quinta-feira, dezembro 13, 2007

O Fim do Emprego


O Fim do Emprego - Célia Berleze, Gisabele Parize

Texto em português do Brasil:

É preocupante pensar no futuro em relação ao emprego pois, a sociedade está caminhando para um declínio dos empregos. Esta nova fase é resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão repondo máquinas nas actividades anteriormente efectuadas por seres humanos. De facto, o que vemos hoje é a automatização de escritórios, comércio e indústria a níveis nunca antes observados. Computadores fazem o trabalho de dezenas de seres humanos; robôs, de milhares e a custos infinitamente inferiores, sem férias, dores de cabeça, TPM ou benefícios.

Uma previsão é que os trabalhos perdidos pelo ser humano para as máquinas nunca mais serão feitos por homens. Jeremy Rifkin , autor do livro “O Fim do Emprego”, desmistifica no seu livro todos os paradigmas promovidos pelos interesses de empresários, que garantem que a automatização de seus empreendimentos, apenas irá estimular o crescimento económico.

O autor afirma que a automatização proveniente de máquinas e computadores oferece um ganho em produtividade e uma redução de custos, que a princípio dá a falsa visão de que mais pessoas poderão entrar no mercado de consumo e adquirir bens. O mesmo produto que era inatingível para alguns consumidores, décadas atrás, está hoje em dia nas prateleiras a preços muito acessíveis. Mas a questão é que as pessoas estarão sendo desempregadas.

A teoria - automatização gera maior produção, o que gera a produtividade, que gera preços baixos, os quais aumentam a procura, aumentando por sua vez a produção que aumenta o nível dos empregos - é rejeitada por Rifkin, já que a cadeia é correcta a não ser na sua conclusão: a produção, hoje, não aumenta o nível dos empregos, mas sim traz mais automatização reduzindo o trabalho dos seres humanos.

Cada nova inovação traz um aumento de produtividade. Cada inovação, no entanto, tem colocado à margem do trabalho milhares de operários cujas funções eram redundantes com o que a nova tecnologia trouxe.

No passado, afirma Rifkin, estas "vítimas" do desemprego causado por novas tecnologias eram absorvidas por outros sectores do ciclo laboral. Desempregados da indústria de alta tecnologia iam para a indústria de baixa, os de baixa para os serviços, os de serviços para a construção, os de construção para a agricultura e assim sucessivamente. Hoje em dia, com tecnologias de ponta até na agricultura, como ceifeiras-debulhadoras automáticas, milhares de trabalhadores estão sendo substituídos por máquinas que fazem o mesmo trabalho a um custo inferior e em turnos ininterruptos.

Uma realidade, no entanto, está prevista por Rifkin: por mais que o nível de empregos decline, nem todos estarão desempregados na nova sociedade baseada na informação. Para ele, um pequeno número de trabalhadores no sector da informação e do conhecimento irá prosperar, já que o seu "know-how" será cada vez mais necessário em criação, desenvolvimento e manutenção dos equipamentos necessários à automação. Os profissionais da tecnologia se constituirão em uma nova elite da sociedade. Outro segmento que irá sobreviver na nova economia global será o da alta administração. Rifkin oferece-nos dados e afirma que os altos executivos actuais são o segmento que mais tiveram os seus rendimentos aumentados nos últimos 50 anos.

As vagas que estão desaparecendo, principalmente nos níveis mais baixos da produção, poderão afectar as taxas de criminalidade nos países mais desenvolvidos, já que o desempregado sem esperança afluirá às ruas em atitudes de descontentamento e violência.

O resultado da introdução da tecnologia tem possibilitado às empresas demitir trabalhadores criando um verdadeiro exército de desempregados. Os que permanecem nos empregos, no entanto, sentem-se obrigados a trabalhar cada vez mais, por salários cada vez menores. As empresas que se auto denominam "competitivas" têm optado por trabalhar com uma folha de pagamento cada vez menor, obrigando os trabalhadores a produzir mais.

