terça-feira, março 03, 2009

Jon Stewart - o apoio de Barack Obama aos bancos no valor de um bilião de dólares

Jon Stewart, do Daily Show, pergunta-se, com excelente humor, se será boa idéia salvar os bancos com um bilião de dólares (que, entretanto, já subiu para dois biliões e meio):


Durante a conferência de imprensa de segunda-feira à noite, o presidente Barack Obama delineou o seu plano de estímulo económico. Mas evitou entrar em pormenores sobre a segunda metade do plano de recuperação, o apoio aos bancos. Deixou isso para o seu secretário do tesouro, Tim Geithner:

Tim Geithner: Este fundo destinar-se-á aos empréstimos a bens que estão a sobrecarregar muitas instituições financeiras, fornecendo o financiamento que os mercados privados não podem agora garantir. Acreditamos que este programa deverá disponibilizar até um bilião de dólares [$1 trillion] de capacidade de financiamento...

Jon Stewart: Um bilião de dólares! Olhem, não sou economista e não trabalho em Wall Street, por isso acredito que as pessoas que nos meteram neste sarilho, ao menos, reconheçam o esforço do governo.

Canal de Televisão: Wall Street não gostou do anúncio de ontem...

CNN: Wall Street rejeitou o plano...

Fox News: Wall Street não mostrou agrado. Acha má idéia…

CNN Live: Wall Street detestou o que ouviu hoje...

Jon Stewart: Deixem-me ver se percebi. Wall Street não gosta dos pormenores dos apoios de um bilião de dólares para Wall Street? Não gostam da forma como um bilião de dólares vos será distribuído? Um bilião que vos vamos dar para substituir o bilião de dólares que perderam?

Deixem-me explicar rapidamente a relação entre quem salva e quem é salvo. Vocês, meus amigos, vocês estão a afogar-se, portanto sugiro que não se queixem se não forem à janela do barco de salvamento. Isto, porque já agora, o que é que estão a fazer na água? Vocês não são vítimas inocentes... Vocês são como um palerma que acha graça andar de parapente durante um furacão. E sabem qual é o mal dos tipos assim? Nunca têm seguro!


Vídeo legendado em português:


DS @ Yahoo! Video

domingo, março 01, 2009

Uma maternidade em Auschwitz



No Wikipedia:

O objetivo principal do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau não era o de manter prisioneiros como força de trabalho (casos de Auschwitz I e III) mas sim de exterminá-los. Para cumprir esse objetivo, equipou-se o campo com quatro crematórios e câmaras de gás. Cada câmara de gás podia receber até 2.500 prisioneiros por turno. O extermínio em grande escala começou na Primavera de 1942.

Os prisioneiros eram trazidos de comboio de toda a Europa ocupada pelos alemães, chegando a Auschwitz-Birkenau diariamente. Na chegada ao campo, os prisioneiros eram separados em dois grandes grupos – aqueles marcados para a exterminação imediata, e os que fiavam registados como prisioneiros. O primeiro grupo, cerca de três quartos do total, era levado para as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau em questão de horas; este grupo incluía todas as crianças, todas as mulheres com crianças, todos os idosos, e todos aqueles que, após uma breve e superficial inspecção pelo pessoal das SS, não se mostravam em condições de trabalhar.


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Contudo, existiam crianças prisioneiras em Auschwitz

Cerca de 700 crianças foram libertadas do campo de Auschwitz pelas tropas soviéticas em Janeiro de 1945:

Logo após a libertação, a 27 de Janeiro de 1945, crianças sobreviventes do campo de Auschwitz saem das barracas das crianças [children's barracks]:

Pintura Mural na parede esquerda da área comum da barraca das crianças de Auschwitz-Birkenau:



Pintura Mural na parede direita da área comum da barraca das crianças de Auschwitz-Birkenau:



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No Jornal Seattle Catholic - Por Matthew M. Anger


Parteira em Auschwitz

A história de Stanislawa Leszczynska




[Tradução minha]

O texto seguinte é uma versão resumida de um estudo do professor polaco Maciej Giertych que fornece alguns sinais dos horrores que católicos polacos e católicos de toda a Europa, sofreram durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, tais testemunhos – apesar de numerosos – são geralmente negligenciados pelos meios académicos e pelos órgãos de comunicação social.


A escravatura nas fábricas da Alemanha nazi

Auschwitz possuía todo o tipo de instalações, tais como dormitórios, escritórios, cozinhas e latrinas. Tinha também uma "secção de doentes" onde, em condições atrozes, prisioneiros doentes eram observados por médicos que eram eles próprios prisioneiros. Quem não parecesse poder vir a melhorar era morto. Desta forma, os médicos estavam constantemente a esconder situações mais complicadas falsificando registos para permitir uma estadia mais longa àqueles que de outra forma seriam mandados para o crematório. Quase todos os sobreviventes de Auschwitz sofriam de febre tifóide, uma doença que qualificava os prisioneiros para serem liquidados, mas que nunca era colocada nos relatórios graças à coragem dos médicos. Estavam a arriscar a vida porque o castigo para a quebra de qualquer regra no campo de concentração era a morte. Auschwitz tinha também uma "maternidade" [maternity-ward]. Muitas das mulheres que chegavam ao campo estavam grávidas. Eram necessárias para o trabalho; os seus bebés não eram. Uma das parteiras que trabalhava na maternidade era Stanislawa Leszczynska.


A Vida de Stanislawa

Stanislawa Zambrzyska nasceu em 1896, casou com Bronislaw Leszczynski em 1916 e juntos tiveram dois filhos e uma filha. Em 1992, diplomou-se numa escola para parteiras e começou a trabalhar nos distritos mais pobres de Lodz. Na Polónia anterior à Guerra, os partos eram normalmente feitos em casa. Stanislawa estava sempre disponível, percorrendo muitos quilómetros até às casas das mulheres que ajudou a dar à luz. Os seus filhos recordam que ela trabalhava muitas vezes durante a noite mas nunca dormia durante o dia.

Depois da Guerra, ela voltou à sua profissão de parteira em Lodz. O seu marido tinha sido morto na revolta dos polacos de Varsóvia contra as tropas alemãs em 1944, mas todos os seus filhos sobreviveram e, inspirados pelo exemplo da sua mãe, tornaram-se médicos. Stanislawa sustentou a educação dos filhos, ganhando o sustento da família através de um trabalho dedicado ao nascimento de crianças.

