terça-feira, julho 17, 2007

TV Blogo – Os atentados de 29 de Junho de 2007 em Londres

BBC Brasil: Dois carros-bomba encontrados no centro de Londres nesta sexta-feira (29 de Junho). Um Mercedes Benz, foi o primeiro a ser encontrado e tinha 60 litros de gasolina, cilindros de gás e pregos.

O carro foi encontrado devido ao alerta feito por uma equipe médica em uma ambulância, que estranhou ao ver fumaça saindo do Mercedes. Segundo os policiais, caso o dispositivo houvesse explodido, poderia ter causado "uma carnificina".

A BBC adianta que os oito suspeitos dos atentados terão em comum trabalhar ou tê-lo feito antes para o sistema nacional de saúde britânico. Segundo a estação pública britânica, os sete homens são médicos ou estudantes e Marwah Asha, mulher de Mohammed Asha, é técnica de laboratório num hospital em Shrewsbury.


Keith Olbermann, no programa COUNTDOWN da MSNBC, convidou Larry Johnson, ex-oficial da CIA, e ex-oficial do contra-terrorismo, para comentar os «atentados» de 29 de Junho em Londres:

Larry Johnson: E, claramente, os tipos que fizeram isto, são terroristas yuppies no mínimo. Tinham dinheiro para um Mercedes, mas não tinham dinheiro suficiente, para aprenderem a fazer uma bomba decente que realmente explodisse. Graças a Deus!

Keith Olbermann: Onde, para além de si, estão os cépticos que sabem do que é que estão a falar? Existe algum problema com opiniões na televisão sobre o terrorismo, em que nove em cada dez tipos que vêm à televisão têm todo o interesse em que seja terrorismo, porque de outro modo as suas personagens e as suas companhias nem sequer existiam?


Quem não parece ter ficado muito satisfeito com o comportamento das suas células médicas londrinas foi Ayman al-Zawahri, o «número dois» da Al Qaeda...


sábado, julho 14, 2007

EUA – a saúde pode matar

Jornal Expresso - 14 de Julho de 2007

Texto de Daniel Oliveira

‘Sicko’

Eram escusadas as lágrimas e a pequena manipulação emocional no último filme de Michael Moore, ‘Sicko’, sobre o sistema de saúde americano. Os factos chegavam. Por cada cidadão, gastam-se nos EUA mais de sete mil dólares por ano em saúde. O dobro dos europeus. O triplo dos portugueses. Para acudir a todos? Pelo contrário. 43 milhões de americanos não têm acesso a qualquer cuidado de saúde e por isso mesmo morrem 18 mil por ano. Para ter melhor? Pelo contrário. A qualidade do sistema de saúde americano, quase exclusivamente garantido por seguradoras, põe os Estados Unidos no humilhante 37º lugar do «ranking» da Organização Mundial de Saúde. Os dez primeiros são quase todos europeus. Segure-se: Portugal está em 12º. E cerca de metade da mortalidade infantil por mil nascimentos da que é registada nos EUA. Um número a reter.

O documentário conta histórias na primeira pessoa. Um amputado que teve de escolher o dedo que poderia ver de volta olhando para o seu saldo bancário. Uma mulher que não foi aceite por uma seguradora por ser demasiado gorda. Um médico que assina de cruz todas as recusas e ganha um bónus por cada tostão que poupa à empresa.

Da próxima vez que alguém, para defender a privatização do serviço público de saúde, lhe falar de liberdade de escolha e de qualidade dos serviços veja este filme. O europeu gasta menos e pode escolher entre o privado e o público. O americano gasta mais para poder escolher entre as seguradoras e coisa nenhuma. E mesmo assim terá de negociar a sua vida.

