quinta-feira, abril 09, 2009

Um cartoon da época da Grande Depressão em 1934, nos EUA, sob o mandato do Presidente Franklin Roosevelt – Parece familiar?


[Tirado daqui].

Em 1934:

Legenda na parte de trás da carroça:

«Destruição dos recursos do governo mais sólido do mundo»


Texto do indivíduo (Trotsky?) à beira da estrada (à esquerda):

«Plano de acção para os Estados Unidos da América

Gastar! Gastar! Gastar!

Sob a aparência da recuperação económica – estoirem com o Governo – culpem os capitalistas pelo fracasso – atirem para o lixo a Constituição e declarem uma ditadura.
»


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The Stimulus Plan: How to Spend $787 Billion

O plano de incentivo à economia: como gastar 787 mil milhões de dólares

Uma análise detalhada do pacote final aprovado pelo Congresso...
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quarta-feira, abril 08, 2009

The Beatles - A Day in the Life

Para repousar um pouco do 11 de Setembro, de Sócrates, da ladroagem da Banca, de Mário Lino, do Holocausto, de Teixeira dos Santos and all the dirt of this world:



Deixo-vos uma cantilena que me ficou no ouvido, il ya quelques années:


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segunda-feira, abril 06, 2009

A má consciência de um banqueiro

Ricardo Salgado - dono do Banco Espírito Santo [BES]



Administradores do Grupo Espírito Santo com segurança reforçada nas suas casas


Correio da Manhã - 3 Abril de 2009

Texto de António Ribeiro Ferreira:

«Os casos multiplicam-se um pouco por todo o lado. A crise económica, o desemprego e a situação de muitos bancos por esse mundo fora têm provocado actos de desespero e de alguma violência contra banqueiros e gestores.

Em França, repetem-se os sequestros de gestores sempre que as empresas fecham ou decidem despedir trabalhadores. No Reino Unido, um ex-banqueiro de uma intituição nacionalizada pelo Governo de Gordon Brown viu a sua casa ser vandalizada. E este ambiente tem sido agravado com as notícias diárias sobre os salários, prémios de gestão e indemnizações de banqueiros e gestores.

Por cá, até à data, nada disto aconteceu. Mas como o seguro morreu de velho, Ricardo Salgado, presidente do grupo Espírito Santo, decidiu prevenir qualquer situação destas e mandou colocar seguranças em todas as casas dos muitos administradores do grupo.

Sem excepção. E se nos dias de semana a segurança é simples, nos fins-de-semana as coisas são levadas mais a sério, particularmente quando os administradores e respectivas famílias não estão em casa e vão passar sábados, domingos e feriados para a Comporta, quartel-general da imensa família Espírito Santo. Sinais dos tempos em que nem o Espírito Santo nos ajuda.
»



Jornal de Notícias – 29 de Janeiro de 2009:

O Banco Espírito Santo (BES) obteve um lucro de 402,3 milhões de euros no exercício de 2008. O presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, salientou em conferência de imprensa que "este é o terceiro resultado mais elevado da história do banco apesar da difícil situação financeira".


Jornal Público - 27 de Novembro de 2008:

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, afirmou hoje que a instituição vai recorrer ao aval do Estado no valor de 1,5 mil milhões de euros até ao final deste ano ou no início de 2009.


RTP - 8 de Janeiro de 2009:

O BES usou a garantia do Estado para colocar no mercado obrigações no montante de 1.500 milhões de euros. A procura superou largamente a oferta, tendo atingido 1.900 milhões de euros. O presidente do BES considera ter ficado provado que "a banca portuguesa continua a merecer a confiança dos investidores internacionais".


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Sir Josiah Stamp foi Presidente do Banco de Inglaterra e o segundo homem mais rico do país. Nos anos 20 numa palestra na Universidade do Texas, afirmou:

«O sistema bancário foi concebido em iniquidade e nasceu em pecado. Os banqueiros são donos do mundo. Tirem-lhes tudo, mas deixem-lhes o poder de criar dinheiro, e com o golpe de uma caneta eles criam depósitos suficientes para comprar tudo de novo. Contudo, tirem-lhes o poder de criar dinheiro, e todas a grandes fortunas, como a minha, desaparecerão, e este será um mundo melhor e mais feliz para viver. Se quiserem continuar a ser escravos dos banqueiros e pagar o preço da vossa escravidão, então deixem os banqueiros continuar a criar moeda e a controlar o crédito.»
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sexta-feira, abril 03, 2009

As incoerências do Grande Arquitecto do Universo (ou Deus, Ishvara, Allah ou Yahweh para os profanos)


[Tradução minha]

Se Deus existe, porque criou Ele a infelicidade? Se Deus é omnisciente [sabe tudo], a liberdade humana é impossível porque Deus conhece o futuro. De facto, uma crítica bastante mais profunda é possível: Deus é considerado uma boa explicação para o mundo, mas, se Deus existe, porque haveria Ele de ter criado o mundo? Tinha necessidade de criar este mundo? Foi simplesmente para se divertir? Por lhe apetecer de ter adoradores entre os homens?

A existência de Deus não explica a existência do mundo, e torna este ainda mais misterioso sabendo-se que Deus se basta a si mesmo. Poder-se-ia responder que Deus criou um mundo porque este era necessário como lugar para testar os homens (a sua moral, a sua fé, etc.). Esta resposta é insatisfatória por duas razões. Por um lado é incompatível com a omnisciência divina: não se testa uma coisa cujo comportamento conhecemos em absoluto; isso resumiria a existência humana a um jogo de Deus comparável a uma criança a atirar pedras ao ar sabendo perfeitamente que elas vão cair. Por outro lado, essa resposta, (a necessidade de testar os homens) só justifica a criação do mundo em função da existência do homem.