Em Março de 1957, já próxima da reforma, foi-lhe organizada uma recepção para comemorar os seus 35 anos de profissão. O seu filho. Dr. Bronislaw Leszczynski, lembrou-lhe que antes da recepção alguém lhe poderia fazer perguntas sobre Auschwitz. Até essa altura, ela não tinha dito nada sobre o seu trabalho no campo de concentração. O filho começou a tirar notas e mais tarde, durante a recepção quando todos os discursos tinham acabado, ele levantou-se e contou a história da sua mãe. O que se segue é retirado de Maternal Love of Life [O Amor Maternal da Vida]: Texts About Stanislawa Leszczynska, edited by Bishop Bejz, 1988.


Introdução ao Inferno

Stanislawa foi presa em Lodz a 18 de Fevereiro de 1943, com a sua filha e os dois filhos. Os filhos foram enviados para o campo de trabalho de Mathausen e Gusen para trabalhar em pedreiras. Ela e a filha, Sylvia, foram enviadas para Auschwitz onde chegaram a 17 de Abril de 1943. Foram-lhes atribuídos os números 41335 e 41336, tatuados nos antebraços. Ficariam como lembranças do campo.

Foram-lhes retirados todos os haveres, despidas, raparam-lhes o cabelo, e foi-lhes dado os uniformes do campo – fatos listrados e alguma roupa interior. Sylvia recorda que recebeu dois chinelos do pé esquerdo e umas cuecas. Toda a roupa estava infestada de piolhos. Stanislawa passou dois anos nas instalações das mulheres de Auschwitz, trabalhando como parteira em três blocos. As "secções de doentes" em todas elas eram iguais: barracas de madeira vazias com 40 metros de comprimento aquecidas por um único aquecedor de tijolo. Como o campo estava situado numa zona baixa, as barracas eram frequentemente inundadas por 5 a 8 centímetros de água. Dentro das secções de doentes existiam 3 camadas de tarimbas, alinhadas em ambos os lados do edifício. Cerca de três ou quatro mulheres dormiam ao mesmo tempo nas tarimbas cobertas de porcaria. Os "colchões" de palha infestados de insectos, tinham há muito sido desfeitos e pouco conforto proporcionavam. A maior parte das mulheres eram deixadas morrer em nada mais que pranchas de madeira.

Stanislawa lembra as condições que os prisioneiros doentes tinham de enfrentar: "No Inverno, quando as temperaturas eram muito baixas, formavam-se pendentes de gelo no teto provenientes da respiração e do suor – varas prateadas umas atrás das outras. Quando, ao fim da tarde, se acendiam as luzes, cintilavam graciosamente. Pareciam um grande candelabro de cristal. Mas sob estes pendentes de gelo, dormiam pessoas e mulheres doentes davam à luz".

O lugar junto ao aquecedor de tijolo, diz Stanislawa, "era o único sítio para os partos, porque nenhuma outra... acomodação para esse fim estava disponível. O forno só era aceso algumas vezes durante o ano... Trinta tarimbas [estrados de madeira para dormir] perto do forno constituíam a suposta maternidade".

Stanislawa continua a descrever a miséria da vida no campo: "Geralmente o bloco estava dominado por infecções, fedor e todos os tipos de insectos. Os ratos eram abundantes… As vítimas dos ratos não eram só as mulheres doentes mas também os recém-nascidos". Havia em média 1000 a 1200 doentes em cada secção de doentes. Destes, pelo menos uma dúzia morria todos os dias.

"Nestas condições", explica Stanislawa, "o destino das mulheres em trabalho de parto era trágico, e o papel da parteira extremamente difícil. Não havia antisépticos, roupas, e não havia medicamentos a não ser uma pequena quantidade de aspirina. A comida consistia principalmente de verduras podres cozidas". Inicialmente, Stanislawa teve de se haver sozinha, com a ajuda ocasional da sua irmã mais nova. "Os médicos alemães do campo - Rhode, Koenig e Mengele – não podiam, evidentemente, 'manchar' as suas vocações médicas a ajudar os não-alemães… "Mais tarde, foi ajudada por médicas que também eram prisioneiras. Como prova da profunda humildade de Stanislawa, ela pouco ênfase deu ao seu trabalho extraordinário. Em vez disso, falou da "grandeza dos médicos, da sua devoção, [a qual] ficou gravada nos olhos daqueles que, atormentados com o cativeiro do sofrimento, nunca mais voltarão a falar... Os médicos não trabalhavam lá por fama, aprovação, ou para a concretização das suas ambições profissionais. Todos estes motivos eram postos de lado. Ficava apenas o dever médico de salvar vidas em todos os casos e situações, combinado com a compaixão pelo sofrimento humano".

A doença que afligia a maior parte dos prisioneiros era a disenteria. O tifo também varreu o campo e, por uma vez, Stanislawa adoeceu dessa doença. Ela conta que "o incidente da febre tifóide foi, na medida do possível, escondida do Lagerarzt [o médico SS do campo] escrevendo habitualmente na lista dos doentes que o enfermo tinha 'gripe', porque os doentes com febre tifóide eram imediatamente liquidados...".


Pequenos Milagres entre a Imundície

Durante o seu cativeiro [em Auschwitz], Stanislawa ajudou a dar à luz 3,000 bebés. Mas havia uma coisa ainda mais extraordinária do que ela tentar fazê-lo no meio de condições tão desfavoráveis. Como explicou ao filho, o médico SS do campo deu-lhe ordens para ela fazer um relatório das infecções e das taxa de mortalidade das mães e das crianças. Ela respondeu, "Não tenho um único caso de morte, nem entre as mães nem entre os recém-nascidos". A resposta do médico SS foi um olhar de incredulidade. "Ele disse que mesmo nas melhores clínicas das universidades alemãs havia tais casos de sucesso. Nos seus olhos vi ódio e inveja". De uma forma auto-depreciativa, Stanislawa atribuiu isto ao facto de que "os organismos mal nutridos eram um meio demasiado árido para as bactérias". Contudo, as suas crianças e os seus amigos prisioneiros atribuem este registo miraculoso a causas que ultrapassam o natural.


Maternidade planeada em Auschwitz

Na imagem à esquerda - Pintura Mural de querubins nos lavatórios do bloco 7 de Auschwitz.

Quando se aproximava a altura do parto, a já esfomeada mãe tinha de abdicar da sua ração de pão durante um tempo de forma a obter um lençol que seria usado para fazer fraldas e roupa para o bebé. Nem é preciso acrescentar que os nazis não forneciam estas coisas. Para piorar as coisas, não havia água corrente nas barracas o que tornava a lavagem de fraldas uma experiência arriscada, porque aos prisioneiros não era permitido moverem-se livremente no campo. Qualquer lavagem teria de ser feita sub-repticiamente. Por último, não existia comida ou leite a mais de reserva para os bebés. Mas a negligência pura e simples aparentemente não eram suficientes para os administradores do campo. Deste modo, prisioneiros criminosos eram empregues em desfazer-se dos incómodos bebés.