Um resumo de 12 minutos do filme de Michael Moore - Sicko




Comentário:

Ora aqui está um filme que o nosso ministro da saúde, António Correia de Campos, não desejará assistir. Um filme demasiado violento para quem se tem empenhado tanto em enterrar o Serviço Nacional de Saúde

quinta-feira, julho 12, 2007

Os dez Mandamentos da Condução do Vaticano


A ultrapassagem de um carro de forma perigosa é pecado para a Igreja Católica, segundo as recomendações divulgadas pelo Vaticano a 19 de Junho de 2007 para os motoristas. O guia, traz ainda regras como: não guiarás sob influência do álcool; respeitarás os limites de velocidade; não considerarás o carro como objecto de glorificação pessoal, nem o usarás como local de pecado.

As 36 páginas das "Directrizes para o Cuidado Pastoral da Estrada" contêm dez mandamentos abrangendo questões como a ira ao volante, o respeito aos pedestres, a manutenção do veículo e como evitar gestos rudes na hora de dirigir.

Questionado em entrevista colectiva sobre qual seria tal "ocasião para pecar", o cardeal Renato Martino disse: "Quando um carro é usado como lugar para o pecado."


O Daily Show pegou obviamente no assunto:

Jon Stewart: Nesta semana, o Vaticano publicou os dez Mandamentos da Condução. Um guia moral ao uso do carro feito pelo cardeal Renato Martino, porque, cito: “Conduzir, tornou-se uma parte importante da vida contemporânea. "Sim, eu também reparei nestas carruagens sem cavalos por aí. O seu clamor abafa o meu gramofone".

Jon Stewart: Um carro não deve ser usado como uma ocasião para pecar. Isso implica o que eu penso?

John Oliver (correspondente no Vaticano): Sim, Jon. Sua Eminência é bem clara. Se a tua carrinha está a abanar, a tua alma imortal pode estar em perigo.


quarta-feira, julho 11, 2007

Britânica casou-se com filho de Bin Laden


Portugal Diário – 11 de Julho de 2007

Uma mulher britânica, de 51 anos, casou-se com Omar Ossama Bin Laden, de 27, filho do líder da mais temida rede terrorista do mundo, noticia o jornal britânico The Times. Jane Felix-Browne pretende, agora, que seja concedido um visto ao seu marido para que a possa visitar no Reino Unido.

«Seria bom se, como qualquer outra mulher, eu pudesse levantar-me e dizer que este é o meu marido e este é o seu nome, mas tenho que ser realista», afirmou a mulher ao jornal, revelando que conheceu Omar - um dos 17 filhos de Bin Laden - em Setembro, no Egipto.

Sobre as virtudes do seu companheiro, a britânica sublinhou que «é a pessoa mais bonita» que conheceu e não lhe poupou elogios. «O seu coração é puro, é piedoso, sossegado, um verdadeiro cavalheiro, e é o meu melhor amigo».

A mulher assegurou ainda que o seu esposo «não fez nada de errado», distanciando-o das actividades terroristas praticadas pelo pai. «Ele viu o pai pela última vez em 2000, quando se encontravam no Afeganistão. Deixou-o porque sentiu que não era correcto lutar ou estar num exército», explicou.


Comentários [da noiva]:

Sobre os acontecimentos do 11 de Setembro e, particularmente, a destruição do World Trade Center, Jane afirmou que o sogro, Ossama Bin Laden, tem, por vezes, "mau vinho".

Sobre o vice-presidente norte-americano Dick Cheney, acrescentou que não é "bom de assoar". Declarou igualmente simpatizar com Blair, "uma pessoa bem formada", e lamentou que lhe tivesse sucedido o abichanado Gordon Brown, e "escocês, ainda por cima".

terça-feira, julho 10, 2007

José Manuel Fernandes - As inquietações de Sócrates e Barroso com a «independência» do Banco Central Europeu

Segundo José Manuel Fernandes, director do Público, o presidente francês Nicolas Sarkozy tem apresentado propostas que deveriam inquietar José Sócrates e Durão Barroso. A principal, segundo Fernandes, é o ataque à independência do Banco Central Europeu:

Jornal Público – 10 de Julho de 2007

«A primeira [proposta], formalmente descartada pela maioria dos Governos, mas apoiada à boca pequena por alguns dos líderes europeus (incluindo José Sócrates), é a do estatuto de independência do Banco Central Europeu.»

