sábado, janeiro 20, 2007

O ser humano começa na concepção?


Na foto um ser humano com 16 horas de vida.

No processo de clonagem, pega-se numa célula adulta diferenciada e retira-se o núcleo que é introduzido num óvulo sem núcleo. A nova célula é reprogramada ao estágio inicial (revertendo-se a diferenciação e tornando a célula totipotente e capaz de se tornar em qualquer tipo de tecido), e esta vai-se multiplicar até dar origem a um indivíduo adulto.

Por outras palavras, muitas das as células de um corpo adulto podem tornar-se indiferenciadas e tal como a célula–ovo, que é a primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozóide, podem vir a dar indivíduos completos.

Para os que defendem que o ser humano começa com a fusão do óvulo e do espermatozóide, então um número astronómico de células do nosso corpo devem, também elas, ser consideradas seres humanos, porque devidamente tratadas vão-se dividir e dar origem a indivíduos, tal como acontece com a célula–ovo.

Um indivíduo, não deve ser portanto considerado apenas um indivíduo, mas uma sociedade de milhares de milhões de indivíduos, porque muitas das suas células podem ser revertidas, tornadas totipotentes e dar origem a outros indivíduos adultos.

34 comentários:

xatoo disse...

já leste "A Possibilidade de uma Ilha" do Michel Houellebecq?
Conta a história de um individuo chamado Daniel, que anda por diversos capitulos e épocas, desde o Daniel 5, 6,8,etc, Daniel 11 no ano 2100 e tal ao Daniel 25 no século XXX, etc - tudo clones derivados da eugenia construida na base das células estaminais.
Uma piada notável é quando a determinada altura interrogam um deles sobre como se chamava àquela gordura em volta duma vagina - ele respondeu célere: Mulher!

Ludovicus Rex disse...

Bem Visto...
Os defensores do não, só não dizem que se estão barimbando para A Mulher.
Afinal o que querem eles?
A sério que ainda não entendi.

Macillum disse...

Longe das concepções materialistas e racionalistas com que os iluminismos dos séculos XX e XXI têm vindo a revoltar o mundo, temos um blogue que, gratificantemente, está a ter a coragem de elevar a discussão a parâmetros que a comunicação social não tem coragem, uma vez que muita coisa inconveniente iria ter de ser discutida.

Caro Sofocleto,
se, segundo as antigas tradições, existe uma forma de vida que "entra" na célula resultante da fusão entre um espermatozóide e um óvulo, a multiplicação desta mesma célula em milhões de outras células não vai implicar (dentro dos parâmetros que fala) a formação de milhões de formas de vida, ou "almas" (como quiser chamar) num mesmo corpo; vai - erroneamente falando - implicar, isso sim, o crescimento, a expansão, o aumento do tamanho da "alma" que ocupa o corpo, de forma a abranger todo o espaço que as milhões de células (ou corpo) ocupam. É por isso que, sendo eu só um, sinto e comando o resto do meu corpo, porque estou nele todo, porque fui, espiritualmente, expandindo-me, proporcionalmente, ao seu crescimento físico.
Se considerarmos a hipótese - mas ninguém sabe a verdade sobre isto - de que a "alma", forca anímica, forma de vida, (o que lhe quiserem chamar) "entra", ou "nasce", no momento da concepção, ela não se vai mutiplicar em várias "almas" com a multiplicação de células; vai, isso sim, expandir-se, abrangendo todas as células intimamente ligadas entre si desde a primeira célula formada.
Se realmente for isto que acontece (mas ninguém sabe a verdade sobre isto), então, arriscamo-nos a estar a cometer um homicídio cada vez que um aborto é feito!

Nem completamente SIM, nem completamente NÃO!

Devemos ser mais sábios do que este "entre-a-espada-e-a-parede" que o embróglio governo-clínicas nos estão a colocar.

Biranta disse...

Este post tem um argumento muito tortuoso... mas está à altura dos "argumentos" dos do não, sem dúvida.

Para mim melhor forma de "decidir" este tipo de coisas é olharmos para as características de "ser humano", essa raça superior que povoa a terra, e percebermos que a sobrevivência dum SER HUMANO, na terra, não depende doutro "organismo" específico.

Até aos 5 ou 6 meses de gravidez a sobrevivência do feto depende, exclusivamente, da sobrevivência da mulher. Se esta morrer, aquele morre também. Portanto, para os que gostam dessas coisas, a "alma" é a da mulher...
Portanto, durante o período de opção livre, de aborto, o único ser humano que está em causa é a mulher. O outro "ser humano" só o é pelo querer da mulher. E assim é que deve ser para que se criem, realmente, SERES HUMANOS e não autómatos.

Isto tudo para explicar que os do não se estão nas tintas para OS SERES HUMANOS que realmente existem, quer eles sejam as mulheres, as crianças, ou quaisquer outros cidadãos; e que os sofismas e conjecturas, "axiomas", que inventam só servem para exercitarem a sua perfídia maltratando os seres humanos... porque são gente desumana. Só para pretendem "justificar" o serem pérfidos para com todos os seres humanos, incluindo as potenciais crianças a nascer, é que eles inventam essas desculpas sem nexo e sem consistência.

Acho até que podemos devolver, com total justificação, o epíteto de terroristas, aos partidários do Não, com especial destaque para o clero...

Eu Voto SIM, porque é a única atitude digna... Embora saiba que isso não vai alterar, em nada o descalabro do actual estado de coisas; que não resolve nada. Até porque a actual demagogia está a criar uma situação em que nem podemos acreditar que a lei seja respeitada por quem deve, tal como acontece com tantas outras leis.

