Segunda-feira, Maio 12, 2008

Falsos «analistas militares» a soldo do Pentágono

Jon Stewart, do Daily Show, põe a nu a desinformação sobre o Iraque veiculada pelo Pentágono através dos «independentes» meios de comunicação americanos:

Jon Stewart: Olhem para estas adoráveis e bondosas ex-máquinas de matar. Os canais contrataram-nos para dar opiniões de especialistas acerca do esforço bélico do nosso país.

Especialista 1: Estamos a vencer a guerra contra o terrorismo.

Especialista 2: Esta é a força mais bem preparada que já tivemos.

Especialista 3: Esta é a melhor liderança que os militares já tiveram.

Especialista 4: Quando pergunto a amigos meus de longa data do exército, que não vão mentir-me sobre como estamos a sair-nos e se estamos a ganhar ou a perder, eles dizem que estamos a ganhar.

Jon Stewart: Pois parece que muitos destes ex-militares não eram assim tão «ex», trabalhando para empresas de armamento e do Pentágono. Enquanto os canais noticiosos lhes chamam «analistas militares», o Pentágono, em memorandos vindos a público há pouco tempo, referia-se a eles como «multiplicadores de mensagens».

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Sábado, Maio 03, 2008

Bush antevê o presente ao predizer o futuro

Jon Stewart, do Daily Show revela-nos, com uma excelente dose de humor, as capacidades proféticas de George W. Bush.


Jon Stewart: Inventei um novo jogo! Pegamos numa previsão feita pelo presidente Bush do que pode acontecer se fracassarmos no Iraque e substituímos por um alerta do que pode acontecer se invadirmos o Iraque. Vamos experimentar - se invadirmos o Iraque…

Bush: Isso incentivaria outros extremistas no Médio Oriente.


Jon Stewart: Se invadirmos o Iraque…

Bush: O Irão iria tentar preencher o vazio deixado no Iraque.


Jon Stewart: Se invadirmos o Iraque…

Bush: Os Talibãs no Afeganistão e a Al-Qaeda no Paquistão aumentariam a sua confiança e a sua ousadia.


Jon Stewart: Extraordinário! Assim até parece que ele consegue ver o presente. Talvez se gritarmos bem alto, ele oiça em 2003.


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Quarta-feira, Abril 02, 2008

Iraque - a incorrigível ingenuidade de Pacheco Pereira



Miguel Sousa Tavares - Expresso 29/3/2008

Reescrevendo a história

Faz hoje oito dias, José Pacheco Pereira escreveu no ‘Público’ o primeiro de dois anunciados artigos onde procede à sua defesa, do director do ‘Público’ e de outros mais que caíram na esparrela montada pela Administração Bush no Iraque, cinco anos atrás. Por causa da amizade e admiração que sempre tive pelo José Pacheco Pereira, não vou deixar em claro aquilo que chega a ser uma indecente alteração das coisas e um notável exercício de transferência de responsabilidades autorais. Servido pelo seu habitual brilhantismo, o veredicto que ele extrai é capaz de impressionar esquecidas gentes: eles, os defensores da invasão do Iraque pelos «marines», são perseguidos, por “delito de opinião”, por uma “pequena turba, alimentada pelo silêncio de muitos” que exige contra aqueles “punição, censura, opróbio, confissão pública de crime”. E é a essa maioria silenciosa que Pacheco Pereira apela para que percebam que os que não viram na invasão do Iraque um momento empolgante da luta pela liberdade é porque foram movidos “pelo antiamericanismo militante, por razões puramente ideológicas e, acima de tudo, por uma ignorância militante” que os leva a achar que “os factos contam pouco” e são facilmente substituídos por “meias verdades e muitas falsidades”. Comecemos então pelos factos e pelas verdades indesmentíveis e passemos depois à ignorância.

Os factos são que, a seguir ao Vietname, o Iraque é já a segunda guerra mais longa de todo o longo cadastro de guerras travadas pelos Estados Unidos no estrangeiro, e não se vê o fim para ela - pela razão simples e elementar de que não se sabe e nunca se soube qual era o fim pretendido para a guerra, fora os pretextos inventados e fabricados para a desencadear. Facto é que morreram já quatro mil americanos e 200.000 civis no Iraque. Facto é que a economia do Iraque está arruinada e que o país produz hoje 20% da sua capacidade extractiva de petróleo, o que contribuiu para que o preço do barril de crude passasse em cinco anos de 35 para mais de cem dólares. Facto é que, apesar do derrube da ditadura de Saddam e da realização de eleições vagamente democráticas (as primeiras e provavelmente últimas por muitos e bons anos), o Iraque não consegue estabelecer um poder civil credível e capaz e é virtualmente ingovernável - no dia em que os americanos se retirarem, o Irão abocanhará a parte xiita, a Turquia a parte curda e o resto do país será resolvido pelas armas entre as três etnias principais. Nem Pacheco Pereira é capaz de dizer o que podem os Estados Unidos fazer agora no Iraque.

Ora, isto aconteceu justamente devido à ignorância e à ganância. A ganância dos que forneceram e armaram os destruidores do Iraque e dos que vieram atrás para a “reconstrução” - empresas como a General Dynamics, a Grumman, a McDonnell/Douglas, a Halliburton, etc., cujos lucros dispararam entre 50 a 200% desde que a guerra começou. E a total ignorância de um «comander-in-chief» (George W. Bush), célebre, entre outras coisas, por julgar que o Kosovo ficava na Ásia e que o Brasil não tinha negros. Não deixa de ser surpreendente que alguém tão preocupado com a manipulação das informações e da opinião pública, como Pacheco Pereira, não tenha tido a serenidade de espírito suficiente para perceber a operação de manipulação montada por Bush - e que não era assim tão difícil de perceber. Basta conhecer um pouco da forma como funciona o marketing político americano e de como se forma uma opinião pública movida por raciocínios maniqueístas primários, para entender qual a íntima razão que levou Bush para o Iraque: porque ele queria absolutamente comprar uma guerra, uma guerra que lhe desse a ele, falhado em tudo - na carreira académica, militar e nos negócios - a vaidade de poder proclamar “sou um Presidente em guerra”. E, nessas coisas, os americanos obedecem cegamente a uma regra de patriotismo idiota: “pelo meu país, com razão ou sem ela”. Basta que um Presidente se anuncie em guerra para que todos cerrem fileiras atrás, mesmo que o seu gesto mais corajoso seja o de aparecer de surpresa às tropas em guerra no «Thank’s giving», carregando ao alto um peru de doze quilos… que depois se descobre ser de plástico.

