quarta-feira, novembro 04, 2009

Para estoirar de vez com os bancos comerciais

Murray N. Rothbard

Murray N. Rothbard [Professor de economia e liberal da Escola Austríaca] fala da gigantesca fraude bancária que os bancos comerciais privados têm vindo a praticar até aos nossos dias:

"Desde então, os bancos têm criado habitualmente recibos de depósitos, originalmente notas de banco e hoje depósitos, a partir do nada [out of thin air]. Essencialmente, são contrafactores de falsos recibos de depósitos de activos líquidos ou dinheiro padrão, que circulam como se fossem genuínos, como as notas ou contas de cheques completamente assegurados."

"Os bancos criam dinheiro literalmente a partir do nada, hoje em dia exclusivamente depósitos em vez de notas de banco. Este tipo de fraude ou contrafacção é dignificado pelo termo reservas mínimas bancárias [fractional-reserve banking], o que significa que os depósitos bancários são sustentados apenas por uma pequena fracção de activos líquidos que prometem ter à mão para redimir os seus depósitos."



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Os bancos comerciais praticam essencialmente dois grandes tipos de fraude

1 – Quando lhes é pedido um empréstimo, os bancos criam dinheiro a partir do nada sob a forma de depósitos bancários, e cobram juros desse «dinheiro» que possui uma existência apenas contabilística.

Estas «operações» são tornadas possíveis porque os bancos comerciais funcionam em circuito fechado (o dinheiro levantado num banco é depositado noutro), e actuam sob a batuta dos bancos centrais, na sua maioria privados ou geridos por privados, que determinam as taxas directoras e regulam os movimentos financeiros entre os bancos comerciais.

2 – Facilitam ou dificultam a concessão de crédito, diminuindo ou aumentando as taxas de juro e os spreads, e levando, deste modo, a períodos inflacionários e depressões económicas que conduzem empresas e famílias à pobreza e à falência, e de cujos bens se apropriam por uma fracção do seu real valor.

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Uma solução possível para a fraude bancária

Ponderando no primeiro destes dois factores da realidade bancária, a saber, a capacidade de inventar dinheiro que não existe e emprestá-lo com juros dentro de um sistema fechado de circulação monetária, é possível replicar este processo no banco do Estado – a Caixa Geral de Depósitos – e fazê-lo em exclusivo benefício do povo português.

Conta Restrita de Depósitos à Ordem


Para tal, a Caixa Geral de Depósitos criaria um novo tipo de Conta à Ordem a que iremos chamar Conta Restrita de Depósitos à Ordem.

A Conta Restrita de Depósitos à Ordem da CGD teria apenas duas condicionantes:

1 - Não permitiria fazer levantamentos em dinheiro (cash).

2Só permitiria fazer transferências para outras Contas Restritas de Depósitos à Ordem da CGD (por cheque, multibanco, home banking, etc.).


A Caixa Geral de Depósitos cobraria apenas uma comissão fixa que reflectisse uma estimativa dos custos operacionais do Banco (balcões, salários, hardware e software, custos diversos, etc.). A Caixa Geral de Depósitos não cobraria quaisquer outras taxas ou spreads. Também não pagaria quaisquer juros pelos depósitos que lá fossem efectuados nas suas Contas Restritas.

Evidentemente, a Caixa Geral de Depósitos continuaria também a funcionar com as suas contas normais, tanto de Depósitos à Ordem como a Prazo, seguindo as taxas e os procedimentos vigentes no mercado.


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O funcionamento da Conta Restrita de Depósitos à Ordem da CGD

1 - João pretende comprar uma casa a Afonso no valor de 100.000 Euros. Para tal, João precisa de um empréstimo. João, evidentemente, está interessado no empréstimo da Caixa Geral de Depósitos para poder beneficiar da pequena comissão fixa que teria de pagar em vez dos juros.


2João teria de perguntar a Afonso se este estaria interessado em abrir uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD, para onde pudesse transferir o dinheiro do empréstimo obtido na CGD. Afonso sabe que estará impedido de levantar dinheiro dessa Conta Restrita. Apenas poderá transferir dinheiro dessa Conta Restrita da CGD para a Conta Restrita da CGD de outra pessoa.

