domingo, outubro 19, 2008

Jon Stewart dirige-se a Paulson e a Bernanke: querem que vos demos quase um bilião de dólares para o entregarem a bancos falidos?

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram ao Congresso americano pedir um empréstimo de 700 mil milhões de dólares. Jon Stewart, do Daily Show, faz o papel de avaliador de empréstimos, aproveitando as declarações dos distintos financistas:


Stewart: Com os mercados financeiro a transformar os gestores de fundos em criados de mesa, o casal mais poderoso da América, composto pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram esta semana ao Congresso de mão estendida, para aquele que foi com certeza, o pedido de empréstimo mais embaraçoso de sempre.

Então, meus senhores, Paulson, Bernanke, é um prazer vê-los aqui… novamente.

Paulson: Quero dizer-lhe que esta não é uma posição na qual eu queria estar. Eu não queria estar nesta posição…

Stewart: Descontraia-se, meu caro… sendo avaliador de empréstimos ouço isto todos os dias. Agora passemos a algumas formalidades. Como foi a sua carreira profissional?

Paulson: Fui director executivo da Goldman Sachs desde… Janei… Desde Maio de 1999 até sair, para vir para cá, em meados de 2006.

Bernanke: Nunca trabalhei em Wall Street, não tenho esses interesses nem essas ligações.

Stewart: Não estejam nervosos rapazes. Ambos são brancos, ambos são ricos, logo é claro que isto não é um daqueles empréstimos “sub-prime” com que nós tivemos de lidar. Muito bem, chega de conversa fiada, passemos aos números. Quanto é que estão a pedir?

Paulson: 700 mil milhões de dólares.

Stewart: 700 mil milhões? É que, segundo os meus registos, já cá esteve quatro vezes este ano, a pedir 25 mil milhões para a indústria automóvel, 85 mil milhões para uma companhia de seguros, 200 mil milhões para umas tais de Fannie e Freddie não-sei-quantas…

Paulson: É preciso mais.

Stewart: Pois, bem… Só de aceitares um cheque, ó careca. Aliás, um cheque careca. Um cheque sem cabelo… Digo cobertura… Só mais uma perguntas, minha gente, para quem é que vai esse dinheiro? Para o povo, calculo?

Paulson: Uma vasta gama de instituições… Bancos grandes, bancos pequenos, de depósitos e empréstimos, cooperativas de crédito…

Stewart: Porque é que não disse logo? Eles são de confiança, vão devolver-nos o dinheiro, certo? Barbudo (Bernanke), tens estado para aí calado.

Bernanke: Vai ser recuperada uma percentagem substancial, mas se será o total é difícil saber.

Stewart: É difícil saber… Interessante. Normalmente exijo uma resposta melhor, mas tendo em conta que foram vocês que nos meteram nesta crise, não terei o mesmo grau de exigência. Vamos ver se percebi bem: querem que vos demos quase um bilião de dólares para vocês os entregarem a bancos falidos, geridos por tipos que usam notas para acender os charutos e o melhor que me conseguem dizer é que talvez nos devolvam algum do nosso dinheiro?

Bernanke: Os contribuintes americanos verão o seu dinheiro bem empregue. Não consigo prever o futuro e já me enganei diversas vezes.

Stewart: Sabem que mais? Que se f… levem lá o dinheiro. Mais um empréstimo perdido? Tanto faz.


Vídeo legendado em português - 3:35m



DS - Bern e Paul @ Yahoo! Video

5 comentários:

Ana Camarra disse...

Diogo

Muito bem feiro para não variar, foram os meus adolescentes que me apresentaram o Daily Show, prova que estamos sempre a aprender.
Presta-se a gozos esta situação mas quem se lixa é o pessoal do costume.
Quando a banca se enche de lucros é privada, os prejuízos já são públicos.
Pois eu cá não confiava nestes cromos, se geriram tão mal a xafarica deles…

Beijos

Diogo disse...

Ana,

A xafarica deles está muito bem gerida e ainda melhor orientada.

Não há nenhuma crise financeira. Há uma jogada brutal da Grande Banca de forma a encaixar biliões à custa das pessoas que trabalham e pagam os impostos e os empréstimos.

Os meia-dúzia de bancos que falirem são apenas balcões de um Banco Maior. Simples balcões de um grande monopólio.

Carlos Portugal disse...

Nem mais, Caro Diogo. Aliás, esta é uma manobra muito deselegante para transferir o que resta dos fundos públicos para os grandes bancos privados, numa antecipação da dissolução dos Estados e a formação de um aberrantíssimo «governo mundial» dirigido pelos CEOs desse «consórcio» de bancos privados, «governo» esse de que já se vislumbram os ensaios.

A propósito, por cá o BES (cuja sede real é - ou era - nas Seichelles, ou agora noutro qualquer paraíso fiscal) já começou a despedir pessoal em grandes «lotes».

E a SIBS já começou a fazer a «clivagem» entre os cidadãos que eles acham que deverão «continuar a viver» economicamente e o resto, impedindo o pagamento ou o levantamento através de muitos cartões de débito (mesmo com saldo positivo), não havendo qualquer problema para outros (felizmente, ainda não embirraram comigo, mas não deixei de observar este facto curiosíssimo com o sucedido a muitos amigos e conhecidos).

Por outro lado, quando a indústria automóvel reduz drasticamente a produção, e as marcas baixam os preços para poderem escoar os stocks, por cá - País de «experiências» sócio-económicas bilderberguianas - anuncia-se um aumento drástico dos preços - para a tal «selecção».

Que Deus nos ajude.

Cumprimentos.

Ana Camarra disse...

Diogo

Eu não sou tão ingenua que não saibe que isto é mais uma jogada, um embuste,
Estava a ser irónica.
Porque em última instância, para quem acredita que isto é a crise que nos querem impigir, não faz sentido confiar dinheiro a quem provou não o saber gerir.
Não é?

Beijos

Anónimo disse...

http://www.corrupcaonajustica-acorja.blogspot.com/