segunda-feira, abril 30, 2007

Laissez faire, laissez appauvrir, laissez mourir


Este modelo de «desenvolvimento» é-nos vendido diariamente pelos jornais e televisões e é-nos paulatinamente imposto pelo centrão político (PS e PSD). São os novos amanhãs que nos assobiam ao ouvido:

Uma análise dos dados do Censo norte-americano de 2004 revela que 60 milhões de americanos vivem com menos de 7 dólares por dia. Um em cada cinco americanos vive com menos de 2,555 dólares por ano. Ao mesmo tempo, a fatia dos 1% mais ricos recebe cerca de 16 por cento do rendimento nacional, o dobro do que recebiam nos anos sessenta.

Enquanto a desigualdade na distribuição do rendimento global é provavelmente maior do que já alguma vez aconteceu na história da humanidade, com metade da população mundial a viver com menos de 3 dólares por dia, e um por cento dos mais ricos a receberem pelo menos 57% do rendimento total, o facto de tantos americanos viverem com tão pouco, é difícil de perceber.

A denominada "nação mais rica da Terra" tem agora a maior discrepância entre ricos e pobres de todas as nações industrializadas. O facto de que um dólar gasto nas Caraíbas, na América Latina e na Ásia compram o mesmo que três ou quatro dólares nas Estados unidos significa que a qualidade de vida de dezenas de milhões de americanos está agora ao nível de imensas populações a viver no Terceiro Mundo.

E as notícias do relatório ainda são piores. Não houve aumentos reais dos salários desde 1972. Vinte e cinco milhões de americanos dependem da ajuda alimentar de emergência. Esta tendência que está a aumentar rapidamente constitui uma brutal chamada de atenção para a forma como uma política de extrema direita destruiu a rede de segurança social nos Estados Unidos durante os últimos 25 anos. Numa altura em que a globalização avança a todo o galope, e os seus efeitos destrutivos estão a ser sentidos em muitas comunidades trabalhadoras desde Detroit ao Connecticut, a crise nacional está a ser exacerbada pela cultura do «o vencedor leva tudo» que incentiva a ganância e o egoísmo recompensando os ultra-ricos à custa dos pobres.

Por todos os Estados Unidos, o preço da disfunção económica é um aumento do nível de insegurança e sofrimento para todos, e praticamente já não existem locais onde se possa viver sem crime violento, proliferação de drogas, armas, doenças mentais, desespero, cinismo e corrupção. Ao mesmo tempo, a classe média é forçada a carregar o fardo dos custos económicos dos tribunais, polícia, prisões e apoio social através dos impostos. Enquanto o preço médio de uma casa duplicou nos últimos cinco anos, e com as taxas de juro a subir, a execução de hipotecas está a atingir números astronómicos. As rendas acompanharam estas subidas, empurrando muitos milhões de americanos para uma vida de dificuldades económicas, pobreza e sem tecto para dormir. Para demasiados americanos, a litania da violência, punição e sofrimento parece não ter fim, e o Sonho Americano é agora unicamente um Pesadelo Made-in-America.


Mais duas curiosidades das terras do Tio Sam:

Dois milhões e duzentas mil de famílias norte-americanas (Março 2007) em risco de perder as suas casas e cerca de 164 mil milhões de dólares devido à execução das hipotecas.

18,000 pessoas morrem diariamente nos Estados Unidos por falta de seguro de saúde. Ou seja, seis milhões e quinhentos e setenta mil americanos (2,2% da população) morrem por ano porque não têm dinheiro suficiente para pagar o seguro de saúde, e as empresas onde trabalham recusam-se a fazê-lo.

sábado, abril 28, 2007

Na SIC Notícias – Luís Delgado lava mais branco

No programa «Expresso da Meia Noite», passado na Sic Notícias no dia 27 de Abril de 2007, o «jornalista» Luís Delgado fechou de vez o dossier do caso da «licenciatura» de Sócrates:

Ricardo Costa: Este caso sobre Carmona acabou por calhar na melhor altura possível para Sócrates.

Luís Delgado: Nem Mais. Um desvio completo de atenções. É certo que o assunto também morreu. Morreu por natureza. Depois da entrevista foi perdendo gradualmente o interesse. (...) É uma daquelas matérias que já ninguém se lembra do que é que falávamos há quinze dias atrás.