3 – Afonso aceita, e abre uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. João abre uma conta igual e pede um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos no valor de 100.000 Euros. A CGD concede-lhe o empréstimo e deposita-lhe na sua Conta Restrita 100,000 Euros. João compra a casa e transfere para a Conta Restrita de Afonso os 100.000 Euros que pediu emprestados. João ficará a pagar à CGD as amortizações do montante emprestado acrescidas da comissão fixa.

4 - João terá de dar todas as garantias actualmente em vigor neste tipo de transacção à Caixa Geral de Depósitos. A casa ficará hipotecada à Caixa Geral de Depósitos até ao pagamento integral da dívida por parte do João.

5 - João fica com uma dívida de 100.000 Euros à Caixa Geral de Depósitos e Afonso fica com 100.000 Euros disponíveis na sua Conta Restrita na Caixa Geral de Depósitos. Afonso não poderá levantar este dinheiro. Apenas o poderá transferir para outra Conta Restrita na Caixa Geral de Depósitos de outra entidade qualquer.



Repare-se que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsou dinheiro algum. Limitou-se a abrir duas contas, uma que creditou – a de Afonso – em 100.000 Euros, e outra que debitou – a de João – em 100.000 Euros. A Caixa Geral de Depósitos procedeu apenas a um movimento contabilístico.


6 - João irá pagar, durante todo o período contratado no empréstimo, as respectivas amortizações e uma comissão fixa à Caixa Geral de Depósitos.

7 - Afonso, que possui agora uma Conta Restrita com 100.000 Euros na Caixa Geral de Depósitos, pretende comprar um automóvel a prestações no Stand Autocar no valor de 20.000 Euros.


8 - Afonso vai falar com Jorge, o dono do stand Autocar, para saber se este aceita abrir uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. Se aceitar, então Jorge abre uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. Depois, o banco credita a Conta Restrita de Jorge em 20.000 Euros e debita à Conta Restrita do Afonso a mesma importância.


Atente-se, uma vez mais, que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsa dinheiro nenhum. Procedeu novamente apenas a um simples movimento contabilístico.


9 - Afonso, com os 80.000 Euros que lhe restam na Conta Restrita na CGD, continuará, eventualmente, comprando ou pagando bens e serviços da mesma forma, recrutando, no processo, novos clientes para Contas Restritas de Depósitos à Ordem na Caixa Geral de Depósitos.

[...]

10 - Uma altura chegará em que Sicrano, transferirá 15 Euros da sua Conta Restrita na CGD, através de cartão Multibanco, para a Conta Restrita na CGD de um determinado restaurante, por forma a pagar um almoço. E Beltrano, transferirá 70 Euros da sua Conta Restrita na CGD, por intermédio de cheque, para a Conta Restrita na CGD de uma loja de roupas, para proceder ao pagamento de um par de calças.



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Conclusão

Numa economia é necessária uma adequada disponibilidade de moeda (moeda em poder do público mais depósitos à ordem no sistema bancário).

Uma disponibilidade de moeda adequada é indispensável a uma sociedade civilizada. Podemos privar-nos de muitas outras coisas, mas sem dinheiro, a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços paralisam.

O dinheiro é o sangue da sociedade civilizada, o meio pelo qual são feitas todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. É a medida e o instrumento pelo qual um produto é vendido e outro comprado. Remova-se o dinheiro ou reduza-se a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.

Dado o pequeno valor da comissão fixa nos empréstimos, as famílias e as empresas dariam clara preferência pela Caixa Geral de Depósitos como banco financiador. O número de Contas Restritas de Depósitos à Ordem de cidadãos e empresas neste Banco cresceria exponencialmente, bem como a quantidade e o valor dos movimentos financeiros destas contas.

A caixa Geral de Depósitos, dado o sistema em circuito fechado das suas Contas Restritas de Depósitos à Ordem, poderia criar do nada [out of thin air] todo o dinheiro necessário ao bom funcionamento da economia nacional. A quantidade adequada de dinheiro em circulação acabaria com a depressão, que é fruto da falta de dinheiro causada pela contracção deliberada do crédito pelos bancos comerciais.

A prazo, dar-se-ia a falência dos bancos comerciais privados, e a Caixa Geral de Depósitos, o banco estatal, impunha-se como única instituição de crédito neste país.
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22 comentários:

Conjura dos Néscios disse...