Até Maio de 1943, todas as crianças nascidas em Auschwitz eram afogadas num barril de água. Esta actividade eram executadas pela Schwester [irmã] Klara, uma parteira alemã que fora presa por infanticídio. "Na qualidade de criminosa profissional e por isso proibida de praticar a sua profissão", diz Stanislawa, "foi-lhe confiada uma função para a qual estava melhor talhada". Mais tarde, Klara foi ajudada por uma prostituta alemã, a ruiva Schwester Pfani. "Depois de cada parto, as mães eram capazes de ouvir o característico gorgolejar e o chapinhar da água" resultado do afogamento dos bebés.

A situação alterou-se um pouco em Maio de 1943. Os bebés com aspecto ariano, com olhos azuis e cabelo claro, eram poupados ao tratamento da irmã Klara e enviados para um centro na cidade de Naklo para serem "desnacionalizados". Aí, ou eram colocados em orfanatos ou em casas de casais alemães.

"Na esperança de no futuro ser possível recuperar estas crianças, para as trazer para as suas mães", explica Stanislawa, "arranjei um método de marcar as crianças com uma tatuagem que não seria reconhecida pelos guardas SS. Muitas mães foram confortadas pelo pensamento de que algum dia seria capaz de encontrar a sua felicidade perdida". Entretanto, o destino das que ficaram no campo pouco melhorou. As crianças morriam lentamente de má nutrição. Entre as inúmeras tragédias testemunhadas por Stanislawa, destaca-se uma em particular.

Na imagem à esquerda - Esboço de David Olère, de 1946, mostrando mulheres e crianças imediatamente antes de serem exterminadas na câmara de gás do crematório III.

"Recordo perfeitamente uma mulher de Vilno enviada para Auschwitz por ter ajudado os partisans. Imediatamente a seguir a ter dado à luz uma criança, o seu número [de prisioneira] foi chamado... Eu fui tentar desculpá-la. Isto não ajudou mas apenas redobrou a ira [dos alemães]. Compreendi que ela tinha sido seleccionada para o crematório. Ela envolveu a criança num pedaço sujo de papel, apertou-o contra o peito... Os seus lábios moviam-se silenciosamente. Tentou cantar uma cantiga ao seu bebé, como muitas mães faziam ali, murmurando às suas crianças várias canções de embalar para os tentar compensar do frio cortante da fome e do sofrimento. Contudo, não teve a força... ela foi incapaz de emitir um som... apenas lhe caíam grandes lágrimas abundantes das pálpebras, escorrendo pelas suas faces extraordinariamente pálidas e caindo na cabeça da pequenina criança condenada à morte."

Stanislawa Leszczynska termina a breve mas terrível história da sua vida com as seguintes observações: "todos os bebés nasceram vivos. A sua finalidade era viver". Das crianças que ficaram em Auschwitz, "dificilmente trinta terão sobrevivido ao campo. Várias centenas foram enviadas para Naklo... Cerca de 1,500 foram afogadas por Schwester Klara e Pfani. Mais de 1,000 morreram de frio e de fome". Estes números cobrem o período de Abril de 1943, quando Stanislawa chegou, até à libertação do campo em Janeiro de 1945.


Outros testemunhos

Em vista das reservas de Stanislawa, temos de confiar em membros da família e em camaradas da prisão para nos dar uma imagem mais completa das suas actividades heróicas. O seu filho. Bronislaw, conta que à sua chegada do campo ela não tentou esconder o seu documento de identidade de parteira. "Com o cartão na mão, ela barrou a passagem a um médico alemão no campo, o que era em si mesmo um acto de coragem, punível com a morte. Mostrou-lhe o documento... Ele meditou durante alguns momentos e decidiu que ela iria exercer as funções de parteira na chamada 'maternidade'. Aí encontrou a já mencionada Schwester Klara que a informou que cada criança nascida seria declarada um "nado-morto", ficando ela com a responsabilidade de se desfazer do corpo. Bronislaw continua, "mais tarde bateu na cabeça da minha mãe... por esta não ter seguido as suas instruções... A minha mãe foi então chamada ao médico SS e este ordenou-lhe que praticasse infanticídios se quisesse sobreviver. O médico SS ficou surpreendido quando esta mulher pequena e fraca, que ele podia esmagar com a bota, lhe replicou: 'Não, nunca.' Porque é que ele não a matou na altura, ninguém sabe."

O filho de Stanislawa recorda o encontro da sua mãe com o famoso Dr. Mengele (que executou experiências médicas em prisioneiros). Não obstante o ambiente aterrorizador, a descrição seguinte não está isenta de humor. "Quando a minha mãe se opôs a Mengele, que lhe ordenara que matasse os bebés nascidos em Auschwitz, ele ficou furioso. Ao descrever a cena, a minha mãe disse: 'Eu só vi as suas grandes botas a andar para a frente e para trás… e ouvi-o gritar: 'Befehl ist befehl' [uma ordem é uma ordem]. "Ao recordar estas palavras tantos anos depois, percebi que sendo a minha mãe muito baixa e tendo o hábito de olhar para baixo quando estava a pensar nalguma coisa... ficou de olhos baixos a ver as botas de Mengele a andarem nervosamente em frente dela… Estaria este terrível assassino (no fim de contas ele era um médico) a tentar justificar a sua ordem para matar bebés recém-nascidos? Em qualquer caso, nem nessa altura nem depois, levantou ele a sua mão homicida contra a minha mãe." Noutra ocasião, o Dr. Mengele entrou na sala da maternidade. Vendo Stanislawa ocupada com os partos, disse: "Mutti [Mãe], você ganhou uma data de dinheiro hoje. Tem de pagar uma cerveja." "Como é que se pode compreender esta piada?" pergunta Bronislaw. "Sem dúvida que Mengele sabia que as prisioneiras em sofrimento tratavam Stanislawa Leszczynska como uma mãe e referiam-se normalmente a ela como 'Mãe'. Se conscientemente ou inconscientemente, Mengele se referia a isto, ao mesmo tempo ele mostrava algum respeito pelo amor maternal e pela força moral que Stanislawa personificava."

