domingo, dezembro 16, 2007

Viva Sócrates, viva a presidência portuguesa, viva a frontalidade do Expresso

Henrique Monteiro - Expresso 16/12/2007

O orgulho de Portugal

«Nesta, que foi a última presidência portuguesa da União Europeia (...) simbolicamente, Portugal voltava aos destinos que dele fizeram uma nação decisiva há 500 anos

«Contra todas as expectativas, não só a presidência portuguesa se saiu bem de todas as iniciativas, como conseguiu surpreender pelo rigor com que as organizou.»

«Como muitos afirmam, é cedo para avaliar o real impacto destas iniciativas. Porém, à presidência exigia-se que congregasse esforços, quebrasse o gelo ou articulasse vontades. E nesse aspecto, José Sócrates, Luís Amado e todos os que colaboraram para o sucesso da presidência (sem esquecer Durão Barroso) merecem o nosso reconhecimento

«O Expresso, com a mesma frontalidade com que os critica, manifesta-lhes o orgulho que sentiu no papel de Portugal na Europa e no mundo nestes últimos seis meses.»


Miguel Sousa Tavares (no mesmo jornal):

«Vivemos dias de verdadeiro circo político. Eu sei que esta é a época dos circos descerem à cidade, mas ao menos que tragam leões e trapezistas, elefantes e malabaristas, e não este estendal de vazio e demagogia que por aí tem andado à solta entre os nossos queridos dirigentes europeus.»

«José Sócrates tem vivido noutro planeta - lá onde ele é um grande estadista e onde, de braço dado com Durão Barroso, representou uma Europa onde já ninguém se revê, o lugar do menor denominador comum da política. No fim-de-semana passado tivemos a Cimeira UE-África e a pomposa ‘Declaração de Lisboa’ - coisa ‘histórica’ para Sócrates, que se vê a fazer História a cada passo, e na realidade uma Magna Carta de inutilidades e hipocrisias


Comentário:

Qual destas duas frontalidades, a de Henrique Monteiro ou a de Sousa Tavares, já que opostas, apresentará um coeficiente menor de enviesamento?

7 comentários:

Bernardo Kolbl disse...

Por mim, nenhum.

alf disse...

muito bem conseguido este post.

A resposta é: é interessante que haja diversas opiniões; nós não temos de seguir nenhuma, temos de construir a nossa e, para isso, nada melhor que termos acesso a informação e opinião diversa.

Diogo disse...

Caro Alf, espero que não se importe que eu traga este seu comentário para aqui. Um mal dos blogs é que as boas conversas perdem-se no meio das actualizações constantes dos posts.

Alf disse... «Diogo, as pessoas a que me refiro têm qualificações em áreas de engenharia, economia, informática, a nível superior ou de bacharel. Evidentemente que isto não é uma amostra qualificada.»

«Uma pessoa não pode é tirar um curso de engenharia de ambiente e querer à viva força ter um emprego de engenheiro de ambiente. Tem de adequar as suas capacidades e conhecimentos as necessidades das pessoas. Até pode fazer uma empresa para prestar serviços na área do ambiente... às vezes a vida custa, eu não disse que era fácil... pelo contrário, estou farto de comentar noutros blogues que as escolas não preparam as pessoas para a vida, preparam apenas para serem funcionários publicos ou empregados com contrato para a vida numa grande empresa...»


Caro Alf,

Os cento e vinte e tal engenheiros que vi a concorrerem para uma vaga, estou certo que não se importariam de ficar com outro lugar qualquer numa categoria bastante mais baixa. E é estranho que não haja vagas, mesmo em categorias mais baixas.

Tenho um amigo meu que foi programador numa multinacional de software durante mais de vinte anos. Entretanto, essa multinacional começou a despedir pessoas e, há dois anos, calhou a vez a esse meu amigo.

É uma pessoa com conhecimentos excepcionais da matéria e, no entanto, já não consegue arranjar nada comparável com o que tinha.

Donde, volto-lhe a colocar a pergunta: que faz você Alf? Pode-se saber?

contradicoes disse...

O Miguel Sousa Tavares já nos demonstrou pela sua habitual frontalidade que não alinha neste arraial europeu cuja fanfarra toca apenas numa nota única, para nos convencer que não desafina. Mas as fífias são uma constante sobretudo a nível laboral em que o desacerto é bem visível. Um abraço
Raul

xatoo disse...

"duas frontalidades"?
uma mão lava a outra
e as duas juntas lavam a cara

samuel disse...

ta bem, tá, que enquanto nos entretêm com tretas de pouca monta, socráticos e santanas de igual adn, política à portuguesa, nos levam que nem manhosas ratazanas

e isto, sim, que é cultura, qual gota no oceano:

http://fs02n1.sendspace.com/dl/f5b1674f2448284f3a6e50c96478f5c8/47670d3670e176b8/dwwzd8/UmaGotanoOceano.pps

alf disse...

diogo

desculpe a ausência mas para fazer o meu ultimo post tive de analisar muitas coisas(tenho uma regra que é só escrever 1/10 do que sei... e a bioquímica não é a minha especialidade).

O que é que eu faço? Nesta altura tenho um blog onde conto apresentar duma forma que pessoas com formação generalista possam entender certas coisas que eu sei sobre o universo e que são desconhecidas actualmente.

Do passado tenho experiencia como empregado, empregador e profissional livre.

Uma coisa que o devia preocupar, diogo, é que em momento algum referiu a possibilidade de alguém iniciar uma actividade, abrir uma empresa. É que se ninguém quer ser empresário, como pode haver empregos?

Esse é o grande drama do nosso sistema de ensino e da nossa organização e cultura - os empresários que existem não passaram pela escola porque esta, pelos vistos, em vez de aumentar as capacidades das pessoas, inibe-as!!! A escola, os pais, a cultura, a burocracia, toda a gente. Mas sem empresários não há empregos, não é verdade?

A aversão ao empresário redunda nisto: a escola prepara as pessoas para serem funcionários publicos, de acordo com um ideal de sociedade que se resume a estado e funcionários - a sociedade onde não há empresários!

E estamos nisto: não queremos ser empresários mas achamo-nos no direito de exigir aos outros que o sejam e nos dêm um emprego de acordo com o que desejamos.

E a nossa sociedade tb não ajuda nada. Igualdade de oportunidades? Isso é na América, onde há investidores e capital de risco; aqui ou tens dinheiro ou estás mal, muito mal, porque o dinheiro que há é para investir em especulação.