segunda-feira, março 03, 2008

Qual o lugar próprio para o principal impulsionador de um «projecto» que lesou o país em centenas de milhões de contos


Em 1995, José Sócrates tornou-se membro do Primeiro Governo de António Guterres, ocupando o cargo de secretário de Estado-adjunto do Ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com a tutela do Desporto. Foi, nessa qualidade, que Sócrates se tornou no principal impulsionador da realização, em Portugal, do EURO 2004. Por ter sido um dos governantes com a tutela do Euro 2004 - quando foi ministro-adjunto do primeiro-ministro, durante o I Governo de António Guterres -, Sócrates foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Público (4/2/2005) - A 12 de Fevereiro de 2005 António José Seguro lembrou as responsabilidades de Sócrates na realização do Euro-2004: "Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates, futuro primeiro-ministro de Portugal", acentuou.


Despesismo desportivo, desígnio nacional - No blogue Anti-Tuga

Carta do cidadão Fernando Conceição publicada pelo PÚBLICO de 7 Novembro 2005

"Já lá vai um ano depois do que se profetizava ser um desígnio nacional para mostrar ao mundo a modernidade de Portugal - o Euro 2004. Desde então é inequívoco, em jogos normais da SuperLiga e amigáveis, que muitos dos lugares ficam por preencher e não terão a mínima rendibilidade no futuro. De todos os estádios, só os de Lisboa e Porto apresentam níveis minimamente satisfatórios.

O estádio de Leiria custou 80 milhões de euros, mas os próximos 20 anos serão marcados por uma dívida de 600 mil euros, a que acresce um milhão de euros só em custos de manutenção anuais. Mesmo junto ao estádio existe uma pequeníssima escola que, pelo excesso de alunos, tem de ter dois turnos, e muitas aldeias, circundantes ainda não sabem o que é saneamento básico.

O estádio de Aveiro, cujo clube está na divisão de honra, recebe semanalmente três mil pessoas, quando muitas famílias vivem ainda no limiar da pobreza.

Em Guimarães, o antigo presidente da câmara utilizava o estádio em cartazes de campanha eleitoral - o estádio, em si, só tem utilidade para um único clube, com 16 mil espectadores de média.

Em Coimbra, também o estádio será pago nos próximos20 anos, em tranches nada suaves de dois milhões de euros.

O estádio de Braga, com um custo real 100 por cento acima do incialmente previsto, só tem capacidade para futebol e o clube apenas paga mil euros de renda, enquanto abunda a poluição no rio da cidade.

Como é do conhecimento geral, o estádio do Algarve é o exemplo geral mais destrambelhado de todos: custou 66 milhões, com duas equipas do escalão mais baixo do futebol a jogar e 600 mil euros anuais de dívida à banca. Para além de se encontrar no meio de um descampado, só encheu cinco vezes (Euro incluído), enquanto as populações do Algarve esperam por um hospital central.

Depois de um nacionalismo fingido (alguém viu mais alguma bandeira hasteada após o torneio?), criaram-se verdadeiros buracos negros na economia nacional. E a verosímil candidatura de Portugal à realização dos Olímpicos de 2016 roça o escandaloso, porque à excepção dos estádios de Leiria e Coimbra, nenhum dos outros dispõe de pista junto ao relvado.

O mesmo José Sócrates que agora pede sacrifícios e garante que "o pior ainda não passou", foi o mesmo que impulsionou esta candidatura ao Euro, que se torna ainda mais incompreensível quando se sabe que quatro estádios seriam suficientes. Onde está o estádio municipal de Lisboa e do Porto? Foram as rivalidades que ditaram estádios diferentes ou a teimosia e o despesismo terceiro-mundistas? Porquê tanta falta de planeamento?

E convém lembrar que foram José Sócrates, Gilberto Madaíl, Carlos Cruz, entre outros, que contribuíram para esta cruz pesada que carregaremos até 2025. Certo é que suaremos mais que Sócrates numa qualquer maratona, mas podemos sempre pedir asilo, fugir pelo aeroporto da Ota ou por uma estação de TGV, porque quando chegarmos podemos sempre anunciar uma candidatura autárquica na esquadra mais próxima."


Miguel Sousa Tavares (Público - 09 Dez 2005)

"Por que é que a Holanda e a Bélgica, bem mais prósperos que Portugal, organizaram em conjunto o Euro 2000 e apenas precisaram de sete estádios, dos quais dois novos, e nós, organizando sozinhos, precisámos de dez estádios, dos quais oito novos?"


Com efeito, O Euro 2000, o anterior Campeonato Europeu de Futebol, realizado no ano de 2000, teve como anfitriões a Bélgica e a Holanda, responsabilidade esta que foi, pela primeira vez, partilhada por duas nações. O campeonato foi disputado em 8 cidades diferentes, 4 na Holanda e 4 na Bélgica.

E quanto ao Euro 2008, o futuro Campeonato Europeu de Futebol, a realizar no ano de 2008, os organizadores, Áustria e Suíça, anunciaram que o torneio será disputado em apenas sete estádios, três na Suíça e quatro na Áustria.

Por que é que a Holanda e a Bélgica, bem mais prósperos que Portugal, organizaram em conjunto o Euro 2000 e apenas precisaram de sete estádios, dos quais dois novos, e Portugal, organizando sozinho o Euro 2004, precisou de dez estádios, dos quais oito novos? E porque é que a Áustria e Suíça, igualmente bem mais prósperos que Portugal, vão organizar também em conjunto o Euro 2008, aproveitando estádios existentes?


No Diário de Notícias e no Correio da Manhã:

- Mais de mil milhões de euros de investimento público total (no Euro 2004).

- Tribunal de Contas (TC) questiona se o elevado montante de apoios públicos ao campeonato organizado por Portugal no Verão de 2004 não poderia ter tido uma utilização mais eficiente noutras áreas de relevante interesse e carência pública.

- Tribunal de Contas refere que os novos estádios do Euro 2004 estão sobredimensionados, o que pode ser constatado pelas baixas taxas de ocupação, da ordem dos 20 a 35%.

- O dinheiro investido neste espectáculo de grande escala não teve grande retorno. Quase seis meses depois do Euro 2004, alguns estádios onde foram investidos milhões de euros para receber a prova estão «às moscas». Dos recintos do Euro2004, só os dos «três grandes» tiveram sucesso comercial.

- Numa auditoria desenvolvida pelo Tribunal de Contas junto dos estádios de Guimarães, Braga, Leiria, Coimbra, Aveiro, Loulé e Faro, ficou claro que as autarquias se endividaram para os próximos 20 anos.

- As sete autarquias que receberam jogos do Euro 2004 contraíram empréstimos bancários no valor global de 290 milhões de euros para financiar obras relacionadas com o campeonato.

- Na sequência destes empréstimos, as câmaras terão que pagar juros no montante de 69,1 milhões de euros, nos próximos 20 anos, refere o relatório de auditoria do Tribunal de Contas.



Excertos de uma entrevista a Sócrates pelo Acção Socialista (19/5/2004):

Sócrates - "O Governo aprendeu. Começou por ter as maiores dúvidas e reservas quanto ao Euro 2004, a fazer-lhe críticas muito pueris, próprias de quem não percebeu nada do que estava em causa. O Euro 2004 não é um torneio de futebol, é muito mais do que isso. É um grande acontecimento que projecta internacionalmente o nosso país".

Sócrates - "Nós definimos como orientação que Portugal devia ser um país capaz de realizar grandes eventos desportivos internacionais".

Sócrates - "Pois, mas a construção dos dez estádios não um odioso, é bem necessário ao país. Portugal tinha que fazer este trabalho. É também uma das críticas mais infantis que tenho visto, a ideia de que se Portugal não tivesse o Euro não tinha gasto dinheiro nos estádios. Isso é uma argumentação própria de quem é ignorante.

Sócrates - "Ouvi recentemente responsáveis pelo Euro dizerem que é já claro, em relação ao que o Estado gastou e ao que recebeu, que estamos perante um grande sucesso económico."


Comentário:

Será aceitável que num país, dos mais pobres da Europa, se invistam centenas de milhões de contos e se endividem câmaras por dezenas de anos em estádios de futebol que «estão às moscas», quando existe tanta pobreza, tanto desemprego, tanta precariedade entre a juventude e tanta falta de infra-estruturas ao nível mais básico?

Países consideravelmente mais ricos que o nosso unem-se para organizar campeonatos conjuntos e limitam-se a fazer obras de remodelação em estádios existentes. Portugal, bastante mais pobre, constrói de raiz oito estádios de futebol e organiza sozinho um europeu de futebol.

Não há ninguém que mereça responder em tribunal por este crime terrívelmente lesivo do Estado? Não há ninguém que deva ser preso?
.

13 comentários:

J. Lopes disse...

Houve um Sócrates há milhares de anos com muito mais sabedoria: condenado por um tribunal popular a beber cicuta, decide morrer numa prisão, rodeado de amigos e discípulos. E que se saiba não fez nenhum estádio.

contradicoes disse...

Com os estádios de futebol
governou-se muita gente
que pescou com seu anzol
todo o dinheiro excedente

As autarquias endividaram-se
de forma surpreendente
mas todas candidataram-se
e foi conscientemente

Porque as obras de vulto
permitem a muita gente sacar
no poder que é corrupto
e nos anda a enganar

Ashera disse...

Amigo Diogo
Parabéns pelo "post"
Subscrevo cada linha.
Afinal , o que projecta o nosso País
a nível internacional é mesmo, a corrupção e desgovernação, além do Tratado de Lisboa, onde passamos a ser a alcatifa suja da Europa, etc.
Por outro lado, penso que, quanto mais falamos deste "Senhor En-génio", mais importância lhe damos.
Infelizmente o meu País está de rastos à beira de um eclipse e lamento profundamente.
Nem procuro culpados. Nem condeno ninguém. Apenas estou triste, e já nem me apetece revolucionar...
O Povo votou.
O Povo escolheu.
O Povo tem aquilo que merece.
Eu faço parte do povo, mas não votei nesta Criatura .
Seja como for nenhuma outra Criatura depois do 25 de Abril, fez bem ao País... e quem quis fazer foi imediatamente aniquilado.
Beijos e mais beijos

Zorze disse...

A culpa não é só do Sócrates. Houve todo um conjunto de decisores que deram o seu aval. E com isso muita gente se encheu de dinheiro. A começar pelo Arq. que dizia às meninas "Pronto já está, todo lá dentro" e as construtoras e dos que receberam luvas neste nosso designio nacional. Infelizmente, é normal, nos países de terceiro mundo estas obras gigantescas para lhes darem a ilusão de que são modernos e iguais a países modernos e desenvolvidos.
E já agora, porque não, um campeonato do mundo e uns jogos olímpicos. E mais uma ponte - a maior do mundo ou da europa- e um centro comercial também o maior do ...
Somos os maiores temos sempre algo que é o maior do mundo ou da europa.
Mas, continuamos sempre a ser dos mais pobres da europa ocidental. Essa é que é essa.

Um Abraço,

http://extrafisico.blogspot.com

augustoM disse...

Comecemos por analisar quem construiu os estádios, e as respostas estão dadas.
Um abraço. Augusto

xatoo disse...

Votaram neste, e este fez isto!
Se vão votar no outro, o mesmo que estava antes (ou parecido) fará o mesmo.
Se repararem, os valores acrescentados a estes grandes projectos vêm todos de fora (na Expo p/e a maior parte das obras foram de empresas espanholas; o projecto do estádio do Benfica foi australiano, etc)
A grande questão é esta: desde o 25A o capital transferido para o estrangeiro como forma de pagamentos de investimentos aumentou mais de 60 vezes em relação ao PIB.
O negócio é deles, não é nem será tão cedo dos portugueses - que cada vez mais são geridos pelas multinacionais a ordenados mínimos

xatoo disse...

o melhor a fazer é não votar: como se faz nos Estados Unidos: há 60% de abstenções, de gente que não participa no arcaico sistema entre-Câmaras-e-Partidos, mas aquilo funciona lindamente

Apache disse...

Sócrates chegou onde chegou por malabarismos como este. Quem efectivamente governa não dá ponto sem nó.

Anónimo disse...

Em vez de estádios para o campeonato europeu, o que deveria estar a ser discutido é a possibilidade de ser introduzido um
salário minimo europeu.

Isso sim, é que era.

Anónimo disse...

Na europa unida todos os países tem salário minimo nacional, excepto a Noruega, Suécia, Filândia, Dinamarca, Suiça, Alemanha, Austria, Chipre e Itália.

Neste países os salários são negociados por organizações de trabalhadores e sindicatos, muitas vezes com grande sucesso, outras vezes nem tanto.

Mas os povos destes países reclamam muito mais e são bastante mais activos em protegerem-se da exploração dos que os portugueses que são passivos, e apoiam os partidos como se fossem clubes de futebol.

Pressure mounts in Germany for first-ever minimum wage
http://www.iht.com/articles/2007/06/11/business/wage.php

"Quote de um CEO nos USA aos empregados, após um downsizing"
You must make with less, so we can have more.

Não pode haver europa unida, com moeda igual e uma economia aberta, sem direitos também iguais, como um salário minimo europeu.


Plea for a European minimum wage policy
http://av.rds.yahoo.com/_ylt=A9ibyK0TQ85HtVIBWRlrCqMX;_ylu=X3oDMTBvdmM3bGlxBHBndANhdl93ZWJfcmVzdWx0BHNlYwNzcg--/SIG=120u1k0oi/EXP=1204786323/**http%3a//library.fes.de/pdf-files/id/04408.pdf

Do you favour a European minimum wage? Why?
http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20071002044839AAC9E0R

O maior salário minimo na europa é no Luxemburgo, 1.570 euros por mês e o mais baixo na fantástica Bulgária, apenas 92 euros.

Na europa há 2 grupos de países, que estão muito abaixo da média europeia em salários.

O grupo dos totalmente miseráveis, salvo erro são 9 países, geralmente países do leste,
onde o salário minimo é mais baixo que 300€. (Roménia, Bulgária, Turquia, Polónia, etc)

Depois o grupo dos países pobres, são Portugal, Eslovénia, Grécia, Malta e Espanha, o salário minimo vai dos 400€ portugueses aos 700€ dos espanhóis.

Na restante europa, os salários MINIMOS não tem nada a ver, podendo atingir 1.500€ mês (Luxemburgo).

Detesto que comparem o nosso desenvolvimento com espanha, um dos países mais pobres da EU, embora seja o mais rico dos mais pobres.

E ainda por cima as coisas são mal comparadas.

Por exemplo, em espanha apenas 1% dos empregados recebe o salário minimo,700€, a maior parte dos empregados 99% recebe mais, o salário minimo em espanha não tem peso, as pessoas recusam-se a trabalhar por 700€. Aqui em portugal, já não é assim, as pessoas sujeitam-se a tudo.

França tem o maior número de pessoas a receber salário minimo, 17%. Só que o salário minimo deles é muito bom e dá para viver confortavelmente.

Com os recentes aumentos do preço da comida e dos combustíveis, quem recebe 400€/mês aqui em portugal passa fome.

Desafio os político do nosso parlamento a passarem 2 ou 3 dias sem comer, para terem a ideia.

Anónimo disse...

Na europa unida todos os países tem salário minimo nacional, excepto a Noruega, Suécia, Filândia, Dinamarca, Suiça, Alemanha, Austria, Chipre e Itália.

Neste países os salários são negociados por organizações de trabalhadores e sindicatos, muitas vezes com grande sucesso, outras vezes nem tanto.

Mas os povos destes países reclamam muito mais e são bastante mais activos em protegerem-se da exploração dos que os portugueses que são passivos, e apoiam os partidos como se fossem clubes de futebol.

Pressure mounts in Germany for first-ever minimum wage
http://www.iht.com/articles/2007/06/11/business/wage.php

"Quote de um CEO nos USA aos empregados, após um downsizing"
You must make with less, so we can have more.

Não pode haver europa unida, com moeda igual e uma economia aberta, sem direitos também iguais, como um salário minimo europeu.


Plea for a European minimum wage policy
http://av.rds.yahoo.com/_ylt=A9ibyK0TQ85HtVIBWRlrCqMX;_ylu=X3oDMTBvdmM3bGlxBHBndANhdl93ZWJfcmVzdWx0BHNlYwNzcg--/SIG=120u1k0oi/EXP=1204786323/**http%3a//library.fes.de/pdf-files/id/04408.pdf

Do you favour a European minimum wage? Why?
http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20071002044839AAC9E0R

O maior salário minimo na europa é no Luxemburgo, 1.570 euros por mês e o mais baixo na fantástica Bulgária, apenas 92 euros.

Na europa há 2 grupos de países, que estão muito abaixo da média europeia em salários.

O grupo dos totalmente miseráveis, salvo erro são 9 países, geralmente países do leste,
onde o salário minimo é mais baixo que 300€. (Roménia, Bulgária, Turquia, Polónia, etc)

Depois o grupo dos países pobres, são Portugal, Eslovénia, Grécia, Malta e Espanha, o salário minimo vai dos 400€ portugueses aos 700€ dos espanhóis.

Na restante europa, os salários MINIMOS não tem nada a ver, podendo atingir 1.500€ mês (Luxemburgo).

Detesto que comparem o nosso desenvolvimento com espanha, um dos países mais pobres da EU, embora seja o mais rico dos mais pobres.

E ainda por cima as coisas são mal comparadas.

Por exemplo, em espanha apenas 1% dos empregados recebe o salário minimo,700€, a maior parte dos empregados 99% recebe mais, o salário minimo em espanha não tem peso, as pessoas recusam-se a trabalhar por 700€. Aqui em portugal, já não é assim, as pessoas sujeitam-se a tudo.

França tem o maior número de pessoas a receber salário minimo, 17%. Só que o salário minimo deles é muito bom e dá para viver confortavelmente.

Com os recentes aumentos do preço da comida e dos combustíveis, quem recebe 400€/mês aqui em portugal passa fome.

Desafio os político do nosso parlamento a passarem 2 ou 3 dias sem comer, para terem a ideia.

Moriae disse...

Diogo, espreita este post:
http://psitasideo.blogspot.com/2008/03/jos-scrates-sovenco-e-mentira-que-at-j.html
abraço,
m.

Moriae disse...

:/