É possível concluir que a criação é independente de Deus? Poder-se-ia responder que os caminhos do Senhor são insondáveis, e que Deus está acima da lógica e portanto os motivos não existem para Ele, que é inútil procurar uma causa para a criação. Mas mesmo dentro dessa perspectiva, estamos a admitir que existe uma vontade divina (Deus não criou o mundo sem o querer: isso limitaria a sua perfeição, fosse por inépcia ou irresponsabilidade ou acaso ou extravagância…). Deus teve então realmente a vontade de criar o mundo e o homem.

A sua intenção era criar a felicidade? A felicidade, subjectiva, foi forçosamente criada pelo homem e não foi obrigada por Deus; a felicidade é uma propriedade dos homens comparável à cor ou ao tamanho, e portanto não tem para Deus outro valor que não o arbitrário; Em qualquer caso o problema da arbitrariedade volta a colocar-se: porque criou Deus um valor arbitrário num mundo, com homens submetidos a esse valor? Para mais, a experiência parece mostrar que a felicidade está longe de ter uma posição dominante na espécie humana. Deus tinha também a possibilidade de não criar o mundo (já que é omnipotente [pode tudo], e não é constrangido por nada. Ele escolheu criar o mundo. Como é que se operou essa escolha?

Se Deus tivesse um objectivo ao decidir criar o mundo, tal significaria que Deus tinha necessidade do mundo. Ora, a necessidade é incompatível com a perfeição. Se Deus não tivesse um objectivo ao criar o mundo, então essa criação resultou de um determinismo anterior a Deus (Deus não teve escolha), o que limita ainda mais a sua perfeição; mas vamos supor que a criação não resulta nem de um objectivo, nem de um determinismo, mas antes de um capricho. Neste caso, é inútil procurar um propósito no mundo para a ajuda de Deus. Ainda para mais, o conceito de capricho parece também ele contrário à ideia de perfeição, o que implica uma razão para tudo e a ausência de arbitrariedade.

Faz-se normalmente uma distinção entre livre-arbítrio e liberdade. A sabedoria de Deus limita o seu livre-arbítrio; mas restringe a sua liberdade infinita, ou seja, a sua omnipotência? Deus podia não querer qualquer coisa, e contudo ter a capacidade de a fazer. Mas no caso de Deus, a noção de liberdade confunde-se com a de livre-arbítrio. De facto, num humano, a diferença entre as duas faz-se da seguinte forma: a liberdade é a possibilidade física de fazer qualquer coisa ditada pela vontade e o livre-arbítrio é a possibilidade psicológica de decidir o que se quer fazer. Com Deus, não existe a noção de «capacidade física» distinta da de «capacidade psicológica»: se Ele não pode querer uma coisa, por exemplo porque essa coisa é «má», Ele não pode simplesmente fazê-la (porque é contraditório imaginar Deus a fazer uma coisa que Ele não quer).

Deus não tem simplesmente a capacidade de fazer uma coisa que Ele não quer. Consequentemente, a sua omnipotência é limitada: Ele quer o que fez, fez tudo o que quis, e não podia fazer senão aquilo que fez. De qualquer forma, Deus fez o mundo de acordo com a sua vontade, e colocou-se à parte do mundo (fora do tempo); a noção de que «Deus pode fazer isto ou aquilo» não faz sentido: se foi feito, e então Deus queria-o e podia-o, ou não foi feito, e Deus não o quis, não o podia querer (a vontade divina é imutável), e não o podia fazer. Se a vontade de Deus é limitada pela sua sabedoria (Deus não quer qualquer coisa, não importa o quê), a obra de Deus também é limitada, porque coincide forçosamente com a sua vontade.

Coloca-se também o problema clássico do determinismo. Se Deus conhece o futuro (sem ser necessariamente considerado intemporal), então sabe o que eu vou fazer: ou não me pode dizer, o que limita a sua omnipotência, ou pode dizer-me; então, se eu sou livre, posso fazer o contrário, o que seria uma contradição com o facto de Deus o ter previsto. Portanto, Deus não me pode avisar sobre o meu futuro sem entrar em contradição lógica, portanto não é omnipotente; ou então eu não sou livre. Isto não se reduz simplesmente ao facto de que Deus não possa fazer com que as contradições sejam verdadeiras: o facto de avisar um acontecimento a um humano não é absolutamente contraditório em si. Por outro lado, o argumento de que Deus conhece o futuro mas que deixa ao homem a liberdade de decidir por si próprio é inválido: Deus criou o mundo, criou todos os momentos do mundo e não apenas o passado, pois Ele é intemporal. Portanto, Ele criou também todas as nossas acções futuras, todo o nosso comportamento. E se os homens decidissem livremente, se fossem essas entidades independentes de Deus (!), e contudo por Ele previsíveis?

Se nos é dito que Deus não é acessível ao entendimento humano, podemos perguntar porque é que os crentes recusam uma explicação inteligível (dada pela ciência) em favor de uma solução ininteligível. O crente pode responder que prefere a fé porque a ciência não fornece uma explicação genuína e completamente inteligível porque a ciência nunca será final. Para justificar o facto de que a ciência poderá nunca explicar tudo, e temos de nos contentar com explicações parcialmente ininteligíveis, um crente poderá argumentar por exemplo que não é evidente que a inteligência humana tenha capacidade suficiente para compreender uma teoria. A isto, o não crente pode responder que ter uma explicação do mundo não significa conhecer todos os seus detalhes, o que estaria com efeito para lá das nossas capacidades.

Porque é que Deus criou o mundo? Se Deus tem um objectivo, porque não foi directamente a esse objectivo sem passar por uma infinidade de estados intermediários? Estes estados intermediários pertencem então ao objectivo em si mesmo, se houver um objectivo. Terá Deus algum interesse em criar o mundo? Dizer que Deus quer o bem equivale a raciocinar sobre Deus como se raciocina sobre o homem.