Para além de que a própria pergunta feita no referendo se presta, ainda, à "justificação" legal de muitas patifarias e horrores.

Mas se o Sim vencer isso será, sem sombra de dúvidas, um passo em frente, para a civilização.

Sofocleto disse...

Biranta,

Não percebo porque é que este argumento é tortuoso. Simplesmente comparo a célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozóide (que os partidários do NÂO consideram um ser humano), com a célula resultante da combinação dum núcleo de uma célula diferenciada e dum óvulo sem núcleo. Ambas vão desembocar num organismo completo. O absurdo é, quanto a mim, comparar uma célula, totipotente ou não, a um ser humano.

Quanto ao teu argumento do «na minha barriga mando eu», não concordo. O organismo evolui de uma célula que se vai dividindo e diferenciando paulatinamente até se tornar num indivíduo completo. É um processo gradual desde a célula inicial até ao corpo completo. Existe portanto um processo de desenvolvimento em que se vai formando um ser humano. Se aceito o aborto nas primeiras semanas, já não o aceito a partir de determinado ponto. O facto de estar ainda dentro da barriga da mãe não lhe retira direitos. Ele não é um parasita. Ele não pediu para existir nem se impôs ao corpo da mãe. Já vi bebés nascidos prematuramente com seis meses. Matá-los seria um crime.

a.castro disse...

Confesso que sou "insuficiente" nesta matéria. Mas gostei do que o Sofocleto diz no post, porque para mim assume um carácter intuitivo, lógico e com todo o sentido.

Macillum disse...

Caro Biranta,

no seu comentário vc dá-me a sensação de que quer despachar este assunto o mais depressa possivel...

Se você acha que a "sobrevivência dum SER HUMANO, na terra, não depende doutro "organismo" específico", deveria prestar mais atenção em todos os animais e plantas que vc come e em todos os organismos que vc bebe e respira.

Vc diz que a "alma", até aos 5, 6 meses, é da mulher... eu digo que existem duas "almas" diferenciadas... qual de nós dois tem razão se nenhum dos dois pode provar seja o que fôr?
Se vc acha este post "tortuoso" é porque não está na disposição de colocar a hipótese de que poderão haver outros pontos-de-vista compatíveis com o seu, em força argumental (e repare que eu não digo melhores, nem piores) e que devem ser tomados em consideração, discutidos e fundidos numa síntese.

Os apoiantes do SIM estão a basear a sua escolha em certezas incertas, assim como os apoiantes do NÃO afirmam coisas que, muitas das vezes, não podem provar, ou baseadas em princípios surrealistas.

A questão é que existe uma grande hipótese de que já exista uma forma de vida independente logo após a fecundação... mas isto nenhum dos lados pode provar: se há, ou não!

Porém, uma vez que somos ignorantes em relação a isso, acredito que devemos enfrentar, agir sobre as condições psico-sociais de preconceito e paranóia que levam as mulheres a realizar 95% dos abortos: nas condições culturais presentes, abortos sempre vão haver, quer seja legal, ou não. A sociedade deve é elevar os seus parâmetros culturais, intelectuais e espirituais para podermos ver o número de abortos restringir-se a casos de gravidez de risco, violação e má formação do feto! A meu ver, praticamente todos os outros casos são motivos altamente egoístas de instinto homicida... mas existem 1001 casos e cada caso é um caso...

O SIM proporciona a despenalização do livre arbítrio, mas não proporciona a elevação da sociedade para parâmetros mais elevados em suas escolhas: a prevenção a tal chacina deveria começar na escola, desde cedo, com esclareciemento sexual e de gestação, especialmente ás jovens... talvez distribuindo pílulas gratuitamente em aulas de educacao sexual... acompanhar economica e psicologicamente a jovem mãe e a família, subsidiando-a em seus estudos em caso de querer o bebé, ou ajudar em colocà-lo para adopção... só que vivemos num pais púdico e sobre educação sexual o governo não quer chamar a atenção, porque não interessa. Invés disso, distrai o povo, dividindo-o entre o extremo do SIM e do NÃO num churudo negócio com as clínicas espanholas: isto é exactamente o tipo de mentalidade que a Nova Ordem Mundial quer que se espalhe por entre as massas: o deficiente, ou nulo valor sobre a vida humana!

... ou esquecem-se que maior parte destas coisas são combinadas em reuniões como as de Bilderberg a fim de instaurar uma sociedade destorcida em seus valores sobre as formas de Vida?

Basílio disse...

Sofocleto, então tu podes ser milhares de milhões de indivíduos, mas neste momento só estás a pagar impostos por um, certo?

Devo começar a referir-me a ti no plural? :)

Já agora isto que referiste:
"O facto de estar ainda dentro da barriga da mãe não lhe retira direitos. Ele não é um parasita. Ele não pediu para existir nem se impôs ao corpo da mãe."
Disseste-o muito bem e isso é verdade tanto às primeiras horas após à concepção como aos dois meses e meio ou aos nove meses.

Sofocleto disse...

Basílio,

Deves começar a tratar-me por vós. Ex: Sois portanto da opinião que o TGV é um dos maiores roubos que já foi feito ao Estado português?


Mas também disse que se parte de uma única célula até chegar paulatinamente a um organismo complexo. O ser humano vai-se formando a pouco e pouco a partir (quase) do nada. O que defendo é que até determinada altura aceito que se destrua esse conjunto de células em troca de um bem maior (insuficiência económica para manter a criança, gravidez indesejada, mal-formação, etc.). Prefiro um embrião destruído a ver uma criança mal amada.

