sábado, outubro 07, 2006

Henrique Monteiro – a face mais suja do terrorismo

Henrique Monteiro no Expresso – 7 de Outubro de 2006

CIA, quem responde?

«George W. Bush já assumiu e em diversos países europeus a verdade vai-se conhecendo. Em Portugal reina o silêncio»

«A passagem por Portugal de voos da CIA está totalmente documentada. Esta semana revelamos que agentes daqueles serviços estiveram, por diversas vezes, no país enquanto os aviões - de cujos passageiros não se sabe a existência ou a identidade - eram assistidos em aeroportos portugueses. Este trabalho de conta-gotas ou foi realizado pela comunicação social ou por deputados do Parlamento Europeu. Do lado das autoridades portuguesas o silêncio é total

«Diversos governantes, actuais e passados, dizem que nada sabem do assunto. Se for mentira é muito preocupante. Porém, se for verdade é mais preocupante ainda: significa que as autoridades legítimas portuguesas desconhecem o que se passa no nosso território apesar de, aparentemente, ser política da CIA informar os serviços congéneres dos países aliados em que actua.»

«A simples ideia de que a realidade pode ser ocultada, não só do povo como dos próprios governantes, é repugnante. Tanto mais que noutros países, incluindo os EUA, quase tudo foi já reconhecido.»

«A ocultação da verdade não serve ninguém e apenas dá força aos que teimam em ver conspirações por todo o lado. Por muito que custe admitir, a guerra ao terrorismo, como todas as guerras, tem faces obscuras, trágicas, desumanas. Se o nosso papel como aliados nos obrigou ou nos fez partilhar essa face mais suja, é dever daqueles que sabem assumi-lo sem rodeios.»

«Sob pena de a guerra contra o terrorismo se fazer à custa dos nossos próprios valores, à custa dos valores pelos quais faz sentido combater o terrorismo. Entre eles, a transparência, a tolerância, a lei e a verdade.»

«É certo que nem tudo pode ser revelado. Mas insistir em ocultar o que já está praticamente à vista de todos só pode ter muito maus resultados.»


Comentário:

Henrique Monteiro dá-nos neste artigo mais uma prova, se tal fora necessário, de isenção, sensatez e inteligência:

Com efeito, se até mesmo aqueles que raptam, torturam e internam «suspeitos de terrorismo» em campos de concentração, têm a transparência, a tolerância, e a hombridade de assumir as suas práticas obscuras, trágicas e desumanas, porque é que o nosso atlantista ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, anda circunspectamente a fazer caixinha? Será para badalar ainda mais as práticas obscuras, trágicas e desumanas?

Porque se a enorme divulgação, apenas possível com a cumplicidade da administração Bush, das fotografias e vídeos das atrocidades cometidas em Abu Ghraib e Guantánamo, serviram na perfeição para excitar ódios contra o Ocidente, o que se pretenderá agora com toda esta publicidade aos «voos secretos» da CIA, de que o Henrique Monteiro ponderadamente faz eco?

18 comentários:

Biranta disse...

Há três questões neste post que são alarmantes:
- A meu ver, "é natural" que os serviços secretos portugueses não dêem cavaco ao Governo acerca destas coisas. Já há muito que os serviços ecretos de todo o Mundo, incluindo os portugueses, se trnsformaram em "estruturas paralelas" usadas e abusadas por gangsters e inteiramente dedicadas aos respectivos objectivos. Vocês teimam em não ver mas, para mim, é mais do que evidente o envolvimento do SIS no Processo "Casa Pia" e também é evidente o papel que este processo tem desempenhado na "conspiração global".
- O governo alega não saber... e se souber e estiver a mentir? E se de facto não souber? Quem é que vai garantir que haverá consequências para quem comete tanta patifaria? É urgente valorar a abstenção...
- Este "apelo" destes "puritanos de merda", bandidos, para que se "preservem os valores" contando a verdade sobre esta questão, e assumindo, de forma infame, arrivista e prepotente essas canalhices é intolerável.
Na verdade eu acho que esta questão e esta discussão (das prisões secretas e dos raptos e voos da CIA) é uma boa forma de "entreter papalvos" e relegar para segundo plano todas as outras denúncias mais graves, como as da autoria dos atentados terroristas de 11 de Setembro.
Esta discussão tira espaço às denúncias que realmente interessam. É que quer se queira quer não, desde que a "luta contra o terrorismo" seja justificada, uma grande parte das pessoas não se preocupa com a forma como se lida com a "ameaça".
Também é por isso que me esforço a denunciar que os sequestrados não são suspeitos de nada nem de terrorismo e que esses são procedimentos para "fabricar terroristas".
O importante é insistir nas denúncias quanto à autoria dos atentados terroristas, que todos os governantes do Mundo sabem e estão implicados... fazer aumentar a indignação até que esse clamor cale todas estas "manobras de diversão", denunciar as "manobras de diversão" e o "reconhecimento" da existência destas patifarias como actos de propaganada nazi, de consolidação do controlo do poder Mundial...

pvnam disse...

«mini-----spam»
Separatismo na Europa


O Movimento tolerante 'Pró-Diversidade' reivindica tão somente:
- Todos Diferentes!... Todos Iguais!...
- Isto é, todos os Povos do Planeta - inclusive os de menor rendimento demográfico, inclusive os economicamente menos rentáveis - devem possuir o Legítimo Direito de ter o SEU espaço no Planeta -> em particular, devem existir Espaços de Reserva Natural para a preservação das Identidades Étnicas Autóctones.

Nota 1: Os Espertalhões Mafiosos dos Predadores Insaciáveis [imigrantes e filhos de imigrantes] acusam o Movimento tolerante 'Pró-Diversidade' de Racismo e Xenofobia... quando o que eles realmente pretendem é... terem o Caminho Livre para Ocuparem e Dominarem mais e mais novos territórios!
(Nota: Os Predadores Insaciáveis são apoiados quer pelos Parasitas Engenhosos (vulgo Parasita Branco) quer pelos Capitalistas Selvagens)

Nota 2: A Civilização dos Parasitas Engenhosos (vulgo Parasita Branco) é verdadeiramente 'notável':
-1- Eles pretendem andar no Planeta a curtir mão-de-obra servil imigrante ao 'preço da chuva'...
-2- Eles pretendem andar no Planeta a curtir a existência de alguém que pague as Pensões de Reforma [apesar de... nem sequer constituírem uma Sociedade aonde se procede à Renovação Demográfica!!!]
-3- Engenhosamente, para branquear a sua Parasitagem no Planeta, eles são INTOLERANTES para com a existência de Reservas Naturais de Povos Nativos... pois... a Ocupação da Europa por outros Povos - SUBSTITUIÇÃO POPULACIONAL - deve ser considerada um processo «perfeitamente natural»...
-4- Engenhosamente, para branquear a sua Parasitagem no Planeta, eles alteraram a Lei da Nacionalidade... e... vão gerindo a entrada de imigrantes, e gerindo a atribuição da nacionalidade: «'ninguém' pode dizer que as Pensões de Reforma dos Palhaços-Éticos europeus estão a ser pagas por estrangeiros'!!!'»

Nota 3: Toda a gente sabe que a Europa está sob o domínio de Parasitas Engenhosos (vulgo Parasita Branco)... no entanto, pateticamente, os Nacionalistas Europeus (nota: são os Patetas do Planeta) andam por aí a argumentar que a Europa está a 'dormir'... e que precisa de 'acordar'...

CONCLUINDO:
-----> Não percam tempo com os Parasitas Engenhosos (vulgo Parasita Branco)!
-----> Antes que seja tarde demais... reivindiquem o Legítimo Direito ao SEPARATISMO:
-> a constituição de Espaços de Reserva Natural - para a preservação das Identidades Étnicas Autóctones.
{ ver: separatismo-50 }

xatoo disse...

carissimo, disseste ali atrás que
"Não acredito em nenhum poder sionista mundial"
acho que devias ir dando uma vista de olhos mais atenta para modificares essa opinião, por exemplo, aqui:
na Economia:
http://www.answers.com/topic/list-of-jewish-american-economists-1
na Governance
passando por cima do maior criminoso judeu do ultimo século: Henry Kissinger
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Jewish_American_politicians

escrevi disse...

"Sob pena de a guerra contra o terrorismo se fazer à custa dos nossos próprios valores pelos quais faz sentido combater o terrorismo. Entre eles, a transparência, a tolerância, a lei e a verdade.
Acho este parágrafo muito revelador.

mário disse...

«A ocultação da verdade não serve ninguém e apenas dá força aos que teimam em ver conspirações por todo o lado»

Pois não, a ocultação da verdade não serve ninguém . Então porque é que o Henrique Monteiro se encarniça a ocultá-la?

Júlio Reis disse...

De há uns meses a esta parte nota-se neste blogue uma barragem de fogo contra o semanário Expresso. Porquê este matraquear constante contra um jornal que se tem conseguido manter independente? O vosso amiguinho Daniel de Oliveira também lá escreve. Porque é que este nunca é criticado? É da côr?

inominável disse...

Cores e partidarismos mediáticos à parte (eu também sou leitora atenta do Expresso), acho que este artigo está muito bem escrito e também muito bem comentado: coloca, afinal, na balança, dois pratos da mesma mentira... ou das mesmas verdades ocultadas! E não serão, enfim, a mesma coisa?

Sofocleto disse...

Caro Xatoo,

Continuo a ter sérias dúvidas sobre um "poder sionista mundial". Todos sabemos que existem muitos judeus ligados à alta finança e ao poder político. Mas também os há da Opus Dei e da Maçonaria. E Evangélicos e católicos e Muçulmanos e Xintoístas. Mas a maior parte serão pura e simplesmente ateus.

A atracção pelo dinheiro e pelo poder não é apanágio de uma religião, de uma raça ou de uma seita. Está incrustado no género humano. Só que alguns de nós, em função dele (do poder), esquecemos tudo o resto. Tornamo-nos umas bestas, no pior sentido do termo. Todos os dias na televisão vejo indivíduos assim.

Sofocleto disse...

Inominável,

Não consegui perceber o teu comentário. Poderias ser mais clara?

a.castro disse...

Tudo bem... ou quase. É que o jornalista constrói a peça no pressuposto da existência do terrorismo como facto inquestionável (o terrorismo de que se queixam os ocidentais...). E eu nessa não alinho... Para o jornalista se mostrar isento falaria na questão dos aviões e nisso tem razão, mas fala diversas vezes no "terrorismo" e não se "confessa". Assim não vale!

Biranta disse...

Concordo inteiramente que os gangsters que dominam o Mundo não professam qualquer religião específica... E, embora o sionismo não seja uma religião mas uma opção política (de extrema direita) o conluiu entre máfias e todos os sectores da alta criminalidade para partilharem o domínio social, político e económico do Mundo é perfeito... É condição essencial para o êxito do "empreendimento". A não ser assim alguém me consegue explicar porque é que "eles" estão todos calados quanto a estas questões tão graves e comprometedoras do futuro do Mundo? Só pode ser porque "comem todos do mesmo tacho"!

inominável disse...

as mesmas mentiras referem-se à realidade do terrorismo visto do "lado de cá" e do "lado de lá", qual guerra-fria revisitada, mas assente agora noutros muros... mas também as mesmas mentiras contadas pelos mesmos governos, numa cumplicidade, no mínimo, mal-cheirosa.

as mesmas verdades ocultadas acabam por ser o mesmo: para que serve a verdade se ela é constantemente alvitrada e encangalhada?

xatoo disse...

caro Sofocleto
Eu aceito o principio que o Biranta exprimiu:
"o Sionismo não é uma religião mas uma opção política (de extrema direita)" que visa o expansionismo duma causa.
E essa "causa", inerente à ancestral filosofia judaica , é a de cobrar um juro antecipado sobre o usufruto de valores que eles préviamente "surripiaram" - lembremo-nos dos progroms que já vêm da Idade Média - por alguma razão os judeus são perseguidos desde sempre, afinal a Banca foi uma invenção deles (como tantas outras) mas esta actividade é a que controla todos os sectores a começar pelo Primário.
Não há aqui nada de anti-Semitismo.(Marx, Brecht e Heisenberg, este último que colaborou com os Nazis, eram judeus) . O problema não é religioso, salvo quando se trata da "religião do dinheiro". É o Sionismo que está em causa - Que a filosofia judaica corresponde a esta doutrina e que todos os que a contradizem são dizimados, são factos.
posto isto,
e como, não sei se disse, mas estive em Berlim recentemente e andei por lá a vasculhar pistas no sentido de tentar perceber, entre outras coisas, a teoria da "glorificação do Holocausto" e essa outra de "diabolização do nacionalismo alemão" (não há que ter preconceitos quando se pretende apurar a verdade) - tentei alivanhar umas ideias sobre isso no post que fiz ontem. Concluindo, aquela tua afirmação "Não acredito em nenhum poder sionista mundial" lixou-me um bom par de horas do domingo - analisa e vê se tem alguma imprecisão. Creio que a sequência histórica é elucidativa.
Ficas-me a "dever" um post com dedicatória, eheheheh
um abraço

augustoM disse...

Está na massa do sangue cooperarmos, com regimes perversos, não é novidade nenhuma.
Na Guerra de Espanha colaborámos com o Franco, ajudávamos a prender os refugiados espanhois, para os entregarmos aos franquistas que os assassinavam. Na Segunda Guerra Mundial, foi um fartar vilanagem, uma parte do dia era reservada aos a liados a outra ao Eixo. Ambos se vinham aqui abastecer, ainda que se sabendo o que os Nazis faziam aos judeus, pois nós fomos um lugar de passagem na sua fuga.
Se pensavam que com o tempo a mentalidade tinha mudado, estão enganados, tudo se passa como nada tivesse mudado.
Um abraço. Augusto

Sofocleto disse...

Caro Xatoo,

Segundo a Wikipedia, o Sionismo é «um movimento político que afirma o direito à existência de um Estado Judaico».

A Biranta afirma que «o Sionismo não é uma religião mas uma opção política (de extrema direita)" que visa o expansionismo duma causa». Mas não diz que o Sionismo é a única política que procura o domínio do mundo. Estende-o a quase toda a oligarquia mundial.

Eu acho que são os tipos que aparecem na revista Forbes: judeus, católicos, ateus e outros que procuram o poder mundial. Não é preciso chamar-lhes sionistas, basta chamar-lhes oligarcas. Tendo o dinheiro, têm os políticos (e as políticas) na mão, assim como a opinião pública (através dos media, que controlam).

Li o teu artigo e achei-o muito interessante. A ligação da alta finança americana com o regime nazi vem aprofundar as minhas suspeitas de que foi o «poder» americano que empurrou a Alemanha para a II Guerra Mundial. Para caçar as colónias às potências coloniais europeias.


Alvin Toffler:

Os EUA, depois da segunda guerra mundial tornaram-se a principal nação credora do mundo. Tinham a tecnologia mais avançada, a estrutura política mais estável e uma oportunidade irresistível de preencher o vácuo de poder deixado pelos seus destruídos concorrentes quando foram obrigados a retirar das colónias.

Já em 1941 (antes do ataque japonês a Pearl Harbor que teve lugar a 7 de Dezembro de 1941) estrategos financeiros americanos tinham começado a planear uma reintegração no pós-guerra da economia mundial, de acordo com linhas mais favoráveis aos Estados Unidos. Na conferência de Bretton Woods, efectuada em 1944 sob a liderança americana, quarenta e quatro nações concordaram em criar duas estruturas integradoras-chave: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

O FMI obrigou as nações membros a alinhar a sua moeda pelo dólar americano ou pelo ouro – a maior parte do qual pertencia as Estados Unidos. (Em 1948, os Estados Unidos possuíam 72% de todas as reservas mundiais de ouro.) O FMI fixou assim as relações básicas das principais moedas do mundo.

Um abraço

xatoo disse...

o principio da dominação já vinha mais de trás - do Plano Dawes em 1924

e a quantidade de judeus agora nos postos chave do chamado IV Reich deve ser uma "coincidência"
mas
não é nova - na década de 20 na Alemanha era exactamente igual. Outra "coincidência"?

Sofocleto disse...

Xatoo,

Há de facto muitos judeus envolvidos nestas manigâncias. Mas também há muitos judeus na «oposição». A grande maioria dos filhos da mãe não é judia. Porquê chamar-lhe uma conspiração sionista e não uma conspiração oligarca de dominação mundial?

Basílio disse...

Henrique Monteiro disse que:
«George W. Bush já assumiu e em diversos países europeus a verdade vai-se conhecendo. Em Portugal reina o silêncio».

No entanto, o esforço que o director do Expresso faz para quebrar esse silêncio é quase sobre-humano. (...tou a ser irónico)