O Bem é definido por Deus, o homem também. Como o homem é uma criação de Deus, Deus conhece todo o seu comportamento, e se Deus criou um mundo para julgar o homem, Deus está de facto a julgar-se a si próprio; o resultado é conhecido à partida. Deus conhece o resultado do julgamento final (que, aliás, Ele próprio escolheu), porque será então necessário passar no exame?

Existirá uma dependência de Deus em relação ao Bem que Ele próprio criou, uma necessidade irresistível que Ele tem de satisfazer esse Bem cujo conceito criou, e não apenas a sua concretização? [pode-se procurar uma coisa cujo conceito se cria a priori e arbitrariamente, sabendo que é criada à priori?] A vontade de fazer o bem é parecida com a vontade de criar qualquer outra característica do mundo (também ela definida arbitrariamente): tamanho, cor... Se a criação do mundo responde a uma vontade de testar o que quer que seja, tal é incompatível com a omnisciência.



Get off my back, you little bastards! I'm nothing at all.


Deus, o Grande Arquitecto do Universo, o Ser supremo, o Espírito infinito e eterno, criador e preservador do Universo, o Ente tríplice e uno, infinitamente perfeito, livre e inteligente, é, afinal, um mito. Hélas!
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terça-feira, março 31, 2009

Jon Stewart - Em vez de darem milhares de milhões aos bancos, porque não os dão aos consumidores para pagarem as suas dívidas?

Jon Stewart tem como convidado aquele que foi o director do Conselho Económico Nacional durante a administração Bush, e coloca-lhe algumas questões bastante incómodas relacionadas com a actual crise financeira e os apoios escandalosos à indústria financeira.


Jon Stewart: O meu convidado foi director do Conselho Económico Nacional durante a administração George W. Bush, e é autor do livro "What a President Should Know but most learn too late" [O que um presidente devia saber mas a maioria aprende demasiado tarde]. Palmas para Lawrence Lindsey.

...

Lindsey: Dou-lhe um exemplo. Isto aplica-se a todos os políticos. Devemos exigir mais. O que ouvimos quando se trata de apoios do estado, quais são as grandes questões? Alugar aviões para usos de empresas e os bónus salariais demasiado avultados. Ambas as coisas são verdade, mas vamos analisá-las. Está a ver os aviões em que vieram os representantes da indústria automóvel? A indústria automóvel gasta 80 milhões de dólares por dia. São três milhões de dólares por hora. 50 mil por minuto. Sabe quanto custa eles irem e virem em jactos particulares? Custa menos do que a indústria automóvel gasta num minuto. Talvez não o devessem ter feito, mas, se o que está em causa são os custos…

Jon Stewart: E os salários dos executivos?

Lindsey: Os banqueiros de Wall Street recebem 18 mil milhões de dólares. É muito dinheiro. Não o ganharam, não o deviam ter recebido. Mas o problema é de 1.800 mil milhões de dólares. Quando um político diz: "vou resolver o problema, porque vou garantir que não são pagos assim"... Eles podiam trabalhar de graça e ó se resolvia 1% do problema. Não chegava.

Jon Stewart: Mas isso não é um incentivo para enriquecer à custa de... Não aponta para um problema maior da economia? Parece que há duas economias separadas: uma economia de crescimento a longo prazo, na qual a maioria de nós se integra, em que investimos o dinheiro e dizem-nos que, daqui a 40 anos podemos reformar-nos, e uma economia a curto prazo, a de Wall Street que cria produtos financeiros que dêem lucro todos os anos, sem perceber que está a mandar tudo abaixo.

Lindsey: É verdade. A forma como são remunerados é errada. O que devem fazer, não é serem pagos pelo que fazem num ano mas pelo desempenho ao longo de três ou cinco anos. Precisamos dessa mudança, não há dúvida.

Jon Stewart: Eu tenho um programa de estímulo - Em vez de dar milhares de milhões aos bancos, ou seja, recompensar o seu mau desempenho, porque não conseguir algo de concreto com esse dinheiro, dando-o ao consumidor? Damos aos bancos, pensando que isso lhes dá dinheiro, liquidez, para começar a conceder crédito outra vez. Dêem-no aos consumidores que têm dívidas, para pagarem as dívidas. O dinheiro vai parar aos bancos na mesma. Obtêm liquidez, mas os consumidores libertam-se de muitas dívidas. Porque não podemos fazer isso? Porque é que não resulta?

Lindsey: Resulta, mas o que acho que devemos fazer é deixar as pessoas negociar as hipotecas. É aqui que está o problema. O problema são as hipotecas. Oferecemos uma taxa mais baixa, 4%. O preço de fazer isso é terem de prometer pagar. Se deixarmos a casa, vamos ter de pagar na mesma, tal como é preciso pagar os empréstimos para tirar um curso.

Jon Stewart: Mas porque é que as pessoas têm de fazer promessas que a Goldman Sachs não tem de fazer, que a AIG não tem de fazer? Os bancos recebem milhares de milhões de dólares sem ter de haver promessas, restrições, supervisão. Porque é que não podemos dar o dinheiro aos consumidores, ajudar a economia de baixo para cima, e, depois, os trabalhadores… Falam sempre do mercado livre. Os mercados não são livres. A diferença é que temos incentivado os investidores. Temos de voltar a recompensar o trabalho, não acha?