Uma das mais afortunadas prisioneiras, Maria Saloman, dá-nos as suas impressões sobre Stanislawa: "Durante semanas nunca teve uma oportunidade para se deitar. Às vezes sentava-se perto de uma paciente ao pé do forno, dormitava por um momento, mas logo se levantava e corria para uma das mulheres que gemiam... Quando as Sra. Leszczynska se aproximou de mim pela primeira vez, eu soube que tudo iria correr bem. Não sei porquê, mas era assim. A minha bebé conseguiu sobreviver durante três meses no campo, mas parecia condenada a morrer de fome. Eu estava totalmente sem leite. A 'Mãe', de alguma forma, encontrou duas mulheres para amamentarem a minha bebé, uma estoniana e uma russa. Até hoje ainda não sei a que preço [ela conseguiu isso]. A minha filha Liz deve a vida a Stanislawa Leszczynska. Não consigo pensar nela sem que as lágrimas me venham aos olhos".

Stanislawa mostrava tanto bom senso como coragem. Uma sobrevivente conta como ela conseguia obter água e, quando era necessário, uma mistura de ervas que usava para lavar os bebés. Tendo de usar a mesma água para todos os bebés, Stanislawa lavava primeiro as crianças saudáveis e depois as enfermas para não contaminar as primeiras. Kazimera Bogdanska explicou que não era capaz de amamentar a sua pequena filha. Todavia, Stanislawa disse-lhe que mesmo assim devia dar à criança um seio vazio "para que as glândulas não parassem de produzir leite. A Mãe tinha razão", diz Kazimera, "Que sorte que tive em ter acreditado nela. Quando chegou a liberdade em 1945 e fui levada para um verdadeiro hospital (porque eu estava com febre tifóide) o médico deixou-me continuar a dar à minha filha o meu peito vazio. Após algum tempo o leite regressou. A minha filha começou a ganhar peso... Começou a engordar e a ficar com as faces rosadas... A sabedoria da Mãe e a fé salvaram a minha única filha".

Na imagem à esquerda - Esboço de David Olère, de 1947, mostrando a selecção de uma mulher e dos seus filhos para as câmaras de gás.

Acima de tudo era a grande piedade de Stanislawa que a sustentava e que ela sempre tentou transmitir aos outros. Segundo Maria Saloman: "Antes de fazer um parto, Stanislawa fazia o sinal da cruz e rezava. Murmurava uma oração na qual pedia não apenas ajuda e esperança, mas onde encontrava força para a sustentar no seu trabalho desumano. Só trabalhava para nós, dia após dia, noite após noite. Sem um momento de descanso, sem nenhuma substituta". Uma das médicas, Elzbieta Pawlowska, lembra-se que Stanislawa "era capaz de organizar as suas preces de forma que as outras participassem... Devíamo-nos sentar nas tarimbas. A 'Mãe' começava uma oração e nós devíamos cantar. Cantávamos muito baixinho. Não era possível de outra forma. Eram apenas poucos momentos – cerca de 15 a 30 minutos – mas tudo estava em paz. Era uma atmosfera que ela conseguia criar. Lembro-me de mulher russas de 'maternidades' próximas que vinham participar".

Maria Oyrzynska disse que um dia, enquanto estava a ajudar a Stanislawa num parto, esta pegou no bebé, lavou-o, embrulhou-o num papel e num cobertor e disse: "Agora o mais importante. Vamos baptizar a criança". "Eu era a madrinha" recorda Maria, "era o meu primeiro afilhado... Stanislawa deitou alguma água na cabeça do bebé e disse: 'Eu te baptizo Adam, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen'. Como madrinha levei a minha responsabilidade muito a sério e tomei conta de Adam. Tendo em conta as condições do campo ele viveu ainda bastante tempo. Três semanas inteiras".


Devoção Crescente à Parteira Polaca

Desde que faleceu em 1974, tem havido uma devoção crescente a Stanislawa Leszczynska na Polónia. São organizadas peregrinações à sua campa, enquanto alguns materiais estão a ser compilados como prova para o seu processo de beatificação. Ela foi celebrada no "Cálice da Vida", oferecido ao famoso santuário da Padroeira Czestochowa no mosteiro de Jasna Gora por mulheres polacas em Maio de 1982, e em 1983 a Escola de Obstetrícia de Cracóvia recebeu o seu nome em sua honra. Muita gente confirmou os pedidos obtidos através da sua intercessão, particularmente os ligados a problemas com partos. Como o Prof. Giertych conclui, "A vida de Stanislawa Leszczynska é a de uma mãe exemplar e de uma parteira dedicada. Deste modo, ela é particularmente apropriada para ser a patrona da luta da vida contra os assassinos de crianças que, tal como nos campos de concentração, continuam a fazer carreira no seu negócio mortal".



Imagem de Stanisława Leszczyńska no interior da Igreja de Santa Anne em Wilanów próximo de Varsóvia [Inside the St. Anne’s Church in Wilanów near Warsaw. Polska Służebnica Boża, położna w obozie koncentracyjnym Auschwitz-Birkenau].

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Jon Stewart: Na América deixámos de sacrificar as liberdades civis na guerra contra o terrorismo. Foi Obama quem o disse…


No Daily Show, Jon Stewart mostra-se, neste vídeo, sarcasticamente optimista quanto às promessas de liberdades civis anunciadas por Barack Obama. Este afirmara numa conferência de imprensa que Guantánamo seria encerrada dentro de menos de um ano.

Jon Stewart: Um ano? Não quero ser idiota, mas… é preciso empacotar muita coisa para fechar? Há lá um colchão, alguns Alcorões… Digo-te, a Moiches (empresa de mudanças) faz isso numa tarde.


Num número de ventriloquismo, Stewart entabula um diálogo com o boneco Gitmo [um prisioneiro de Guantánamo]

Jon Stewart: Com mais informações sobre o encerramento desta prisão infame, temos o nosso homem no interior da prisão, o detido de Guantánamo, Gitmo. Muito obrigado por estares connosco, Gitmo, tu já estás preso em Guantánamo há algum tempo. Deve ser um dia feliz para ti.

Gitmo: Gitmo não estar muito satisfeito. Terem dito a Gitmo muitas vezes que ele vai voltar para casa. Gitmo saber ser uma técnica para abalar o Gitmo.

Jon Stewart: Não! A sério, Gitmo, é verdade! O presidente Obama já começou a encerrar Guantánamo. Até já acabou com as técnicas de interrogatório avançadas.

Gitmo: A sério? Então porque é que Gitmo ainda ter mão enfiada no rabo?

Jon Stewart: Gitmo, finalmente estamos a tentar fazer o que está certo.

Gitmo: Está bem. Gitmo dar-vos benefício da dúvida. Mas para onde enviam Gitmo? Não poder libertar Gitmo. Gitmo ser louco agora.

Jon Stewart: Gitmo, ainda estamos a tratar dos pormenores. Mas é uma nova era, Gitmo. Na América deixámos de sacrificar as liberdades civis na guerra contra o terrorismo. O presidente Obama disse isso.