«Neste domínio devemos distinguir dois aspectos: uma coisa é querer discutir as suas prioridades consagradas nos estatutos, outra é querer submetê-lo às orientações de um quimérico "governo económico europeu"

«É possível discutir os estatutos: os do BCE apenas consagram o seu dever de controlar a inflação, mas não é impossível que também incluam como prioridade o crescimento económico, formando o binómio que orienta a Reserva Federal dos Estados Unidos.»

«Mas já não é possível querer que os banqueiros manipulem as taxas de juro ou mesmo as de câmbio em função de directrizes políticas, muitas vezes conjunturais e politiqueiras até ao limite do razoável.»


Comentário:

Estando a inflação controlada abaixo dos 2% e com tendência a diminuir, e com os analistas económicos a afirmar que é difícil entender os motivos que levam o Banco Central Europeu a continuar a subir os juros, é compreensível a preocupação de José Manuel Fernandes com a manipulação das taxas de juro por parte dos banqueiros em função de directrizes políticas.

O conceituado editorialista do Público defende uma manipulação das taxas de juro em função de objectivos mais nobres:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...


As sanguessugas partilham das preocupações de Sócrates e Barroso no tocante à «independência» do Banco Central Europeu

sexta-feira, julho 06, 2007

Médio Oriente – A América fomenta a democracia ou incita a «diversidade»?



Fareed Zacaria, editor da Newsweek Internacional, foi ao Daily Show dissertar sobre as políticas americanas no Médio Oriente.



Jon Stewart – Eu não acreditava, originalmente, no Presidente e em certos elementos da sua Administração, no seu plano de espalhar liberdade e democracia no Médio Oriente, mas ao ver o que se passa em Gaza e no Iraque, convenceram-me. O que correu bem?

Fareed - Bem, olhemos para o plano A. O plano A era fazer eleições no Iraque, em Gaza, no Líbano. Mas como o plano A não está a funcionar muito bem, passou-se ao plano B: elegemos fanáticos religiosos em qualquer dos lados e eles começam a matar-se uns aos outros, e, assim, não nos matam a nós.

Fareed - Não digo que estejamos a fomentar a violência, mas estamos a reconhecer que há diversidade no mundo islâmico e árabe, e a encorajar essa diversidade...


Jon Stewart –Mas o que se fará ao Irão? A Administração está sempre a dizer “temos provas que o Irão se envolveu com os revoltosos”. Mas o lado sunita recebe apoios da Arábia Saudita mas ninguém fala nisso. Qual é a diferença de lógica?

FareedNós não gostamos do Irão. Gostamos da Arábia Saudita...


terça-feira, julho 03, 2007

Durão Barroso - um indivíduo com as mãos sujas de sangue


A 18 de Março de 2003, na intervenção com que abriu o debate mensal no Parlamento, Durão Barroso responsabilizou o regime iraquiano por ter assumido uma «estratégia de confronto e de desprezo pela comunidade internacional»

«Mas caso uma intervenção militar venha a ter lugar, Portugal vai estar, no plano político e dos princípios, ao lado dos seus amigos e aliados contra uma ditadura que ameaça a paz e a segurança dos povos», ressalvou Durão Barroso. Para isso, há que «garantir a integridade territorial» do país, «auxiliar o povo iraquiano a reintegrar-se na nossa comunidade global» e «apoiar o estabelecimento de um regime democrático no respeito pelos direitos humanos e pela legalidade internacional».

Referindo-se à cimeira dos Açores, realizada a 16 de Março de 2003, o primeiro-ministro afirmou que Portugal se identifica totalmente com a «mensagem transatlântica» saída do encontro que reuniu George W. Bush, e os primeiros-ministros da Grã Bretanha, Espanha e Portugal.


Em Outubro de 2006, a BBC estimava que já tivessem morrido 655 mil iraquianos em resultado da invasão, entre os quais uma grande percentagem de mulheres e crianças. Desde esta data a violência aumentou de forma drástica. Provou-se que as armas de destruição maciça de Saddam só existiram na cabeça de Bush e Barroso. Dois responsáveis de um Holocausto sem nome:


TV Blogo - Durão Barroso e o Iraque

TV Blogo - Barroso

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quinta-feira, junho 28, 2007

Sócrates – como é curta a distância entre o neo-socialismo e o arqueo-estalinismo



Correio da Manhã – 23-05-2007

Margarida Moreira, directora regional de Educação do Norte, ordenou a abertura de um processo disciplinar a Fernando Charrua, o professor, por ter feito comentários insultuosos sobre José Sócrates e a sua licenciatura. Não satisfeita, accionou um inquérito no Ministério Público ao encaminhar o auto da denúncia que recebeu. A atitude desencadeou acesas críticas na opinião pública.

Numa carta de despedida, enviada aos conselhos executivos do Norte, Fernando Charrua admite apenas ter feito “um comentário jocoso a um colega, dentro de um gabinete”. E acrescenta que a frase não partiu da sua imaginação, mas foi retirada “do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente”.


Diário de Notícias – 21-06-2007

O primeiro-ministro apresentou uma queixa-crime contra o blogger António Balbino Caldeira por causa de vários escritos sobre a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente.

Balbino Caldeira acusa: "O sistema persegue politicamente os seus opositores por estes pretenderem exercer os seus direitos de cidadania. Mas só sobrevive com a complacência dos órgãos do Estado formalmente encarregues da vigilância dos abusos e a resignação popular".


Jornal Público – 28-06-2007

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado do centro um cartaz que apresentava declarações de Correia de Campos "em termos jocosos".

"Faça como o ministro e desapareça daqui. Fuja, está num SAP". A frase, escrita junto de uma fotocópia de uma entrevista publicada no JN, em que o ministro da Saúde dizia que nunca iria a um serviço de atendimento permanente por falta de condições.

O despacho da exoneração, pouco claro, justifica o afastamento da directora por esta "não ter tomado medidas relativas à afixação de um cartaz que utilizava declarações do ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo".


Comentário:

Neste arremedo de estado policial que Sócrates nos parece querer impor por forma a proceder, com tranquilidade, ao desmantelamento do Estado em todas as suas vertentes, o governo presenteia-nos agora com uma linha de denúncia na Internet:




O site explica-nos detalhadamente como denunciar e porquê denunciar:



E embora o site apresente como fundamento da sua existência a luta contra a pedofilia e o racismo, o seguinte item é elucidativo do que o governo pretende para o futuro da nossa democracia:

Que tipo de conteúdos posso denunciar?

«Numa fase inicial a interface que permite efectuar uma denúncia está restringida a conteúdo público armazenado na Internet. Numa fase posterior será incluída a possibilidade de denunciar conversas em salas de conversação públicas ou privadas, assim como mensagens de telemóveis. De notar que entretanto é possível denunciar este tipo de conteúdos através dos mecanismos de denúncia auxiliares como o E-mail e telefone mencionados na secção de contactos.»

terça-feira, junho 26, 2007

Propaganda «ocidental» versus «censura» venezuelana

Texto de Miguel Carvalho - Visão - 15 Junho 2007

A DEVIDA COMÉDIA

Em mais de vinte países, alguns dos quais da União Europeia, as licenças para emitir no espaço público relativas a mais de duas centenas de canais de televisão e rádios não foram renovadas nos últimos anos. Coisa pouca, não é?

Actualmente, porém, a grande notícia é o caso da «censura» e fecho da Radio Caracas Television (RCTV), um grave atentado, diz-se, à liberdade de expressão.