Lindsey: Acho que temos de recompensar a virtude. Isso inclui trabalhar, pagar as contas, cuidar dos filhos e ser honesto com o dinheiro dos outros. Tem de ser assim em todos os aspectos. Mas pagar as contas… Dizer a uma pessoa "pode fazer uma hipoteca, mas não tem mesmo de a pagar", não é recompensar a virtude. Oferecemos às pessoas uma taxa mais baixa, mas têm de prometer pagar. O governo não perderia dinheiro com esta ideia e seria melhor para todos. Se baixarmos a taxa de juro de uma hipoteca de 6 para 4% e a hipoteca for de 200 mil dólares, a pessoa fica com mais quatro mil dólares por ano no bolso. É muito mais do que qualquer plano de estímulo oferecerá.

Jon Stewart: Os bancos receberiam o seu dinheiro de volta e esses deixariam de ser maus empréstimos, é isso?

Lindsey: Deixariam de ser maus empréstimos. Os bancos receberiam o dinheiro. Podiam emprestá-lo novamente, para dinamizar a economia.

Jon Stewart: Estas ideias não estão a ser discutidas em praça pública. Só ouvimos falar de obras públicas ou cortes nos impostos. Nestes últimos oito anos houve inúmeros cortes nos impostos e o fosso entre os ricos… Esqueça os pobres. O fosso entre os ricos e as pessoas normais é enorme. Como podemos pensar em insistir em ganhos de capital e incentivos fiscais para os investidores, quando os trabalhadores é que precisam de ajuda?

Lindsey: Os trabalhadores precisam de ajuda e também de planos de reforma. A maior parte do capital do país está nas mãos de todos nós na forma de planos de reforma e apólices de seguro. Mas concordo consigo. Temos de cortar nos impostos pagos pelos trabalhadores, através do imposto sobre o rendimento, e temos de ajudar os proprietários de casas, oferecendo-lhes um negócio: "Prometa pagar. Damos-lhe uma taxa de juro mais baixa." Se recompensarmos as pessoas que não pagam hipotecas… O dinheiro não é de graça. Se fizer um negócio em que acho que não vou pagar a hipoteca, vão cobra-me mais pela hipoteca.

Jon Stewart: Então, porquê recompensar os bancos que concederam esses empréstimos?

Lindsey: Não devemos fazê-lo. É verdade.

Jon Stewart: O argumento da moralidade perde-se, quando dizemos: "Damos aos bancos esses milhares de milhões de dólares, mas não os podemos dar aos proprietários de casas, porque ficam com a ideia errada e não vão cumprir."

Lindsey: O que temos de fazer é punir os accionistas dos bancos.

Jon Stewart: Sabe o que eu acho que é? Digo isto a todos os apoiantes da economia da oferta, incluindo o senhor. É um seguro contra uma revolução. É o que é. Se isto continua a piorar, as pessoas vão para as ruas de forquilhas e tochas e está tudo tramado.


Vídeo legendado em português:


DS - 09 As pessoas pegam em forquilhas @ Yahoo! Video
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domingo, março 29, 2009

O filme «ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro», do deputado europeu Giulietto Chiesa foi passado no Parlamento Europeu em Fevereiro de 2008

E estará nas salas de cinema a partir de Março de 2009.



No VoltaireNet:

A 13 de Março de 2009, no cinema Le Prado em Marselha, a associação ReOpen911 [Reabrir o inquérito ao 11 de Setembro] organiza a projecção do filme "ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro". Esta primeira sessão extraordinária, e a presença do realizador, o jornalista Franco Fracassi, determinará o princípio de uma série de exibições do filme através da França, e também da Suíça e da Bélgica. Estas exibições far-se-ão acompanhar pelo lançamento do DVD do filme em versão original, legendado em francês.

Este filme-inquérito, que reagrupa um painel inédito de especialistas, beneficia, entre outros, da participação excepcional de Dário Fo, Prémio Nobel da literatura em 1997, e de Gore Vidal, escritor e argumentista norte-americano.

Produzido graças ao apoio de centenas de cidadãos italianos, "ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro" foi adaptado para França e é distribuído pela associação ReOpen911. O filme, já projectado em dezenas de salas de cinema e Itália, foi difundido, extra-competição, no Festival do Cinema de Roma (em 2007) onde recebeu criticas unanimemente positivas, retomadas pelo conjunto da imprensa italiana:


Il Messaggero (O quarto maior diário italiano em termos de difusão) - «A bomba, do festival de Cinema de Roma… Um documentário incendiário. Um ritmo de cortar a respiração… As personagens entrevistadas são engenheiros, pilotos, políticos e ex-agentes americanos sinceramente patriotas...»


La Stampa - «Nos dias seguintes ao 11 de Setembro, as famílias das vítimas, assim como todos os Estados Unidos, procuraram compreender o que é que se passou, não obstante uma administração mais inclinada à vingança e ao segredo. Pela sua perseverança, obtiveram finalmente, 441 dias após a tragédia, a constituição de uma comissão de inquérito presidencial que publicou um relatório em Julho de 2004. Este relatório, não obstante um acolhimento positivo por parte dos meios de comunicação, não respondia à maior parte das suas interrogações.

O filme ZERO afasta-se do vazio que constituiu a explicação oficial proposta pelo governo americano sobre a tragédia do 11 de Setembro…
»


Il Corriere della Sera - «Organizado principalmente via Internet, o movimento pela verdade sobre o 11 de Setembro reúne cada vez mais personalidades, políticos e cientistas através do mundo. Apoiando-se tanto num trabalho de recolha de informação por um lado e de crítica racional por outro, as incoerências, as omissões e as manipulações da versão oficial [do 11 de Setembro] foram amplamente postas em evidência.

Um conjunto de contradições, de lacunas e de omissões duma gravidade impressionante. Confirmando que a versão oficial mete água por todos os lados.
»


Il Quotidiano della Sera - «A Associação ReOpen911 [Reabrir o inquérito ao 11 de Setembro insere-se num movimento de cidadãos que tem por finalidade dar a conhecer informações já disponíveis e documentadas. O filme “ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro” insere-se numa nova linha de acção de pesquisa e de inquérito jornalístico de fundo. Um inquérito jornalístico conduzido rigorosamente.»