Prezado homem das cidades:

Eu não sou economista. Apenas leio e faço opinião para mim e para contrastar com outros. À partida, o seu razoamento parece-me muito interessante. E a sua intenção de importantes economistas militantes da esquerda virem comprovar a sua factibilidade é uma atidão que o honra profundamente. Mas estou preocupado com duas questões relativas à sua ideia:

1) os atuais gestores da CGD estarão dispostos a levar para a frente uma ideia como esta - sendo como você diz que ataca o sistema bancário privativo?

2) como esse sistema bancário privativo irá reagir contra uma eventual linha gestora da CGD nestes termos?

Como você, continuarei atento aos próximos comentários. Será que esta bela ideia possa ser factível?

Diogo disse...

Caro Conjura dos Néscios,

Antes de ter dado pelo seu comentário, acrescentei alguns parágrafos à conclusão do post. Mas, tentando responder às questões que coloca:

1 – Os actuais gestores da CGD são funcionários do oligopólio financeiro internacional. De forma nenhuma se poderia contar com eles. Teriam de ser substituídos por um grupo de pessoas que abarcasse os cincos principais partidos, e cujas acções fossem escrutinadas uma a uma, publicamente, por um painel de economistas de todos os quadrantes. A implementação da «Conta Restrita» teria de fazer parte dos estatutos da CGD.

2 – Não posso imaginar qual seria o alcance da reacção da Banca Privada. Mas, dado o seu incomensurável poder, acredito que impedissem tal coisa através de legislação aprovada pelos «nossos governantes», que eles subsidiam. Para implementar a «Conta Restrita» era necessária uma grande informação pública (que os Media se recusariam a fornecer – porque, também eles, são propriedade da Banca), e uma grande firmeza a nível de cidadania. Não seria fácil, mas era uma tentativa de fugirmos às garras dos Banqueiros Internacionais.

Um abraço

Daniel Simões disse...

A solução para toda a corrupção bancária (e empresarial em geral) é a disponibilização pública das contabilidades de cada banco, a abertura pública das contas do Estado.
Está claro que isto implicaria o acesso à informação sobre o destino misterioso de certas verbas que o governo e os bancos tremem só de pensar na possibilidade de cair no domínio público.
Mas a solução é, como já disse, a abertura das contabilidades bancárias e estatais ao domínio público.

Ana Camarra disse...

Diogo

Só para dizer que assei cá e até li.
Sabes que os velho Anarcas como o meu bisavô consideravam 3 instituições como a fonte de todo o mal:
A BANCA
A IGREJA
O CASAMENTO

Das duas primeiras não gosto , da última não tenho tido queixas...

Beijo grande

(Venho cá sempre mesmo a correr)

Zorze disse...

Diogo,

Só um "pequeno" tintiburilhar.
O banco referido já não é do Estado, vai prá aí uns anitos.
Desde os anos 80 que está (e antes estava noutras) nas mãos de seitas, sociedades secretas e principalmente da seita de Camarate de ascendência macaense.

Pode-se dizer que é do arco-da-velha.
O fundo é mesmo muito fundo.

Abraço,
Zorze

Diogo disse...

Daniel Simões – A contabilidade bancária é aquilo que eles quiserem lá pôr. O BPN não tinha duas ou três paralelas?


Ana Camarra – Pior é quem está por cima da banca. Beijo.


Zorze – Oficialmente está nas mãos do Estado. Portanto se for necessário limpar umas aranhas com uns archotes e uma forquilhas...

madskaddie disse...

Diogo, não percebo a necessidade sequer dos 1% (isto é: um valor relativo ao empréstimo). Devia ser uma comissão fixa que fosse uma estimativa dos custos de operação do banco (a tender para zero, pois um banco "sem cash", na realidade, só precisa de manter a sua infra-estrutura informática.

Agora, um sistema de 1:1 (ao contrário dos "9:1" actuais - não sei ao certo qual a fracção na zona Euro, alguem sabe??) iria provocar um caos instantâneo de falta de empréstimo (maminha do capitalismo). Outro problema, é que o aumento exponencial do dinheiro serve como estabilizador de preços (ainda não percebi muito bem como funciona). Agora o que era essencial para um primeiro passo era o fim do juro sobre a parte virtual do empréstimo: esse é o elemento instabilizador do sistema, isto é, é devido ao juro na parte criada do dinheiro (8:1) que leva à solução matemática da economia: "no final tudo pertencerá aos banqueiros" pela impossibilidade de pagar essa fracção (que nunca chega a entrar no sistema)

Diogo disse...