Vídeo – 48 segundos


quinta-feira, abril 26, 2007

Mais um insider a falar do 11 de Setembro: «Foste tu, Cheney!»


Em VoltaireNet:

Victor Gold, jornalista republicano de renome, exprime sérias dúvidas quanto à tese governamental sobre os atentados do 11 de Setembro.

Victor foi um dos autores dos discursos dos presidentes Gerald Ford e Georges H. Bush, foi também o autor da biografia deste último «Looking Forward», e co-autor de outra obra com Lynne Cheney (esposa do vice-presidente) «The Body Politic».

No seu último livro, «Invasion of the party snatchers : How the Neo-Cons and Holy Rollers Destroyed the GOP» - «A invasão dos raptores do partido: Como os neoconservadores e o rolo compressor sagrado destruíram o partido republicano», Victor afirma que os neoconservadores queriam aproveitar a oportunidade de uma provocação completamente fabricada para ir para a guerra, da mesma forma que Lyndon B. Johnson organizou o incidente do Golfo de Tonkin em 1965 para justificar a guerra contra o Vietname.

Segundo Victor Gold, a administração Bush «encenou uma operação encoberta (false flag operation – ataque falsamente imputado ao inimigo)»: os atentados do World Trade Center e do Pentágono seriam um golpe dirigido a partir de dentro com o objectivo de justificar as guerras já preparadas há longa data contra o Afeganistão e o Iraque.


Comentário:

O número crescente de denúncias, por parte de pessoas ligadas aos altos escalões republicanos, sobre a verdadeira autoria dos atentados do 11 de Setembro, deve constituir um fortíssimo pontapé nos tomates dos arautos portugueses do «terrorismo islâmico», como sejam, os Monjardinos, os Coutinhos, os Cutileiros, os Rogeiros e os Vitorinos.

quarta-feira, abril 25, 2007

Guerra ao Terrorismo - um êxito que ainda não aconteceu

Jon Stewart, do Daily Show, traz-nos novidades na guerra global dos EUA contra o terrorismo. Num curto clip, Frances Townsend, responsável pela segurança interna nos EUA, aborda na CNN o sucesso da política americana.

Stewart: Recentemente, os EUA atacaram células da Al-Qaeda na Somália. Caramba, voltámos à Somália, um país tão pobre que até faz angariações de fundos na Etiópia.


CNN: Em Setembro de 2001 o presidente disse “Mortos ou vivos, havemos de os apanhar”. Mas isso não aconteceu. Sei que houve alguns êxitos na guerra ao terrorismo, mas isto foi um falhanço.

Frances Townsend: Talvez seja um êxito que ainda não aconteceu.


Vídeo – 2:20m

DS - Um êxito que ainda não aconteceu

Add to My Profile | More Videos

terça-feira, abril 24, 2007

Cho "Lucky Bastard" Seung-Hui

Para além de todos os acontecimentos invulgares que acompanharam o massacre na universidade Virginia Tech, como por exemplo a total apatia da polícia durante as duas horas que mediaram o primeiro e o segundo tiroteios, veio a lume a excepcional eficácia de um atirador que, na opinião de especialistas, usava armas de pechisbeque: um revólver de 9 mm e uma pistola de calibre 22.

Charles Mesloh: Estou espantado com o número de pessoas que ele conseguiu matar com estas armas.

Charles Mesloh: O mais intrigante é que o atirador actuou como um profissional.

Charles Mesloh: Ele conseguiu uma taxa de mortalidade de 60% com revólveres. É uma coisa sem precedentes. Dado que os revólveres de 9 mm não matam as pessoas instantaneamente.


Vídeo - 1:09m (Legendado)

Virginia Tech Shooting - Legendado

Add to My Profile More Videos

segunda-feira, abril 23, 2007

Um repórter da Fox News nega que o avião que bateu na Torre Sul do WTC fosse um avião de passageiros

Clip da Fox News com o repórter da Fox, Mark Burnback ao telefone, respondendo à pergunta se estava suficientemente perto para observar algumas marcas no avião:

Mark Burnback: Meus senhores, como estão. Sim havia, havia efectivamente um logótipo azul, um logótipo circular na parte da frente do avião. Próximo, exactamente próximo da parte da frente do avião. Não parecia de forma nenhuma um avião comercial de passageiros, não vi janelas nenhumas de lado.