Mário Sesto, director da parte extra-competição do Festival Internacional do Cinema de Roma de 2007 - «Na origem deste filme, o eurodeputado italiano Giulieto Chiesa que foi jornalista em dois grandes jornais de Itália durante 30 anos, rodeou-se de outros jornalistas que pesquisaram durante um ano nos Estados Unidos e a Europa. Este filme retorna às principais zonas de sombra da versão oficial; as entrevistas inéditas a numerosos especialistas trazem o esclarecimento necessário a uma melhor compreensão dos acontecimentos e permitem esclarecer em que ponto estão os conhecimentos sobre esses atentados. E, assim o esperamos, abrir finalmente o debate, como aconteceu na Rússia, onde 32 milhões de telespectadores viram este filme, difundido a 12 de Setembro de 2008, no primeiro canal de televisão do país: um registo histórico.

O método de argumentação é terrivelmente bem pensado. De uma grande lucidez e determinação, as ideias são desenvolvidas de uma maneira de maneira muito clara.

A tragédia do 11 de Setembro de 2001 permitiu a justificação de duas guerras ilegais, o aumento drástico dos orçamentos militares, mas também colocar em causa a questão das liberdades individuais. Este acontecimento moldou a geopolítica deste princípio de século. Portanto, a colocação em causa da teoria do complot islamita é cada vez mais aceite no mundo, convidamo-vos a vir em grande número informarem-se sobre os factos e debater o filme.
»


La Repubblica - «Um filme a ver! Durante duas horas, as vozes do prémio Nobel Dário Fo, e as de Lella Costa, Moni Ovadia e Gore Vidal relacionam imagens e testemunhos, atacando a versão oficial e reduzindo-a a uma piada de mau gosto»


Tg1 (o telejornal mais visto em Itália) - «Como o resume com pertinência e um pouco de provocação, Giulietto Chiesa: «A única coisa de que podemos ter a certeza, é que não sabemos nada do que realmente se passou a 11 de Setembro de 2001». Outra coisa é certa: depois de se ter visto este filme e se ser confrontado com os factos que ele apresenta, a necessidade de um debate contraditório e racional já não pode ser refutado de maneira objectiva.

A tragédia do 11 de Setembro é um assunto sempre escaldante. O filme "ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro" ajuda e evidenciar o bom senso face a face com o tema.
»


Excerto de uma entrevista de Giulietto Chiesa ao canal televisivo italiano La7:

O euro-parlamentar socialista Giulietto Chiesa mostrou, em Fevereiro de 2008, no Parlamento Europeu, o filme "ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro".

Não obstante terem sido enviados convites a todos os 785 parlamentares europeus, e a cerca de um milhar de jornalistas, só seis parlamentares, e nenhum jornalista italiano, vieram ver o filme.

O eurodeputado do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, Miguel Portas, foi um dos 779 eurodeputados que não estiveram presentes.

Chiesa atribuiu a falta de interesse dos parlamentares e dos meios de comunicação europeus à influência e ao controlo da informação por parte dos Estados Unidos:






Nos sites seguintes é possível ver os dez vídeos no Youtube que contêm todo o filme "ZERO – Inquérito ao 11 de Setembro":

sexta-feira, março 27, 2009

Ron Paul, um dos candidatos às últimas presidenciais (2008) dos EUA - E se o povo americano vier a saber a verdade?

Wikipedia: Ronald Ernest Paul - Ron Paul (20 de Agosto de 1935) é médico e político americano, e membro da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos da América. Ron Paul foi candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008.

A sua campanha à presidência dos Estados Unidos começou a 12 de Março de 2007, quando se candidatou à nomeação pelo Partido Republicano. A partir de 6 de Julho, Ron Paul arrecadou 2,4 milhões de dólares em dinheiro em contribuições, ultrapassando o candidato John McCain. Todas as contribuições de campanha de Ron Paul vieram de pessoas simples e não de empresas, sendo quase metade (47%) das contribuições abaixo de 200 dólares.

Ron Paul participou em todos os três debates dos candidatos republicanos transmitidos na rede nacional de televisão dos EUA. O seu momento mais proeminente ocorreu no debate do dia 15 de Maio na seguinte discussão com o candidato Rudy Giuliani:

Ron Paul: O Sr. já leu sobre os motivos pelos quais fomos atacados? Atacaram-nos porque estivemos lá. Estivemos lá a bombardear o Iraque durante 10 anos. Estivemos no Oriente Médio [durante anos]. Eu acho que [Ronald] Reagan estava certo. Nós não entendemos a irracionalidade da política do Oriente Médio. Neste preciso momento, estamos a construir uma embaixada no Iraque que é maior que o Vaticano. Estamos lá a construir 14 bases militares permanentes. O que diríamos se a China estivesse a fazer o mesmo no nosso país ou no Golfo do México? Estaríamos protestando. Devemos olhar para o que fazemos sob a perspectiva do que aconteceria se alguém fizesse o mesmo connosco.

Moderador: O Sr. está a sugerir que instigámos os ataques de 11 de Setembro?

Ron Paul: Estou a sugerir que devemos ouvir as pessoas que nos atacaram e as razões que as motivaram, e eles agora estão felizes por lá estarmos, pois Osama bin Laden disse, "Estou contente por vocês estarem nas nossas areias porque podemos atingi-los muito mais facilmente." Eles, desde então, já mataram 3.400 de nossos homens, e eu acho que isso foi desnecessário.

Rudy Giuliani: Essa é uma afirmação extraordinária. Essa é uma afirmação extraordinária para alguém que sobreviveu ao ataque de 11 de Setembro, que nós instigámos o ataque porque atacámos o Iraque. Eu acho que nunca ouvi essa explicação e já ouvi explicações bem absurdas para o 11 de Setembro. E eu pediria ao congressista que retirasse o seu comentário e se retratasse.

Ron Paul: Acredito muito sinceramente que a CIA está certa quando ensinam e falam sobre blowback. Quando fomos ao Irão em 1953 e instaurámos o regime do Xá, nessa altura, houve blowback. A reacção foi a tomada de reféns, e isso persiste. E se nós ignorarmos isso, fazemo-lo sob nosso próprio risco. Se acharmos que podemos fazer o que quisermos pelo mundo sem incitar o ódio, então temos um problema. Eles não vêm atacar-nos aqui só porque somos ricos e livres, eles vêm-nos atacar porque estivemos lá.


Ron apoia uma política externa não-intervencionista para os EUA e defende o retorno imediato das tropas americanas que se encontram no Iraque. Em julho de 2007, a sua campanha recebeu mais doações do pessoal das forças armadas do que as de todos os outros candidatos.

A campanha de Ron Paul recebeu grande parte de seu apoio pela Internet. Ron continua com altos índices de tráfego e buscas em sites como Technorati, Youtube, Facebook, MySpace, Eventful, de visitas ao site oficial de sua campanha e em pesquisas de opinião realizadas por redes de notícias.


No dia 12 de Fevereiro de 2009, Ron Paul fez um discurso na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, ao qual quase nenhum jornal ou televisão deu qualquer relevo.

Algumas das frases mais relevantes do discurso de Ron Paul:

«E se a nossa política externa dos últimos séculos foi profundamente viciada e não serviu a nossa segurança nacional

«E se o povo americano acordasse e compreendesse que as razões oficiais para ir para a guerra são quase sempre baseadas em mentiras e promovidas pela propaganda de guerra de forma a servir interesses obscuros

«E se o povo americano vier a saber a verdade: que a nossa política externa não tem nada a ver com a segurança nacional e que nunca muda de uma administração para outra


Vídeo traduzido e legendado por mim em português (3:29m):



Ron Paulo - What if the people @ Yahoo! Video

terça-feira, março 24, 2009

Um imbecil de nome Nicolau

Presidente Thomas Jefferson:
"Se o povo Americano alguma vez permitir que os bancos controlem a emissão do seu dinheiro, primeiro por inflação e depois por deflação, os bancos e as corporações que nascerem à sua volta, privarão o povo da sua propriedade até que os seus filhos acordem sem tecto no continente que os seus pais conquistaram."


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O novo mundo que aí vem

Segue-se um diálogo imaginário entre mim e um excerto de um artigo de Nicolau Santos no Expresso de 21/03/2009:


Nicolau: «O mundo de abundância e prosperidade em que vivemos desde a II Guerra Mundial está a ruir fragorosamente. Há, contudo, quem pense que, passada a tempestade, tudo voltará ao mesmo. Pois a má notícia é que não voltará. A boa é que, mesmo sendo um mundo mais pobre, aquele que aí vem, pode ser um mundo melhor. Explico-me

Diogo: Vamos, portanto e doravante, segundo o jornalista Nicolau Santos, começar a viver pior que no passado. Nunca na história tal aconteceu. Mas atentemos nos seus argumentos:


Nicolau: «O que se está a passar é o empobrecimento das sociedades ocidentais. Os nossos padrões de consumo serão inferiores àqueles que temos praticado até agora. Haverá menos emprego nos sectores da agricultura, indústria e serviços. E será insustentável que se mantenham e agravem as fortíssimas desigualdades sociais que se criaram desde os anos 80.»

Diogo: Porquê o empobrecimento anunciado? Que calamidade terá sobrevindo? O emprego vai diminuir e eventualmente acabar? E isso é mau?

Nunca, como hoje, a tecnologia esteve tão desenvolvida, e nunca, como hoje, a evolução da tecnologia foi tão rápida. A evolução tecnológica é exponencial. Não sei em que ponto nos encontramos, hoje, de uma curva que tende para mais infinito, mas é sabido que houve mais evolução tecnológica nos últimos 100 anos dos que nos mil anos anteriores. E haverá, seguramente, mais evolução tecnológica nos próximos vinte anos do que nos últimos 100.

A tecnologia é o conjunto de máquinas, ferramentas, técnicas, conhecimentos, métodos e processos utilizados na resolução de um trabalho. A evolução deste conjunto permite-nos produzir cada vez mais bens e serviços com cada vez menos esforço humano directo.

De forma simplista, na agricultura - cem homens munidos de uma enxada substituíram mil homens que plantavam sementes à mão. Dez homens com arados de tracção animal substituíram cem cavadores de enxada. Um homem com um tractor agrícola substituiu dez homens com arados. A diminuição do trabalho humano na agricultura, aconteceu, e será cada vez mais visível em todos os campos da economia, desde produção industrial aos serviços. Não será isto uma excelente notícia?


O problema é que o Nicolau continua a raciocinar tal como lhe ensinaram na escola: a economia implica forçosamente «Emprego». Não lhe passa pelo córtex cerebral que o emprego esteja em vias de desaparecimento, substituído progressivamente pela tecnologia. Não percebe que a evolução tecnológica está a substituir o homem na produção. É incapaz de imaginar uma economia sem emprego e parece desconhecer que o emprego surgiu paulatinamente apenas nos últimos 250 anos. Não concebe um mundo onde o homem possa trabalhar cada vez menos e usufruir cada vez mais. Nicolau assemelha-se a um míope, para quem, tudo o que esteja para lá dos apontamentos de economia que fotocopiou na faculdade, se mostra nebuloso e confuso.


