sábado, fevereiro 21, 2009

Robin Who? - A saga de roubar aos Contribuintes para dar aos Bancos

Miguel Sousa Tavares, que há duas semanas atrás, concordando com José Miguel Júdice, avisou que: «[caso Sócrates seja derrubado] Portugal torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente», vem agora, quinze dias depois, referir-se ao primeiro-ministro como: "O Robin dos tolos".




Jornal Expresso - 16/02/2009




O Robin dos tolos

[...] Agora, chegou a vez da campanha contra os 'ricos', com a qual José Sócrates espera tocar a reunir toda a esquerda em volta deste seu Robin Hood - o mesmo, o mesmíssimo, que andou e anda a usar o dinheiro de quem trabalha e paga impostos para proporcionar os grandes negócios dos escandalosamente ricos, através de sucessivas empreitadas de obras públicas, algumas inúteis, quase todas ruinosas.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que a Caixa Geral de Depósitos, o banco público, tenha andado a financiar com centenas de milhões de euros operações de pura especulação bolsista e agora, não conseguindo cobrar os créditos, poupe o património pessoal dos devedores (como não faz a quem se tenha endividado para comprar um T1) e lhes dê condições de renegociação da dívida que são um privilégio escandaloso.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o seu ministro Mário Lino gaste meio milhão de euros em festas de inauguração de cada novo troço de auto-estrada.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que os dinheiros públicos sirvam para acorrer ao salvamento de negócios bancários irresponsáveis e inviáveis, como o BPP ou o BPN, em lugar de os deixar afundar, como, além de mais, o exigia a credibilidade do mercado.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o que resta do património natural ainda preservado do país seja vandalizado ao abrigo dos projectos PIN e com a chancela de interesse público dada pelo Governo.

Não. O que incomoda o socialista José Sócrates é que os 'ricos', como ele lhes chama (isto é, a ínfima minoria que declara os seus rendimentos e paga 42% de IRS, em lugar de criar empresas fictícias para lá enfiar despesas pessoais ou abrir contas em offshores estrangeiras), possam deduzir com a saúde ou a educação as quantias que o próprio Governo definiu como razoáveis. Vai, pois, conforme anunciou, subir ainda mais o IRS para quem mais paga e cumpre, para o 'redistribuir' pela 'classe média' - contas feitas, e se alguma vez devolver dinheiro a alguém, parece que caberão quatro euros a cada representante da 'classe média'. Eis o socialismo, tal como José Sócrates acaba de descobrir. Dá vontade de ir pagar impostos para outro lado...

Acredito que nem José Sócrates nem Teixeira dos Santos imaginaram que a bola de neve que começou a rolar suavemente há um ano pudesse degenerar na avalancha que agora nos engoliu. Nisso, estiveram, aliás, acompanhados por todos os dirigentes políticos e gurus económicos do planeta inteiro. Mas quando se tornou evidente, aí há uns quatro meses, que o vendaval originado nos Estados Unidos iria varrer tudo, o PM e o ministro das Finanças perderam o controlo emocional da situação. O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata. Mas o auxílio pressuroso e não ponderado ao BPN e depois ao BPP foi um tiro monumental no pé. A menos que ocorra um milagre não previsto nos livros, o que vai acontecer é que o Estado gastou uma fortuna irrecuperável para tentar salvar o que não tinha nem merecia ter salvação possível. Mas não foi apenas como medida financeira que essa decisão se revela, a cada dia que passa, desastrosa. Foi o exemplo que ficou, uma espécie de pecado original sem remissão possível: perante uma crise cuja principal causa foi a ganância e a a irresponsabilidade de alguns banqueiros, o Governo, em lugar de aproveitar para seleccionar logo o trigo do joio, preferiu jogar o dinheiro dos contribuintes para tapar provisoriamente buracos de negócios de vão de escada. E agora, como é óbvio, todos se sentem no direito de reclamar que ele acorra a tudo, ao que presta e ao que não presta, ao que tem viabilidade e ao que não tem.

Prisioneiro político desta tremenda asneira inicial, sinto que o Governo navega à vista, enfrentando a crise sem bússola e sem rumo. Incapaz de pensar, marra em frente, recusando-se a arrepiar ou alterar caminho no que quer que seja - como nos faraónicos e inúteis projectos de obras públicas com que entusiasticamente nos ameaça. Confunde a dúvida legítima com a hesitação e teme o preço político a pagar se der sinais de indecisão. Visivelmente nervoso e tenso, Sócrates não quer reflectir nem ser contrariado. Abre a televisão e vê todos os dias centenas de novos desempregados desesperados, vê as imagens chocantes dos milhares de sobreiros (um dos verdadeiros clusters de futuro da nossa economia), derrubados para a urbanização do Vale da Rosa, em Setúbal (viabilizada por despacho do próprio Sócrates, quando ministro do Ambiente), e concluí pela fuga em frente. Acredita que o eleitorado interiorizou que a culpa da crise é da direita dos negócios e vai ser preciso um salvador vindo da esquerda. Ei-lo.

Se não pode impedir o crescimento do desemprego, se não quis e não quer enfrentar o poder do grande capital, resta ao socialista Sócrates rapar no caldeirão da demagogia: eutanásia, casamento de homossexuais, Robin Hood fiscal, e, para acabar, senhoras e senhores, tomem lá outra vez com a ameaça da Regionalização - essa medida 'socialista' tão cara ao aparelho do PS.

Eu penso que José Sócrates está a ver mal as coisas: os portugueses têm muitos defeitos, mas nunca foram politicamente tolos.




Comentário:

Este Sousa Tavares, que agora se refere a Sócrates como o Robin dos tolos, é o mesmo que há 15 dias atrás avisou que «derrubado Sócrates, o país ficará entregue à deliquescência». E, também, concordando com José Miguel Júdice: «Portugal [na falta de Sócrates] torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente».

Acrescenta agora o genial autor do romance 'EQUADOR': «O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata

Mas os neurónios, as sinapses e os guizos que chocalham no crânio do conceituado romancista não se sentem incomodados pelo facto dos Bancos privados terem lucrado mais de 3,3 milhões de euros por dia no ano 2008, donde, não haver qualquer necessidade de refinanciamentos ou avales de 20 mil milhões de euros, muito pelo contrário:


Jornal de Notícias – 29/1/2009: O Banco Espírito Santo (BES) obteve um lucro de 402,3 milhões de euros no exercício de 2008...


Agência Financeira – 23/1/2009: Os lucros consolidados do BPI foram, em 2008, de 150,3 milhões de euros...



Açoriano Oriental – 13/2/2009: O Millennium bcp terá registado lucros de 189,4 milhões de euros em 2008...



Jornal de Notícias – 5/2/2009: O Santander-Totta obteve um lucro de 517,7 milhões de euros em 2008...

8 comentários:

J. Lopes disse...

Questão crucial, a solidariedade está a ser exigida pela racionalidade económica. Ambas necessárias para que este mundo não expluda por causa de conflitos sociais. E neste momento em que a nível mundial se discute o salário máximo, como o entenderemos, como um apelo feito ao Robin dos tolos? MST tem toda a razão, alguma, nenhuma?

Bilder disse...

Pois é meus amigos,tudo vai dar sempre á mesma questão:porque é que os banqueiros não pagam a crise?(meu blog livros do bilder)
A resposta é simples quando olhamos de forma aberta e livre para a questao, os banqueiros estão no topo da piramide que é a nossa sociedade!E pôr tudo isso em causa seria o desmoronar da mesma(arrastando todos os interesses instalados),assim se vê porque os niveis a seguir dessa piramide fazem de tudo para a salvar!

contradicoes disse...

Também não concordei com a opção do governo privatizar o BPN até porque o argumento de que era preciso salvaguardar o interesse dos depositantes para mim isso não colhe porque as pessoas são livres de escolher o Banco com quem desejam trabalhar e claro está ao optarem por um banco privado no engodo de poderem obter ganhos ou dividendos com as suas aplicações o risco que correm devem assumi-lo e não tem que ser o Estado a suportar as golpadas cometidas por membros do conselho de administração, aos quais deveriam ter sido confiscados todos os bens face ao apuramento desta ruinosa gestão. Portanto o argumento do Ministro das Finanças não colhe quando afirma que o que ditou a nacionalização do BPN foi a necessidade de preservar o interesse dos depositantes. Mas também lhe digo se fosse injectado no referido Banco a quantia solicitada pelo então presidente do Conselho de Administração Miguel Cadilhe então assistiriamos ao aumento do valor do golpe que foi desferido.

Diogo disse...

Bilder, Eça disse que os grandes judeus na Alemanha se tinham apoderado da banca e da imprensa, e com isso tinham dominado o país. Hoje, a imprensa e a televisão somos cada vez mais nós através da Internet. E sem o controlo dos media, a alta finança não consegue controlar a banca. Apostemos a fundo na Internet.


Raul, Portugal não tinha que injectar nem que nacionalizar. E o chefe do Ministro das Finanças é Sócrates, que nesta jogada terá prejudicado o país em cerca de 2.000 milhões de euros. Isto a somar às dezenas de acusações de corrupção de que é alvo. Sócrates é o paradigma do corrupto.

Zorze disse...

E que grande paradigma, a referida personagem é!

A somar tudo isto o Estado (que somos todos nós) atribui colossais ajudas aos bancos para que estes mantenham a sua capacidade de crédito e que continuem a financiar a economia portuguesa.
Coisa que não o fazem e aproveitam a crise para não renovarem os contratos a prazo, emagrecendo, assim, os seus recursos humanos.

Que belo Estado que nós temos, tão solicito, a ajudar quem precisa.

Abraço,
Zorze

Ana Camarra disse...

Diogo

1º-MST-Esquizofrenia?!Alzheimer?!Multiplas personalidades?!

2º-Taxa Robin dos Bosques, pois...por acaso eu acho que era só cumprir a lei. Cada um que fizesse a declaração com o salário minimo nacional mas com habitação de luxo, carro de alta cilindrada, etc e tal ou que tivesse aberto firmas que vão á falência para depois abrir outras seja em que qualidade for tinha de responder por isso e pagar.

3º- Os lucros da Banca, obscenos!
Como se justifica esta macacada de se estar injectar dinheiros públicos na banca?

beijos

xatoo disse...

o problema do MST que o destrambelha chama-se Maitê Proença
por problemas desse tipo também eu me dava para escrever só chanchadas.
bom Carnaval, malta,
estou de praia

Furia do Cajado disse...

Gostei francamente.Excelentes conteúdos.
Convido-o a conhecer o folhetim "O Sobrinho do Dr. Cardoso" em http://furiadocajado.blogspot.com/

...E não só defendia a guerra (colonial) como branqueava as inúmeras baixas em combate:

"Quase todos foram e voltaram, Outros também irão e voltarão".

Outros para não ter a chatice de ir e voltar...não irão - digo eu