quarta-feira, maio 04, 2005

Ex-líderes do CDS - Os ditos e os ditosos

A 21 de Dezembro de 2002 o Expresso noticiava:

FREITAS do Amaral não desiste da sua cruzada contra os atropelos da administração Bush ao Direito Internacional e publicou um livro - «Do 11 de Setembro à Crise no Iraque» -, onde avisa que a Europa «tem, pelo menos, o dever de tentar a travagem do belicismo americano na Primavera de 2003».

Compara também os métodos do actual Presidente dos EUA aos de Hitler, Salazar, Franco e outros «ditadores extremistas que colocam a soberania nacional acima do Direito Internacional».
Aos aliados europeus, Freitas deixa um desafio: que tenham «coragem e espinha dorsal suficientes para não se sujeitarem a ser mandados».

«Pode ser-se estruturalmente pró-americano e conjunturalmente anti-Bush», lembra Freitas, que se situa a si próprio «numa linha intermédia, quiçá centrista», caracterizada por dois elementos fundamentais: «Um sentimento permanente de amizade e admiração pelos EUA; e uma atitude crítica bastante forte contra a política externa e de segurança do Presidente Bush».

Freitas parte da sua experiência pessoal nos Estados Unidos para relatar como então se apercebeu da existência de uma «extrema-direita legal» na América - a ala mais radical do Partido Republicano -, que se encontra hoje na Presidência e no Governo americano.

«São nacionalistas exacerbados», acusa Freitas do Amaral, passando a elencar-lhes os pecados: advogam não deverem os EUA respeitar o Direito Internacional -– «o mesmo pensavam e faziam o fascismo italiano e o nazismo alemão»; acreditam ter a missão histórica de dominar o mundo - «o mesmo pensava e tentou Hitler»; desprezam em absoluto a ONU, a menos que esta lhes apoie a política externa - «o mesmo pensava o doutor Salazar»; rejeitam decisões de organismos internacionais contrárias à vontade dos EUA - «assim agem todos os ditadores e extremistas que colocam a soberania nacional acima do Direito Internacional»; recusam dar aos talibãs e guerrilheiros da Al-Qaeda o estatuto de prisioneiros de guerra que as Convenções de Genebra lhes garantem - «o mesmo pensava Hitler dos judeus».

aponta ainda o dedo aos atentados à liberdade de expressão numa América onde o Presidente «pressionou, sabe-se lá por que meios, a imprensa de referência e os principais canais de televisão a não publicarem mensagens de Bin Laden e a aceitar a censura prévia dessas mensagens por razões de segurança».

À Europa, Freitas do Amaral lança um aviso e deixa um recado. Primeiro: «O Presidente Bush já se permite olhar para nós, europeus, de cima para baixo, dizendo: nós decidimos, depois informaremos, pressioná-los-emos; e, se não aceitarem, avançaremos sozinhos». Segundo: «Uma Europa muito fraca, que apenas esboça tímidas críticas mas não é capaz de dizer 'não' quando chega a hora da verdade» arrisca-se «a descer o plano inclinado da conciliação ao seguidismo, deste ao servilismo, e deste último à servidão».


E, por falar em seguidismo, servilismo e servidão, eis que dois anos e tal depois:



O anterior ministro da Defesa Paulo Portas vai ser condecorado no Pentágono, em Washington, na quarta-feira (4 de Maio de 2005), pelo secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.

A condecoração premeia «serviços públicos distintos» e esta é «a primeira vez que um ministro da Defesa português» recebe a medalha, raramente atribuída a estrangeiros.

Os fundamentos da distinção serão conhecidos após a cerimónia reservada de condecoração.

A manutenção do comando da NATO em Oeiras, o empenho de Paulo Portas no alargamento da Aliança Atlântica, a opção por duas fragatas norte-americanas no reequipamento das Forças Armadas e a posição portuguesa na guerra do Iraque são razões apontados pelo colaborador de Paulo Portas para justificar a condecoração.


Comentário:
Portas demonstrou que, ao contrário de Freitas, pode-se ser estruturalmente pró-Bush e também estruturalmente anti-europeu. Portas mostrou-se ainda brilhante na opção que tomou por duas fragatas norte-americanas no reequipamento das Forças Armadas Portuguesas (200 milhões de Euros em duas fragatas com mais de 20 anos de uso), e no apoio à guerra do Iraque.

No entanto, dada a enorme disparidade de posições dos dois ex-líderes do CDS, somos levados a pensar que um deles poderá estar equivocado. Ou será que não?

3 comentários:

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