(...) A RCTV, tal como os outros canais privados da Venezuela, tinha uma concessão de 20 anos para emitir no espaço público. Todas as outras licenças foram renovadas, menos a relativa a este canal. A Venezuela tem mais de 100 emissoras de rádio e TV locais, comunitárias e privadas, em relação às quais não foi tomada idêntica atitude. O Governo da Venezuela, discorde-se ou não da atitude, considerou que a RCTV passou das marcas ao sugerir, num dos seus espaços informativos e de forma mais ou menos camuflada, o assassinato do presidente Hugo Chávez.

No tempo em que governavam na Venezuela os presidentes amigos dos EUA e das democracias europeias, a RCTV foi suspensa várias vezes. Em 1980, por sensacionalismo. Em 1981, por difusão de programas pornográficos. Em 1984, acabou condenada por ridicularizar o Presidente da República.

Na Venezuela, até à chegada de Chávez, os ministros de Informação dos sucessivos governos eram escolhidom após uma consulta aos donos dos grandes grupos mediáticos para não ferir susceptibilidades, tal como pude confirmar em conversas com estudiosos da área dos media na Venezuela.

Acontece, por último, que a RCTV não foi fechada, como se disse e escreveu. A RCTV foi impedida de continuar a emitir no espaço público. Mantém as suas transmissões por cabo, satélite e Internet, às quais milhões de venezuelanos podem continuar a aceder. Refira-se, a título de curiosidade, que Ignacio Ramonet, teórico da comunicação, e Harold Pinter, prémio Nobel da Literatura, estão entre os apoiantes da decisão do Governo venezuelano. O diário britânico Guardian – tão citado pelas elites cá do burgo – publicou recentemente uma notícia – que o burgo ignorou - com a lista das personalidades que apoiam a decisão do Governo venezuelano relativa à RCTV.


Henrique Monteiro, director do Expresso, não podia estar menos de acordo:

«(...) E a Europa, que tanto se preocupa - e bem - com os direitos humanos, não pode contemporizar com regimes como o da Venezuela, se quer ter verdadeira voz e moral na denúncia de Guantánamo ou na crítica dos excessos israelitas.


Comentário:

O director do Expresso, um homem que já se suspeitava deficientemente informado, revela ainda fracos hábitos de leitura (ainda para mais numa língua estranha):




And now something completely different:

7 Maravilhas da Blogosfera:

http://xatoo.blogspot.com/

http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

http://klepsidra.blogspot.com/

http://sosacriticismo.blogspot.com/

http://www.moteparamotim.blogspot.com/

http://marginalzambi.blogspot.com/

http://apanha-moscas.blogspot.com/

sábado, junho 23, 2007

Estamos a ser «governados» por uma comissão liquidatária ao serviço da alta gatunagem?





Texto de Miguel Sousa Tavares - Expresso 23/06/2007

O desvario dos socialistas

(…) O que me custa a entender é que se queiram gastar biliões num aeroporto novo cuja necessidade está por provar, e mais uns biliões num TGV para o qual se desconfia que não haverá utilizadores que o justifiquem, ao mesmo tempo que há gente a viver como nos subúrbios de África e a tratar da saúde em hospitais que parecem saídos da Idade Média. Custa-me a aceitar a convivência entre o luxo e a miséria, entre um país pobre e um Estado esbanjador.