Apresentador da Fox: Mark, se o que está a dizer é verdade podem ser aviões de carga ou qualquer coisa parecida. Você disse que não tinha visto janelas nenhumas na parte lateral do avião?

Mark Burnback: Não vi janelas nenhumas nas partes laterais do avião, vi o avião voar baixo, eu estava provavelmente a um quarteirão de distância do metropolitano em Brooklyn e o avião desceu muito baixo, e mais uma vez, não era uma avião normal dos que estamos habituados a ver num aeroporto, era um avião que tinha um logótipo azul na parte da frente e, para ser franco não parecia um avião de cá, quero dizer isto não foi um acidente.

«it was not a normal flight that I've ever seen at an airport, it was a plane that had a blue logo on the front and, it just did not look like it belonged in this area to be frank about it, I mean that was not an accident»


Vídeo - 1:29m:

Avião de carga sem janelas

Add to My Profile More Videos


Comentário:

Dando de barato que o repórter da Fox News, Mark Burnback, não conseguiria ver as janelas a cerca de 2 Km de distãncia (o que é provável), estranha-se que este tenha referido um logótipo azul na parte da frente do avião e é verdadeiramente surpreendente que não tenha reparado no enorme logótipo colorido da United Airlines na cauda do avião:


A propósito, esta noite, depois do telejornal da RTP1, teremos, como habitualmente, o bonacheirão do Vitorino a falar-nos dos perigos da Al-Qaeda.

sábado, abril 21, 2007

O peculiar percurso de 2 horas do estudante sul-coreano Cho Seung-Hui na manhã de 16 de Abril de 2007



1) Matar um homem e uma mulher num alojamento do campus da Virginia Tech. A polícia foi chamada por volta das 7h15 da manhã.

2) Gravar-se ae si próprio a amaldiçoar a América em vídeo.

3) Transferir o vídeo para o computador.

4) Gravar o vídeo num DVD.

5) Embalar o DVD.

6) Ir aos correios.

7) Enviar a encomenda para a NBC às 9h01.

8) Matar mais 30 pessoas no edifício de Engenharia do campus da Virginia Tech, menos de duas horas depois do primeiro tiroteio (portanto antes das 9h15m).

9) Suicidar-se.


Entre o primeiro e o segundo tiroteio, o atirador da Virginia Tech enviou por correio uma encomenda para a sede da NBC em Nova Iorque contendo fotos dele brandindo armas e um vídeo com uma mensagem zangada em que blasfema sobre os ricos e o hedonismo dos jovens americanos.


Brian Williams, apresentador da MSNBC: Pete, o primeiro discurso dele que utilizámos, e os subsequentes, estavam no pretérito. Ele disse, "Chegou a altura e eu fi-lo. Tive de fazer o que fiz", o que nos leva a especular, vendo estes vídeos, que ele, talvez, para além de ter enviado alguma coisa pelo correio, gravou-se a si próprio em vídeo entre os dois tiroteios.

Brian Williams: Right. Now, Pete, the first piece of sound we used there, and subsequent pieces, were in the past tense. I wrote down, he says, "The time came and I did it. I had to do what I did," which led to speculation among some of us, looking at these videos, that he, perhaps, in addition to mailing something between these two shootings, actually videotaped himself.


Houve aqui premeditação, disse Molly Henneberg da Fox News (comentando o vídeo). "Nessa altura [enquanto gravava o vídeo], ele decidiu que queria fazer algo muito maior do que aquilo que tinha feito com o primeiro tiroteio [onde matou duas pessoas]."

"There was premeditation here," said Molly Henneberg of Fox News. "Now, he decided he wanted to go much bigger than that after the first shooting."


No Público - 21.04.2007: «O governador do Estado da Virgínia, Tim Kaine, anunciou ontem a abertura de um inquérito independente aos acontecimentos relacionados com o massacre na Universidade Virginia Tech ... à frente do painel encarregado das investigações estará Gerald Massengil, antigo director da Polícia Estadual, que no passado presidiu aos inquéritos do ataque ao Pentágono no dia 11 de Setembro de 2001»


Comentário:

Aqui temos uma interessante «estória» digna de um verdadeiro Sherlock Holmes: um jovem coreano assassina duas pessoas numa universidade, volta ao seu quarto onde se filma a si mesmo a dizer baboseiras, grava o filme num DVD, vai até aos correios enviar o DVD para a NBC News e regressa à universidade onde mata mais trinta pessoas. Tudo isto em menos de duas horas e sem a polícia mexer um dedo (embora tivesse sabido de imediato do primeiro tiroteio).