Macillum disse...

"insuficiência económica para manter a criança"... vc não vê que a solução para isso é os políticos e os financeiros e os bancos partilharem aquilo que têm? Por isso é que "eles" nos fazem pensar no SIM e no NÃO, para não pensarmos neles!!! Se partilharem o Estado poderá ajudar essas mães e não há necessidade de aborto. Só que, como não chegamos a "eles" preferimos matar as crianças por nascer, manipulados pela propaganda extremista do SIM, ou do NÃO... isso é absurdo demais!!!

"Prefiro um embrião destruído a ver uma criança mal amada"
Eu prefiro uma mudança radical nos princípios sociais e humanos presentes que justificam o aborto, a um homicídio.

Desculpe, Sofocleto, mas perante a evidência da Vida não há argumentos homicidas que se consigam disfarçar de reais defensores dos direitos humanos.

O-Lidador disse...

" em troca de um bem maior (insuficiência económica para manter a criança, gravidez indesejada, mal-formação, etc.). Prefiro um embrião destruído a ver uma criança mal amada".

Sobre o problema da malformação, que não seja por aí. A lei actual permite e subsidia o aborto nesses casos, bem como nos casos de violação e perigo de vida para a mãe.

O argumento da "insuficiência económica" da conversa naive do "mal amada", é interessante e com muitas potencialidades práticas. Por exemplo, permite à mãe limpar o sebo à criança, sempre que entenda que não estão criadas as condições para que o filho venha a ser um craque de futebol, uma top-model, ou um cientista da NASA.
embora tenha essa parte chata de a vida do puto, ficar dependente de uma depressão da mãe, ou de uma bebedeira do pai.
Por outro lado, esta tese aplicada à África, Ásia e América Latina, iria permitir resolver os problema da fome, e outras desgraças sociais, porque não é previsível que a maioria da malta que aí nasce venha a ter Nestum ao ao pequeno-almoço, um Ipod ou até acesso ao Cartão Jovem.

Há só uma questãozinha:

Como é que a Vanessa, tem a certeza,no dia em que vai abortar que aquela criança vai ser "mal amada", ou não vai ter "condições económicas".

Veja-se por exemplo o Belmiro de Azevedo, coitado, que andava descalço na sua infância.

Não tinha "condições económicas", mas se lhe tivessem limpado o sebo, hoje havia milhares de pessoas sem emprego...

Enfim, ó Sofocleto, se nem você sabe se no próximo fim de semana o Chelsea vai ganhar ou perder, como pode acreditar que a Vanessa conhece de tal forma o futuro que se permite limpar o sebo ao puto, só para ele não ser infeliz?

Quer raio de argumento o seu...então mata-se um gajo para ele não viver uma vida que outrem acha ser infeliz?

Pois olhe, vá um dia até África, observe as crianças e verá que apesar de não terem "condições económicas" e de terem fome, agarragm-se à vida e dançam...parecem mais ou menos felizes.

E vai você lá agora exterminá-las para não serem infelizes?

Vamos lá, use melhor essa abóbora que Deus lhe deu.

Barão da Tróia II disse...

Sou pelo "Sim" e ponto final.Boa semana

Biranta disse...

Mas o que aqui vai de disparates...
Antes de mais, Macillum, entenda, duma vez por todas, que você não está em condições de me dar lições de espécie nenhuma e muito menos de ordem moral.
Portanto, o que você diz acerca do que sejam as minhas disposições não tem qualquer valor nem significado... Preocupe-se com as suas intenções dessimuladas que já tem muito com que se entreter...

Até porque o que se estava a discutir era "a vida humana" e não a vida (que é, aliás, o mesmo "erro" do texto e de TODOS os argumentos dos partidários do Não). Mas você, como não percebe nada de nada e fala por falar, tentando "aparecer" e "doutrinar", mesmo que para isso diga os piores contra-sensos, logo vem comparar as mulheres (de cujas o feto depende), com as vacas, os carneiros e os porcos todos eles seres vivos, mas não humanos, que você come e eu não... Mas a chatice é que, se você não comer um dado porco, pode comer outro qualquer, ou outro qualquer animal se for essa a sua opção, ou comer apenas frutas e legumes, que sobrevive na mesma. Cada embrião humano ou feto depende duma única mulher (SER HUMANO) e de mais ninguém... Enfim, fiquemos por aqui porque esta conversa de mete nojo já enjoa. Afinal é perda de tempo estar a argumentar com gente que usa este tipo de sofismas para tentar impôr as suas doutrinas reaccionárias e absurdas, em forma de lei, aviltando os outros.
Quanto às almas fique-se lá com as almas que você quiser que a mim não me afecta nada. Quanto à demagogia de o que a sociedade deveria ser, ou não, é isso mesmo: demagogia para angariar apoios; porque nunca o vi, a si, realmente empenhado nas transformações de que fala. Ao contrário, passa o tempo a falar, genericamente, de "males" invisíveis e secretos, quando os males que nos afectam são bem vicíveis e reais... Além disso, ainda me há-de explicar porque é que estão incluídos nos do Não os gangsters que delapidm o erário público e que nos roubam, todos os dias, das mais diversas formas. Sabia que o Millenium BCP disponibilizou uma enorme quantia para a campanha do Não?

Sofocleto!

Eu pensei que tinha explicado que todos estes argumentos dos do Não me parecem conjecturas, destinadas a "justificar" a sua perfídia; e que, portanto, os argumentos para desfazer as falácias e conjecturas deles são muito parecidos...

Quanto ao "na minha barriga mando eu", você pode espernear e estrebuchar à vontade porque é mesmo assim. Foi Deus que assim o determinou...

Nos primeiros meses de gravidez, você só sabe se a mulher está grávida se ela quiser que você saiba, mas ela sabe.

Porém eu nunca disse que aceitava (ou se devia aceitar) o aborto em qualquer altura da gravidez, nem é isso que está em causa na actual lei.

Vejamos então, como gente digna e idónea, o essencial da questão:

Os argumentos dos do Não são um amontoado de absurdos destinados a justificar a sua perfídia (a penalização do aborto é perfídia pura). Até inventam um ser humano ou escrevem argumentos absurdos e pérfidos como os de Macillum, comparando as mulhreres aos animais, apenas para terem pretextos para maltratar e aviltar TODOS os seres humanos que realmente existem, incluindo as crianças nascidas e por nascer. A provar o que digo está a situação social e os inúmeros problemas existentes, mais as desgraças e sofrimento que provocam; problemas que podiam e deviam ser resolvidos se essa gente o quisesse, com todo o poder que detém.

Agora vejamos a questão do aborto.

É uma questão de moral e ninguém tem o direito de impor aos outros os seus critérios morais, nenhuma "moral" humana é melhor do que as outras.
AS mulheres que optam pelo aborto fazem-no porque são obrigadas (seja por questões económicas ou por outros quaisquer constrangimentos) e a situação, em si, de optar pelo aborto, já é muito penalizadora. ´

Mas é típico da nossa sociedade e dos conceitos desumanos e autistas que nela dominam, tratar os "outros" como "outros" da mesma forma estúpida e absurda como somos tratados pelos que governam: como subalternos, seres inferiores... até ao ponto de acharmos que nós, os nossos motivos e os nossos critériso sim, são válidos e sublimes, mas os motivos e os critérios dos outros têm de se submeter à nossa visãozinha... porque senão é uma desgraça...

Para mim, a situação ideal seria a de não haver abortos (eu, particularmente, sou contra o aborto) mas não me passa pela cabeça impor os meus critérios a mais ninguém, porque desconheço os motivos das outreas pessoas e as consequências deles (meus critérios) em cada situação concreta (mas também lhe direi que não admito que outros se arvorem o direito de me darem lições, seja em que domínio for e muito menos se estivesse em causa a utilização do meu corpo, exclusivamente à minha custa). Até porque, nessas coisas (e porque estamos a falar de seres humanos) as pessoas devem participar de livre e espontânea vontade e não pela opressão ou pelo terror. Até para as crianças, é assim que deve ser... e é assim que será se a sociedade se comportar como tal.

Aliás, a sociedade só teria uma réstea de legitimidade para punir o aborto (em qualquer altura) se adoptasse as crianças e satisfação das suas necessidades como encargo da sociedade (como deveria e poderia ser, mesmo com a despenalização do aborto). Ainda assim, ficariam por resolver os problemas emocionais e a disponibilidade das mulheres para os suportar...
Sabia que o "síndrome pós-parto" é muito frequente (e nunca há ninguém para "ajudar") e que tem resultado, já, em suicídio de algumas mães? E o que me diz de mais aquele escândalo, vergonhoso, do pai adoptivo condenado a 6 anos de cadeia por defender a criança que o pai biológico abandonou, na barriga da mãe biológica, mas que agora reclama sem qualquer direito para o fazer e provocando enorme sofrimento quer aos pais adoptivos quer à criança que comn eles estabeleceu os seus laços afectivos? Como sabe, até estes casos que são simples de resolver condignamente, são tratados desta maneira desumana, sem que haja alguém que tenha em conta o facto de se tratar de seres humanos (estes sim que existem, para além de todas as especulações).

Tudo isto levanta um outro problema que não está resolvido nem fica resolvido depois do referendo, qualquer que seja o resultado. Mesmo depois do período de opção, livre, de aborto, as mulheres deveriam poder contar com acompanhamento e apoio total, e com a opção de não assumirem as crianças.

Mas, é claro, para que assim pudesse ser, as pessoas teriam de ter confiança nas instituições e na sociedade em relação ao tratamento dado a essas crianças. Porque, repito: todas as pessoas têm o direito de se recusar a pôr filhos neste Mundo infame; todas as pessoas têm o direito de recusar ver-se envolvidas directamente (nem que seja através dos seus próprios filhos) na tortura e no desespero de ver a forma bárbara e infame como são tratados muitos cidadãos e, particularmente, as crianças. O "sofrimento" provocado pelo aborto acontece naquele momento; o sofrimento das crianças e das pessoas maltratadas pela sociedade e desesperadas é contínuo e persistente, por isso muito maior.
Volto a dizer: tratemos de endireitar a sociedade e deixemos essas questões do aborto ao critério das mulheres porque está muito bem entregue. Havendo as condições de dignidade mínimas, chegaremos a um ponto em que deixarão de acontecer abortos (poupando-se todo esse sofrimento, sobretudo às mulheres), a não ser em casos esporádicos; ou seja, em quantidades residuais... inevitáveis.

Ah! E para que não restem dúvidas: eu vou votar sim no referendo, porque é a única atitude digna e civilizada a adoptar.

Lidador disse...

"todas as pessoas têm o direito de se recusar a pôr filhos neste Mundo infame"

Pois pois, ó biruta, este mundo é infame como o caraças,injusto, sacana, enfim, uma porcaria mas você gosta bem de cá estar.

É que, a atestar por este amontoado de cavalidades que acaba de escrever, ainda não se suicidou...ou seja, é só garganta.

Por outro lado, tanta conversa com o respeito pelo ser humano, e pelas "pessoas maltratadas" pela "sociedade", e passa metade do post a descarregar a bilis em seres humanos, cujo único defeito é terem e expressarem opiniões diferentes das suas.

Pol Pot de trazer por casa...coma mas é uma boa dose de entrecosto em vez de ruminar capim, que isso passa.

E beba um bom vinho, em vez de emborcar gasóleo..

Bem prega

LaBellaMafia disse...

Oh Biranta mas que valente verborreia lhe deu... voçê é o ícone da civilização Ocidental (sim aquela de que tanto se queixa!), é um ser amargo, egoísta, capaz de viver com o descartar de uma vida por mera disposição! A individualidade do Homem é cada vez mais abjecta, o interesse pela vida alheia só serve quando na mesa se discute demagogia, quando implica vivência... estamos mal!
E já agora explique-me a sua verborreia pelo facto do Millenium ter doado dinheiro para a campanha do não, antes isso que eu ter que pagar com os meus impostos abortos, porque o estado acha bem financiá-los. Mas está tudo louco!
Quanta hipócrisia reina nesta casa... gostava de saber quantos aqui escrevem gostavam de ter sido abortos...

O-Lidador disse...

"" gostava de saber quantos aqui escrevem gostavam de ter sido abortos"

Caro labellamafia, eis aqui um bom argumento a favor do SIM.
Provavelmente o biruta não existiria, o que, convenhamos, seria altamente benéfico para a humanidade.

Macillum disse...

Cara Biranta,

prezo por saber que voce, tal e qual como eu, nao come animais. Parabens! Viva o vegetarisnismo!!!

... mas... como 'e que alguem que defende os animais, alinha tao profundamente numa manipuladora luta de extremos entre o SIM e o NAO? Pensei que fosse mais inteligente que isso e que detaectasse que isto nao passa de um enorme negocio, possivelmente feito entre o PS, os bancos e as clinicas, os mesmos que estao a ganhar milhoes com o TGV.

E nao andamos aqui a comparar fetos a carneiros... andamos a escarafunchar em nossas duvidas afim de descobrirmos qual a melhor opcao.

Vc tem muita dificuldade em aceitar os pontos-de-vista alheios, demonstrando um incrivel potencial para a ditadura. Xinga os outros, chama-lhes nomes, perde toda a postura respeitavel e consideradora. Arma-se em politica, criadora de solucoes civilizacionais, mas nao tem qualquer postura politica, ou social. Fala pelos cotovelos e ouve pouco. Para vc 'e azul, azul, azul e azul e que se lixem os amarelos... quer postura mais nazi? Mas 'e bom haver por aqui uma pessoa como vc para sabermos ate que ponto 'e que vao os caracteres e as personalidades das pessoas que caminham sobre a Terra. Por isso 'e que a Nova Ordem Mundial esta a ganhar terreno com medidas ridiculas e absurdas como este churudo negocio das clinicas para abortos. Dividiram o pais ao meio nesse assunto e vao instaurando as ideologias demoniacas em que se brinca a Deus.

E ja que admira tanto Gandhi lembre-se do que ele falou "Parece-me claro como a luz do dia que o aborto 'e um crime"... retirado do livro "Todos os homens sao irmaos", parafraseando Mahatma Gahndi

Mas parabens... pelo menos 'e vegetariana...

Biranta disse...
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Biranta disse...

Caramba!

Parece que resultou! Os abortos acordaram todos, com o meu comentário, e revelaram-se...

Vão-se catar! Por mais que vocês se revolvam na porcaria que vos vai nas imundas cabeças, as mulheres irão continuar a fazer abortos sempre que, SEGUNDO O CRITÉRIO DE CADA UMA (que é só isso que conta), se justificar, quer haja despenalização ou não.

Mas, lendo esta exposição de perfídia, eu acho mais: acho que, para os vossos casos, o aborto não só devia ser despenalizado como devia ser obrigatório, e com efeitos retroactivos.

Com despenalização, ou sem ela, vocês não se livram dessa vossa condição de abortos, parasitas, gerados sem amor e sem alma porque só abortos, parasitas, gerados sem amor e sem alma, (que não conseguem se libertar dessa condição, desse "trauma") é que podem falar assim.
E, para que conste, para mim esta conversa de merda acabou, porque já permitiu exibir, demais, a perversidade e maldade, puras, subjacentes aos conceitos de cada aborto. As vossas mãezinhas é que estavam cegas, ou então andavam distraídas (ou então, também não prestam, porque não é possível uma "santa mãe" gerar tamanhas aberrações).

o-lidador!

Não te amofines, porque, enquanto existirem pessoas como tu, irão sempre existir, também, pessoas como eu... e olha que "a coisa" irá começar a complicar-se, para o teu lado, inevitavelmente...

Macillum disse...

realmente, Biranta, quanto mais falas mais mostras a pessoa sem escrupulos, tiranica, ate homicida que 'es... se o meu post me revelou, o teu tambem te revela como a pessoa demoniaca que 'es... assume-te de uma vez por todas como demonio do mal que nao se importa verdadeiramente com o bem estar alheio mas somente com a sobrevivencia e imposicao da tua opiniao.
Es assustadora.
Digna de um filme de terror.
Digna de seres a personagem maligna de um filme sobre uma qualquer chacina.
Quanto mais te aticamos mais te revelas... parabens pela falta de auto-controle que nos da o poder de te descobrir... e depois os outros 'e que sao hipocritas... 'e incrivel o tipo de caracteres que povoam este planeta.

Lidador disse...

Biruta, meu filho, venha cá e sente-se.
Vá, acalme-se.

Tenho para mim que isso são efeitos da dieta.
Que diabo, homem de deus, um ser humano não deve comer só relva.

Ora veja, uma vaca come erva, é verdade, mas tem um bandulho. Justamente para poder digerir bem as verduras.
Você, tanto quanto se sabe, não está apetrechado com tal orgão...e é por isso que apresenta preocupantes excessos de secreção biliar.

Por outro lado, ese tipo de dieta é péssimo para o efeito de estufa, uma vez que produz metano como o caraças (imagino que ninguém possa estar muito tempo ao pé de si.
E o metano é o GEE que maior janela de absorção possui de modo que é um dos piores.

Já nos bastam os milhões de vaquinhas aos traques nas pastagens. Não precisamos de gajos como você nos mesmos propósitos, a darem cabo do ambiente e do ar que respiramos.

Viu o que aconteceu na Caparica?
A culpa é da sua dieta e da consequente flatulência.

Coma entrecosto, homem!

Um Homem das Cidades disse...

Quando tive a ideia deste Blog em Fevereiro de 2005 não pensava q os comentários degenerassem para os insultos. Calma! Independentemente das opiniões de cada um haja um mínimo de respeito pelos outros.
Já se esgrimiram muitos argumentos a favor e contra a despenalização. Eu sou pela despenalização e estou satisfeito pelos países da União Europeia já terem despenalizado à excepção, julgo, da Irlanda.
Só mais 2 considerações:
1-Porque será que os países mais avançados do mundo, nomeadamente os da UE, já despenalizaram o aborto? Será q os portugueses têm sido mais humanos, mais respeitadores da vida? Ou está tudo cego menos os criminalizadores?
2-Sobre isto nada ter a ver com a religião ou os do «sim» é q estão obcecados com a religião, relembro q os resultados das sondagens dão a vantagem ao «não» no norte e interior, excepto zona urbana do Porto, e o sim no sul, litoral e grandes cidades. Acho q isto demonstra, se fosse necessário, o empenhamento da religião na criminalização. Eu n disse q todos os do «não» são religiosos mas acho q a maioria ou é ou pelo menos sofre o peso dessa tradição.
P.S. A Biranta é uma mulher (para quem ainda n percebeu) e n me parece q tenha insultado mais q o Sr. Lidador...

Um abraço a todos e obrigado pelos contributos.

leitor atento disse...

- "você não está em condições de me dar lições de espécie nenhuma e muito menos de ordem moral."...

- "Mas você, como não percebe nada de nada e fala por falar,... "

- "Afinal é perda de tempo estar a argumentar com gente que usa este tipo de sofismas para tentar impôr as suas doutrinas reaccionárias e absurdas, em forma de lei, aviltando os outros.
Quanto às almas fique-se lá com as almas que você quiser que a mim não me afecta nada."

depois destes comentários ditatoriais, pergunto-me se vale a pena discutir, como alguns bloguistas tentaram, discutir com alguém assim...

Enfim... a pessoa que mais tenta impôr as suas ideias nesta blogosfera que é de todos... se ele tanto apregoa que o seu espaço é para exprimir as suas ideias, pelo menos que se abstenha das suas prepotências nos espaços dos outros...

e depois escreve que "nenhuma "moral" humana é melhor do que as outras" ou "é típico da nossa sociedade e dos conceitos desumanos e autistas que nela dominam", como se este/esta Biranta não fosse o ser mais intolerante e ditatorial que existe na blogosfera... basta ver as respostas que dá aos seus incautos leitores, imediatamente apelidados dos seus lugares comuns: infames, pérfidos e, agora por palavras minhas, conspurcados pela ideologia dominante... podre diabo frustrado!!!

O-Lidador disse...

Caro homem das cidades, agradeço a sua notável "imparcialiade" condenatória, mas sinto-me bastante indignado por se permitir insultar-me, comparando a minha superior arte de insulto, como o tipo de insulto avacalhado e plebeu da Biranta. Veja lá que pela escatologia que a menina usa, nem sequer me passava pela cabeça que era mulher, julgava-a assim mais tipo camionista de ma qualquer unidade colectiva de produção.

Ignorava completamente que era uma "ela" e que trabalha na lota de Matosinhos.

Quanto à "despenalização", anda completamente enganado.

"Despenalizar" significa, "tirar a pena", apesar de o acto em si continuar a ser condenável.

É como o consumo de droga, pode-se despenalizar, isto é, não punir quem consome, mas isso não significa que a prática seja "moderna" e "prá-frentex".

Não é isso que está em jogo neste referendo,pese embora a desfaçatez da pergunta.

O que os portugueses vão referendar, é a liberalização do aborto até às 10 semanas.

E a partir das 10 semanas, a pena continua a existir.

É disto que se trata.

Um Homem das Cidades disse...

Caro Sr. Lidador,

Vc continua a jogar com as palavras. Eu já ouvi uma explicação semelhante por parte do Prof.Marcelo R.Sousa. Eu sei, todos sabemos, q a prática do aborto continua a ser penalizada após as 10 semanas, eu tb n estou de acordo com a pergunta embora por motivos opostos aos seus mas prefiro q se despenalize até às 10 semanas do q continuar tudo na mesma. Por mim despenalizava até ao nascimento mas n faz sentido votar «Não» só pq n se concorda totalmente com a pergunta. Antes 10 semanas q nada!
A liberalização de q fala é a descriminalização, ou seja a retirada da prática do aborto do Código Penal. Não considero as pessoas q fazem aborto criminosas, é só isso. Já é uma penalidade suficiente o terem de passar por isso como já tem sido dito até à saciedade, mas se quiserem penalizar mais pq tem de ser com a pena de prisão? Pq não uma multa por exemplo? Claro q n estou de acordo pq acho q o aborto deve ser completamente livre, eu sim pugno pela liberalização, mas quem esteja contra, pelo menos n considere criminosos os q o praticam.
Vc n respondeu ao facto dos países da UE, julgo q à excepção da Irlanda, já terem discriminalizado, pelo menos muito mais do q nós. É q continuamos na cauda da Europa tb nesta matéria pq só em 3 casos limite é admitida a prática do aborto.
Sinceramente penso que neste momento já só é um finca-pé das igrejas. Ora eu desde os meus 8 anos q sou ateu e à medida q os anos passam cada vez mais estou convencido de q quase sempre qdo temos dúvidas sobre algo devemos conhecer a posição da religião e fazer precisamente o contrário!
Não sei se vc perfilha alguma crença religiosa mas, como já disse, acho q a maioria dos adeptos do «Não» vota por influência de ideias religiosas, o q considero lamentável em pleno Séc.XXI.
Não pretendo mudar a sua opinião pq sei q isso é tão difícil como vc mudar a minha, mas q diabo vamos continuar «orgulhosamente sós»?

Cumprimentos e obrigado pela sua participação.

Macillum disse...

Homem-das-cidades,

parabens pela postura digna com que debate as ideias frente a opinioes contrarias 'a sua.

O que eu vejo 'e que cerca de 95% dos abortos sao devido a problemas materialistas, ou de enquadramento social devido aos parametros culturais.
O que eu questiono (e pena que eu nao possa colocar esta questao de uma forma mais abrangente) 'e porque 'e que nao se fazem referendos para mudar as condicoes sociais que justificam maior parte dos abortos?
Estamos a querer nao penalizar um comportamento que maior parte das pessoas nao concorda (mesmo os do SIM).
Nao estamos a concentrarmo-nos em mudar os factores que proporcionam tal tipo de comportamentos.
Se mesmo nos paises em que o aborto foi despenalizado - ate para periodos superiores 'as 10 semanas - a taxa de abortos nao diminui, ou, pelo contrario, ate cresceu, conclui-se que as condicoes sociais que, desde o principio, deveriamos ter tomado atencao e sobre elas realizado referendos, ainda ficaram por resolver, ou ate pioraram as suas nefastas influencias para com as mulheres e a sociedade em geral.
Por isso eu digo... nem completamente SIM, nem completamente NAO.
Sou a favor que se partilhem as grandes fortunas existentes em Portugal, que se deixem de fazer os absurdos investimentos que se fazem e que se deixem de tomar posicoes politicas internacionais que de nada servem para o crescimento economico, ou ate mesmo, espiritual, de Portugal... mudadas essas posturas, acredito que diminui o numero de abortos.
Na Europa extende-se uma politica totalitaria financeira que nao quer respeitar a populacao em geral, mas que a quer bem controlada e dominada, essencialmente, atraves da televisao. Nao 'e por acaso que ja existem demasiados paises europeus com partidos de extrema direita no poder, ou em vias de la chegarem. Abortos, pedofilia, trafico humano sao alguns dos exemplos de atitudes que tudo tem a haver com a sociedade que a Nova Ordem Mundial quer implantar.
Penso que os governos, no caso do aborto, divergem a nossa atencao para o que nao interessa... ou seja, para o aborto em si, inves de para as condicoes sociais, politicas e economicas que originam maior parte dos abortos.
Eu sou, acima de tudo, contra este referendo!

Um Homem das Cidades disse...

Sr. Macillum,

Estou plenamente de acordo com q diz acerca do combate às causas mas o problema do aborto transcende as causas sociais ou outras. Dou-lhe o meu exemplo: Eu não quero nem nunca quis ter filhos. Agora imagine q eu teria acidentalmente colaborado numa gravidez indejada com uma parceira. Apesar de eu ter condições económicas para assumir um filho seria justo condenarem-me a tê-lo se n tenho qualquer tipo de condições psicológicas para o ter? Ou terei de me abster sexualmente atendendo à falibilidade dos meios anti-conceptivos?

Um abraço

Lidador disse...

Não, homem das cidades, não perfilho nenhuma religão.
Nem as clássicas, nem as ideológicas.

Estou-me nas tintas para Deus, o Buda, o Alah, o Javé, o Marx, o Mao e o Lenine.

Agora quanto à sua pergunta sobre se "seria justo condenarem-me a tê-lo se n tenho qualquer tipo de condições psicológicas para o ter", a questão está mal formulada.
O que tem de se questionar é se será justo para o puto que lhe limpem o sebo, só porque você acordou um dia de rabo para a lua, deu uma trincadela na língua e sentenciou que não tem "condições psicológicas".

Em África e na Ásia, há milhões sem "condições psicológicas". Bora lá abortar aquela malta toda.
Está encontrada a solução para a fome e a imigração.

Um Homem das Cidades disse...

O problema é q vc continua a considerar um feto igual a uma pessoa e eu não. Neste aspecto estou de acordo com a actual lei portuguesa sobre o aborto q permite o aborto no caso de perigo para a saúde da mãe, ou seja n equipara o embrião à mãe como é lógico.
Quanto aos milhões em África acho q depois de nascerem valem tanto como os outros mas como embriões sinceramente não! E para terem a vida q têm mais valia q n tivessem chegado a este ponto.
Mas sobre a pergunta q lhe coloquei a solução q lhe dá é do tipo: «Se fertilizou agora aguente-se pq um embrião tem tanto direito à vida como qualquer ser humano».
Não, Sr. Macillum, NÃO ESTOU DE FORMA ALGUMA DE ACORDO!

Penso q esgotámos o assunto e estão claras as nossas divergências de fundo. Não há volta a dar-lhe mas estou absolutamente seguro da minha razão como, provavelmente, vc da sua. Obrigado.
P.S. Não disse q vc era religioso apenas falei de «maioria».

Macillum disse...

A grande questao que aqui existe tem a haver com conceitos espirituais... 'e que existe a hipotese de que a tal coisa chamada "alma" - 'a falta de melhor nome - que caracteriza um ser vivo individualizado e em processo de crescimento, pode "entrar", ou "nascer" nas celulas logo apos a fecundacao. Isto ninguem tem como provar, mas, penso eu, deve ser tomado em toda a consideracao.
O facto de vc nao ter condicoes psicologicas para ter filhos... penso que deve ter a maturidade suficiente para assumir a responsabilidade dos seus actos... se lhe sabe bem dar "uma", ha que arrecadar com as consequencias que dai possam advir... e tomar em conta que a tal "alma" podera entrar logo apos a fecundacao... dizer que nao considera "um feto igual a uma pessoa" 'e uma forma ardilosa de escapar da situacao e procurar nao ficar com problemas de consciencia.
Se deu "uma" e a gravidez aconteceu, assume-a e, pelo menos, de a crianca para adopcao. Por outro lado, agora, nas presentes condicoes sociais, dar uma crianca para adopcao 'e confia-la a uma instituicao entalada em borucracias e que provavelmente fornece criancas para festas pedofilas. Aqui comecam os problemas sociais que devem ser enfrentados (e que nada facil sao de resolver)... mas ha que assumir responsabilidade sobre os nossos actos... e nesse caso, ser pai... nem que seja distante, mas pelo menos ajudar economicamente a mae... se a mae nao quer, que tal perguntar aos avos se eles querem um neto?

Macillum disse...

As batidas do coração ouvem-se entre os 18 e os 25 dias.

Aos 40 dias detectam-se as ondas cerebrais.

10 semanas são 70 dias!

Talvez um feto ja seja uma pessoa no seu estado mais inocente e puro...

Um Homem das Cidades disse...

Macillum vc está no seu direito de defender o q quiser. Não concordo em nada do q disse sobre fetos e almas. Parece-me uma posição muito mística a tender para o religioso e como sabe eu tenho horror a deuses e espíritos. Concordo n entanto consigo sobre o combate às causas, aí 100% de acordo.
Quanto à sugestão implícita de me abster sexualmente n a irei seguir, e se houver alguma «infelicidade» pode ter a certeza q por mim n virá ninguém ao mundo, muito menos para adopção.
Só quero ter o meu direito ao aborto livre e quero q os outros tenham o direito a fazer o q lhes der na telha!
Pelo caminho q segue n sei como n está tb contra os anti-conceptivos. Então ao usá-los n estamos a impedir a vida a milhões de seres?

Macillum disse...

Nada tem de religioso, ou deuses, ou espiritos em minha conversa. 'E so uma questao de habito de ouvir certas terminologias em diferentes campos.
Os contraceptivos impedem sequer que haja contacto entre espermatozoide e ovulo, logo, nunca ha as condicoes optimas para iniciar a formacao de um feto.
Porem, sem referir os termos associados aos campos espirituais (e nao espiritualistas), o que me diz de o coracao se ouvir entre os 18 e os 25 dias, e de as ondas cerebrais ja serem detectadas aos 40 dias, muito antes das tais 10 semanas que se esta a falar? Nao serao reflexos de um ser humano em formacao?

Um Homem das Cidades disse...

Concerteza q serão! Mas n é isso q está em causa. O q está em causa é saber se a protecção do feto é igual à protecção da vida pós-uterina. Eu penso q não e a actual lei do aborto reflecte isso pois dá prevalência à mãe em detrimento do feto em 3 casos concretos. Se são iguais pq autorizar a morte do feto em caso de perigo para a vida da mãe? Para mim um feto não se compara a uma pessoa apesar da questão biológica, pq isto n se resume à biologia mas abarca tb a filosofia e a cultura em geral. Para a consciência geral das pessoas há uma grande diferença entre um homicídio e a interrupção do desenvolvimento de um feto. simplesmente n são comparáveis, daí q o homicídio seja severamente punido e o aborto não.
Volto a recordar-lhe q a lei civil portuguesa não considera um feto uma pessoa.
Tenho um amigo médico q me disse q um rato é, biológicamente, tal e qual uma pessoa, no entanto n nos choca grande coisa q os matemos ou q usemos as cobaias para fins de investigação pois não? Já as experiências q Mengele, o «anjo da morte» nazi, fazia com pessoas nos chocava e ainda choca muitissimo n é?