Claro que pessoas que embarcaram nisto, como Pacheco Pereira, podem sempre usar o eterno argumento do “não sabíamos”. Não sabiam que para justificar a «casus belli», Bush e Blair chegaram ao despudor de fabricar supostas provas de que Saddam apoiava a Al-Qaeda e escondia um poderoso arsenal de armas de destruição maciça... Bem, alguns não saberiam, outros talvez: Durão Barroso jurou ter visto “provas” das armas de Saddam, mas a prova de que não viu provas é que as armas não existiam - logo, ou se deixou enganar como um papalvo ou mentiu quando disse isso. Mas Pacheco Pereira deixou-se enganar porquê? Porque quis. Talvez por americanismo primário militante.

Quando Colin Powell mostrou na reunião decisiva do Conselho de Segurança fotografias e documentos que atestariam a construção de depósitos de armas nucleares e químicas no Iraque e a presença de elementos da Al-Qaeda, Dominique de Villepin, então ministro dos Estrangeiros da França, respondeu-lhe tranquilamente que essas “provas” eram velhas e tinham já sido cabalmente denunciadas como “falsificação grosseira”. E Powell calou-se, incomodado (mais tarde veio dizer que também ele fora enganado pela Casa Branca e pelo Pentágono). E quando El Baradei, presidente da Agência Internacional de Energia Nuclear, e Hans Blix, encarregado da ONU para o desarmamento do Iraque, vieram dizer que não tinham encontrado nada e precisavam de mais umas semanas para confirmar se existiam ou não armas e, mesmo assim, Bush forçou a invasão sem esperar, sem mandato da ONU e sem apoio dos Aliados, à excepção de Blair, Barroso, Berlusconi e Aznar, Pacheco Pereira também não desconfiou de nada? A guerra era assim tão urgente que não podia esperar duas ou três semanas?

Tudo isto tem a importância que tem e que se lhe quiser atribuir. Eu não atribuo uma importância por aí além ao facto de ter feito parte da “pequena turba” que a tempo previu o desastre que se preparava no Iraque. Mas, já que José Pacheco Pereira parece viver tão incomodado com o seu erro de análise ao ponto de pretender reescrever a história, então convém lembrar que o mundo é hoje infinitamente pior do que era antes da invasão do Iraque e por causa dela; que o terrorismo islâmico é hoje uma causa alimentada pela invasão do Iraque e com muitos mais militantes; que a razão profunda para tal - a questão palestiniana - está agora muito mais longe de uma solução do que então; que morreram 200.000 iraquianos e quatro mil soldados americanos convocados pelo seu Presidente para combater uma ameaça que ele sabia não existir; e que tão cedo nenhuma opinião pública estará disposta a ver morrer soldados para enfrentar uma outra ameaça, essa sim real.

Deus me livre de querer a ‘punição’ ou a ‘censura’ de Pacheco Pereira. Mas, já que fala nisso, também não acho que aqueles que, fazendo opinião, ajudam a formar as dos outros, possam passar por cima de tudo o que escrevem com a insustentável leveza de apostar sempre na falta de memória alheia. E, se bem me lembro, já são várias as vezes que José Pacheco Pereira embarca nos grandes embustes planetários: o «bug» do milénio, o terrorismo do antrax, as armas do Saddam e a “pandemia” da gripe das aves. Caramba, Zé! Que o mundo vai acabar, vai. Mas a seu tempo.



Comentário (no Resistir.info - por Michel Chossudovsky):

Os planeadores militares do Pentágono estão agudamente conscientes do papel central da propaganda de guerra. Engendrada pelo Pentágono, pelo Departamento de Estado e pela CIA, já foi lançada uma Campanha de medo e desinformação (CMD) [fear and disinformation campaign (FDC)] . A grosseira distorção da verdade e a sistemática manipulação de todas as fontes de informação constituem uma parte integral do planeamento de guerra.

Um certo número de agências governamentais e unidades de inteligência — com ligações ao Pentágono — estão envolvidas em várias componentes da campanha de propaganda. As realidades são viradas de cabeça para baixo. Actos de guerra são apregoados como "intervenções humanitárias" destinados a uma "mudança de regime" e à "restauração da democracia".

A componente mais poderosa da Campanha de Medo e Desinformação (FDI) fica com a CIA, a qual secretamente subsidia autores, jornalistas e medias críticos por meio de uma teia de fundações privadas e organizações de frente patrocinadas pela CIA.

Iniciativas de desinformação encoberta, sob os auspícios da CIA, também são canalizadas através de vários "procuradores" (proxies) de inteligência em outros países. Desde o 11 de Setembro elas resultaram em disseminação diária de informação falsa referente a alegados "ataques terroristas". Em virtualmente todos os casos relatados (na Grã Bretanha, França, Indonésia, Índia, Filipinas, etc) dizem que os "supostos grupos terroristas" têm "ligações ao Al Qaeda de Osama bin Laden", sem naturalmente admitir o facto (amplamente documentado por relatórios de inteligência e documentos oficiais) que a Al-Qaeda é uma criação da CIA.


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Quarta-feira, Março 26, 2008

Guerra do Iraque – baixas americanas abaixo do que o governo Bush desejaria?

Jon Stewart, do Daily Show, entrevista o Tenente-General dos marines William B. Caldwell, que passou 13 meses no Iraque, a quem faz uma pergunta enigmática:

Jon Stewart: "As histórias que ouvimos da armadura corporal ou do carro blindado não chegar a tempo. São exagero? Aconteceu mesmo? Atrasaram mesmo a chegada de alguns camiões à linha da frente? Ou não percebemos bem o que se passou? "


O que nos leva a questionar: será que os inquilinos da Casa Branca estarão pouco satisfeitos com a morte de apenas quatro mil soldados americanos no Iraque? Desejariam mais baixas? Sentir-se-ão incomodados com a aparência de demasiada facilidade para as suas forças militares? Afinal morreram 50.000 jovens americanos no Vietname. Não deveriam haver mais baixas americanas no Iraque ao fim de cinco anos de guerra? Para dar ideia de uma autêntica insurgência?


Para finalizar, aparece um pequeno excerto da senadora Hillary Clinton a fazer um discurso de campanha eleitoral: «Digo-vos isto, o melhor emprego que já tive na preparação para ser candidata foi um emprego que tive a estripar peixe...»


Vídeo legendado em português:

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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Bush: «o povo americano está mais seguro»

Jon Stewart, do Daily Show, traz-nos mais um momento de excelente humor político com o impagável criminoso de guerra George W. Bush.

Em 2006, George Bush, num discurso de 32 minutos, repetiu oito vezes a frase: «o povo americano está mais seguro».


Bush: «Hoje, e porque a América e a nossa coligação ajudaram a derrubar o violento regime de Saddam Hussein e porque tentamos fundar uma democracia pacífica que o substitua, o povo americano está mais seguro


Jon Stewart: «A estratégia da administração Bush no combate ao terrorismo é a repetição».


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Domingo, Fevereiro 10, 2008

Bin Laden, a Exxon e o petróleo a 100 dólares o barril

Bin Laden quis barril de petróleo a 100 dólares

Em finais de 2004, o Jerusalem Center for Public Affairs divulgava o conteúdo de uma cassete de Osama bin Laden, onde este terrorista dava claras intenções de golpear as economias ocidentais fazendo disparar os preços do petróleo:


Jerusalem Center for Public Affairs: «A 15 de Dezembro de 2004, numa gravação áudio, Osama bin Laden afirmou "os preços do petróleo deviam estar pelo menos a 100 dólares o barril," e apelou aos militantes do Golfo Pérsico para que fizessem um esforço para evitar que o Ocidente recebesse petróleo árabe, atacando instalações petrolíferas em toda a região. Esta foi a primeira vez que a liderança da Al-Qaeda divulgou abertamente a sua estratégia de atingir a economia ocidental desorganizando os abastecimentos de petróleo e fazendo os preços dispararem. No dia seguinte, no NYMEX (bolsa de petróleo de Nova Iorque), o crude subiu 5% para 46.28 dólares o barril.»


TRÊS ANOS DEPOIS

A 2 de Janeiro de 2008, a BBC noticiou a realização do «sonho de Osama bin Laden»: o barril de petróleo, tal como o líder terrorista previra três anos antes, chegara finalmente aos 100 dólares o barril:



Mas, como diz o ditado: «não há mal que bem não traga». Paradoxalmente, o terrorismo de Osama bin Laden trouxe lucros descomunais às quatro grandes irmãs do petróleo - Exxon, Chevron, BP e Shell. Vejamos, em particular, o caso da Exxon:


«Exxon bate recorde de lucros»:

«Nova Iorque (CNNMoney.com) – a Exxon Mobil fez história na Sexta-Feira reportando os maiores lucros trimestrais e anuais de sempre de uma companhia norte-americana, aumentados em grande parte pela subida dos preços do crude.»

«A Exxon, a muito publicitada maior empresa comercial de petróleo do mundo, informou que os resultados líquidos do quarto trimestre de 2007 aumentaram 14%, para 11,66 mil milhões de dólares, ou 2,13 dólares por acção. A companhia ganhou 10,25 mil milhões de dólares, ou 1,76 dólares por acção no período de um ano (2007).»

«O lucro ultrapassou o prévio recorde trimestral da Exxon de 10,7 mil milhões de dólares, alcançado no quarto trimestre de 2005, que foi também o maior de sempre de uma empresa americana.»

«"A Exxon pode distribuir alguns valores espantosos e este é um desses casos," afirmou Jason Gammel, analista sénior da Macquarie Securities de Nova Iorque.»

«A Exxon alcançou também um recorde anual de lucros ganhando 40,61 mil milhões de dólares no ano passado – ou cerca de 1300 dólares por segundo em 2007. Isto excedeu o anterior recorde de 39,5 mil milhões de dólares em 2006.»



Comentário:

Se bem que o terrorismo global, e sobretudo a partir dos funestos atentados de Setembro de 2001, se tenha revelado em muitos aspectos uma tragédia para o Ocidente, certos nichos económicos, mormente as indústrias americanas do armamento e do petróleo, dificilmente terão razões de queixa:

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Sábado, Dezembro 29, 2007

Dois palhaços da SIC Notícias ridicularizados por um humorista dos Monty Python


A dupla Buxa e Estica, da SIC Notícias (Martim Cabral - Nuno Rogeiro), entrevistou o humorista dos Monty Python, Terry Jones, no programa "Sociedade das Nações".

Martim Cabral e Nuno Rogeiro, os grandes arautos da "Guerra ao Terrorismo" na SIC, trouxeram à baila, evidentemente, a intolerância religiosa islâmica, o Iraque, o 11 de Setembro e o terrorismo em geral.

Terry Jones, de sorriso no lábios, explicou-lhes, candidamente, que a "Guerra ao Terrorismo" constitui um excelente negócio para a indústria do armamento, e que certos governos fazem dela um motivo para criar o caos no Médio Oriente, para que haja um estado permanente de guerra. Contou-lhes, ainda, que Bush é um presidente patético ao serviço das grandes empresas do armamento.

A SIC Notícias passou, prudentemente, esta entrevista às 20:10 (à hora dos telejornais) do dia 28/12/2007, e às 3:30 da madrugada do dia 29/12/2007, porque, como afirma Alcides Vieira, Director de Informação da SIC, este canal o que pretende é que "quando um telespectador olha para a informação da SIC, veja que todos os jornalistas que aparecerem no ecrã estão a falar verdade e não estão ao serviço de um interesse. Porque essa é uma marca da SIC."



Os principais momentos da entrevista a Terry Jones:

Terry Jones: Quando fizemos "A Vida de Brian" lembro-me de ter dito ao resto da equipa: "Sabem que isto pode ser muito perigoso. Podemos ter um fanático religioso a fazer de nós alvos." E eles responderam: "Não há problema." Mesmo nessa altura em 1978, achei que seria uma área potencialmente perigosa de abordar. Mas acho que não hesitava em retratar a vida de Maomé.


Martim Cabral: Acha que alguém o apoiaria? Não acha que existe uma atmosfera internacional em que ninguém considera sequer fazer este tipo de paródia, especialmente se recordarmos os problemas que houve devido aos cartoons de uma revista norueguesa?

Terry Jones: Sim, seria quase impossível obter apoio, mas não pensei em fazer isso. Não vejo o Islão como a grande fonte do Mal, como as pessoas dizem e como Bush quer fazer parecer. Em 1998… Não, em 1990, antes da primeira Guerra do Golfo, li uma revista interna da indústria do armamento, chamada "Weapons Today", que tinha grandes caças na capa. Era uma revista interna da industria do armamento e o editor-chefe escreveu: "Graças a Deus que Saddam existe." O editorial dizia que, com a queda do comunismo, o sector do armamento estava a atravessar uma crise. Não havia encomendas. "Mas agora temos um inimigo ao qual ninguém põe objecções, que é Saddam Hussein." Depois o editorial sugeria: "No futuro, podemos esperar que o Islão substitua o comunismo, porque haverá mais encomendas de armas." E podem apostar que, desde 1990, o sector do armamento tem promovido um conflito entre o Cristianismo e o Islão e é isso que temos visto desde então.


Martim Cabral: Já não é divertido nem legítimo fazer sátiras sobre religião, no ambiente em que vivemos actualmente.

Terry Jones: Concordo, mas não sei se esta situação se deve ao Islão ou à nossa indústria do armamento, que atiça e provoca o Islão.


Rogeiro: É curioso porque Chesterton, que era católico, comentou: "A superioridade de uma religião reflecte-se no facto de podermos satirizar com ela." Se pudermos gozar com ela, então, é uma religião superior.

Terry Jones: É um bom argumento para o Catolicismo.


Rogeiro: O que o irrita mais na conjuntura mundial actual? Sei que a questão do Iraque é algo que lhe custa a digerir.

Terry Jones: Sim, acho que o Iraque é o verdadeiro… Antes de invadirem o Iraque… A reacção ao 11 de Setembro foi completamente estúpida.