Qual cereja em cima do bolo, nomearam para investigar esta «estória» o homem que presidiu aos inquéritos do ataque [com um Boeing 757 em miniatura] ao Pentágono a 11 de Setembro de 2001. Nem de propósito, diria Watson!

sexta-feira, abril 20, 2007

Reserva Federal Americana e Banco Central Europeu – duas entidades gémeas, privadas e criminosas

Jornal de Negócios - 19 Abril 2007

Membro do BCE acusa ministros das Finanças de tentarem influenciar política

Lorenzo Bini Smaghi, membro executivo do conselho do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que os ministros das Finanças da Zona Euro podem estar a tentar ganhar "vigilância política" em relação à autoridade monetária e que os comentários dos responsáveis são tentativas políticas para influenciar o BCE.

"Suspeito que por detrás de tais pedidos esconde-se o desejo por alguma vigilância política sobre o BCE. Na minha opinião, isto pode ser equivalente a minar a independência do BCE", adiantou o mesmo responsável.

Bini Smaghi diz que a maioria dos comentários dos políticos sobre o banco central são "convites para reduzir a taxa de juro. É uma tentativa política para influenciar os bancos centrais".

O responsável assegura que as pressões não têm afectado a credibilidade do BCE e que a independência da instituição "assenta em fundações sólidas" e os "mercados não prestam muita atenção às tentativas, mesmo as dos ministros das finanças, para influenciar a política monetária".


A independência do BCE assente em fundações sólidas? Ouçamos a opinião de um político conservador americano:

Barry Morris Goldwater (1909 – 1998) cumpriu cinco mandatos como senador dos Estados Unidos pelo partido republicano e foi candidato à presidência nas eleições de 1964.

"Não vos parece estranho que estes homens que por acaso pertencem ao CFR (Council on Foreign Relations), e que por coincidência pertencem ao Conselho de Administração da Reserva Federal dos Estados Unidos da América, controlem em absoluto o dinheiro e as taxas de juro deste grande país sem a cumplicidade do Congresso? Uma organização em mãos privadas, a Reserva Federal não tem nada a ver com os Estados Unidos." - Barry Goldwater, With No Apologies, page 231.

"A maior parte dos americanos não compreende de todo a actividade dos agiotas internacionais. Os banqueiros preferem assim. Nós reconhecemos de uma forma bastante vaga que os Rothschildse e os Warburgs da Europa e as casas de J. P. Morgan, Kuhn, Loeb e Companhia, Schiff, Lehman e Rockefeller possuem e controlam uma imensa riqueza. A forma como adquiriram este enorme poder financeiro e o empregam é um mistério para a maior parte de nós. Os banqueiros internacionais ganham dinheiro concedendo crédito aos governos. Quanto maior a dívida do Estado político, maiores são os juros recebidos pelos credores. Os bancos nacionais da Europa são na realidade possuídos e controlados por interesses privados." - Barry Goldwater

quarta-feira, abril 18, 2007

Vítor Constâncio – uma marioneta a soldo da finança internacional

Banco de Portugal pede alteração à lei laboral para maior produção - Jornal público - 18.04.2007

O Banco de Portugal defendeu ontem que as empresas têm maiores dificuldades em adaptar-se à evolução da actividade económica devido à regidez do mercado de trabalho. E defendeu que a introdução de uma maior flexibilidade levaria a uma aceleração da produtividade nacional.

Vítor Constâncio lembrou ainda que, embora [infelizmente] o despedimento individual esteja limitado, [felizmente] a facilidade no despedimento colectivo é bastante elevada em Portugal.


Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 3 de Fevereiro de 2007

«Todos os anos, por esta altura, muita gente se interroga: que país é este onde a vida é tão dura e deficitária para toda a gente, famílias e empresas, menos para os bancos

«… os lucros [dos bancos] não param de crescer. O Millennium bcp, por exemplo: teve 780 milhões de euros de lucros em 2006 - mais 28% do que no ano anterior; o BPI registou 309 milhões - mais 23%; o Banco Espírito Santo anunciou ganhos de 420 milhões - mais 5o%...»