Caro Madskaddie,

Concordo em absoluto consigo pelo pagamento de uma comissão fixa para cobrir os custos de operação do banco em vez de um juro de 1%. De tal forma que alterei o post para reflectir isso mesmo.

Quanto à percentagem de reservas que sugiro não é de 1:1 mas de infinito para 1. Ou seja, a CGD não precisaria de possuir quaisquer reservas para cobrir os seus empréstimos.

Evidentemente que, dado que o crédito se tornaria mais barato (porque em vez de juros teríamos uma pequena comissão fixa), dar-se-ia um processo inflacionista (dado haver mais dinheiro em circulação), até uma nova estabilização dos preços. Mas isso representaria o fim da agiotagem bancária privada.

Abraço

xatoo disse...

será mesmo boa ideia fazer da CGD (quaisquer que sejam os seus gestores, e o Armando Vara não foi já um deles?) o banco monopolista do Estado. (não é um problema de pessoas, mas sim de instituições). A lógica poderá dizer que sim (vigorou com êxito na ex-URSS) porém nada disto se passa como se a CGD fosse uma folha de calendário que é posta ou tirada da parede conforme a conveniência de cada "crítico". (o judeu Rothbard criticou o liberalismo tendo em vista convertê-lo numa es+écie de anarco capitalismo, que é o que agora de facto vigora; depis do consulado do judeu Greenspan que pôs as coisas onde elas estão, também o judeu Soros por sua vez criticou o "capitalismo selvagem" para agora de facto se encontrar a dirigir a actual mudança de paradigma usando a Goldman Sachs como banco monopolista de Estado que apenas reporta à FED)
Acontece que, integrado neste esquema sequencial já temos o nosso verdadeiro "banco monopolista de Estado", que é nem mais nem menos que o Banco de Portugal que deve obediência às directivas que chegam do exterior
Perante a rede existente, a ideia de "exterminar os bancos privados" pode ser muito gira e dar muito gozo ao entertainment, mas como se encntra por completo desligada da realidade, não passa de mais uma pivia mental
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Diogo disse...

Xatoo,

O banco de Portugal é uma filial do BCE e, portanto, governado pela grande Finança Internacional.

A reforma que propus, fazendo uma completa limpeza no balneário da CGD, seria uma tentativa de expulsar a grande Finança Internacional deste país.

Agora, se a batalha está perdida à partida, então qualquer coisa que se faça para mudar as coisas não passarão de pívias mentais, como tu lhes chamas.

alf disse...

Diogo, acho isto tudo uma grande confusão.

Então é mau os bancos criarem dinheiro com base nos depósitos mas já não é mau a CGD criar dinheiro a partir do nada?

Sim, porque como você percebeu, o seu sistema impedia a criação de dinheiro e este tem de aumentar com o aummento da actividade económica, logo, é preciso criar dinheiro!

É por isso que toda essa conversa de que os bancos criam dinheiro não tem pés nem cabeça; claro que é que preciso criar dinheiro «virtual», que está apoiado no dinheiro real, cuja quantidade é controlada pelas casas da moeda

E você vem propor que a CGD crie dinheiro «real» conforme lhe apetecer.

Por outro lado, eu ainda em lembro de quando quase não havia banca privada em Portugal e a os desgraçados que tinham conta na CGD tinham de perder horas sem fim para tratar dos seus assuntos nas poucas e ineficientes agências bancárias.

Você não percebeu ainda que a única maneira de fazer as coisas funcionarem é através da concorrência. A concorrência é um bem em si mesmo. Sem concorrência, todo o progresso, toda a mudança, toda a necessidade de ter de prestar um serviço desaparece.

Diogo disse...

Alf,

Não há confusão nenhuma.

A criação de dinheiro a partir do nada tendo por base a necessidade de crédito (constituindo depósitos à ordem) não tem mal nenhum. O único problema (ou roubo) é que é que este crédito pague juros.

Você não percebeu. O meu sistema não impedia a criação de dinheiro. Cada vez que fosse pedido um empréstimo era criado dinheiro (suportado pela capacidade das pessoas e empresas pagarem as respectivas prestações). E como o empréstimo era feito sem juros, a actividade económica disparava.

O dinheiro «virtual» não tem que estar apoiado no dinheiro «real». O dinheiro «virtual» são bits num computador e o dinheiro «real» é papel impresso. O dinheiro tem de estar apoiado em bens existentes e em capacidade de produção.