Rogeiro: O que significou, para si, o 11 de Setembro?

Terry Jones: Para mim, o 11 de Setembro resumiu-se a umas quantas pessoas que desviaram uns aviões para... Acho que o 11 de Setembro teve origem devido à situação no Médio Oriente com a Palestina, aquilo que os israelitas estão a fazer à Palestina, com a protecção e o aval dos Estados Unidos. O 11 de Setembro resumiu-se a isso. Claro que foi uma oportunidade imperdível para que os neo-conservadores norte-americanos transformassem isso numa cruzada contra o Islão.


Martim Cabral: Se fosse presidente dos Estados Unidos, como reagiria a um ataque como o das Torres Gémeas? O que faria? Como reagiria?

Terry Jones: Quando se é um presidente patético ao serviço das grandes empresas e do sector do armamento transformamos isso em algo politicamente vantajoso e fazemos disso um motivo para criar o caos no Médio Oriente, para que haja um estado permanente de guerra. Cria-se um estado permanente de guerra contra o "terror". É uma guerra que nunca pode ser vencida.


Martim Cabral: Mas o que faria? Imagine que está na Casa Branca.

Terry Jones: Foi um acto criminoso. Não podíamos apanhar os culpados porque estavam mortos. Tinha de haver operações secretas para descobrir os mentores. Não se fazem anúncios públicos, do género: "Achamos que estão escondidos no Afeganistão. Vamos bombardear-vos daqui a três semanas, está bem?" Isso dá à Al-Qaeda tempo suficiente para sair do Afeganistão e ir para outro local. Só então é que se bombardeia o Afeganistão.


Rogeiro: Escreveu no "The Guardian" que a gramática é vítima da guerra, penso eu, e defende que é impossível combater algo abstracto.

Terry Jones: Sim, na guerra contra o terror, estamos a enfrentar um substantivo abstracto.


Rogeiro: O terrorismo, além de ser abstracto, é algo muito concreto que mutila pessoas, que destrói vidas e cidades.

Terry Jones: Mas precisamos de um inimigo. Não podemos combater um conceito abstracto. É impossível combater o terrorismo. É como a luta contra a droga. É um conceito abstracto. Temos de saber quem vamos enfrentar. Temos de descobrir quem está por detrás disso para depois os capturar. Não se anuncia ao mundo onde estão os suspeitos para depois bombardear esses locais e criar ainda mais animosidade contra nós. É essa a intenção. A ideia não é salvar o Iraque, mas sim criar animosidade contra o Ocidente, para que haja um estado permanente de guerra.


Rogeiro: Porque acha que os britânicos reelegeram Tony Blair, depois de ele se ter envolvido na questão do Iraque?

Terry Jones: Porque reelegeram Tony Blair? Não faço ideia. Há muita… Até sei, mas não devia dizer isto. Acho que muita gente rema conforme a maré. Não sei.


Martim Cabral: Correndo o risco de sermos os três alvos de uma fatwa, não acha que Osama bin Laden seria uma personagem ideal para os Monty Pyton? Seria impossível inventar uma personagem como ele.


Terry Jones: Acho que ele (Osama bin Laden) deve ter sido influenciado pelos Monty Python.



A entrevista completa a Terry Jones, aqui:

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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

Madeleine Albright - uma grande estadista ou uma assassina?


WASHINGTON (CNN) 13/11/2007 – A ex-Secretária de Estado Madeleine Albright a o ex-Secretário da Defesa William Cohen anunciaram na Terça-Feira que iriam co-liderar uma task force para desenvolver linhas de orientação para ajudar os governos futuros dos Estados Unidos a lidarem com genocídios.

"O que sabemos é que o mundo já há muito tempo que afirma que o genocídio é inaceitável,” afirmou Madeleine Albright numa conferência de imprensa. “E, no entanto, os genocídios e os assassínios em massa continuam, e o nosso desafio é basicamente fazer corresponder as palavras aos actos de forma a acabar com este tipo de actos inaceitáveis."

(…) Albright disse que a ideia da task force veio da infeliz história de fracasso em prevenir genocídios à volta do mundo.

"Eu diria francamente que isto é o resultado de frustração", disse ela. "Não interessa o que digamos, existem mortes em massa e genocídios. E queremos ver o que é que podemos fazer para tornar as palavras 'nunca mais' em realidade."


Comentário:

'Nunca mais' – diz Madeleine Albright. A madama, agora tão preocupada com os genocídios nos países com subsolo rico em petróleo, já tinha revelado idêntica preocupação em relação às crianças iraquianas.

Leslie Stahl no programa da CBS – 60 Minutos em 5/12/1996, a entrevistar a Secretária de Estado Medeleine Albright sobre as sanções impostas pelos Estado Unidos ao Iraque:

Leslie Stahl: "Soubemos que meio milhão de crianças morreram, quero dizer, são mais crianças do que as que morreram em Hiroxima. E, bom, acha que este preço valeu a pena?"

Madeleine Albright: "Penso que é uma escolha difícil de fazer, mas o preço – achamos que o preço valeu a pena."


Vídeo (22 segundos):



Para Madeleine Albright o preço de meio milhão de crianças mortas valeu a pena. Qual teria sido o destino desta doce mulher, se acaso usasse uma suástica no braço e tivesse sido julgada pelo Tribunal Militar Internacional em Nuremberga, nos idos de Novembro de 1945?


Wikipedia - Madeleine Albright

She was also criticized for defending the sanctions of Iraq under Saddam Hussein, which led to hundreds of thousands of civilian deaths. In 1996, she made highly controversial remarks in an interview with Lesley Stahl on CBS's 60 Minutes. When asked by Stahl with regards to effect of sanctions against Iraq: "We have heard that half a million children have died. I mean, that's more children than died in Hiroshima. And, you know, is the price worth it?". Albright replied: "I think this is a very hard choice, but the price — we think the price is worth it."


During her tenure at the UN, she had a rocky relationship with the United Nations Secretary-General, Boutros Boutros-Ghali. She did not take action against the genocide in Rwanda. Albright later remarked in PBS documentary Ghosts of Rwanda that "it was a very, very difficult time, and the situation was unclear. You know, in retrospect, it all looks very clear. But when you were [there] at the time, it was unclear about what was happening in Rwanda."


According to Colin Powell's memoirs, Albright once argued for the use of military force by asking, "What’s the point of having this superb military you’re always talking about, if we can’t use it?"


In September 2006 she received the MiE Award, with Václav Havel, for furthering the cause of international understanding.
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Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

O ex-Presidente Italiano, Francesco Cossiga, confirma que foram a CIA e a Mossad que executaram os atentados do 11 de Setembro de 2001

Via Revisionismo em Linha by Paul Joseph Watson:

O ex-Presidente Italiano, o homem que revelou a existência da Operação Gládio, Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, num dos mais respeitados jornais italianos, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.