«Tudo estaria bem se esta chuva de milhões sobre os bancos fosse um sinal de pujança da vida económica do país. Mas sabemos bem que não é. E que esses lucros colossais são, afinal, uma expressão da dependência cada vez maior das famílias e das empresas em relação ao capital financeiro. Daí que, em lugar de aplauso e regozijo geral, o que o seu anúncio provoca é o mal-estar de quem sente que Portugal inteiro trabalha para engordar a banca. Ganha força essa ideia de que os bancos sugam a riqueza do país mais do que a fomentam.»


Comentário:

Julgo que está na altura de pegarmos o Constâncio pelos colarinhos e perguntar-lhe:

a) Como é que os bancos criam dinheiro a partir do nada?

b) Como é que os bancos fazem empréstimos (ou criam crédito, que é a mesma coisa) de quantias dezenas de vezes superiores à que têm em depósitos?

c) Porque é que o Banco Central Europeu tem a pregorrativa exclusiva de imprimir dinheiro em notas (a partir do nada) e emprestá-lo aos Estados com juros?

d) Quem são os verdadeiros donos do Banco Central Europeu?

e) Quem são os verdadeiros patrões do Constâncio?


Thomas Jefferson (antigo Presidente dos Estados Unidos – 1861):

«Se o povo americano alguma vez permitir que os bancos controlem a emissão do seu dinheiro, primeiro por inflação, depois por deflação, os bancos e as corporações que nascerem à volta deles irão privar o povo de todos os seus bens até que os seus filhos acordem na miséria. O poder de imprimir dinheiro deveria ser retirado aos bancos e devolvido ao Congresso e ao povo a quem ele pertence. Acredito sinceramente que as instituições bancárias são mais perigosas do que exércitos em pé de guerra.»

segunda-feira, abril 16, 2007

Banco Central Europeu - a árvores das patacas da finança internacional

Robin Good - Marco Della Luna e Antonio Miclavez

Porque é que os bancos vendem dinheiro que não possuem? Será o lucro da emissão de dinheiro a verdadeira árvore das patacas?

A «dívida pública» foi literalmente inventada por políticos e banqueiros de forma a enriquecer os corretores de Bancos Centrais.

No passado, os bancos ao emitir dinheiro garantiam-no com os seus activos e as suas reservas, convertendo papel moeda em ouro, e pagando eles próprios os custos da emissão e impressão do dinheiro.

Hoje, contudo, o dinheiro já não é garantido pelo ouro, já não é convertível, as taxas de emissão e impressão são praticamente inexistentes, e representam ganhos para aqueles que emitem e vendem o dinheiro, ou seja, o lucro da emissão de dinheiro tem um valor nominal de 100%.

Quando o Estado pede dinheiro ao Banco Central, paga o custo do seu valor nominal com títulos da dívida pública (e não apenas o custo tipográfico), basicamente comprometendo-se a aumentar os impostos aos cidadãos e às empresas.

Tudo isto acontece através do Banco Central Europeu, um monstro judicial criado pelo Tratado de Maastricht, isento de qualquer controlo democrático, actuando como um estado soberano, acima de tudo e de todos.

Portugal continua a empobrecer à medida que a dívida pública aumenta, conduzindo a uma pressão fiscal muito alta. (DN 27.01.06 - O Estado português deverá registar um montante total de dívida, no final de 2006, de 111,6 mil milhões de euros, um crescimento de 10,4 mil milhões face ao final do ano passado).

Estamos frente a um «senhor» (ECB) que utiliza o Estado, o sistema fiscal e a administração pública para criar um sistema de desinformação constitucional com o objectivo de esconder os seus negócios enquanto cria uma ilusão de legalidade.

É um sistema de poder que foi erigido e mantido na premissa de que será sempre ignorado pela população, especialmente pelos trabalhadores, contribuintes e pessoas com poupanças.

A quem pertence o dinheiro quando é emitido pelo Banco Central? Pertence ao Banco Central, que tem o direito de pedir aos Estados para pagar por ele? Ou o dinheiro pertence ao Estado, ao povo, que por isso não deveria ser obrigado a pagar nem o dinheiro que precisa nem os respectivos juros ao Banco Central?

