quinta-feira, novembro 08, 2007

O Sócrates do lado di lá, o Sócrates do lado di cá, e as jogadas feitas na sombra, tanto lá como cá

Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»



CartaCapital - O Campeonato Mundial de futebol de 2014 foi atribuído ao Brasil. Eis o que o antigo internacional brasileiro Sócrates tem a dizer sobre a futura Copa do Mundo de 2014 no Brasil:

O ex-internacional brasileiro Sócrates

"Pelo que eu conheço de quem está organizando esse evento, a Copa no Brasil será um carnaval de um mês, com muitos gastos e sem sobrar nada que se aproveite", disse o ex-jogador. "Não dá para acreditar em nada muito diferente disso."

"Agora que o compromisso foi assumido, a Copa terá de ser realizada, seja com o dinheiro de quem for, e muito provavelmente será do contribuinte. Pode ter certeza que essa Copa vai tomar muito dinheiro de todos."

Sócrates também é contra a construção de novos estádios para receber as partidas do Campeonato Mundial de Futebol. Isso porque, para o ex-jogador, as novas arenas só serviriam como "mausoléus".

"Para quê construir mais estádios se nem os que estão aí são bem administrados?", questiona Sócrates. "Para desperdiçar mais dinheiro, para ficarmos com mais elefantes brancos, para termos mais campos abandonados e sem uso? Não faz sentido."



Do lado de cá do Atlântico, temos a sorte de ter um Sócrates com "vistas mais largas":

Público - 4 de Fevereiro de 2005

A 12 de Fevereiro de 2005 António José Seguro lembrou as responsabilidades de Sócrates na realização do Euro-2004: "Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates, futuro primeiro-ministro de Portugal", acentuou.


Contudo, depois de terminado o campeonato Europeu, a 21/05/2004, o Correio da Manhã avaliava o impacto do Euro 2004:

E o dinheiro investido neste espectáculo de grande escala também não teve grande retorno. Quase seis meses depois do Euro 2004, alguns estádios onde foram investidos milhões de euros para receber a prova estão «às moscas». Dos recintos do Euro2004, só os dos «três grandes» tiveram sucesso comercial.

Numa auditoria desenvolvida pelo Tribunal de Contas junto dos estádios de Guimarães, Braga, Leiria, Coimbra, Aveiro, Loulé e Faro, ficou claro que todos custaram mais do que o orçamentado, e que as autarquias se endividaram para os próximos 20 anos. As sete autarquias que receberam jogos do Euro 2004 contraíram empréstimos bancários no valor global de 290 milhões de euros para financiar obras relacionadas com o campeonato. Na sequência destes empréstimos, as câmaras terão que pagar juros no montante de 69,1 milhões de euros, nos próximos 20 anos, refere o relatório de auditoria do Tribunal de Contas.



O Estádio do Algarve, imagem de marca do Eng.º Sócrates, um mausoléu tão inútil como ruinoso, prenunciador das OTAS e dos TGVs em que o Primeiro Ministro português se mostra tão fortemente empenhado. Como diz Miguel Sousa Tavares, vai custar caro, muito caro, aos portugueses, enquanto o grande dinheiro agradece e aproveita.
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7 comentários:

Castanheira disse...

O desgoverno, a má gestão efectuada, a corrupção e o lobbying destroem qualquer tentativa de recuperação económica e social do país.

Zé Manel disse...

Explica o governo que o TGV irá para a frente, haja o que houver, custe o que custar. De qualquer maneira quem paga somos nós.

xatoo disse...

ainda não se limparam desta perante a opinião pública e já há bitaites do excelentissimo dinossauro da Federação Portuguesa destes Futebóis sugerindo que possamos concorrer à realização do Mundial de 2018.
Não sei se já perceberam que o capitalismo vive de "fazer coisas" interessem ou não a quem possa ou não interessar. Mais concretamente, se não fizerem nada, ou poucochinho e auto-sustentável como sugere o movimento francês da Decroissance, o capital definha e os capitalistas morrem (de falência, pq da outra morte morrida hão-de tb bater a puta da bota, por mais refasteladamente obesos que se possam sentir, insuflados pelas suas barrigas cheias de ar e de acções maradas sobre um tesouro inexistente. pqp)

Diogo disse...

O excelentíssimo dinossauro da Federação Portuguesa destes Futebóis devia estar preso há muito.

E o nosso excelentíssimo Eng.º devia estar a ser julgado num mega-processo por mega-delapidação de dinheiros públicos. Delapidação que ele quer agora multiplicar por mil, com as OTAs e os TGVS.

Anónimo disse...

ai xatoo tens tanto ódio nesse coração. Deves ser muito infeliz. Tenho pena de ti.

xatoo disse...

ai anónimo tens tanta merda nessa cabeça. Deves ser muito feliz.
Tenho pena dos que te aturam.

contradicoes disse...

O dinheiro investido
nos Estádios de Futebol
sempre fiquei convencido
favoreceu certo pessoal

O da construção civil
que apoia as campanhas
do poder que vem a seguir
governar com suas patranhas