segunda-feira, janeiro 07, 2008

Embustes Literários sobre o Holocausto Judeu - O caso de Jerzi Kosinsky


Excertos de "A Indústria do Holocausto" de Norman Finkelstein

Ao articular os dogmas centrais do Holocausto, muita da literatura sobre a Solução Final de Hitler é inútil sob o ponto de vista histórico. Na realidade, os estudos sobre o Holocausto estão repletos de disparates, se não mesmo de fraudes absolutas. Especialmente revelador é o meio cultural que alimenta esta literatura do Holocausto.

O primeiro grande embuste sobre o Holocausto foi o «The Painted Bird», "Pássaro Pintado", do polaco emigrado Jerzi Kosinsky. O livro foi "escrito em inglês," explicou Kosinski, para que "eu pudesses escrever desapaixonadamente, livre da conotação emocional que a nossa língua materna sempre contém." De facto, quaisquer partes que ele tenha realmente escrito – questão ainda por esclarecser – teriam sido em polaco.

O livro tinha como objectivo ser o relato autobiográfico das andanças de Kosinski como um miúdo solitário através da Polónia rural durante a Segunda Grande Guerra. Na realidade Kosinski viveu com os seus pais durante toda a Segunda Guerra. O tema principal do livro são as torturas sádicas sexuais perpetradas pelos camponeses polacos. Os primeiros leitores do livro ridicularizaram-no considerando-o "pornografia da violência" e "o produto de uma mente obcecada com violência sadomasoquista." De facto, Kosinski, descreve ter vivido quase todos episódios patológicos que narra. O livro descreve os camponeses judeus com quem ele viveu com um virulento anti-semitismo. "Batam nos Judeus," zombavam. "Batam nos canalhas." Na realidade, os camponeses polacos acolheram a família de Kosinski mesmo sabendo perfeitamente que eles eram judeus e das consequências terríveis que sofreriam se fossem apanhados.

No «New York Times Book Review», Eli Wiesel aclamou «The Painted Bird» como «uma das maiores denúncias da era Nazi, "escrita com profunda sinceridade e sensibilidade." Cynthia Ozick expressou mais tarde que reconheceu imediatamente a autenticidade de Kosinski como "um judeu sobrevivente e uma testemunha do Holocausto."” Muito tempo depois de Kosinski ter sido exposto como um consumado escritor aldrabão, Wiesel continuou a fazer elogios à "obra notável de Kosinski".

«The Painted Bird» tornou-se um livro de estudo fundamental sobre o Holocausto. Foi um best-seller e foi um livro premiado, traduzido em numerosas línguas, e leitura obrigatória em universidades e liceus. Ao fazer o circuito do Holocausto, Kosinsky alcunhou-se a si próprio um Elie Wiesel de pé descalço [cut-rate Elie Wiesel]". (Aqueles que não podem pagar os honorários de Wiesel – o "silêncio" não é barato – viram-se para Kosinsky). Finalmente desmascarado por uma revista de investigação, Kosinsky foi ainda fortemente defendido pelo New Iork Times, que alegou que Kosinsky era vítima de uma conspiração comunista.


Comentário:

Quem se mostra decididamente "un vrai gourmand" de «lendas e narrativas» é também o nosso camarada do blogue «Rua da Judiaria», que retrata desta forma o autor de "A Indústria do Holocausto":

- «O execrável Norman Finkelstein, cuja obra é leitura obrigatória para qualquer neo-nazi que se preze»

Deste honrado moço, da Rua da Judiaria, Nuno Guerreiro Josué, sabemos apenas que, tendo ido viver para os Estados Unidos (em 2006), tem ainda o vínculo de correspondente com a Visão e o Diário Económico (jornal onde ainda hoje se mantém). Sabe-se, ainda, que para a «Grande Reportagem» assinou, entre outros, uma série de trabalhos sobre a ameaça do fundamentalismo islâmico.

Como demonstram o polaco Kosinski e o português Josué, não parece complicado, nos dias de hoje, viver-se apenas de lendas e narrativas.

O mais engraçado é que se, por acaso, o Josué aparecesse de chofre com um kufi árabe na cabeça ao invés de um Kipá judeu, perante um diligente funcionário da Blackwater a fazer segurança na zona verde de Bagdade, este, em menos de nada, cortava-o em oito, com uma air-cooled, gas-operated, automatic M-249. É que o Josué, sem disso dar conta, passa perfeitamente por um esbirro-suicida de Bin Laden.
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12 comentários:

Johnny Drake disse...

Excelente post! Como sempre... :)

Dava tanto pano para tantas mangas... E agora nos saldos faziamos um dinheirão...

augustoM disse...

Foi um descuido do Josué.
Um abraço e bom ano. Augusto

Barão da Tróia II disse...

Les uns et les autres, pois todos diferentes mas todos iguais, boa semana

fc disse...

Houve a vaga da conspiração do 11 de Setembro. Agora há a vaga do Holocausto. Está-se a preparar outra vaga que é a da ajuda dos milionários ao regime soviético.

Anti-capitalismo e anti-comunismo. Onde é que eu já vi isto antes? Teria sido no Nacional-Socialismo?

Ou muito me engano ou há para aí uma grande confusão ideológica.

Um abraço

xatoo disse...

"In 2000, Finkelstein published "The Holocaust Industry: Reflections on the Exploitation of Jewish Suffering". The reaction to the book - in which he
claimed Jews in Israel and the United States have used the Holocaust to, among other things, extort money from Germany - was both loud and angry has argued that some Jewish groups have exploited the Holocaust for political and financial gain. In September, Finkelstein resigned from his job at DePaul University, months after he was denied tenure at the school where his views and scholarship came under fire"

Mas agora Finkelstein (que é americano) está de visita ao Libano, mas foi-se encontrar com o Hezbollah, o movimento palestiniano que está quase destruido e anda a reboque de Israel - o recado é o seguinte: "ou fazes aquilo que nós queremos ou estás tramado" (quem não conhecer os judeus sionistas que os compre) - e por isso é que ele não foi falar com o Hamas, os verdadeiros representantes da Palestina independente. E a visita coincide com a do Bush.
Provavelmente está a trabalhar numa solução mista que dará a "independência" à Palestina mantendo integralmente todos os actuais colonatos judeus. Entender e credibilizar um personagem por ter sido só "do contra" não chega para entender como se vão fazendo mover os cordelnhos da dominação

Diogo disse...

Já depois de ter postado este artigo que traduzi de um ficheiro PDF, resolvi comprar hoje a versão portuguesa de A Indústria do Holocausto de Norman Finkelstein. O livro é realmente extraordinário. Tenciono continuar a postar nacos do livro. Esta é uma obra que bem merece ser conhecida e difundida.

PintoRibeiro disse...

Bom, bom.
Abraço,

Nicolaias disse...

Não sei qual a coerência de uma ideia que tive, mas, dado as previsões de recessão para os E.U.A., para 2008, que algumas empressas já estão a fazer

http://www.reuters.com/article/ousiv/idUSN0956579820080109

dados os valores records que o ouro e o petróleo estão a registar em drásticas subidas, pipocou-se uma estranha ideia em minha mente: e se simularem (sim, simularem!) um assassinato do Bush nesta visita ao Médio Oriente?

Teremos as portas abertas para uma invasão ao Irão e a tomada de posse apressada de um recém-eleito presidente.

Isto faz algum sentido?

Nicolaias disse...

E interessante foto: será que é esta a cara que vai ser o próximo presidente dos E.U.A.?

Meu Deus!!!

http://www.reuters.com/news/pictures/articleslideshow?articleId=USN0264367920080109&channelName=topNews#a=15

Diogo disse...

O sr John McCain está enterrado até às orelhas no 11 de Setembro.

johnathas disse...

É que o Josué,
sem disso dar conta,
passa perfeitamente
por um esbirro-suicida
de Bin Laden.

passa?...

oh, ele é um esbirro
rematado de um tal Bin,
que eu conheço-o!...

Anónimo disse...

Não importa se o livro de Jerzy Kosinski, O Pássaro Pintado, não é totalmente verdadeiro! O que importa é sua qualidade literária e isso pode ser observado em seus livros subsequentes, que nunca foram questionados!!!