Os nossos socialistas ‘modernos’ têm dois fascínios fatais: as obras públicas e os interesses privados. A simbiose que daqui resulta é a pior possível. O Estado, empenhado em mostrar grande obra a qualquer preço, contrata com os grandes interesses privados tudo e mais alguma coisa: as estradas, as telecomunicações, o ensino, a saúde, a defesa. E dá de si tudo o que tem para dar: terrenos e dinheiros públicos, património e paisagem, empreitadas e fornecimentos, concessões e direitos de toda a espécie. A confusão de funções, de papéis e de interesses entre o público e o privado que daqui resulta é total e perturbante. Anteontem, na apresentação do TGV (e tal como já havia sucedido com a da Ota), o Governo falou, não para o país ou os seus representantes, mas para uma plateia seleccionada dos grandes clientes privados dos negócios públicos: bancos, seguradoras, construtoras, empresas de estudos, gabinetes de engenharia e escritórios de advocacia. E o discurso foi lapidar: “Meus amigos: temos aqui 600 quilómetros de TGV a construir e dez mil milhões de euros a gastar. Cheguem-se à frente e tratem de os ganhar!.

Dois dias antes, na Assembleia da República, o PS uniu-se como um todo para votar contra a proposta do PP, apoiada por toda a oposição, para que o estudo de uma alternativa à Ota contemplasse também aquela que é a solução que o bom-senso defende: a da chamada Portela±1. No dia seguinte, no ‘Público’, o americano do MIT Richard Neufville, uma autoridade mundial em aeroportuária, explicava por que razão a questão do aeroporto de Lisboa se resolveria melhor e infinitamente mais barato com o simples aproveitamento de uma pista já existente e a construção de infra-estruturas mínimas e eficazes para as «low-cost». Mas os deputados socialistas, representantes nominais do interesse público, não querem sequer que a solução seja considerada. Porquê? A resposta só pode ser uma: porque na Ota e no TGV estão em jogo muitos interesses, muitos biliões, que o Governo promove e protege e que o partido compreende.

Temos agora a questão do TGV. (...) ninguém sabe para que servirão. Não há estudos sobre a utilização prevista e a relação custo-benefício da sua construção. Depois de tranquilamente nos esclarecerem que, quanto aos custos de construção, a hipótese de a sua amortização ser realizada com as receitas de exploração é “totalmente para esquecer”, a própria secretária de Estado dos Transportes duvida de que, por exemplo, a linha para Madrid consiga ser auto-sustentável. Ou seja, depois de um investimento de dez mil milhões de euros a fundo perdido, preparam-se para aceitar tranquilamente um défice permanente de exploração. Quanto é que ele poderá vir a ser, ninguém sabe, porque não se estudou o mercado para saber se haverá passageiros que justifiquem três comboios diários para Madrid. Mas, para que os privados, que ficarão com a concessão por troços, não se assustem com a vulnerabilidade do negócio, o Governo garante-lhes antecipadamente o lucro, propondo-se pagar-lhes segundo a capacidade instalada e não segundo a capacidade utilizada. Isto é, se num comboio com trezentos lugares só trinta forem efectivamente ocupados, o Governo garante às concessionárias que lhes pagará pelos 270 lugares vazios. Todos os dias, três vezes ao dia para Madrid e eternamente, até eles estarem pagos e bem pagos. Eis o que os socialistas entendem por ‘obras públicas’ e ‘iniciativa privada’!

Alguma coisa deve estar tremendamente confusa na cabeça dos socialistas e do engenheiro José Sócrates. Eles não perceberam que não são nenhuma comissão liquidatária dos dinheiros e património públicos em nome dos ‘superiores interesses da economia’ (agora, vai a ria de Alvor, em projecto PIN...). Eles não perceberam que o interesse público não é construir aeroportos e comboios de luxo de que o país não precisa, para ‘estimular a economia’ e encher de dinheiro fácil empresários que não sobrevivem sem o Estado; que não é entregar todo o património natural e a paisagem protegida a especuladores imobiliários sem valor nem qualificação; que não é ‘emprestadar’ o CCB ao comendador Berardo para lhe resolver o problema de armazenamento da sua colecção de arte. Se isto é a esquerda, que venha a direita!

Comentário:

Isto não é a esquerda, nem o centro nem a direita. Isto é uma comissão liquidatária ao serviço da alta gatunagem. A propósito, eis alguns dos grandes clientes privados dos escandalosos negócios públicos: