terça-feira, maio 10, 2005

Era uma vez na América



No Globo Online de 9 de Maio de 2005:

MOSCOVO - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, reuniram-se em Moscovo no que se esperava fosse um encontro tenso devido às acusações feitas por Bush no final de semana sobre a "tirania" da União Soviética sobre a Europa Oriental depois da Segunda Guerra Mundial. Putin ficou ressentido por Bush ter imposto a sua agenda internacional, desviando a atenção das comemorações do final da guerra na Europa, que teve um custo bastante alto para a antiga URSS: 27 milhões de mortos e o país arrasado. Os EUA mantiveram seu território intacto e perderam apenas 405 mil homens.

Bush criticou a Rússia várias vezes ao longo da viagem de cinco dias à Europa para as comemorações do final do conflito no teatro europeu. Neste domingo, Bush manifestou preocupação sobre o progresso da democracia na Rússia. Numa entrevista gravada para o programa "60 minutes", da rede americana CBS, Putin disse ao correspondente Mike Wallace, que os Estados Unidos não têm moral para falar sobre a democracia depois da polémica eleição presidencial de 2000, em que houve suspeitas de manipulação da contagem de votos na Flórida que deu a vitória ao actual presidente. O estado é governado por Jeb Bush, irmão do presidente.

"Há quatro anos a vossa eleição presidencial foi decidida num tribunal. O sistema jurídico interveio. Mas não nos vamos intrometer no vosso sistema democrático porque isso cabe ao povo americano," disse Putin que, a seguir, fez o que disse que não ia fazer. "Nos Estados Unidos vocês primeiro elegem os eleitores que votam nos candidatos presidenciais. Na Rússia, o presidente é eleito pelo voto directo de toda a população. Acredito que isto seja mais democrático”. Acrescentou que o sistema democrático americano não vai bem e que, por isso, ele foi contra a invasão do Iraque.


Mas se o sistema democrático americano não esteve bem em 2000, não parece ter estado melhor em 2004.


Dr. David L. Dill, Professor de ciências de computação da Stanford University fala sinteticamente sobre o escândalo das máquinas de votar electrónicas que “atribuíram” a vitória a Bush nas eleições de 3 de Novembro de 2004:

Porque é que me pedem sempre para provar que estes sistemas não são seguros? O ónus da prova deve pertencer ao fornecedor. «"Why am I always being asked to prove these systems aren't secure? The burden of proof ought to be on the vendor.»

Perguntamos-lhes acerca do hardware. “É segredo.” «You ask them about the hardware. "Secret."»

O software? “É segredo.” «The software? "Secret."»

Qual é o código? “Não vos podemos dizer porque isso comprometeria o secretismo das máquinas.” «What's the cryptography? "Can't tell you because that'll compromise the secrecy of the machines."»

Testes federais efectuados? “É segredo.” «Federal testing procedures? "Secret"»

Resultado dos testes? “É segredo.” «Results of the tests? "Secret"»

Basicamente é-nos pedido que tenhamos uma fé cega. «Basically, we are required to have blind faith."»


É caso para lembrar uma máxima de Stalin



"Aqueles que votam não decidem nada. Aqueles que contam os votos decidem tudo."
«"Those who cast the votes decide nothing. Those who count the votes decide everything."»

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