Gitmo: Sim! Gitmo adorar presidente Obama! Finalmente Gitmo ver promessa da América! É um novo começo para todos nós! Sim!

Jon Stewart: Ainda bem que sentes isso, Gitmo. Acho que ultrapassámos a crise. Sabem disso, certo?

Gitmo: Sabes, Gitmo e os amigos de Gitmo continuam a querer matar-vos. Queremos destruir o vosso estilo de vida.

Jon Stewart: Sim, nós sabemos, Gitmo, mas com estes abusos às nossas liberdades, estamos a fazer isso por vocês.

Gitmo: Não estão seguros… Não querem estar seguros?

Jon Stewart: Gitmo, não existe segurança! Façamos nós o que fizermos, a nossa segurança não está garantida. É esse o preço a pagar por uma sociedade livre. Finalmente vamos fazer o que está certo.

Gitmo: Sou muito assustador…

Jon Stewart: Gitmo, isto não tem nada a ver contigo. Não podes definir-nos. Trata-se de não deixar que o medo faça isso.

Gitmo: Correio! [Gitmo entrega uma carta a Jon Stewart que a abre e donde sai um pó branco].

Jon Stewart: Isto é antrax?

Gitmor: Não... Açúcar em pó. Mas não querem bisbilhotar o correio de toda a gente agora?

Jon Stewart: Não. Podemos salvaguardar-nos bem com tácticas inteligentes e legais.

Gitmo: Deixo-vos em paz se me arranjarem virgens…


Vídeo legendado em português:

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Status Quo - Frangos, Armandos e quejandos

O título do post é uma 'private joke'. O conteúdo é uma espécie de explicação para a manutenção do 'Status Quo' político, económico, social e cultural. Ou seja, a atitude pouco reflectida de um grande número de pessoas sobre uma determinada 'realidade' que, embora mal compreendida, é aceite sem contestação e que teima em permanecer nos espíritos.

Penso, faço e voto assim, porque "foi sempre assim" e toda a gente "pensa da mesma forma que eu".

Coloque numa jaula cinco macacos.

Na jaula, pendure uma banana com uma corda perto do tecto e ponha umas escadas que permitam chegar à banana. Não demorará muito até que um macaco se dirija às escadas e comece a subi-las para apanhar a banana.

Assim que ele que ele toque nas escadas, lance um jacto de águia fria sobre todos os macacos.

Passado um bocado, outro macaco tentará subir as escadas para ir apanhar a banana, e a resposta será a mesma – todos os macacos levam com um jacto de água fria. Repita-se esta experiência durante vários dias.

Passada uma semana, se um macaco tentar subir as escadas, os outros macacos vão tentar impedi-lo de o fazer, mesmo que já não levem um banho de água fria.

Agora, retire um dos macacos da jaula e substitua-o por um novo.

O novo macaco vê a banana e quer subir as escadas. Com espanto e medo, vê que todos os outros macacos o atacam. Depois de outra tentativa e outro ataque, o novo macaco fica a saber que se tentar subir as escadas, será agredido.

Dias depois, retire outro dos cinco macacos originais da jaula e substitua-o por outro novo. O recém-chegado dirige-se para as escadas e é atacado pelos outros. Mesmo o anterior recém-chegado participa na punição com entusiasmo.

Substitua o terceiro macaco original por um novo. Este tenta ir para as escadas mas é também atacado. Dois dos quatro macacos que lhe bateram não tinham ideiam nenhuma porque é que não lhes era permitido subir as escadas, ou porque é que participavam na tareia do último macaco a chegar à jaula.

Depois de substituírem o quarto e o quinto macacos originais, todos os macacos que tinham levado com um jacto de água fria tinham sido substituídos. No entanto, nenhum macaco se voltou a aproximar das escadas.

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E é por isso que os defensores do Status Quo, não obstante tudo o que sabe do primeiro-ministro, continuam a pensar que não existe alternativa credível a Sócrates para a liderança política deste rectângulo à beira-mar plantado.


- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que, então a trabalhar na Câmara da Covilhã, assinou os polémicos projectos concelho da Guarda nos anos oitenta, 23 dos quais aprovados em tempo recorde, e que vão ser investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que viabilizou, a menos de um mês das autárquicas de 2001, o empreendimento projectado pela Pluripar SGPS para 125 hectares do Vale da Rosa, em Setúbal, que implicou o abate de cerca de um milhar de sobreiros e que, como precisou a PGR, "podem tipificar em abstracto crimes de prevaricação, corrupção passiva para acto ilícito, participação económica em negócio ou abuso de poder".

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que se licenciou numa Universidade que foi fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.


- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que nas auto-estradas que constrói, leva o acelerador sempre a fundo se o que está em causa é derreter o dinheiro dos contribuintes.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que anda a usar o dinheiro de quem trabalha e paga impostos para proporcionar os grandes negócios dos escandalosamente ricos, através de sucessivas empreitadas de obras públicas quase todas ruinosas.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que criou os projectos PIN para dar cabo da costa alentejana e do que resta do Algarve.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que foi o principal impulsionador do Euro-2004, "um desígnio nacional", e para o qual desatámos a construir estádios habitados por moscas que custaram mais de mil milhões de euros de investimento público total.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que na apresentação dos projectos da Ota e do TGV, no meio de grandes jogadas feitas na sombra, todos vimos os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos e a quem o grande dinheiro a agradece e aproveita.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal de quem muita gente suspeita de ter recebido luvas no caso Freeport, com tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões, e onde houve invulgaridades no processo de licenciamento e despachos ministeriais a três dias do fim de um governo.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que utiliza dinheiros públicos para acorrer ao salvamento de negócios bancários irresponsáveis e inviáveis, como o BPP ou o BPN.

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que dá avales de 20 mil milhões de euros de dinheiros públicos a uma banca que regista lucros diários de mais de três milhões de euros (em 2008).

- Mesmo sabendo que Sócrates é o tal que mantém o IRC pago pela banca em menos de metade (12%) do que pagam as restantes empresas (25%) e recusa qualquer explicação para esse facto.


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E é também por isso que os defensores do Status Quo, não obstante as inúmeras contradições do "Holocausto Judeu", continuam convencidos que morreram seis milhões de judeus no holocausto, a maior parte nas câmaras de gás nazis. Como poderiam alguma vez duvidar se os filmes de Spielberg são tão realistas... E se a épica mini-série «Holocausto», que passou em todos os ecrãs, foi vencedora de tantos prémios, incluindo 8 Emmys e 2 Globos de Ouro...

- Mesmo sabendo que o judeu Elie Wiesel, Prémio Nobel da Paz em 1986 e a quem o Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert propôs em 2006 o cargo de Presidente do Estado de Israel, nunca ouviu falar de câmaras de gás ou gaseamentos de prisioneiros nos dez meses que passou como prisioneiro em Auschwitz (tal como descreve no seu livro autobiográfico «Noite»).

- Mesmo sabendo que, como é descrito no
Jewish Virtual Library: «As condições no campo de concentração nazi de Bergen-Belsen eram boas atendendo aos padrões dos campos de concentração e a maioria dos prisioneiros não era sujeita a trabalhos forçados. E que em Março de 1944, Belsen foi renomeado um Ehrholungslager [Campo de Convalescença], para onde eram trazidos os prisioneiros de outros campos de concentração, demasiado doentes para trabalhar.

- Mesmo sabendo que nas
três das mais conhecidas obras sobre a Segunda Guerra Mundial: «Cruzada na Europa» do General Eisenhower, «A Segunda Guerra Mundial» de Winston Churchill, e o «Memórias da Guerra» do General de Gaulle, não existe uma única referência às câmaras de gás nazis , ao genocídio de judeus, ou às seis milhões de vítimas judaicas da Segunda Guerra Mundial.



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E é igualmente por isso que os defensores do Status Quo, não obstante a lógica, a física, as provas e os testemunhos em contrário, continuam convencidos que foram os maltrapilhos de Bin laden a derrotar a mais poderosa Força Aérea do planeta a 11 de Setembro de 2001. Pois se os jornais e as televisões são unânimes em afirmá-lo...

- Mesmo sabendo que Boaventura de Sousa Santos, doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, tenha afirmado que: «o intenso debate em curso sobre a verdadeira causa do ataque às Torres Gémeas (estaria o governo envolvido?), sobre o colapso das Torres (resultado do impacto ou de explosivos pré-posicionados nos andares inferiores?) sobre o ataque ao Pentágono (avião ou míssil?). O debate envolve cientistas credíveis e cidadãos do "movimento para a verdade do 11 de Setembro", e ocorre quase totalmente fora dos grandes media e sem a participacao de jornalistas.»

- Mesmo sabendo que o ex-Presidente Italiano,
Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, num dos mais respeitados jornais italianos, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.

- Mesmo sabendo que o
Parlamento japonês acusou a Administração Bush de estar por detrás dos atentados de 11 de Setembro de 2001.
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sábado, fevereiro 21, 2009

Robin Who? - A saga de roubar aos Contribuintes para dar aos Bancos

Miguel Sousa Tavares, que há duas semanas atrás, concordando com José Miguel Júdice, avisou que: «[caso Sócrates seja derrubado] Portugal torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente», vem agora, quinze dias depois, referir-se ao primeiro-ministro como: "O Robin dos tolos".




Jornal Expresso - 16/02/2009




O Robin dos tolos

[...] Agora, chegou a vez da campanha contra os 'ricos', com a qual José Sócrates espera tocar a reunir toda a esquerda em volta deste seu Robin Hood - o mesmo, o mesmíssimo, que andou e anda a usar o dinheiro de quem trabalha e paga impostos para proporcionar os grandes negócios dos escandalosamente ricos, através de sucessivas empreitadas de obras públicas, algumas inúteis, quase todas ruinosas.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que a Caixa Geral de Depósitos, o banco público, tenha andado a financiar com centenas de milhões de euros operações de pura especulação bolsista e agora, não conseguindo cobrar os créditos, poupe o património pessoal dos devedores (como não faz a quem se tenha endividado para comprar um T1) e lhes dê condições de renegociação da dívida que são um privilégio escandaloso.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o seu ministro Mário Lino gaste meio milhão de euros em festas de inauguração de cada novo troço de auto-estrada.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que os dinheiros públicos sirvam para acorrer ao salvamento de negócios bancários irresponsáveis e inviáveis, como o BPP ou o BPN, em lugar de os deixar afundar, como, além de mais, o exigia a credibilidade do mercado.

- Não incomoda o socialista José Sócrates que o que resta do património natural ainda preservado do país seja vandalizado ao abrigo dos projectos PIN e com a chancela de interesse público dada pelo Governo.

Não. O que incomoda o socialista José Sócrates é que os 'ricos', como ele lhes chama (isto é, a ínfima minoria que declara os seus rendimentos e paga 42% de IRS, em lugar de criar empresas fictícias para lá enfiar despesas pessoais ou abrir contas em offshores estrangeiras), possam deduzir com a saúde ou a educação as quantias que o próprio Governo definiu como razoáveis. Vai, pois, conforme anunciou, subir ainda mais o IRS para quem mais paga e cumpre, para o 'redistribuir' pela 'classe média' - contas feitas, e se alguma vez devolver dinheiro a alguém, parece que caberão quatro euros a cada representante da 'classe média'. Eis o socialismo, tal como José Sócrates acaba de descobrir. Dá vontade de ir pagar impostos para outro lado...

Acredito que nem José Sócrates nem Teixeira dos Santos imaginaram que a bola de neve que começou a rolar suavemente há um ano pudesse degenerar na avalancha que agora nos engoliu. Nisso, estiveram, aliás, acompanhados por todos os dirigentes políticos e gurus económicos do planeta inteiro. Mas quando se tornou evidente, aí há uns quatro meses, que o vendaval originado nos Estados Unidos iria varrer tudo, o PM e o ministro das Finanças perderam o controlo emocional da situação. O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata. Mas o auxílio pressuroso e não ponderado ao BPN e depois ao BPP foi um tiro monumental no pé. A menos que ocorra um milagre não previsto nos livros, o que vai acontecer é que o Estado gastou uma fortuna irrecuperável para tentar salvar o que não tinha nem merecia ter salvação possível. Mas não foi apenas como medida financeira que essa decisão se revela, a cada dia que passa, desastrosa. Foi o exemplo que ficou, uma espécie de pecado original sem remissão possível: perante uma crise cuja principal causa foi a ganância e a a irresponsabilidade de alguns banqueiros, o Governo, em lugar de aproveitar para seleccionar logo o trigo do joio, preferiu jogar o dinheiro dos contribuintes para tapar provisoriamente buracos de negócios de vão de escada. E agora, como é óbvio, todos se sentem no direito de reclamar que ele acorra a tudo, ao que presta e ao que não presta, ao que tem viabilidade e ao que não tem.

Prisioneiro político desta tremenda asneira inicial, sinto que o Governo navega à vista, enfrentando a crise sem bússola e sem rumo. Incapaz de pensar, marra em frente, recusando-se a arrepiar ou alterar caminho no que quer que seja - como nos faraónicos e inúteis projectos de obras públicas com que entusiasticamente nos ameaça. Confunde a dúvida legítima com a hesitação e teme o preço político a pagar se der sinais de indecisão. Visivelmente nervoso e tenso, Sócrates não quer reflectir nem ser contrariado. Abre a televisão e vê todos os dias centenas de novos desempregados desesperados, vê as imagens chocantes dos milhares de sobreiros (um dos verdadeiros clusters de futuro da nossa economia), derrubados para a urbanização do Vale da Rosa, em Setúbal (viabilizada por despacho do próprio Sócrates, quando ministro do Ambiente), e concluí pela fuga em frente. Acredita que o eleitorado interiorizou que a culpa da crise é da direita dos negócios e vai ser preciso um salvador vindo da esquerda. Ei-lo.

Se não pode impedir o crescimento do desemprego, se não quis e não quer enfrentar o poder do grande capital, resta ao socialista Sócrates rapar no caldeirão da demagogia: eutanásia, casamento de homossexuais, Robin Hood fiscal, e, para acabar, senhoras e senhores, tomem lá outra vez com a ameaça da Regionalização - essa medida 'socialista' tão cara ao aparelho do PS.

Eu penso que José Sócrates está a ver mal as coisas: os portugueses têm muitos defeitos, mas nunca foram politicamente tolos.




Comentário:

Este Sousa Tavares, que agora se refere a Sócrates como o Robin dos tolos, é o mesmo que há 15 dias atrás avisou que «derrubado Sócrates, o país ficará entregue à deliquescência». E, também, concordando com José Miguel Júdice: «Portugal [na falta de Sócrates] torna-se ingovernável e deixa até de reunir condições para existir, enquanto país independente».

Acrescenta agora o genial autor do romance 'EQUADOR': «O aval do Estado dado às operações de refinanciamento da banca foi uma medida adequada, feita sob pressão imediata

Mas os neurónios, as sinapses e os guizos que chocalham no crânio do conceituado romancista não se sentem incomodados pelo facto dos Bancos privados terem lucrado mais de 3,3 milhões de euros por dia no ano 2008, donde, não haver qualquer necessidade de refinanciamentos ou avales de 20 mil milhões de euros, muito pelo contrário:


Jornal de Notícias – 29/1/2009: O Banco Espírito Santo (BES) obteve um lucro de 402,3 milhões de euros no exercício de 2008...


Agência Financeira – 23/1/2009: Os lucros consolidados do BPI foram, em 2008, de 150,3 milhões de euros...



Açoriano Oriental – 13/2/2009: O Millennium bcp terá registado lucros de 189,4 milhões de euros em 2008...



Jornal de Notícias – 5/2/2009: O Santander-Totta obteve um lucro de 517,7 milhões de euros em 2008...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Tivesse Oliveira e Costa desviado do BPN uma quantia um milhão de vezes inferior e o desfecho poderia ter sido fatal

Se, por infelicidade, o ex-presidente do Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa, ao invés de 1.800 milhões de euros tivesse desviado apenas 1.800 euros, quantia um milhão de vezes menor, o resultado poderia ter sido bem mais funesto.


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O assalto de 7 de Agosto de 2008 à dependência bancária do Banco espírito Santo em Campolide, Lisboa, culminou na morte de um dos dois sequestradores. Ainda antes da entrada dos elementos da PSP, ouviram-se tiros disparados por 'snipers' do Grupo de Operações Especiais. Um assaltante morreu e o outro ficou ferido em estado grave.


Diário de Notícias

Acção da PSP foi 'aviso' ao crime

O desfecho do assalto à dependência do BES, em Campolide, em Lisboa, foi considerado por muitos como um "aviso" ao mundo do crime e aos criminosos. Fontes policais contactadas pelo DN afirmam mesmo que "este acto deve ser entendido como um reforço da autoridade policial". Pelo lado da banca, a mensagem terá sido entendida da mesma maneira. A partir de agora, "quem se aventurar numa situação destas pensa duas vezes", comentaram ao DN fontes de várias instituições.

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Quem não se sentiu minimamente avisado nem terá pensado duas vezes foi o ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa. O ex-governante terá alegadamente desviado cerca de 1.800 milhões de euros do Banco Português de Negócios (BPN), do qual era presidente.

Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, em prisão preventiva


RTP - 5/2/2009

O antigo presidente executivo do Banco Português de Negócios (BPN) José Oliveira e Costa vai permanecer em prisão preventiva, decidiu esta quinta-feira o Tribunal da Relação de Lisboa, que considerou a medida de coacção "proporcional e adequada".

O juiz de instrução criminal Carlos Alexandre decretou a prisão preventiva "por considerar fortemente indiciada a autoria dos ilícitos (...) e verificados os perigos aduzidos pelo Ministério Público".

O inquérito criminal coordenado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal incidiu sobre "factos susceptíveis de integrarem a prática de crime de burla qualificada, abuso de confiança agravado, fraude fiscal qualificada, falsificação, infidelidade, aquisição ilícita de acções e branqueamento de capitais".


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Como se já não bastasse o gesto impensado do presidente do BPN, Oliveira e Costa, são ainda arrastados para este lamaçal os nomes de Vítor Constâncio, que, sem se perceber porquê, não supervisionou, e do ministro Teixeira dos Santos, que, incompreensivelmente, nacionalizou:


Os rácios de 9 por cento de Constâncio:

DianaFM - 25/9/2008

Vítor Constâncio defende Banco de Portugal no caso BPN e denuncia "linchamento do supervisor"

"O Banco de Portugal tem sido alvo de calúnias", disse ainda o governador, lamentando que ele próprio esteja a ser alvo de uma "perseguição profissional". "Temos sido alvo de acusações caluniosas e totalmente injustas", denunciou, lembrando que "não descobrir operações ocultas não significa que tenha existido falha na supervisão". "É bom que os portugueses continuem a confiar no Banco de Portugal, onde nunca houve suspeitas de corrupção ou de fraude", acrescentou o responsável. Vítor Constâncio garantiu ainda que nenhum banco foi tão seguido de perto pelo supervisor como o BPN, ao longo dos últimos anos, com inspecções periódicas e critérios mais exigentes. Prova disso é que "o BPN foi o único banco a que o Banco de Portugal impôs rácios de capital de 9 por cento, em 2000, quando o mínimo legal era 8 por cento", disse Vítor Constâncio.

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, rejeitou qualquer responsabilidade em relação ao que aconteceu no BPN, afirmando que não se demitirá.

"Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto para ter contribuído para esta situação", afirmou Vítor Constâncio.



E as imparidades de Teixeira:

RTP - 5/2/2009

Teixeira dos Santos - Imparidades "reforçam argumento da nacionalização"

Em resposta às críticas dos deputados sobre as opções do Executivo para o Banco Português de Negócios e o Banco Privado Português, o ministro das Finanças sustentou que o montante das imparidades detectadas pela actual equipa de administração do BPN "reforça o argumento da nacionalização".

Os administradores nomeados pela Caixa Geral de Depósitos encontraram imparidades no valor de 1.800 milhões de euros, o que, alegou Teixeira dos Santos, "revela bem quão grave era a situação financeira do banco e justifica a oportunidade e a razão da sua nacionalização".



Comentário:

Na sequência do assalto à dependência do Banco Espírito Santo (BES), que poderia ter talvez rendido mil e tal euros, um brasileiro foi morto com um tiro na cabeça por um operacional dos GOE.

Na sequência do assalto ao Banco Português de Negócios (BPN), que terá rendido 1.800 milhões de euros, um ex-governante calcorreará livremente os tribunais durante meia dúzia de meses, até à completa prescrição do processo.

Fica entretanto por apurar se com a nacionalização do BPN, e entre rácios e imparidades, não terá igualmente havido um assalto descomunal ao contribuinte português...
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domingo, fevereiro 15, 2009

John Lennon - A working class hero is something to be



Working Class Hero - de John Lennon



As soon as your born they make you feel small,
By giving you no time instead of it all,
Till the pain is so big you feel nothing at all,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.

They hurt you at home and they hit you at school,
They hate you if you're clever and they despise a fool,
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.

When they've tortured and scared you for twenty odd years,
Then they expect you to pick a career,
When you can't really function you're so full of fear,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.

Keep you doped with religion and sex and TV,
And you think you're so clever and classless and free,
But you're still fucking peasents as far as I can see,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.

There's room at the top they are telling you still,
But first you must learn how to smile as you kill,
If you want to be like the folks on the hill,
A working class hero is something to be.
A working class hero is something to be.

If you want to be a hero well just follow me,
If you want to be a hero well just follow me.

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sábado, fevereiro 14, 2009

Os roubos crescentes perpetrados pela banca através das contas-ordenado

Contas-ordenado

Comissões pesadas para saldos negativos


Há bancos que cobram 20% pelo descoberto bancário e as comissões podem ir até 10 euros por cada dia em que a conta esteja abaixo de zero.

Chegar ao fim do mês com a conta em saldo negativo é cada vez mais arriscado. Os bancos estão a cobrar comissões pesadas por cada dia em que o cliente não tem provisão suficiente para fazer face aos pagamentos.

É pior ainda quando se trata de um pagamento feito com cheque. Já se sabe que, para evitar entrar no chamado «descoberto não autorizado», muitos portugueses recorrem à conta-ordenado.

Até agora, os juros eram relativamente baixos, mas isso acabou-se. Há bancos que cobram 20% pelo descoberto bancário. As comissões podem ir até 10 euros por cada dia em que a conta esteja abaixo de zero.

A Associação dos Consumidores de Produtos Financeiros diz que estas comissões são ilegais.

O BPI foi o último banco a aderir a esta prática. O banco tem estado a informar os clientes por carta. Além dos 5 euros diários por a conta entrar em descoberto, os clientes passam a pagar 20 euros por cada cheque que seja passado sem provisão.

Quem tem conta-ordenado está livre destes custos, desde que não exceda o valor de descoberto que tem contratualizado com o banco, mas fica sujeito ao pagamento de juros elevados.

Os bancos justificam a aplicação destes custos como forma de penalizar o endividamento dos clientes. Além disso, as instituições bancárias dizem que a concessão de crédito tem que ter um preço.

Já o Banco de Portugal afirma que não tem poder para proibir os bancos de cobrar comissões, porque se trata da política concorrencial e diz que apenas tem que exigir que os bancos sejam transparentes e informem os clientes sobre os preços.

Só o legislador, ou seja, o Governo, é que pode alterar a cobrança destas comissões através de decreto-lei.



Comentário:

Ora, no passado dia 10 Fevereiro de 2009, o Jornal de Negócios noticiava que a Euribor, a taxa mais utilizada como indexante dos contratos de crédito à habitação, tinha recuado para os 2%:

Euribor quebra barreira dos 2% [em 2009] e fica abaixo da taxa do BCE [taxa directora do Banco Central Europeu] pela primeira vez desde 2004.


Ou seja, precisamente quando a taxa de juro de referência do banco Central Europeu e a Euribor descem para os 2%, a canalha bancária vem dizer: «Até agora, os juros das contas ordenado eram relativamente baixos, mas isso acabou-se».

E ainda: «Os bancos justificam a aplicação destes custos como forma de penalizar o endividamento dos clientes».

O roubo assassino perpetrado pela banca a milhões de pessoas, boa parte delas com a corda na garganta, não deverá também ter um preço elevado para as sanguessugas financeiras?

Não será um imperativo fazer alguma coisa de forma a erradicar da economia as "instituições" parasitas lideradas por estes cavalheiros?


Jornal de Notícias – 29/1/2009

O Banco Espírito Santo (BES) obteve um lucro de 402,3 milhões de euros no exercício de 2008. O presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, salientou em conferência de imprensa que "este é o terceiro resultado mais elevado da história do banco apesar da difícil situação financeira".


Agência Financeira – 23/1/2009

Os lucros consolidados do BPI foram, em 2008, de 150,3 milhões de euros. "Medidos em grau de dificuldades, pela dimensão e complexidade, os resultados de 2008 foram muito melhores que os de 2007", afirmou o presidente-executivo do banco, Fernando Ulrich, na conferência de apresentação de resultados.


Açoriano Oriental – 13/2/2009

O Millennium bcp terá registado lucros de 189,4 milhões de euros em 2008. A "deterioração dos indicadores de imparidades" e o esforço de provisões feitas são as questões mais referidas pelos analistas para a quebra dos resultados do banco em 2008. O aumento das provisões terá sido na ordem dos 85 por cento, face a 2007, para mais de 482 milhões de euros.


Jornal de Notícias – 5/2/2009

O Santander-Totta obteve um lucro de 517,7 milhões de euros em 2008, mais 1,5 % do que no exercício de 2007, anunciou o banco liderado por Nuno Amado. "O reforço da solidez financeira e o crescimento dos depósitos e dos créditos às empresas" foram alguns dos destaques na actividade do banco realçados por Nuno Amado na conferência de imprensa de apresentação de resultados do exercício de 2008, que decorre em Lisboa.
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