Uma solução para contra atacar os impactos criados pela tecnologia cabe aos governos. Consiste em que eles criem um maior apoio para o que Rifkin chama de "Terceiro Sector" ou sector social, onde, diferentemente dos sectores comerciais, as mudanças de ganhos e perdas são menos importantes, e o que importa no fim é o aspecto social.




Comentários de Viviane Forrester:

«Dizem sempre que temos de nos adaptar. Digo que não há razão para se adaptar ao insuportável. Falam do desemprego como se fosse algo natural e inevitável. Na verdade, se se escutar boa parte dos discursos sobre a situação mundial tem-se a impressão de que estamos a sair de uma catástrofe mundial, de que estamos numa situação trágica à qual temos de nos adaptar. Mas onde está a catástrofe? Por que é que na França, que é a quarta economia do mundo, é natural que existam 2 milhões de desempregados e 1,3 de trabalhadores pobres? A estas questões a política ultraliberal não tem resposta

«Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados

«Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»

«O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação

«Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.»

«Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.»

«Está instalada a era do liberalismo, que soube impor a sua filosofia sem ter realmente que formulá-la e nem mesmo elaborar qualquer doutrina, de tal modo estava ela encarnada e activa antes mesmo de ser notada. O seu domínio anima um sistema imperioso, totalitário em suma, mas, por enquanto, em torno da democracia e, portanto, temperado, limitado, sussurrado, calafetado, sem nada de ostentatório, de proclamado. Estamos realmente na violência da calma
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15 comentários:

alf disse...

falando de mim: eu não quero um emprego como operário fabril, todo o dia a repetir a mesma tarefa manual até ficar com uma tendinite! E são estes os empregos que a tecnologia acaba!

Na realidade, ninguém quer esses empregos! As pessoas aguentam-nos porque precisam de dinheiro e o dinheiro só vem pelo ordenado, só vem com o "suor do rosto".

Mas hoje já não é assim. O que produz a riqueza já não é "o suor do rosto". A riqueza que se produz é na sua maior parte fruto do sistema estabelecido, dos conhecimentos herdados. Quando um comboio leva 500 pessoas de Lisboa ao Porto,isso não é o resultado do suor do rosto do maquinista, contrariamente ao que acontecia quando se iá de coche.

A tecnologia aumenta a produção de riqueza. O problema que se põe é que o paradigma de distribuição da riqueza produzida tem de ser ajustado a esta nova situação.

Portanto, não devemos olhar para a tecnologia como um mal mas como um bem, que nos liberta da escravatura, porque é isso que o trabalho repetitivo é. Mas temos de perceber que precisamos de novos modelos de sociedade.

Sobre o assunto já escrevi vários posts no meu blogue. Se tiver paciencia, estão na etiqueta "sociedade". Mas sugeria-lhe que lê-se o intitulado "O Suor do Rosto".

Note que o que escrevi sobre o assunto é apenas a minha humilde tentativa de encontrar o novo paradigma.

Sabe como é que a Dinamarca evita ter salários baixos e trabalhadores pobres? não aceita emigrantes e, ao mesmo tempo, tem uma eficiente politica de igualdade de oportunidades.

Diogo disse...

A Dinamarca evita ter salários baixos e trabalhadores pobres porque a Dinamarca subsidia esse trabalho. A Dinamarca faz batota e é apresentada como paradigma do liberalismo e do pleno emprego.

Alf, pegei no seu post «Quem me dera já o Futuro», que você escreveu na forma de diálogo (entre a Luísa e o Mário) e juntei-me à conversa:


Luísa: Quem me dera já o Futuro, onde fábricas completamente automatizadas produzirão tudo o que precisamos e deixaremos de ter necessidade de trabalhar!

Mário: Necessidade de trabalhar??? Que queres dizer com isso?


Diogo:



Luísa: Então, ter de me vender oito horas por dia para conseguir o dinheiro necessário à sobrevivência! Qual é o teu espanto?!?

