Agencia Financeira -
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quarta-feira um novo aumento de 25 pontos base nos juros da Zona Euro, fixando o preço do dinheiro nos 4%, precisamente o dobro do nível em que se encontrava quando a autoridade monetária iniciou o actual ciclo de aumentos, diz o «Jornal de Negócios».
Desde aquela altura,
os encargos adicionais das famílias, só com as subidas dos juros, já superam os mil euros e é de esperar que esta «factura», que resulta da política do BCE, venha a aumentar ainda mais.
Jornal Público - O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, considera uma má notícia para as famílias portuguesas mais endividadas a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir as taxas de juro de referência em 0,25 pontos percentuais, para quatro por cento.
O responsável governamental recusou-se a comentar a medida do BCE, considerando que a
autoridade monetária europeia é independente do poder político: "Não devo comentar da oportunidade dessas decisões", disse. "É de facto um aspecto negativo que
está para além do poder de intervenção do Governo", sublinhou o ministro.
Controlar a inflação,
que se situa ligeiramente abaixo dos dois por cento é a justificação do BCE. Os analistas acreditam por isso que subida de hoje não vai ser a última e prevêem que a taxa de juro chegue aos 4,5 por cento.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) concorda com a subida e defende que assim é possível controlar os riscos inflacionistas a médio prazo, que resultam de um crescimento económico superior ao previsto.
Este organismo prevê que a inflação vá baixar no próximo ano, sobretudo devido à evolução moderada dos salários e dos custos laborais.
O ministro das Finanças português reconhece que o aumento das taxas de juro por parte do BCE é uma má notícia para muitas famílias portuguesas. Ainda assim,
para Teixeira dos Santos, o preço do dinheiro continua a ser baixo.
Fernando Madrinha - Expresso 3/2/2007: «Todos os anos, por esta altura, muita gente se interroga: que país é este onde a vida é tão dura e deficitária para toda a gente, famílias e empresas,
menos para os bancos?»
«…
os lucros [dos bancos] não param de crescer. O Millennium bcp, por exemplo: teve 780 milhões de euros de lucros em 2006 - mais 28% do que no ano anterior; o BPI registou 309 milhões - mais 23%; o Banco Espírito Santo anunciou ganhos de 420 milhões - mais 5o%...»
«Tudo estaria bem se esta chuva de milhões sobre os bancos fosse um sinal de pujança da vida económica do país. Mas sabemos bem que não é. E que
esses lucros colossais são, afinal, uma expressão da dependência cada vez maior das famílias e das empresas em relação ao capital financeiro. Daí que, em lugar de aplauso e regozijo geral, o que o seu anúncio provoca é o mal-estar de quem sente que
Portugal inteiro trabalha para engordar a banca. Ganha força essa ideia de que os bancos sugam a riqueza do país mais do que a fomentam.»
E os analistas económicos também não conseguem perceber as subidas da taxa de juros:Domingos Amaral – Diário económico - 2/5/2007: "
O Banco Central Europeu continua demasiado paranóico com a inflação, descobriu uma nova fonte de aflição chamada “massa monetária”, que segundo o BCE cresce em demasia, e portanto há que conter essa energia desalmada, e a única forma de o fazer é aumentar as taxas de juro.
Miguel Frasquilho – Jornal de negócios - 2/5/2007: "(...) Assim sendo,
por que continua o BCE a sua escalada dos juros? Promover o crescimento económico sem pressões inflacionistas não é positivo?"
"Além disto, nota-se também que, apesar de a massa monetária estar a crescer, actualmente, em redor de 10%, a inflação mantém-se abaixo de 2%... nem com a melhor das boas vontades se consegue encontrar uma relação convincente entre estas duas variáveis."
"Tudo leva a que
seja difícil de entender o que move o BCE a continuar a subir os juros, como os mercados antecipam e já atrás referi. Não deverá o BCE deixar de utilizar a massa monetária como principal factor para explicar o comportamento da inflação?"
Em suma:1 - O Banco Central Europeu (BCE) continua a subir as taxas de juro, aumentando as dívidas das pessoas, das empresas e do Estado,
enquanto a inflação vai descendo - o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a inflação vá baixar no próximo ano (2008), sobretudo devido à evolução moderada dos salários e dos custos laborais.
A inflação em 2007 já foi mais baixa que em 2006.
2 - O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, diz que
a autoridade monetária europeia é independente do poder político: "Não devo comentar da oportunidade dessas decisões", disse. "É de facto um aspecto negativo que está para além do poder de intervenção do Governo". Ainda assim,
para Teixeira dos Santos, o preço do dinheiro continua a ser baixo.
3 - Mas afinal, segundo economistas e ex-governadores ouvidos pela agência «Lusa»,
os ministros das Finanças têm estado em sintonia com o Banco Central Europeu (BCE), apoiando a política de subida de taxas de juro que a instituição tem vindo a aplicar desde 2005.
4 -
Os analistas económicos não encontram explicação para as subidas da taxa de juros - «a inflação mantém-se abaixo de 2%».
Comentário:
Não será de perguntar ao ministro das Finanças, Teixeira dos Santos,
porque é que considera que o preço do dinheiro continua baixo? E porque é que o ministro tem estado em sintonia com o Banco Central Europeu (BCE), apoiando a política de subida de taxas de juro? E se diz que a autoridade monetária europeia é independente do poder político,
quem é que nomeou a «autoridade monetária»?
E não será de pegar nos colarinhos de Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal e com lugar no Conselho no Banco Central Europeu, e a quem o Estado paga 25 mil euros mensais mais outras mordomias,
e dar-lhe uns valentes safanões até ele nos explicar claramente esta criminosa subida das taxas de juro que mais ninguém entende?

E não será de pegar na cabeça de Trichet e bater com ela num poste até o cabrão esclarecer
porque razão está a empobrecer pessoas, empresas e Estados e a encher escandalosamente os cofres dos bancos?