Eu não proponho que a CGD crie o dinheiro que lhe apetecer. A CGD criaria o dinheiro em função da capacidade das pessoas em pagar as prestações dos empréstimos que pedissem. Se você ganhasse 100, a CGD não lhe ia emprestar 110.

A eficiência da CGD é uma questão de gestão e informatização. Com uma gestão mais exigente, com o multibanco e com o home-banking, a velha ineficiência da CGD desaparecia.

Eu conheço as vantagens da concorrência, mas também conheço as desvantagens de um oligopólio. Hoje, a totalidade da banca constitui um oligopólio. Donde, você é espoliado de todas as maneiras e feitios.

Abraço

Conjura dos Néscios disse...

Era estranho não ter saído ainda à palestra esse mantra da concorrência. A concorrência pode ser positiva, ou muito negativa até - quando criar oligopólios, caso dos bancos, dos distribuidores de combustíveis, das universidades, etc. A concorrência só se dá para pequenos valores. A medida que o valor aumenta, a concorrência desaparece e dá lugar a espaços de comunicação e decisão conjunta de estratégias entre os proprietários de capital. Acho isso um facto irrefutável.

Caro Diogo. Estou a ver cada vez com melhores olhos a sua proposta. Continue, por favor.

Um abraço

alf disse...

Diogo

Então o único mudança que propõe é que se acabem os bancos privados - porque a criação de dinheiro virtual em função do crédito é o que se faz.

E qual seria a vantagem? Evitar os malefícios dos oligopólios.

Mas os malefícios dos oligopólios só são suplantados por um maior: os malefícios do monopólio!

O que há a fazer é combater os malefícios dos oligopólios; mas não é com essa solução, isso é andar para trás, é repetir os erros do passado, que você pensa que agora já não podem acontecer porque a tecnologia evoluiu!!! Mas olhe, eu penso que é até ao contrário, a melhor tecnologia originará problemas mais graves.

E sabe porquê?

Porque o problema está nas pessoas. As pessoas agem em função do seu interesse imediato. Somos todos «Caim», não somos guardadadores do nosso irmão. Por isso, precisamos de um sistema que não dependa do livre arbítrio das pessoas para agir em função do bem comum. Este tem de resultar das regras do sistema, presumindo que as pessoas agem em função do seu interesse estricto e imediato.

Você é muito explorado pelos bancos? Olhe, eu não. O juro que pago pela casa é menos que a valorização que ela vai tendo. Tenho uma data de serviços cómodos à minha disposição praticamente de borla, como transferencias, pagamentos, etc.

Imagine agora, por exemplo, que o fornecedor de internet era uma empresa do estado - quase como era ao princípio, com a PT. Pensa que teria nets de consumo ilimitado por cerca de 20 euros por mês? Nem pouco mais ou menos, isso só acontece porque vai havendo alguma concorrência.

Você deve ser muito novinho, não é certamente do tempo em que para se ter um telefone em Lisboa, com as infraestruturas instaladas, era preciso esperar meses, meter cunhas, etc, etc. E escusava de reclamar a conta, porque o que a PT dizia era o que tinha de pagar, mesmo que tivesse contador em casa, pelo qual pagava aluguer, e o contador dissesse coisa diferente; mesmo sabendo-se que a vibração dos carros na rua era suficiente para fazer disparar os contadores das centrais da PT.

Em tempos, já muito depois do 25 de Abril, o lema da PT era: «o cliente nunca tem razão». Esta é sempre a visão do monopolista.

Só quem nunca viveu com monopólios se atreve a defendê-los meu caro. Com as melhores intenções certamente, mas revelando uma imensa inexperiência.

Não conhece o texto do Eça sobre a companhia das águas?

Anónimo disse...

Com os 5 partidos?O PSD,PS,CdS são os que se têm amanhado.Nada para esses ladrões enfim,só Bagram ou Guantanamo na melhor das hipóteses....Há pilha galinhas presos há bué de anos e esses cabrões vão-se embora na boa?Há que fazê-los pagar e,pagar bem!Não há nacional-porreirismo em q o Saramago é o saneador mas,que nada se fala dos saneadores dos 'Saramagos',que são os que lá estão!Por uma justiça,só!

É óbvio que tal desiderato só com uma revolução nas ruas e, com uma data deles fora do cenário tal,como Outubro!E,todo o corrupto,seja de que partido for,na cadeia!

Diogo disse...

Conjura dos Néscios – Absolutamente de acordo consigo. Infinitamente pior que o monopólio público é o monopólio privado.


Alf – O que eu pretendo é retirar um parasita colossal da equação. Um parasita que empresta «nada» e que cobra biliões em juros por esse «nada». Acha pouco?

Anónimo disse...

Caro Diogo
Como já foi dito, o principal problema é o ser humano. O resto vem por não se acautelar a intrínseca miséria humana.
Carlos

Manolo Heredia disse...

Nada disso funcionava pois a maior parte dos bens que Portugal importa são comprados a crédito, atraves de bancos comerciais, os quais não iam na conversa de abrir uma conta restrita

Diogo disse...

Manolo Heredia,

Bastava que os países exportadores tivessem bancos públicos que fizessem o mesmo que a CGD.

alf disse...

Diogo

Um pensamento de última hora a dar-lhe alguma razão:

A maneira conhecida de impedir que surjam estruturas com poder excessivo é a concorrência; porém, é cada vez mais difícil impedir que os mesmos interesses vão controlando as empresas todas e a a concorrência passa a ser virtual.

Por outro lado, a concorrência só é realmente eficiente se o numero de concorrentes for suficientemente grande e existir a possibilidade de surgirem novas empresas.

Ora o que acontece é o contrário.

Uma caso antigo em que não era possível exitir número suficiente de empresas concorrentes foi o da TV e rádio

A solução foi a do «operador público» - uma empresa do estado que praticaria padrões de serviço que impunham uma concorrência artificial mas reguladora do sector.

Ora este tipo de solução, duma forma ou doutra, foi aparecendo em todos os sectores importantes da economia - nas telecomunicações, na energia, etc - através de empresas que o estado controla.

Portanto, também na Banca este modelo existe.

O problema está no papel que estas empresas controladas pelo estado efectivamente têm desempenhado. A PT, em vez de promover a rápida disseminação da net, andou a fazer o contrário e a acusar os concorrentes de baixar os preços.

A CGD tem o cuidado de não pressionar a banca oferecendo taxas de juros mais altas ou cobrando menos pelos seus serviço.

Ou seja, estas empresas, que deviam ter um papel regulador na defesa do interesse dos cidadãos, têm andado a fazer o papel contrário.

Este é que é o problema.

Anónimo disse...

Onde estão as provas de que Deus existe? ...

Anónimo disse...

bom dia

bastante imaginaçao, mas ninguem, ou nenhuma banca vai querer trabalhar com dinheiro ficticio..
o grande problema, é que muitos bancos, gastaram ou investiram na bolsa, mais que o dinheiro dos depositos, e como algums perderam bastante , outros la vao perdendo, com investimentos na africa, que nao sao rembolsados, o que paga isto tudo é o zé povinho com os impostos, porque quando ha uma falencia é o estado que intervem !
e alem disso, como estao ligados ums aos outros atraves de emprestimos entrebancos, ainda nao vimos tudo em relaçao a miserias escondidas...
e nao se fala no ouro que foi desviado da banca de portugues e que deve estar nas maos de algums...lembram se que eramos a decima secunda potencia em ouro no mundo,ouro das africas, do brasil, do negocio do volframio com a alemanha, e depois do 25 de abril,
assaltaram o banco de portugal,
o banco da figueira da foz foi assaltado pelo inacio palmeira e compadres,e ainda foi condecorado pelo presidente da republica..j.sampiao.. e teve direito aos elogios funebres na sede do ps digno dum imperador romano..portanto esta tudo dito...
nao se fala na pensao special que ele teve de 700 euros mensais para sobreviver quando estava escondido, e os colegas assaltantes.. portanto meus amigos, foram mas de 500 toneladas de ouro que foram retiradas do banco de portugal para bolsos privados..
se alguem nao souber, o banco de portugal ficou desde o dia 25 de abril ao dia 2 de julho de 1974 sem governador... esta tudo dito..
borraram as leis antigas, perdoaram se, fizeram fundaçoes para que nenhuma lei possa mexer na massa, que veio da aos milhares da america para combater o comunismo.. para isso serviram as fundaçoes para proteger o dinheiro de portugal, para os bolsos dos compadres.. portanto so é cego quem quer ser cego..
e so é tosqueado quem quer ser tosqueado.. o que eles querem é ovelhas...