Mário: Desejas então um futuro em que ninguém precisa de fazer nada para sobreviver, não há empregos, toda a gente recebe uma certa quantidade de dinheiro que pode gastar como quiser. E como é que pensas que as pessoas iriam ocupar o seu tempo, o que iram fazer com a sua vida?


Diogo: Como é que eu penso que as pessoas iriam ocupar o seu tempo? Assim, de repente, estou-me a lembrar de um milhão de maneiras.



Luísa: Olha, eu sei o que faria com a minha: divertir-me com os amigos, passear, beber uns copos, ler uns livros, ver filmes. E não é preciso ir ao futuro para viver assim – isso já acontece no Kuwait! Uns felizardos esses tipos!

Mário: Pois, mas isso é apenas ser rico, não é uma sociedade que funciona sem trabalho humano. Nessa sociedade do futuro em que a produção está toda automatizada, tu provavelmente não irias querer móveis iguais aos de toda a gente; então irias encontrar uma forma de ter móveis diferentes, se calhar um senhor muito habilidoso iria pôr-se a fazer ele mesmo uns móveis especiais. Ou seja, paralelamente à produção automática iria surgir novamente a produção manual. E o mesmo se passaria com todas as outras coisas – com as roupas, com a comida, com as casas, com os carros, etc.


Diogo: Se você quisesse móveis diferentes, e muitos quereriam, seria você que desenharia o modelo que desejava (num programa de CAD simples e intuitivo que levaria em linha em conta o preço, os materiais disponíveis, as leis da física e algumas regras de estética). Depois faria chegar esse desenho à fábrica automatizada que o produziria. Não iria haver nenhum «senhor muito habilidoso».



Luísa: Ahah, queres tu dizer que mesmo que tudo pudesse ser produzido automaticamente, o trabalho continuaria na mesma?

Mário: Claro! Tu não dizes que quererias ler livros? Então é preciso alguém que os escreva, não te parece? Queres ver filmes? É preciso quem os faça.


Diogo: A inteligência artificial está a dar passos de gigante de ano para ano (em 1997 o programa Deep Blue venceu o campeão mundial de xadrez Kasparov). Não se confinará apenas ao desenvolvimento técnico e científico mas também às «artes». Não quer dizer que as pessoa também não possam fazer os seus filmes, escrever os seus livros e pintar os seus quadros, mas não os farão para comercializar porque ninguém terá dinheiro para os comprar. Publicá-los-ão tal como nós publicamos hoje os nossos posts nos blogues. À borla.



Luísa: Quer dizer, a produção automatizada não serve para nada?

Mário: Claro que serve! Serve para nós podermos escolher o trabalho que fazemos. Não serve para acabar com o trabalho porque trabalhar é simplesmente fazer coisas com um objectivo e nós precisamos de objectivos na nossa vida. Precisamos de nos sentir úteis, de ser apreciados, etc. O Saramago não escreve livros por precisar mas por querer, não é?


Diogo: Um objectivo não tem de ser «útil» ou «produtivo». Escrever um livro (como Saramago), jogar uma partida de ténis, dar um passeio pelo campo, desenhar um móvel ou ir à discoteca são tudo objectivos válidos.



Luísa: O Trabalho deixa de ser uma questão económica para passar a ser uma questão social, queres tu dizer?

Mário: Exacto. Isso já aconteceu várias vezes no passado. As grandes obras do passado foram, em parte, formas de inventar trabalho para as pessoas. Os egípcios tiveram essa preocupação, os gregos e os romanos também. Isso permite dedicarmo-nos a coisas muito mais interessantes e que nos levam a novos patamares da existência. Não concordas comigo?


Diogo: O trabalho deixa de ser emprego. Porque ninguém o fará por motivos económicos.



Luísa: Eu sei, foi só um desabafo de Verão. De certa forma, a maioria de nós já vive dessa forma, eu adoro o meu trabalho e não me imagino sem ele.

Mário: Claro. Na realidade, nós já vivemos nesse Futuro, os conflitos sociais na Europa já não são movidos pela necessidade de sobrevivência mas pela necessidade de realização pessoal.


Diogo: Ai sim? Quer explicar isso aos milhões de pobres e precarizados europeus? Aos que ganham miseravelmente? E aos que ganham bem mas que detestam o que fazem?

Diogo disse...

Alf,

Gostei do seu post «O Suor do Rosto».

Aquilo que você chama Sistema é tecnologia incorporada. Cada vez suamos menos porque a parcela de trabalho imputada à tecnologia é cada vez maior. E esse processo irá continuar até ao ponto em que suaremos apenas por divertimento. A máquina fará tudo o resto.

xatoo disse...

"cada vez suamos menos" porque dantes o trabalho era bom pró preto, agora é bom pró chinês
(a propósito, não querem dar uma palavrinha sobre a divisão social do trabalho na era transnacional?, o papel da OIT, dos sindicatos?, etc)

a conversa está assim a ficar para o isotérico; assim tb não é preciso "trabalho" para analisar como se concebem castelos feitos de nuvens - mas até aí deve haver luta de classes, entre nuvens que chovem e as que não querem chover, devido ao capital eléctrico que provoca os relâmpagos, e os trovões que são uma espécie de greve ao silêncio

Diogo disse...

Xatoo,

A tecnologia está a acabar com o trabalho. É essa a realidade. A luta de classes hoje é outra. Trata-se de direccionar a produção da tecnologia para a população em geral ao invés de apenas para meia dúzia. E temos de fazê-lo rapidamente porque estamos a caminhar para uma catástrofe social e económica. Viviane Forrester tem toda a razão:

«Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.»

«Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.»

alf disse...

Desejaria acrescentar que estamos de facto perante problemas sérios e que é preciso pensar bem neles. Ninguém tem a solução, é preciso ir experimentando, errando aqui, acertando ali.

A redistribuição da riqueza produzida é um grande problema porque no sistem actual quem é mais rico tem mais capacidade de aumentar a sua riqueza, razão porque os 10% mais ricos têm uma taxa crescente da riqueza total e estamos todos os outros 90% a ficar mais pobres apesar do aumento da riqueza produzida (também tenho uns posts sobre isso...)

A Globalização resulta da necessidade de transferir as consequencias negativas disto para outras partes do Mundo; mas, por enquanto, traz vantagens, lá chegará a altura em que isso deixará de suceder.

Eu não estou de acordo com a ideia de que vai deixar de existir emprego - pode faltar para pessoas com qualificação insuficiente, ou desajustada da produção, mas não para pessoas com formação tecnológica avançada.

Nunca faltará emprego para pessoas com capacidade de trabalhar na produção de produtos ou serviços; as novas tecnologias são extremamente exigentes em recursos humanos, basta ver os números astronómicos de empregados das grandes empresas dedicadas à informática ou ao desenvolvimento. Muitas empresas só podem existir numa escala multinacional porque são grandes demais, têm de ser, atendendo à complexidade dos seus produtos.

Agora, se as pessoas resolvem todas especializar-se em História, por exemplo, é natural que não encontrem emprego na sua área; mas cada vez mais existe a possibilidade de trabalhar fora de uma área de produção.

Só mais uma nota: quando falamos da exploração de outros povos temos de comparar essa exploração com as alternativas locais, não com as nossas condições. É por isso que a Índia e a China, por exemplo, ou África, estão cheios de gente desejosos de ser "explorados", porque isso é muito melhor do que a alternativa que têm. O problema é que não há "exploradores" suficientes, nós queremos todos mesmo é ser empregados...

luis oliveira disse...

alf:

http://cafehayek.typepad.com/hayek/2005/05/inequality_vi.html

Diogo disse...

Alf: «Nunca faltará emprego para pessoas com capacidade de trabalhar na produção de produtos ou serviços»

Está redondamente enganado, Alf. Na empresa onde trabalho abriu recentemente uma vaga para um engenheiro civil. Responderam e vieram à entrevista cento e vinte e tal engenheiros. Se isto está assim para engenheiros como é que não estará para licenciados em História em Ciências Políticas?

Os programas de computador já programam. Procure no Google “software that writes software”.

A tecnologia evolui, Alf. As máquinas de tear evoluíram para a robótica. Os ábacos evoluíram para computadores. A evolução tecnológica avança em progressão geométrica. É a máquina que está a na linha da frente, cada vez mais.

Não fique parado no tempo, meu caro. As condições desastrosas em que vivem hoje milhões de pessoas na Europa deve-se a essa fé no sempre incensado emprego. Este está a acabar. Vamos começar a olhar para um mundo pós-emprego. Vamos deixar de procurar o que já não existe e vamos impor uma nova ordem económica.

contradicoes disse...

Mas há todo um universo
que é impossível ocupar
o tema é controverso
importa nele meditar

As novas tecnologias
não se podem aplicar
em áreas que todos os dias
nós podemos constatar

alf disse...

Diogo

Antes de mais, gostei de ler os excertos do meu post ehehe.. está bem melhor do que eu me lembrava! Não comentei os seus comentários porque basicamente estamos a fazer futurologia, cada um faz a sua a partir da sua experiência pessoal e cada um tem a sua parte de erro e de acerto.

Quanto ao caso dos engenheiros civis, isso não tem nada a ver com a tecnologia na minha opinião; simplesmente, ser engenheiro civil já foi uma boa actividade, o que originou muita procura, e agora já não há tanta necessidade de construcção civil e sobram engenheiros civis. Mas isso não significa que um engenheiro civil fique desempregado, a não ser que só queira fazer engenharia civil.

As pessoas que eu conheço que por alguma razão ficaram desempregadas arranjaram logo emprego; as que não estão empregadas é porque não querem e andam muita chateadas com a pressão do Centro de Emprego... Claro que se trata de pessoas com alguma formação, admito que para pessoas com muito baixa formação as coisas não sejam bem assim.

mas também lhe digo que conheço empresários que se vêm aflitos para arranjar pessoal capaz e que fazem pedidos ao Centro de Emprego, e este não tem ninguém ou quase ninguém para lhes mandar.

Dantes, o trabalho visava satisfazer as necessidades de sobrevivência; hoje, não há limite para o trabalho - podemos ter um numero imenso de pessoas a trabalhar em investigação, temos a cura do cancro para descobrir, não é?, podemos fazer cidades flutuantes, naves espaciais, aviões maiores e mais rápidos, ou seja, as necessidades de trabalho apenas estão limitadas pelas imaginação.

Só que para isso precisamos de pessoas qualificadas. Esta é que é a grande mudança! É preciso actividades para pessoas que não querem ser qualificadas! Porque estas pessoas existem e têm direito a viver com dignidade.

Aqui é que uma meritocracia se torna perigosa, tem de ser balizada, não pode ser selvagem. Na Dinamarca, um empregado numa loja ganha quase tanto como um engenheiro. O empregado da loja até pode ter um curso de engenharia, ou não ter, isso não interessa.

E isso acontece porque não aceitando imigrantes, na Dinamarca não há ninguém para trabalhar "barato". E como as pessoas são muito qualificadas e há grande desenvolvimento tecnológico, o que não falta são actividades interessantes para pessoas qualificadas. Assim, as lojas têm de pagar bem para terem empregados.

Veja, portanto, o caso da Dinamarca: o desenvolvimento tecnológico gerou excesso de trabalho, não a falta dele; o controlo de emigração garantiu o controlo do leque salarial.

Emigra-se para os paises tecnologicamente evoluidos, não para os atrasados. Porquê? Porque a tecnologia gera emprego, não o contrário.

Se Portugal tivesse mais gente qualificada, podia ter mais industrias, podia fazer aviões, ou barcos, por exemplo. mais gente qualificada significa mais actividade e mais emprego. Na minha opinião, é claro.

Os problemas estão na redistribuição da riqueza produzida.

Diogo disse...

Alf,

Diogo: «Na empresa onde trabalho abriu recentemente uma vaga para um engenheiro civil. Responderam e vieram à entrevista cento e vinte e tal engenheiros.»

Alf: «Quanto ao caso dos engenheiros civis, isso não tem nada a ver com a tecnologia na minha opinião; simplesmente, ser engenheiro civil já foi uma boa actividade, o que originou muita procura, e agora já não há tanta necessidade de construção civil e sobram engenheiros civis.»


Fui demasiado sucinto. A vaga em vista era para desempenhar uma função de monitorização de perdas de água e podiam concorrer engenheiros civis e do ambiente. Aliás, mais de 75% dos que responderam eram engenheiros do ambiente. Para uma vaga. Os que não entrarem (cento e vinte e tal) vão continuar com os biscates, com as acções de formação e a gastar selos a enviar curricula.


Alf: «As pessoas que eu conheço que por alguma razão ficaram desempregadas arranjaram logo emprego»

Vejo-o tão autoconfiante Alf. Posso saber o que é que você faz?

alf disse...

Diogo

as pessoas a que me refiro têm qualificações em áreas de engenharia, economia, informática, a nível superior ou de bacharel. Evidentemente que isto não é uma amostra qualificada.

Uma pessoa não pode é tirar um curso de engenharia de ambiente e querer à viva força ter um emprego de engenheiro de ambiente. Tem de adequar as suas capacidades e conhecimentos as necessidades das pessoas. Até pode fazer uma empresa para prestar serviços na área do ambiente... às vezes a vida custa, eu não disse que era fácil... pelo contrário, estou farto de comentar noutros blogues que as escolas não preparam as pessoas para a vida, preparam apenas para serem funcionários publicos ou empregados com contrato para a vida numa grande empresa...

Flávio Gonçalves disse...

Bah, a solução cada vez mais passa por aqui: www.eco-anarquista.org

Anónimo disse...

Outra vez com esta historia do fim do emprego. Diogo diga-me uma coisa. A sociedade industrial já existe há mais de duzento anos, desde a criaçao da maquina a vapor. A tecnologia tem vindo a melhorar de modo exponencial e continuo aol longo deste periodo.

Segundo esta sua tese a humanidade há muito que deveria estar toda desempregada, pois os mecanismos que eliminam os processos industriais de hoje sao os mesmos que substituirao os tecelões pelas "Spinning Jenny".

Quanto menos pessoas sao necessarias para fazer uma coisa mais pessoas podem ser libertadas para criar mais riqueza noutras áreas.

Segundo esta sua tese estariamos todos melhor numa sociedade sem máquinas, onde todo o trabalho é humano.

Nao vê o absurdo desta teoria? Nunca haverá desemprego em massa porque o sector terciário sempre absorverá a mao de obra em excesso.

O que poderá acontecer um dia é ser mais dificil ter salarios acima da média, visto que nos apróximamos lentamente do ponto onde tudo já foi inventado. Vai-se tornando cada vez mais dificil diferenciar-nos da média. Se calhar é disto que o Diogo se está a apreceber.

Mas para nós medianos, que nunca inventaremos nada, o mundo vai ficando cada vez melhor, desde que a NWO não nos roube o dinheiro todo...

PS: Para quando um Post sobre a fráude do Aquecimento Global?

David Lourenço Mestre disse...

Que inocencia diogo. Suponho que nao tenha formaçao no campo da tecnologia. Dou lhe exemplo, um entre muitos, de um grupo de colegas que findado o curso empenharam-se na investigaçao e oferta de soluçoes em celulas voltaicas ao mercado.

O grande problema em portugal vai ser deslocar nos proximos anos os que optam por regra por areas tradicionais - jprnalismo, historia, ensino - para o hi tech