terça-feira, abril 26, 2005

Comentários para quê?

No Editorial do 1º Caderno do Expresso de 23 de Abril de 2005 vem esta pérola. «Comento-o entre aspas e a bold».

TODA a gente se pronunciou sobre a eleição do novo Papa. De Francisco Louçã a Mário Soares, de José Saramago a José Sócrates, não houve quem não desse opinião sobre a escolha de Joseph Ratzinger para chefe da Igreja Católica. «Até eu, imaginem!».

Personalidades do PS, do BE, do PCP, do PSD e do CDS disseram o que entenderam a propósito dos «desafios» de Bento XVI e das «reformas» que deve ou não introduzir na Igreja. «Pessoalmente, senti-me mais inclinidado para os desafios, mas, sem querer, de forma nenhuma, desdenhar as reformas».

Como era de esperar, o aborto, a eutanásia, o sacerdócio das mulheres, a adopção por casais homossexuais vieram de novo à baila. «Quem diria!».

O que ninguém quer perceber é que a Igreja não escolheu um chefe para cumprir o programa do Bloco de Esquerda ou para agradar aos comunistas ou aos socialistas. «Se não foi para para agradar aos comunistas ou aos socialistas, para quem diabo terá sido?».

A FUNÇÃO da Igreja não é satisfazer os anseios de Louçã ou Soares, Sócrates ou Saramago. «Para esses há o álcool, as drogas e as mulheres de vida fácil!».

A força da Igreja consiste exactamente em não seguir as modas, os partidos, as ideias-feitas em determinadas conjunturas. «A Igreja é de uma solidez a toda a prova. Daí vem a sua força. Não segue coisíssima nenhuma!».

A força da Igreja reside em ter outra noção do tempo, em dar certezas às pessoas num mundo marcado pelo relativismo e pelo efémero. «Hitler e Staline deram também certezas às pessoas. Foi isso que os fortaleceu. Efémeras foram, também, as vidas das suas vítimas!».

Se a Igreja começasse a mudar de opinião ao sabor das estações, a relativizar a vida, a ceder nos valores e nos princípios, deixaria de ser o que é - tornar-se-ia outra coisa. «E ninguém deseja que a Igreja mude. Deus nos proteja da reforma, essa asquerosa transfiguração!».

AO ELEGER o cardeal Ratzinger, os bispos reunidos em Roma não fizeram a escolha que os comunistas, os bloquistas ou os socialistas fariam: fizeram a escolha que, do seu ponto de vista, mais convém à Igreja Católica. «Os socialistas não sei. Mas os comunistas e os bloquistas estão encantados com Ratzinger!».

E não se vê que a opção tenha sido polémica: o conclave durou umas breves vinte e quatro horas, mostrando que Ratzinger reunia à partida um amplo consenso. «Foi um conclave breve, não controverso, conciso e absolutamente opaco. Quanto ao consenso extravasou largamente as paredes do Vaticano».

É evidente que o novo Papa será muito diferente do anterior. «E infelizmente menos bem apessoado».

Onde tínhamos um Papa peregrino e aberto ao mundo vamos ter um Papa intelectual, fechado no Vaticano, a pôr ordem na casa. «Um bicho do mato, portanto!».

Uma espécie de «governanta». «Uma aventesma, acrescento eu!».

Basta olhar para os rostos de um e de outro para se perceber isso: enquanto João Paulo II tinha um rosto franco, virado para fora, Ratzinger tem uma expressão sibilina, uns olhos que parecem mais centrados no que se passa dentro da sua cabeça do que no exterior. «E o importante é precisamente o que vai na cabeça de um sibilino, de um enigmático, de um não se sabe exactamente o quê!».

MAS a Igreja é que sabe o que neste momento lhe interessa. «Isso é por demais evidente!».

Quando os bispos começarem a fazer o que os não-católicos (ou mesmo os anticatólicos) e os jornalistas aconselham é que haverá razões para preocupação. «Porque, todos o sabemos, todos os jornalistas, todos os não-católicos e todos os anticatólicos, partilham as mesmas crenças, as mesmas convicções e os mesmos valores!».

Mal vai uma instituição quando é elogiada pelos seus adversários ou faz o que dizem os «media». «Essa é uma grande verdade senhor "jornalista"!».

Sofocleto:
Quem será este editorialista do Expresso, tão inteligente, tão lúcido, tão perspicaz e de apelido Saraiva?

3 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Acho que deverias medir tuas palavras. Hora, não me interessa o que pensas, o que segue. Mas respeite. Afinal gente liberal como você vive falando em respeito, direitos e blá blá blá...
Bento XVI Carissimo é um dos grande intelectuais sim, e graças a Deus Papa, para dar fim a esses montes de falsos católicos.