Cossiga foi eleito Presidente do Senado Italiano em Julho de 1983 antes de obter uma maioria decisiva nas eleições de 1985 tornando-se Presidente de Itália nesse ano. Francesco Cossiga ganhou o respeito dos partidos da oposição com a reputação de um político honesto e conduziu o país durante sete anos até Abril de 1992.

A tendência de Cossiga para ser honesto preocupou a elite governante italiana e foi forçado a demitir-se após ter revelado a existência, e a sua participação na criação, da Operação Gládiouma rede de operações secretas sob os auspícios da NATO que executou atentados bombistas por toda a Europa nos anos 60, 70 e 80. A especialidade da Gládio era executar o que se chama "false flag operations," ataques terroristas que eram imputados à oposição doméstica e geopolítica.

As revelações de Cossiga contribuíram para uma investigação do parlamento italiano em 2000 sobre a Gládio, durante a qual foram reveladas provas de que os ataques foram administrados pelo aparelho de inteligência americano.

Em Março de 2001, o agente da Gládio Vincenzo Vinciguerra afirmou, em testemunho sob juramento, "Vocês têm de atacar civis, pessoas, mulheres, crianças, pessoas inocentes, gente anónima arredada da política. A razão é muito simples: forçar... o povo a virar-se para o estado a pedir mais segurança."

As recentes revelações de Francesco Cossiga apareceram a semana passada no mais antigo e mais lido jornal de Itália, o Corriere della Sera. Abaixo a tradução:

Osama bin Laden ter [no vídeo] 'confessado' que a Al-Qaeda teria sido a autora dos atentados do 11 de Setembro às duas torres em Nova Iorque, enquanto todos os círculos democráticos da América e da Europa, com destaque para o centro-esquerda italiano, sabem bem agora que o desastroso atentado foi planeado e realizado pela CIA americana e pela Mossad com a ajuda do mundo sionista para acusarem os países árabes e para induzir as potências ocidentais a intervir quer no Iraque quer no Afeganistão.

«Osama Bin Laden in esso 'confessa' che Al Qaeda sarebbe stato l'autore dell'attentato dell'11 settembre alle due torri in New York, mentre tutti gli ambienti democratici d'America e d'Europa, con in prima linea quelli del centrosinistra italiano, sanno ormai bene che il disastroso attentato è stato pianificato e realizzato dalla Cia americana e dal Mossad con l'aiuto del mondo sionista per mettere sotto accusa i Paesi arabi e per indurre le potenze occidentali ad intervenire sia in Iraq sia in Afghanistan»


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Domingo, Novembro 18, 2007

Durão Barroso - o homem de mão de Bush na Europa

Numa entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, Durão Barroso afirma que recebeu informações sobre o Iraque que não eram verdadeiras, recordando a célebre Cimeira dos Açores.

"Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade. Tive documentos na minha frente dizendo que o Iraque tinha armas de destruição maciça. Isso não correspondeu à verdade", disse.

Apesar de tudo, Durão Barroso acha que Portugal nada tem a lamentar sobre o papel que assumiu e a prova disso é a sua própria situação. "Portugal, ao dizer que sim ao seu aliado norte-americano, não perdeu espaço com isso, nem tem que estar arrependido. Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus."

Durão lembra que o Presidente Bush teve um apoio quase unânime nos Estados Unidos quando decidiu invadir o Iraque. Simplesmente, como a operação correu muito mal, muitos tentam agora fugir às responsabilidades.

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"Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus", disse o «nosso» Barroso. Daniel Estulin, em entrevista ao SEMANÁRIO, dá outra explicação para o brilhante trajecto político do "CHERNE" Barroso:

Estulin diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, terá dito o seguinte sobre Durão Barroso: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa".

Como nota de referência, Estulin acrescenta que tem relatórios de várias fontes internas da reunião de Bilderberg que referem a fraca capacidade oral e a fraca personalidade de Barroso.


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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Usama Bin Laden não é procurado pelo FBI pelos atentados do 11 de Setembro de 2001

Se entrarmos na página do FBI onde estão referidos os dez criminosos mais procurados por esta polícia federal americana, surge-nos, no topo da página, esta imagem:




Se clicarmos em Usama Bin Laden surge esta página:



No topo da página:

Os dez fugitivos mais procurados pelo FBI

Assassínio de cidadãos norte-americanos fora do Estados Unidos;
conspiração para assassinar cidadãos norte-americanos fora do Estados
Unidos; ataque a instalações federais que resultaram em mortes





Na parte inferior da página:

Aviso

Usama Bin Laden é procurado relativamente aos atentados bombistas de 7 de Agosto de 1998 contra as embaixadas norte-americanas em Dar-es-Salaam na Tanzânia, e em Nairobi no Quénia. Estes ataques mataram para cima de 200 pessoas. Para além disso, Bin Laden é suspeito de outros ataques terroristas através do mundo.






A 5 de Junho de 2006, Paul V. Sheridan do Muckraker Report (site americano que denuncia escândalos) contactou o Quartel General do FBI, para saber porque é que o cartaz de Bin Laden não indicava que Usama também era procurado pela sua ligação aos atentados do 11 de Setembro. O Muckraker Report falou com Rex Tomb, Chefe das Relações Públicas da Investigação do FBI. Quando inquirido sobre porque é que não existia nenhuma menção aos atentados do 11 de Setembro na página de Usama Bin Laden, Tomb respondeu, "A razão de não serem mencionados os atentados do 11 de Setembro na página de Usama é porque o FBI não possui provas concretas que liguem Bin Laden aos atentados do 11 de Setembro."

Surpreendido pela facilidade com que o porta-voz do FBI fez uma declaração tão surpreendente, Paul V. Sheridan perguntou, "Como é possível?". Tomb continuou, "Bin Laden não foi formalmente acusado em relação aos atentados do 11 de Setembro." Sheridan perguntou, "Como é que é isso?". Tomb continuou, "O FBI recolhe provas. Assim que as provas são recolhidas, são entregues ao Departamento de Justiça. O Departamento de Justiça decide então se existem provas suficientes para apresentar a um júri de acusação (que determina se as provas são suficientes para uma acusação). No caso dos atentados bombistas às embaixadas americanas em 1998, Bin Laden foi formalmente indiciado e acusado por um grande júri. Não foi formalmente indiciado e acusado no caso dos atentados do 11 de Setembro porque o FBI não tem provas concretas que liguem os atentados a Bin Laden."


Comentário:

Em suma, as provas sobre a relação entre Bin Laden e os atentados do 11 de Setembro não são suficientemente fortes para levar o caso a tribunal, mas são inteiramente satisfatórias para justificar a invasão e o bombardeamento do Afeganistão e do Iraque, causando a morte de mais de um milhão de pessoas.
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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

O Estado de Israel, ou a edificação de uma base militar junto das ricas jazidas petrolíferas do Oriente Médio


A geopolítica do petróleo tem estado patente nas relações internacionais desde o início do século XX. A indústria petrolífera, a motorização de veículos terrestres e navais e a indústria aeronáutica tinham-se desenvolvido notavelmente nos EUA. As potencialidade militares destas inovações eram evidentes. A actuação das potências industriais ao longo do século XX foi fortemente determinada ou condicionada pelo acesso e controlo dos recursos de hidrocarbonetos, sobretudo o petróleo. A intervenção da Grã-Bretanha no Médio Oriente antes e após a Primeira Guerra Mundial (ocupação da Pérsia e da Mesopotâmia, protectorado do Kuwait); o desenvolvimento de frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa Oriental e no Pacífico, a progressão da presença norte-americana no Golfo Pérsico-Arábico e na Ásia Central (Arábia Saudita, Iraque, etc.), são manifestações da mesma ambição de controlar um bem económico essencial e de elevado valor militar.



Desde a Primeira Guerra Mundial, a prospecção de petróleo e o controlo das correspondentes reservas passou a ter importância estratégica. O Médio Oriente e a Ásia Central, com a bacia do Mar Cáspio e o Golfo Arábico-Persa, acabaram progressivamente por se revelar de longe como a região geográfica mais dotada em recursos petrolíferos.

Com o desencadear da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a corrida ao petróleo acelerou e todas as potências procuraram obter posições vantajosa nesse negócio. A Grã-Bretanha, que antes da Guerra já controlava o petróleo recentemente descoberto na Pérsia (Companhia Petrolífera Anglo-Persa), suspeitava que, por correlação geológica, a vizinha província da Mesopotâmia do império Otomano (Turco), seria igualmente rica em petróleo. Com o fim da Guerra e o colapso do império Otomano, a Grã-Bretanha obteve mandato da Sociedade das Nações para administrar a Pérsia, a Península Arábica e a Palestina. Pôde então determinar que a província da Mesopotâmia (actual Iraque) se tornasse um reino sob protecção britânica.

Na Conferência de Paz de Versailles, os primeiros-ministros da Grã-Bretanha e da França, Lloyd George e Georges Clemenceau, discutiram sobre a partilha do petróleo da Mesopotâmia; mas estando a Alemanha e a Turquia derrotadas, chegaram secretamente a acordo (Acordo de San Remo, 1920), recebendo a França a parcela anteriormente detida pela Alemanha. Os EUA, por seu lado, exigiram partilhar os despojos da guerra no Médio Oriente, até que finalmente a Grã-Bretanha cedeu (Acordo da Linha Vermelha, 1928).

A existência de petróleo na Mesopotâmia era conhecido desde o princípio do século XX mas só começaria a ser explorado em 1927. A organização da sua exploração foi obra do arménio turco Calouste Gulbenkian, geólogo competente e talentoso homem de negócios, que para o efeito constituiu a Companhia Turca do Petróleo, ainda no tempo do império Otomano (em 1912), com capitais alemães e turcos, a qual não chegaria a operar, mercê do imediato inicio e das vicissitudes da guerra. Após intricadas negociações, a Companhia foi reestruturada para dar lugar à Companhia de Petróleo do Iraque (1928), agora com capitais da Shell (anglo-holandesa), BP (britânica), CFP (francesa, actualmente a Total-Fina- Elf), cada qual com 23,75%, e da Exxon e Móbil (norte-americanas) com 11, 875% cada. Gulbenkian foi premiado pelo seu trabalho com a titularidade de 5% do capital, sendo desde então conhecido por "senhor cinco por cento".




Obtendo o seu nome de Sião (Sion, Zion) que é o nome de um monte nos arredores de Jerusalém, o Sionismo é um movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado Judaico.

Em 1896, o livro "Judenstaat" ("O estado judaico") de Theodor Herzl, líder do Movimento Sionista, foi traduzido para inglês. Herzl pregava que o problema do anti-semitismo só seria resolvido quando os judeus dispersos pelo mundo pudessem reunir-se e estabelecer-se num Estado nacional independente.

Fundado formalmente em 1897, o sionismo abarcava uma grande diversidade de opiniões sobre onde deveria ser fundada a nação judaica, tendo-se pensado de início estabelecê-la no Chipre, na Argentina e até no Congo, entre outros locais julgados apropriados.

A chamada diáspora judaica, ou seja a dispersão dos judeus pelo mundo, foi o principal argumento de ordem religiosa a reivindicar o estabelecimento da pátria judaica na Palestina. No entanto, o argumento da expulsão [dos judeus da Palestina], é contestado por alguns sionistas, porque que não coincide com os registros históricos que dão como certo que, muito antes das deportações romanas, a grande maioria do povo judeu já se tinha helenizado e migrado espontaneamente ou que nem sequer teria retornado à Palestina após o cativeiro na Babilónia.

A Inglaterra expressou o seu apoio ao sionismo com a Declaração de Balfour, que colocou em prática com a aquisição do mandato sobre a região por ocasião da perda dos territórios pelo Império Otomano como consequência da Primeira Guerra Mundial, dando início a um aumento substancial da migração de judeus para lá durante duas décadas até 1945, migração esta que se acentuou com a "solução final" que levou os nazis a «exterminarem mais de seis milhões de judeus» durante a Segunda Guerra Mundial sob o governo de Hitler.

A Declaração de Balfour


"Caro Lord Rothschild,

Tenho muito prazer em lhe comunicar, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de concordância quanto às aspirações Sionistas Judaicas, que foi submetida e aprovada pelo Gabinete (Conselho de Ministros).

O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de uma pátria para o Povo Judeu, e envidará todos os esforços no sentido de facilitar a realização desse objectivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das colectividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.

Ficaria extremamente grato se encaminhasse esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

Atenciosamente
Arthur James Balfour"


A Declaração de Balfour consta de uma carta escrita a 2 de novembro de 1917 pelo então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, dirigida a Lord Rothschild comunicando-lhe o seu empenho em conceder ao povo judeu facilidades na povoamento da Palestina no caso da Inglaterra conseguir derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.

A França e a Itália, aliadas de Londres na Primeira Guerra Mundial ratificaram voluntariamente a Declaração de Balfour, evitando que o Oriente ficasse sob administração exclusiva do Império Britânico. Os Estados Unidos aprovaram-na somente em Agosto de 1918.

Observe-se que o objectivo primordial do sionismo, que consistia no estabelecimento de uma pátria judaica, sempre foi bem visto pelos organismos internacionais, de tal forma que a Liga das Nações (Mandato de 1922) assim como a ONU aprovaram desde logo os princípios básicos do sionismo, aliás extensível a qualquer povo da terra. Esta simpatia aumentou, e muito, após a descoberta do genocídio de judeus praticado pelos nazis alemães, sobretudo a partir de 1944, até ao final da Segunda Guerra Mundial.




Muito antes do governo de Hitler ter começado a restringir os direitos dos judeus alemães, os líderes da comunidade judia mundial declararam formalmente guerra à "Nova Alemanha" numa altura em que o Governo Americano e até mesmo os líderes judeus na Alemanha estavam a aconselhar prudência na forma de como lidar com o novo regime de Hitler.



A guerra dos líderes da comunidade internacional judia contra a Alemanha não só provocou represálias por parte do governo alemão mas também preparou o terreno para uma aliança económica e política entre o governo de Hitler e os líderes do movimento sionista que esperou que a tensão entre os alemães e os judeus conduzisse à emigração maciça dos judeus para a Palestina. Em suma, o resultado foi uma aliança táctica entre os Nazis e os fundadores do moderno estado de Israel - um facto que muitos hoje prefeririam ver esquecido.

A primavera de 1933 testemunhou o começo de um período de cooperação privada entre o governo alemão e o movimento sionista na Alemanha e na Palestina (e mundialmente) de forma a aumentar o fluxo de imigrantes judeus-alemães e dinheiro para a Palestina.

Para os líderes sionistas, a tomada do poder por Hitler ofereceu a possibilidade de um fluxo de imigrantes para a Palestina. Antes, a maioria dos judeus alemães que se identificavam como alemães tinham pouca afinidade com a causa sionista de promover o agrupamento da Judiaria mundial na Palestina. Mas os Sionistas compreenderam que só um Hitler anti-semita tinha capacidade para empurrar os judeus alemães anti-sionistas para os braços do Sionismo.

O actual lamento mundial dos partidários de Israel (já para não mencionar os próprios israelitas) sobre "o Holocausto", não ousam mencionar que tornar a situação na Alemanha insustentável para os judeus - em cooperação com Nacional Socialismo alemão - fazia parte do plano.

Este foi a génese do denominado Acordo de Transferência (Transfer Agreement), acordo negociado em 1933 entre os judeus sionistas e o governo Nazi para transferir 60 mil judeus alemães e 100 milhões de dólares para a Palestina Judaica, em troca do fim do boicote mundial judeu que ameaçava derrubar o regime de Hitler.

De acordo com historiador judeu Walter Laqueur e muitos outros, os judeus alemães estavam longe de estar convencidos de que a imigração para a Palestina era a resposta. Além disso, embora a maioria dos judeus alemães tenha recusado considerar os Sionistas como seus líderes políticos, é certo que Hitler cooperou com os Sionistas com a finalidade de implementar a solução final: a transferência em massa de judeus para o Oriente Médio.

Edwin Black, no volumoso livro «O Acordo de Transferência» (The Transfer Agreement) (Macmillan, 1984), declarou que embora a maioria dos judeus não quisesse de forma nenhuma ir para a Palestina, devido à influência do movimento sionista dentro da Alemanha Nazi a melhor forma de um judeu de sair de Alemanha era emigrando para a Palestina.

As denúncias das práticas alemãs contra os judeus para os assustar e obrigarem-nos a ir para a Palestina serviu os interesses sionistas, porque só com o advento de hostilidade alemã para com a Judiaria se poderia convencer os judeus do mundo que a imigração [para a Palestina] era o único escape.

Para todos os propósitos, o governo Nacional Socialista foi a melhor coisa que podia acontecer ao Sionismo na história, pois "provou" a muitos judeus que os europeus eram irreprimivelmente anti-judeus e que a Palestina era a única resposta: o Sionismo veio a representar a grande maioria dos judeus somente por artifício e cooperação com Adolf Hitler.


Israel, o maior e único porta-aviões americano que é impossível afundar

Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.

O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.


Em suma, não obstante o sofrimento e a morte causados a um incontável número de pessoas de todas os credos e raças, um pequeno grupo de famílias: Rothschild, Rockefeller, Morgan, Mantagu, Harriman, Kuhn, Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Pyne, Sterling, Stillman, Lazard, etc, que dominam há mais de um século a alta finança mundial, edificaram uma sólida base militar, na forma de um Estado Judaico, junto das maiores reservas energéticas do planeta.
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Terça-feira, Outubro 02, 2007

O Lobby Israelita: quão poderoso é de facto?



Quando se discute a política norte-americana em relação a Israel e à Palestina, grupos como o Comité de Negócios Públicos Americano-Israelita (American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) e comités relacionados de acção política (PACs) influenciaram decerto alguns membros de Congresso Americano, assim como alguns decisores tanto em Administrações Republicanas como Democratas. Além disso, organizações judaicas democratas e conservadoras mobilizaram recursos de lobby consideráveis, contribuições financeiras da comunidade judia, e pressões de cidadãos nos media e outros fóruns de discussão pública em defesa do governo israelita. Às vezes, criaram até um clima de intimidação contra muitos dos que falam em paz e direitos humanos ou que apoiam o direito dos Palestinianos à autodeterminação. Mas daí a afirmar que o lobby israelita é o principal responsável pela política norte-americana no Médio Oriente, mesmo quando se trata de Israel, vai uma enorme distância.


O que é que motiva o apoio norte-americano ao governo israelita?

A triste realidade é que o governo dos EUA é perfeitamente capaz de apoiar as alas mais à direita de países aliados, de forma a invadir, reprimir e colonizar vizinhos mais fracos, sem que aqueles possuam uma minoria étnica bem organizada nos EUA, que de alguma forma force o Congresso ou a administração a fazer isso. Afirmar o contrário seria assumir que sem o lobby pró-israelita, os Estados Unidos seriam incentivadores do direito internacional e dos direitos humanos na sua política externa. Dado que a política externa americana raramente encorajou a lei internacional e os direitos humanos, excepto quando correspondem aos seus próprios interesses políticos de curto prazo, porque é que o Oriente Médio deveria ser uma excepção? Nunca existiu um lobby indonésio-americano responsável pelo apoio da ocupação brutal de Timor Leste pela Indonésia durante um quarto de século, nem existe um lobby marroquino-americano responsável pelo apoio da actual ocupação marroquina do Saara Ocidental.

É certamente verdade que os Estados Unidos, nas palavras de Mearsheimer e Walt, "não estão sintonizados" com a grande maioria da comunidade internacional na questão entre Israel e a Palestina. Todavia os Estados Unidos também estão "não estão sintonizados" em relação à grande maioria da comunidade internacional no que toca ao tratado que proíbe minas terrestres, ao Tribunal Penal Internacional, ao Protocolo de Kyoto sobre o efeito de estufa, e ao embargo contra Cuba. De igual forma, duas décadas atrás, os Estados Unidos estiveram também "não estiveram sintonizados"com a vasta maioria da comunidade internacional a respeito da colocação de minas nos portos nicaraguanos e no apoio aos Contra terroristas, bem como na oposição às sanções contra o regime do apartheid na África do Sul e aliando-se a Pretória no apoio aos rebeldes de UNITA em Angola.