A prova de que o uso do poder do dinheiro através do Banco Central é um instrumento de poder que os banqueiros têm sobre o Estado, é confirmado pela atitude ambígua e pouco clara das instituições públicas, Parlamento incluído. É o facto do Banco de Portugal vender dinheiro por alto preço que não lhe custa um cêntimo e ao qual o Banco Central não acrescenta qualquer valor, ou seja, poder de compra.

O poder de compra é conferido ao dinheiro através do mercado, das pessoas e da procura real de dinheiro. Os Bancos Centrais não geraram o «valor» do dinheiro que utilizamos, não obstante comportam-se como se fossem donos do dinheiro, vendendo-o aos Estados (e aos bancos comerciais) em troca de títulos do Estado e de outros valores. É paradoxal.

É como se um tipógrafo, que trabalhasse para um clube de futebol, encarregado de imprimir 30.000 bilhetes para um jogo (com os bilhetes a apresentar um valor de 20 euros cada), pedisse como pagamento 600.000 euros pelo facto dos 30.000 bilhetes apresentarem um valor facial de 20 euros cada.

É verdade que cada bilhete vale 20 euros. Mas o valor destes bilhetes não depende do tipógrafo mas antes da organização desportiva que criou a equipa de futebol, que disponibilizou um campo de jogo e que organizou o encontro, suportando todos os custos e criando a procura dos bilhetes, sem as quais os bilhetes não teriam rigorosamente nenhum valor.

Os administradores da organização desportiva sabem isto muito bem, mas o tipógrafo por um lado faz chantagem com eles, e por outro suborna-os prometendo-lhes, caso eles lhe paguem a injusta retribuição, uma compensação monetária e fundos para serem reeleitos nas próximas eleições para o conselho de administração. Se não alinharem o tipógrafo financiará outros candidatos e campanhas na imprensa contras os membros honestos do conselho de administração.

Os poderes bancários comportam-se exactamente como o tipógrafo, e os que estão no governo comportam-se como os membros chantageados e subornados do conselho de administração da equipa de futebol, ao aprovarem ao Banco Central a posse do dinheiro que este emite. Mas não só. Os poderes bancários criam uma injusta e ilógica dívida aos povos dos seus países, aqueles que de facto, com o seu trabalho e as suas necessidades de compra, dão real valor ao dinheiro.

É por este motivo, além do princípio de soberania constitucional dos povos, que no momento em que o dinheiro é impresso, o seu valor deveria ser gerido pelo estado como propriedade das pessoas. O Estado nunca deveria colocar-se a si e à sua população sob o jugo de um Banco Central, público ou privado, para obter o dinheiro de que necessita. Mas infelizmente é exactamente isso que acontece.

Mas existe outra coisa ainda pior: o Banco Central, ou seja os seus accionistas, não só se apropriam do valor do dinheiro que o Banco Central emite, com imenso prejuízo para o Estado e a população, como o Banco regista este valor não como uma entrada activa mas como um custo passivo, imitando uma dívida e evitando por isso a necessidade de pagar impostos no que é apenas um aumento puro de capital que deveria, portanto, ser taxado na sua totalidade.

Se o dinheiro constituísse de facto um custo passivo, uma dívida, porque é que o estado o compra pagando-o com títulos da dívida pública que constituem um crédito para quem os recebe? Já viram alguém pagar a outrem para comprar uma dívida?

Mas o dinheiro também não é de forma nenhuma uma dívida para o banco que o imprime. Se fosse uma dívida, essa dívida poderia ser paga ao portador no banco, através da conversão em ouro. Dantes era assim, quando os possuidores de cheques ou notas podiam converter o seu dinheiro em ouro no banco emissor.

É natural que nenhum Governo se dê ao luxo de responder honestamente a todas estas questões porque isso seria admitir que a sua verdadeira função consiste em defraudar os próprios cidadãos e votantes para enriquecer uma elite financeira que controla o verdadeiro poder.

Tudo o que foi dito é apenas a ponta do icebergue, já que a maior parte do dinheiro existente em circulação, cerca de 85%, não é dinheiro autêntico, impresso pelos Bancos Centrais, mas dinheiro criado através do crédito. Isto significa dinheiro baseado no crédito que os bancos comerciais criam a partir do nada. Tais bancos, com a criação contínua de dinheiro baseado no crédito, tornam-se donos do total poder de compra da população mundial.


Comentário:

As sanguessugas, firmemente alapadas à árvore das patacas, continuam com razões para sorrir: