, regras muito mais restritas do que nós, que não temos que fazer reservas.

augustoM disse...

É o que eu advogo. Israel existe porque os EU querem, porque têm interesse nisso. Quem é que está mais próximo da Rússia e da China?
Um abraço. Augusto

xatoo disse...

P.M.Simões

Aquilo a que eu chamei de juros exponenciais é o pagamento de juros sobre juros, e outra vez sobre juros, etc, consoante se vencem as dívidas e se vai reformando os prazos de pagamento (vide p/e o caso das letras comerciais)
Um caso de endividamento induzido muito conhecido é o do Brasil que desde a “nova república” tem sido o mais importante devedor do Fundo Monetário Internacional. Até 2002 Brasil recebeu empréstimos no valor total de US$ 58 biliões, ou seja, cerca de 1/4 do valor total dos empréstimos concedidos pelo FMI aos seus 14 principais clientes. Como não os pode pagar actualmente o Brasil paga cerca de 2/3 do valor das suas exportações para pagamento do serviço da Dívida (900 milhões de dólares só de juros) O poder dos credores da banca controlada pelo FED sobre a sua economia é absoluto! No nosso caso, Portugal tem a 3ª maior dívida externa do mundo logo a seguir aos EUA e ao Brasil.

Estados Unidos $ 1,400,000,000,000
Brasil $ 223,600,000,000
Portugal $ 211,700,000,000

se tivermos em conta que aqueles dois tem muito mais habitantes, então Portugal terá uma das maiores dívidas externas per capita (por habitante) do mundo e o valor total da dívida é superior ao Produto Interno Bruto total do país que é cerca de $ 130,000,000,000 (dados de 2005) Compreende-se agora que é o endividamento e o pagamento dos juros da dívida que causam a crise. Os EUA resolvem-na pela emissão de dinheiro fictício e nós (o Governo) estamos a tentar resolvê-la parasitando politicamente os Neocons de Washington para alimentar uma elite gordurosa

ps: quanto ao facto de não querer reconhecer a natureza privada do FED (que como aqui procuro explicar é em ultima análise o gestor deste sistema de endividamento) é lá consigo. É uma questão de voltar a ler os “n” posts sobre a questão que o Diogo tem aqui trazido anteriormente

luis oliveira disse...

[quanto ao facto de não querer reconhecer a natureza privada do FED ... é lá consigo]


Isto faz lembrar a anedota do maluco que vai na ponte em sentido contrário. Se todos os outros condutores não querem reconhecer que vão em sentido contrário é lá com eles.

De resto este blog bem se poderia chamar "O maluco da ponte"...

Diogo disse...

Menezes: «Estou a ver que, embora o Diogo descreva bem os mecanismos, não os consegue compreender. Está a ignorar uma questão essencial. Se não houver redepósito do primeiro empréstimo, não há reempréstimo. E o "redepósito" exige remuneração. Exactamente a mesma que o depósito inicial. Suponha que há um depósito inicial em cash de 100€, a uma taxa de 4%. O Banco pode criar 900€ de crédito, emprestando a 5%. Quanto recebe o Banco? 45€. E quanto paga? Se criasse dinheiro a partir de "thin air", pagava 4€. Mas não, paga 40€. Não pode ignorar os re-depósitos.»

Diogo: Obviamente que tem de haver redepósito dos empréstimos. É essa a lógica do sistema. Só assim os bancos criam dinheiro a partir do nada. Só assim transformam $100 em $900. E evidentemente que os bancos pagam aos seus clientes uma taxa pelos depósitos. Mas cobram juros superiores a isso. É esse diferencial nos juros que os bancos empocham do dinheiro criado out of thin air.



Diogo: "Eu e você não podemos fazer isso. Se eu emprestar dinheiro a alguém com juros, eu tenho de ter esse dinheiro para o poder emprestar."

Menezes: «Não, não tem. Pode pedi-lo emprestado a outra pessoa para o reemprestar, que é o que os bancos fazem. E o Diogo tem que fazer uma reserva, ao contrário dos bancos. E estará a criar ainda mais dinheiro que os bancos. Meta isto na cabeça: os bancos pedem emprestado o dinheiro que emprestam a outros. A depositantes, ou a outros bancos. Em última análise, é sempre aos depositantes. E os bancos PAGAM por esse dinheiro, tal como você e eu pagamos pelos nossos empréstimos. Nem mais, nem menos.»

Diogo: Você está a fazer uma confusão desgraçada Menezes. Eu não tenho que fazer reservas nenhumas. Posso emprestar o que tenho, ou posso pedir emprestado para emprestar. Se pedir emprestado tenho que o pagar. Mas não posso criar dinheiro.

Agora os bancos comerciais, graças às reservas obrigatórias, criam dinheiro. Graças aos empréstimos e redepósitos conseguem transformar $100 em $900. E as pessoas pagam juros desses empréstimos e cobram juros desses redepósitos. É essa diferença de juros que os bancos empocham.



Menezes: «O que o Diogo está a propor é que os bancos deixem de pagar juros nos depósitos, e que não reponham o capital dos depositantes quando os empréstimos correm mal. Não percebo mesmo qual o seu problema. O sistema é transparente e remunera todas as partes envolvidas. Só tem crédito quem quer, e só tem depósitos quem quer. Há liberdade de entrada e saída no negócio bancário. O Diogo pode fundar um banco e conceder crédito gratuito, se entende ser essa a melhor situação. Até pode não pagar pelo dinheiro dos depositantes, uma vez que entende que esse é dinheiro que não existe. Até pode conceder crédito a taxas muito baixinhas, se quiser remunerar o seu trabalho. Todas as partes são livres, a informação é absolutamente transparente. Os bancos até têm, na verdade, regras muito mais restritas do que nós, que não temos que fazer reservas.»

Diogo: O que eu estou a dizer é que os bancos não deviam poder cobrar juros de dinheiro por eles criado. Do nosso exemplo, eles só poderiam cobrar juros de $100, que é de facto o dinheiro–notas que eles têm. Dos outros $900, que eles criaram artificialmente , não deveriam cobrar nenhum juro. Cobrariam apenas uma taxa para despesas de manutenção e lucros. Mais nada.

Eu não me oponho que se crie dinheiro a partir do crédito. Simplesmente, este não deve ser remunerado com juros.

Pedro Menezes Simoes disse...

"Aquilo a que eu chamei de juros exponenciais é o pagamento de juros sobre juros, e outra vez sobre juros"
O FMI não obriga ninguém a isso. Isso é o resultado de não se pagar o que não se deve.


"Como não os pode pagar actualmente o Brasil paga cerca de 2/3 do valor das suas exportações para pagamento do serviço da Dívida (900 milhões de dólares só de juros) O poder dos credores da banca controlada pelo FED sobre a sua economia é absoluto!"
Quem é que deve defender os interesses do Brasil? O próprio Brasil ou o FMI?

"No nosso caso, Portugal tem a 3ª maior dívida externa do mundo logo a seguir aos EUA e ao Brasil."
Só se for em termos percentuais. Mas qual é o problema? Estamos a fazê-lo para investimento, i.e., para comprar casa. (Divida externa = dívida pública + dívida privada - poupanças)

Os números que apresenta são um pouco estranhos. Não duvido da sua honestidade, mas qual é a fonte?

"Os EUA resolvem-na pela emissão de dinheiro fictício"
Ahhh isso é burrice deles. Estão a desvalorizar os salários reais e o valor de todas as propriedades. É o mesmo que aumentar os impostos em 10% sobre a propriedade e o rendimento. Não desejo o mesmo para Portugal.

"quanto ao facto de não querer reconhecer a natureza privada do FED"
Caro, o FED é tão privado como o governo dos EUA. E a partir daqui é tudo uma questão de maior ou menor crença em teorias da conspiração.

luis oliveira disse...

[Dos outros $900, que eles criaram artificialmente , não deveriam cobrar nenhum juro. Cobrariam apenas uma taxa para despesas de manutenção e lucros]

Desculpe lá, mas esta afirmação é mesmo tola!

Essa taxa para despesa de manutenção e lucros é aquilo que é vulgarmente designado por juro!


[Agora os bancos comerciais, graças às reservas obrigatórias, criam dinheiro.]


A sua preocupação é que esse dinheiro não tem correspondência na criação de capital, será isso?

Se é isso, também não é verdade. Os juros têm de ser pagos e para isso acontecer é preciso criar essa riqueza (o dinheiro é apenas uma representação cómoda do capital, lembre-se), por exemplo criando uma patente que permita diminuir o custo de um produto. Portanto todo esse dinheiro "criado" pelos bancos tem uma contrapartida em capital (tangível ou intangível). Não sei se será esta confusão, se for espero que tenha clarificado a questão.


[Eu não me oponho que se crie dinheiro a partir do crédito. Simplesmente, este não deve ser remunerado com juros.]

Porque é que eu havia de lhe emprestar dinheiro gratuitamente? No mínimo tem de me compensar o custo de oportunidade desse capital. Suponha que posso comprar uma máquina de fazer pregos e com isso ganhar 10 unidades de moeda por ano por cada 1000 investidas. Nunca lhe irei emprestar o dinheiro se não me pagar pelo menos 10 unidades de moeda por cada mil emprestadas.

Vem em todos os manuais de microeconomia. Sem conhecimentos básicos todas as suas leituras na wikipedia são estéreis e contraproducentes.

Pedro Menezes Simoes disse...

"Eu não tenho que fazer reservas nenhumas. Posso emprestar o que tenho, ou posso pedir emprestado para emprestar. Se pedir emprestado tenho que o pagar. Mas não posso criar dinheiro."

Qual é a diferença entre eu emprestar-lhe dinheiro a si num prazo de 6 meses para o Diogo emprestar a outrém, ou a fazer um depósito a prazo num banco? Só uma: o Banco tem de fazer uma reserva durante 6 meses. O Diogo não. O Banco cria 90% do dinheiro que lhe emprestei. O Diogo cria 100%.

"Agora os bancos comerciais, graças às reservas obrigatórias, criam dinheiro."
Se não houvessem reservas obrigatórias a criação de dinheiro era muito superior, como lhe acabei de explicar acima.

"O que eu estou a dizer é que os bancos não deviam poder cobrar juros de dinheiro por eles criado."
O Diogo consegue distinguir dinheiro criado de dinheiro original? Eu não. E os bancos também não. Aliás, só existe uma forma de os bancos não criarem dinheiro: é fazer reservas a 100%. Mas se fizerem reservas a 100% também não podem emprestar dinheiro, porque não há dinheiro para emprestar.

"Dos outros $900, que eles criaram artificialmente , não deveriam cobrar nenhum juro. Cobrariam apenas uma taxa para despesas de manutenção e lucros. Mais nada."
E o que é a taxa de juro senão taxa para despesas de manutenção e lucros?

"Eu não me oponho que se crie dinheiro a partir do crédito. Simplesmente, este não deve ser remunerado com juros."
Então ainda é pior do que eu pensava. É que nesse cenário o crédito não é possível, porque quem conceder crédito vai perder dinheiro. Ninguém faz negócios para perder dinheiro.

O Diogo tem certamente algum depósito no Banco. Porque não retira o dinheiro do Banco e empresta sem juros a quem precisar dele (pedindo em troca uma garantia).

Se acabar com as reservas obrigatórias (ou melhor, se aumentar a obrigatoriedade para 100%), o resultado vai ser o encarecimento do crédito. Se acabar com os juros no "dinheiro criado" o resultado será o fim do crédito bancário e a criação de um mercado negro de crédito usurário.
Se puser o Estado a emitir moeda e emprestar a 0%, o resultado será ultra-inflação, com a perda de poder de compra de todos.

Em qualquer dos casos, é um tiro (de canhão) no pé.

luis oliveira disse...

Já agora, no exemplo dos pregos, também se opõe que venda os pregos acima do meu preço de custo, também estou a "criar dinheiro a partir do nada"!? Afinal no princípo do ano tinha 1000 e no fim do ano tenho 1010! De onde é que apareceram esses 10??

luis oliveira disse...

[a criação de um mercado negro de crédito usurário]

À cabeça do qual estará quem!? Adivinhem!

luis oliveira disse...

Ainda os pregos!

Onde é que eu arranjei o dinheiro para comprar as máquinas? É verdade, fui ao banco! Fi-lo poruqe o banco me cobrava 5 por cada mil e eu iria ganhar 10 por cada mil.

E assim, criei valor para mim, para o banco, para o carpinteiro que todos os meses vem à minha loja trocar o valor de algumas das suas horas de trabalho pelos meus pregos (porque que nunca os poderia produzir sozinho), para as pessoas que por sua vez compram os produtos do carpinteiro e por aí fora. Com o dinheiro dos lucros vou pagando o empréstimo e toda a gente fica melhor com a minha iniciativa.

Se não existisse banco nenhuma desta criação de valor teria ocorrido porque o investimento inicial não teria acontecido.

É mais ou menos isto o sistema bancário explicado às criancinhas.

xatoo disse...

P.M.Simoes
imprimir notas de dólar sobre valores que não existem é um "teoria de conspiração" que eu inventei?

Berkeley (o fundador da Universidade) que era um filósofo dizia: "o Ser é o ser percebido" - a partir daqui o meu caro como não percebe a estrutura onde se funda o sistema monetário internacional - ele não É; não existe. Não existem estruturas económicas de dominação.

Fala do Brasil para aqui, dos EUA para acolá, Portugal assim e assado, como se fossem moelas pescoços ou figados de galinha. Afinal faz o mesmo que os alquimistas medievais: davam uma facada na galinha e despejavam os miudos para dentro dum alguidar e de seguida analisavam cuidadosamente peça por peça. Entretanto escapava-se-lhes o essencial: o modo como se organizava a Vida.

Infelizmente nem o Brasil (mais de 80%=150 milhões de pessoas nem têm conta bancária, enquanto 1% tem avião privado), nem os EUA (40% de imigrantes, negros pobres e hispânicos nem fazem a minima ideia do que é o Fed); nenhum destes paises são entidades homogéneas.
São estes que não compreendem a ratoeira do endividamento, conjuntamente com mais uns milhões do 3º mundo que "pedem emprestado e depois têm que o pagar" com juros que se acumulam sobre juros - um esquema que está montado em favor de uma infima minoria - que fabrica dinheiro falso, porque não corresponde a mais valias realizadas, mas apenas a especulação

Pedro Menezes Simoes disse...

Tem razão, Xatoo. Temos de proteger os brasileiros dos especuladores. Proponho que se torne novamente uma colónia portuguesa para assim impedí-los de tomar decisões que os prejudiquem.

E acabemos com esses especuladores que ganham dinheiro de forma transparente. Como se atrevem eles a ganhar dinheiro? Injúria!!! Infâmia!!!

Oh, são tão palermas os Brasileiros a aceitar dólares, essa moeda emitida sem ter base num activo subjacente. Sim, porque os americanos estão sempre a falhar nos pagamentos ao exterior, ao contrário desses pobres coitados da américa do sul, que nunca recorrem à emissão de moeda para pagar dívidas, uns santinhos.

Caro Xatoo, dispenso lições de moral. E asseguro-lhe que os brasileiros também. Não trate os decisores dos outros países como imbecis. Quanto muito como corruptos. Mas seguramente não são imbecis.

luis oliveira disse...

[dinheiro falso, porque não corresponde a mais valias realizadas, mas apenas a especulação]

Isso é mais no paraíso socialista do Zimbabwe. Aí sim, estão as rotativas da casa da moeda sempre a bombar, e o capital a ir pelo cano de esgoto.

Por mim vou continuar a desfrutar das mais valias imaginárias do sistema bancário. Como o xatoo, de resto, qaundo, por exemplo, vai ao supermercado, ou pega no carro, etc...