A observação Mearsheimer e de Walt de que o apoio dos EUA a Israel é contrário aos interesses estratégicos americanos porque estimulam o anti-americanismo no mundo árabe / islâmico não é uma posição dissidente sem precedentes. Em qualquer administração americana, há elementos nos círculos da elite governante que chegam a conclusões que desafiam o pensamento dominante. Por exemplo, Mearsheimer e Walt juntaram-se a Zbigniew Brzezinski, Jacek Krugler e outros «pragmáticos» que reconheceram que a invasão de Iraque foi contrária aos interesses da segurança nacional dos EUA, mas a administração Bush e uma boa parte do Congresso (incluindo a liderança dos dois partidos) foram de opinião contrária. De igual modo, alguns líderes «pragmáticos» dos anos sessenta, como Hans Morgenthau, opuseram-se à Guerra do Vietname, mas isso não travou uma esmagadora maioria bipartidária em Washington de acreditar erradamente, pelo menos até finais de 1960, que a guerra servia melhor os interesses de América. Por outras palavras, administrações de ambos os partidos já provaram ser capazes repetidamente de agir contra os interesses nacionais americanos a longo prazo sem que o lobby israelita os force a tanto.

Nalguns aspectos claramente demarcados, o apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

As frequentes guerras de Israel têm proporcionado o teste no campo de batalha das novas armas americanas e a indústria de armamento israelita tem fornecido armas e munições aos governos e movimentos de oposição apoiados pelos Estados Unidos. Além disso, durante os anos oitenta, Israel serviu como um canal para o escoamento de armamento americano para governos e movimentos impopulares nos Estados Unidos que receberam ajuda militar evidente, inclusive a África do Sul sob o regime do apartheid, a República islâmica de Irão, as juntas do exército de direita da Guatemala e os Contras da Nicarágua.

Conselheiros militares israelitas ajudaram os Contra da Nicarágua, a junta Salvadorenha e outros movimentos e governos apoiados pelos Estados Unidos. A agência de serviços secretos israelita Mossad cooperou com a CIA e com outras agências de informações americanas colhendo informações secretas e liderando operações secretas. Israel possui mísseis capazes de atingir alvos a milhares de milhas das suas fronteiras e colaborou com o complexo militar-industrial americano em pesquisa e desenvolvimento para os lutadores de novos caças e sistemas defensivos anti-mísseis, uma relação que cresce de ano para ano.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal, uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível de afundar.

Um dos princípios mais fundamentais na teoria de relações internacionais é que a relação militar mais estável entre adversários (além do desarmamento) é a paridade estratégica. Tal relação proporciona a cada oponente um dissuasor efectivo contra a possibilidade do outro lançar um ataque preventivo. Se os Estados Unidos estivessem simplesmente preocupados com a segurança de Israel, Washington deveria manter as defesas israelitas num nível aproximadamente igual a qualquer combinação de forças armadas árabes. Em vez disso, líderes de dos dois partidos políticos dos EUA exigiram assegurar a superioridade qualitativa militar israelita. Quando Israel era militarmente menos dominante, havia menos consenso em Washington para apoiar o Israel. O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

A enorme quantia de ajuda militar recebida anualmente por Israel foi citada por Mearsheimer e Walt, entre outros, como indicador do poder do lobby israelita. Contudo este modelo de ajuda reflecte a importância de Israel para os próprios interesses americanos. Imediatamente a seguir à vitória espectacular de Israel na guerra de 1967, quando demonstrou a sua superioridade militar na região, a ajuda americana aumentou abruptamente 450%.

Parte deste aumento, segundo o New York Times, estava aparentemente relacionado com a vontade de Israel de fornecer aos Estados Unidos exemplos das novas armas soviéticas que capturou durante a guerra. A seguir à guerra civil na Jordânia de 1970-71, quando o Israel exibiu sua capacidade para deter a intervenção síria em defesa da insurreição contra a monarquia pró-ocidental jordana e assim manter os movimentos revolucionários fora das suas fronteiras, os EUA aumentaram ainda mais a sua ajuda.

Quando Israel provou a sua força ao opor-se com sucesso a uma agressão surpreendentemente forte do exército árabe em Outubro de 1973, a ajuda militar dos EUA aumentou uma vez mais. Estes aumentos de ajuda aconteceram em simultâneo com a decisão britânica de retirar as suas forças das áreas a leste do Canal de Suez. Conjuntamente com o Xá de Irão que também recebeu massiva cooperação em armamento e logística como um componente fundamental da Doutrina Nixon, Israel emergiu como uma importante força aliada após a retirada britânica.

Este padrão continuou quando a ajuda disparou novamente em 1977, a seguir à eleição do primeiro governo da ala direita do Likud em Israel. Aumentos subsequentes de ajuda coincidiram com a queda do Xá e a ratificação do tratado de Camp David com o Egipto. A ajuda americana cresceu ainda mais logo a seguir à invasão israelita de Líbano em 1982.

Em 1983 e 1984, quando os Estados Unidos e Israel assinaram um memorando de acordo em cooperação estratégica e planeamento militar e conduziram os primeiros exercícios navais e aéreos conjuntos, Israel foi recompensado com uma ajuda económica adicional de 1.5 mil milhões de dólares e mais 500 milhões de dólares para o desenvolvimento de um novo caça. Durante e imediatamente após a Guerra de Golfo, a ajuda americana aumentou em 650 milhões de dólares.

Na década seguinte, quando começaram a surgir preocupações relativas à ameaça de grupos terroristas, extremistas islâmicos, e os denominados "Estados párias", a ajuda americana a Israel aumentou ainda mais. Um tratado de paz com a Jordânia e uma série de acordos rompidos com os Palestinianos conduziram a transferências adicionais de armas para Israel.

Em lugar de ser uma despesa, como Mearsheimer e Walt reivindicaram, a Guerra do Golfo de 1991 provou uma vez mais que Israel constitui um recurso estratégico: Desenvolvimentos israelitas em tecnologia militar ar-solo foram integrados em raides de bombardeamento aliados contra bases de mísseis iraquianas e outros objectivos; Tanques de gasolina projectados por Israelitas para aviões de combate F-15 aumentaram grandemente o seu alcance; fornecimentos de minas israelitas foram utilizados durante os ataques finais às posições iraquianas; Pontes móveis israelitas foram usadas pelo marines americanos.

Sistemas de mira e dispositivos de prevenção de baixa altitude israelitas foram empregados pelos helicópteros americanos; e Israel desenvolveu componentes fundamentais para os muito utilizados mísseis Tomahawk. Israel é também o 5ª maior fornecedor de material militar de alta tecnologia ao Estados Unidos. Não surpreendentemente, a ajuda dos EUA a Israel intensificou-se ainda mais nos anos noventa, embora o apoio militar aos adversários árabes tenha decaído devido ao colapso do União Soviética.

Desde o 11 de Setembro de 2001, a percepção de Israel como um aliado natural na "guerra ao terrorismo" do Presidente George W. Bush cim