Nicolau: «É bom que ninguém se esqueça que o que começou por ser uma crise imobiliária, passou para uma crise financeira, tornou-se uma crise da economia real, está já a transformar-se numa enorme crise social e vai descambar inevitavelmente em crises políticas, cujos desfechos são completas incógnitas.»

Diogo: O cândido Nicolau não entende que toda esta «crise» é deliberada e planeada com antecedência. O chamado «lixo tóxico», resultado da venda de imóveis sem qualquer garantia (só possível numa banca a funcionar em cartel), serviu para justificar o suposto «crash» de alguns bancos (que mais não são que balcões desse cartel a transferir activos de uns para outros), o que, por sua vez, serviu para desencadear a badalada «crise financeira» global.


Nicolau: «Por isso, não podemos cair nos vários erros que nos conduziram até aqui. Não podemos pedir às pessoas que se endividem para aumentar o consumo - foi precisamente o excesso de endividamento das pessoas, das famílias, das empresas, dos bancos, dos Estados que nos conduziu ao beco em que nos encontramos. Não podemos pedir aos bancos que emprestem dinheiro a tudo e a todos para manter as economias a funcionar - porque a probabilidade de grande parte desse dinheiro não ser recuperado é agora muito maior. Não podemos pedir às empresas que invistam para aumentar a produção - quando os mercados não conseguem absorver a produção existente. Não podemos pedir às autarquias que façam obras desnecessárias porque é preciso que o dinheiro chegue à economia - sob pena de agravarmos o seu desequilíbrio financeiro. Não podemos pedir aos Governos que deitem dinheiro para cima de todos os problemas - porque estamos a agravar os défices excessivos e os desequilíbrios comerciais fortíssimos e a passar uma factura pesadíssima para os nossos filhos.»

Diogo: Não há dinheiro para emprestar? O escriba do Expresso parece não saber que o sistema de reservas fraccionárias possibilita que mais de 90% do dinheiro que os bancos emprestam com juros é criado a partir do nada. Nicolau não compreende que os bancos criam o dinheiro que emprestam, não dos ganhos do próprio banco, não do dinheiro depositado, mas directamente das promessas de pagamento das pessoas que pedem emprestado. Nicolau, embora tendo conhecimento dos actuais lucros da banca (conseguidos em plena «crise»), mostra-se incapaz de os interpretar.

Por outro lado, Nicolau desconhece o mecanismo que leva os bancos a criarem deliberadamente depressões económicas, restringindo o crédito e portanto o dinheiro em circulação e, no processo, auferirem lucros fabulosos.

[Excerto de Sheldon Emry] - Numa economia é necessária uma adequada disponibilidade de moeda (moeda em poder do público mais depósitos à ordem no sistema bancário). O dinheiro é o sangue da economia, o meio pelo qual são feitas todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. Remova-se o dinheiro ou reduza-se a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.

No princípio dos anos 30 do século passado, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais dos EUA. Contudo, foram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.

Com este simples estratagema a América foi colocada em "depressão" e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, "os tempos estão difíceis" e "o dinheiro é pouco". Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.

Bancos agravam restrições ao crédito à chegada da crise

RTP - 6 de Fevereiro de 2009

[...] O sector da banca voltou a acentuar, no último trimestre do ano passado, as restrições para a concessão de empréstimos. [...] O aperto das restrições à concessão de empréstimos é explicado com o argumento de que a crise financeira agravou os custos de financiamento dos próprios bancos, a somar ao aumento da percepção de risco e à consequente degradação dos balanços.

O primeiro reflexo prático da estratégia das instituições bancárias é a subida do ónus dos empréstimos para famílias e entidades empresariais, em resultado do aumento dos spreads (margens de lucro dos bancos). Ao mesmo tempo, as verbas a emprestar encolhem, assim como os prazos dos créditos.


Nicolau: «O que precisamos é de algo que não se compra mas que tem um valor incalculável: bom senso. O bom senso que se espera dos que ganham mais é que reduzam os seus salários para evitar despedimentos. O bom senso que se espera dos gestores é que abdiquem de bónus que, na fase que atravessamos, são ofensivos. O bom senso que se espera dos banqueiros é que não apresentem lucros pornográficos nem tenham remunerações indecorosas. O bom senso que se espera dos trabalhadores é que não agravem o problema das empresas com reivindicações irrealistas.»

Excerto de Viviane Forrester: Dizem sempre que temos de nos adaptar. Digo que não há razão para se adaptar ao insuportável. Falam do desemprego como se fosse algo natural e inevitável. Na verdade, se se escutar boa parte dos discursos sobre a situação mundial tem-se a impressão de que estamos a sair de uma catástrofe mundial, de que estamos numa situação trágica à qual temos de nos adaptar. Mas onde está a catástrofe?

Reivindicações irrealistas? O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação?

Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.

Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.



Nicolau: «É por tudo isto que é um bálsamo para a alma a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de taxar a 90% os bónus dos administradores de empresas que recorreram a empréstimos do Estado. Se os próprios administradores não tiveram o bom senso de recusar esses bónus (o que diz muito da estupidez da natureza humana), que haja, da parte do poder político, decisões que moralizem a sociedade. Esperemos que o exemplo se espalhe e frutifique. Porque a alternativa é um mundo a caminho de convulsões sociais cada vez mais violentas.»


Obama aceitou dinheiro da AIG para a campanha eleitoral


AOL News - 19 de Março de 2009

No seguimento de toda a indignação vinda da Casa Branca sobre os bónus pagos aos executivos do grupo de Seguros AIG, a Casa Branca poder-se-á sentir algo embaraçada em admitir que como senador, o presidente Obama recebeu muito dinheiro da AIG sob a forma de contribuições para a campanha eleitoral. Segundo o OpenSecrets.org [uma organização que monitoriza os dinheiros recebidos pelos candidatos nas campanhas eleitorais], o senador Obama foi o segundo maior receptor de dinheiro da AIG, no valor de 101,332 dólares. Obama só foi ultrapassado pelo senador democrata pelo Connecticut, Chris Dodd, que, soube-se, é responsável pelo expediente que permitiu que os bónus fossem pagos aos executivos da AIG.
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sexta-feira, março 20, 2009

Jon Stewart - a guerra do Iraque vai acabar. A afirmação é de Obama, que emprega textualmente as mesmas palavras que Bush utilizou uns anos antes

Jon Stewart, do Daily Show, fala-nos, com humor cáustico, do plano de retirada de Barack Obama do Iraque, plano curiosamente retirado a papel químico do plano de retirada de George Bush:


Jon Stewart: Já não falamos do Iraque há algum tempo. Todavia, isso mudou a semana passada quando o presidente Obama falou aos Marines.

Barack Obama: Vou ser tão directo quanto possível. Dia 31 de Agosto de 2010, a nossa missão de combate no Iraque terminará.

Jon Stewart (exultante): A guerra acabou… Acabou… A guerra acabou!

Barack Obama: Vamos manter uma força de transição com três funções. Esta força terá de 35 a 50 mil tropas americanas.

Jon Stewart: F***-se! É isso mesmo. Ao que parece, toda a gente vem para casa, excepto várias dezenas de milhares de soldados. Mas o combate vai acabar, não é?

Barack Obama: A nossa missão vai mudar de combate para apoio ao governo do Iraque e às suas forças de segurança. Treinar, equipar e aconselhar as forças de segurança do Iraque. Levar a cabo missões de contra-terrorismo.

Jon Stewart: Isso é incrível. É bem diferente da missão antiga.

George Bush (alguns anos antes): À medida que tem lugar esta transição na nossa missão, as nossas tropas terão tarefas mais limitadas, incluindo operações de contra-terrorismo e treinar, equipar e apoiar as forças iraquianas.

Jon Stewart: É tão parecido! Tem de haver uma diferença entre estes dois homens. Parece que a única diferença entre as tropas de combate que estão lá agora e as tropas de combate que lá estarão daqui a um ano é estarmos a chamar-lhes outra coisa, mas não pode ser verdade.

Robert Gates (ministro da defesa): As unidades que lá ficarão serão caracterizadas de forma diferente. Não serão chamadas brigadas de combate. Serão chamadas "brigadas de aconselhamento e apoio."

Jon Stewart: Não é para nos dizerem isso! “Brigadas de aconselhamento e apoio.” Por momentos, achei que ainda iam correr perigo. Vão só ser um pelotão de cromos no Iraque. Digam-me objectivamente, sem rodeios, quando vamos sair do Iraque?

Barack Obama: Pretendo retirar todas as tropas americanas do Iraque até ao fim de 2011.

Jon Stewart: Tem a certeza disso? Não vai lá deixar a brigada de limpeza e desinfecção? 30 mil soldados do pelotão de instalação da televisão por cabo? Talvez vá reclassificar as tropas como árvores para nunca terem de sair?


Vídeo legendado em português:


@ Yahoo! Video

quarta-feira, março 18, 2009

A fraternidade maçónica é useira em beneficiar apenas os próprios 'irmãos'


A maçonaria tem por regra recrutar para membros das suas 'lojas' apenas os mais bem sucedidos socialmente, especialmente entre as classes profissionais mais ricas - financeiros, médicos, advogados, jornalistas, empresários, oficiais militares, magistrados e políticos nacionais e locais - que a financiam generosamente.

Os maçons angariam para as suas hostes as pessoas influentes e em postos chave, e persuadem-nos com promessas de prestígio social. Em contrapartida, os recrutados podem contar com o apoio da poderosa 'fraternidade' sempre que dela necessitarem, seja por motivos profissionais, económicos, políticos, judiciais, etc. Desta forma, toda a 'fraternidade' beneficia.


A TVI fez uma grande reportagem sobre a maçonaria. Seguem-se alguns excertos do 2º vídeo:

António Reis, grão mestre do Grande Oriente Lusitano: "Diz-se que a maçonaria é uma forma de se conseguir contactos com vista a encontrar melhores empregos, ou para progredir melhor numa carreira profissional e política. A minha experiência aqui dentro [da maçonaria] diz-me que sucede muito mais vezes o contrário".

O mesmo António Reis: "A maçonaria pretende reunir uma elite. Haverá necessariamente uma zona de coincidência entre quem está no poder económico, empresarial, político, cultural, cívico e quem está numa obediência maçónica. Mas é apenas uma coincidência parcelar. Não há, como é óbvio, nem todo o poder está na maçonaria, nem todos os maçons estão no poder".

Nandim de Carvalho, ex-grão mestre da Grande Loja Regular de Portugal, ex-governante do executivo do PSD, tem uma opinião diferente. Ele vê uma linha de separação entre as maçonarias Regular e Liberal: "É uma visão de ultra-maçonaria, considerada como liberal ou como irregular. É o contrário, essa maçonaria, reivindica mesmo postos na política. Estou recordado de um antigo grão-mestre do Grande Oriente, o arquitecto Rosado Correia, que interpelou na altura o primeiro-ministro, António Guterres, no sentido de ter mais ministros maçons. E de o criticar porque tinha muitos ministros católicos".

O maçon João Soares, o rechonchudo rebento do ex-presidente e também maçon, Mário soares, afirma: "Eu acho que há sobre isso [a maçonaria] um mito que não corresponde à realidade de facto. E a minha esperança é que, a mesma imagem que também existe sobre uma organização com outras conotações e com outros valores como é a Opus Dei, também corresponda, também aconteça exactamente aquilo que acontece com a maçonaria, que é, a fama seja muitíssimo maior que o proveito".


Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 1 de 3:




Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 2 de 3:




Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 3 de 3: