domingo, março 09, 2008

O riso boçal do cronista do Expresso, João Pereira Coutinho

Expresso - 8/3/2008

Texto de João Pereira Coutinho

"É impossível não verter uma lágrima por Misha Defonseca. Aqui há uns anos, mergulhado na literatura do Holocausto, o livro da senhora veio parar-me às mãos. E então li, entre gargalhadas mil, a história de como uma criança judia, órfã de pai e mãe (exterminados pelos nazis), se vê subitamente sozinha no mundo e condenada a errar pelas florestas da Europa."

"Mas o melhor do livro veio a seguir: perdida entre o arvoredo, a pequena Misha é finalmente resgatada por lobos (sic), que a alimentam e criam com muito amor e carinho. Não sei se, lá pelo meio, aparecia o Tio Patinhas."

"A minha memória já não é o que era. Uma coisa, porém, recordo sem esforço: o livro apresentava-se como «história verídica» da sra. Defonseca, o que não deixa de ser uma audácia."

"Na verdade, não viria mal ao mundo se Misha assumisse a ficção do exercício (de John Hersey e William Styron, exemplos não faltam). Mas Misha, a menina criada por lobos, comparava-se a Elie Wiesel e a Primo Levi, uma megalomania que ninguém se deu ao trabalho de desmascarar e, mais, foi levada à letra por aí: segundo leio, fez-se uma ópera da vida de Misha (em Itália); e, no passado mês, estreou filme respectivo (em França, claro). Sem falar nas múltiplas traduções que apresentaram ao mundo a incrível história de uma sobrevivente salva por animais."

"Escusado será dizer que, depois da aldrabice, incongruências recorrentes exigiram de Misha uma explicação."

"Ou, melhor, várias. Para começar, Misha não é Misha; é Monique De Wael. Depois, não é judia; é católica."

"E, finalmente, não foi criada por lobos (a sério?), mas pelos avós. O único pedaço de verdade está na morte dos pais, membros da resistência belga que os nazis deportaram e mataram. Explicações para a loucura? Eu não sou psiquiatra. Mas sempre digo que, entre um neonazi assumido e uma «sobrevivente» que factura com a inominável tragédia judaica, talvez um neonazi seja mais honesto. Na sua boçalidade explícita, um neonazi não engana."



Comentário:

João Pereira Coutinho tece injustificadamente uma crítica feroz a Misha Defonseca, por esta ter tido a ousadia de "se comparar a Elie Wiesel e a Primo Levi (considerados os expoentes da literatura sobre o Holocausto), uma megalomania que ninguém se deu ao trabalho de desmascarar" (excepto, evidentemente, o próprio Coutinho, "entre gargalhadas mil").

Mas se o talentoso Coutinho atentasse melhor nas obras de Primo Levi e de Elie Wiesel, constataria que a veracidade das histórias destes sacerdotes do Holocausto em nada desmerecem as narrativas da senhora Micha.

Primo Levi é o autor do livro «Se isto é um homem» (Se questo è un uomo), livro autobiográfico da sua experiência de dez meses como prisioneiro em Auschwitz, publicado em 1947 (dois anos após o final da guerra).

Nesse livro, Levi afirma, na página 19, que foi só depois da guerra acabar é que soube do gaseamento de judeus em Auschwitz-Birkenau.



Quanto a Elie Wiesel, no livro autobiográfico «Noite», em que descreve a sua experiência de dez meses como prisioneiro em Auschwitz, o autor não menciona em parte alguma as câmaras de gás. Wiesel diz, realmente, que os Alemães executaram Judeus, mas... com fogo; atirando-os vivos para as chamas incandescentes, perante muitos olhos de deportados!


Donde, João Pereira Coutinho não pode, em absloluto, desdenhar a literatura de Misha Defonseca. Pois se, tanto Primo Levi como Elie Wiesel, considerados as duas mais famosas testemunhas do Holocausto, afirmam nas suas obras autobiográficas que nunca ouviram falar de câmaras de gás e gaseamentos nos dez meses em que foram prisioneiros em Auschwitz, então, a menina Misha, tem todo o direito de afirmar que foi "resgatada por lobos" quando "errava órfã pelas florestas da Europa".

Misha Defonseca, Primo Levi e Elie Wiesel partilham o mesmo grau de autenticidade nos seus escritos. Ou o Pereira Coutinho dá "gargalhadas mil" com os três autores ou não dá "gargalhadas mil" com nenhum. Marialvismos boçais é que não!

14 comentários:

Anónimo disse...

Não percam tempo a discutir o holocausto, essa é uma situação que hoje só interessa aos lobbys judaicos nos USA, e aos contribuintes dos Estados Unidos porque entram com muitos milhões para o estado de israel.

E para os alemães, que são alvos de pedidos de indeminização,
e ficam com a sua imagem deturpada.

Toda a gente já sabe que o holocausto foi exagerado e utilizado como propaganda política e religiosa.

Na guerra a primeira coisa a morrer é a verdade. Tudo é utilizado como propaganda.

E quem contesta a versão oficial é um terrorista.

Ainda hoje, em alguns países é proibido contestar a conspiração oficial do holocausto, ou fazer revisionismo histórico, sob pena de prisão.
(O que per si é um crime contra a liberdade de expressão)

Isso passou-se no meio do século passado, as pessoas responsáveis já não são vivas.

Para nós portugueses interessa pouco, não estou a ver-nos pagar um tostão que seja a israel.

Faz só sentido discutir o holocausto Palestiniano, porque esse sim, é actual e ainda se pode fazer algo.

Mas para os portugueses, o holocausto maior é na nossa economia, no pouco acesso ao emprego e a má distribuição de riqueza.

contradicoes disse...

O vetusto Pereira Coutinho na apreciação que faz à autora, nas suas mil gargalhadas que o livro lhe motiva, não serão em parte também motivadas pela sua incerteza na veracidade do holocausto, sobretudo na dimensão que nos tem sido impingida por todos quantos, como ele insistem em vitimizar os judeus.

polly disse...

Realmente, o john está marotinho na foto, os lábios de fresco pintados, quase comível e lindo, mas desconfio, que me cheira a casca grossa.

xatoo disse...

o JPC é um judiófilo
encartado por quem é que não se sabe. Seria giro averiguar quem faz este tipo de encomenda a estes tipos. Forças poderosas,,, decerto.

xatoo disse...

ó Diogo
e a estória dos "Contrafactores"?
já foste ver o filme?

Diogo disse...

Xatoo, qual história dos contrafactores? Não sei de nada.


Anónimo,
Concordo com tudo o que disse excepto de que "não vale a pena perder tempo a discutir o holocausto judeu".

Esta discussão permite compreender tanto a existência como a política de Israel. E os holocaustos que vão acontecendo na Palestina, no Líbano e em todo o Médio Oriente.

augustoM disse...

Misha e os lobos, faz lembrar o Rômulo e o Remo a mamar na loba.
Um abraço. Augusto

Rikhard disse...

houve holocausto e gaseamentos, os nazis eram impiedosos, mas claro que Israel neste momento deveria pensar no que faz, porque cada vez mais se comporta como eles.

se me permitem aconselho darem uma olhada a este documentários sobre alguns dos holocaustos dos balcãs, CRIADOS pelas cadeias de TV e media em geral.

http://video.google.com/url?docid=6632255652046262625&esrc=sr1&ev=v&len=3583&q=behind%2Bthe%2Bbig%2Bnews&srcurl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2Fvideoplay%3Fdocid%3D6632255652046262625&vidurl=%2Fvideoplay%3Fdocid%3D6632255652046262625%26q%3Dbehind%2Bthe%2Bbig%2Bnews%26total%3D689%26start%3D0%26num%3D10%26so%3D0%26type%3Dsearch%26plindex%3D0&usg=AL29H22bN5m65twYZejA-G9PAgJscizBiQ

cumps,

rj

xatoo disse...

"a história de como uma criança judia, órfã de pai e mãe (exterminados pelos nazis)"
é outra subtil aldrabice do JPC!
afinal segundo li no LeSoir os pais foram presos por terem denunciado os companheiros da Resistência à Gestapo

Diogo: os contrafactores é um filme sobre uma história de um grupo de judeus que trabalharam no campo de Sachsenhausen ao serviço do III Reich imprimindo libras falsas para aniquilar a economia da Grâ-Bretanha. Diz-se que é sobre uma "história verdadeira" mas o fundo histórico, como de costume, é falso! ganhou o óscar para melhor filme estrangeiro
(tenho ali um post engatilhado sobre isso, amanhã ou depois publico)

Johnny Drake disse...

"houve holocausto (...)"

Ninguém nega que houve, mas primeiro temos que definir esse mesmo Holocausto. O que se nega é a proporção que ele teve; discutir a sua importância e o seu papel na actual política de Israel (e dos EUA) nunca deveria ser interpretado como "anti-semitismo"!

"(...) e gaseamentos"

Ai sim?... Ok. Então vamos fazer estudos, análises, discutir tudo ponto por ponto... Sem ser baseado unicamente nos "testemunhos"... Vamos fazer testes forenses aos locais das "matanças"... Pois... Não se pode... Duvidar já dá direito a pena de prisão... PORQUE SERÁ???!

"(...) os nazis eram impiedosos"

Alguns eram, certamente. Como também seriam quem ordenou o bombardeamento a Dresden e a outras cidades Alemãs... Como seriam aqueles que ordenaram o bombardeamento a Hiroshima e Nagazaki... Como seriam os carrascos da floresta de Katyn... Entre outros exemplos...

Diogo disse...

Bem visto Drake, e você levantou um ponto importante:

Não é ilegal discutir tudo, ponto por ponto, desde que não se duvide que ele aconteceu.

Portanto, façamo-lo. Não duvidemos (que é ilegal). Antes, discutamos tudo ponto por ponto (que não é ilegal).

Os mentirosos do Wiesel e do Levi estão OUT

alf disse...

A história da criança recolhida pelos animaizinhos é muito antiga, é algo que vende, já se sabe, as senhoras adoram essas histórias, mais a da cadela que "adoptou" um gatinho bebé.

É bom ir denunciando isto.

Como é bom denunciar coisas actuais, como o facto se poder ir para a cadeia em certos paises OCIDENTAIS por se negar o holocausto!!! E porque não por se ser ateu? Não temos muito mais evidências da existencia de um Deus do que de um holocausto?

Como seria bom denunciar certas coisas futuras, por exemplo, que os palestinianos vivem num campo de concentração gigante e que a gestão desse campo visa o extermínio a prazo dos palestinianos. Uma forma de o conseguir é impedir que eles tenham algum horizonte de futuro e esse horizonte é-lhes negado impedindo-lhes aas formas mais básicas de organização. Ao que parece, uma invasão de há uns anos destinou-se essencialemente a destruir o sistema informático oferecido pelos suecos e que servia para fazer o registo de propriedades. Ora isso não podia ser, não é?

Zorze disse...

O Holocausto, o Nazismo, Hitler e por aí adiante teve patrocínios do além. As missas negras, o ocultismo, a magia negativa foi levada muito, mas muito, a sério por Hitler e seus pares. Mais do que as pessoas pensam. Existem alguns documentários que mostram alguns factos históricos sobre esse aspecto, mas pouco, porque é assunto tabu. Numa 1ª fase tudo corria bem, mas, também havia patrocínios extrafísicos do outro lado.
São "guerras" que sempre existiram e existirão. Não é uma questão do Bem contra o Mal. Isso não existe. São lutas de facções.
Também de referir um aspecto importante,o elevado índice de co-sanguinidade do povo judaico pode explicar alguma coisa.
E já agora sabem quais são os povos com a maior taxa de co-sanguinidade da Europa? O povo Basco e a Irlanda do Norte. Coincidência, não é?

Anónimo disse...

A diferença é que Wiesel e Levi foram prisioneiros nos KZ nazistas e narraram fatos verdadeiros em seus livros.