sexta-feira, junho 24, 2005

O eterno problema das reformas

James Petras (Antigo professor de sociologia na Binghamton University, Nova York.)


Os EUA recusaram-se a extraditar Luís Posada Carriles, terrorista confesso, para a Venezuela a fim de enfrentar o julgamento pelos explosivos postos num avião civil de carreira, os quais mataram os 73 ocupantes.



Muitos escritores e críticos têm escrito acerca da hipocrisia do regime Bush, que proclama uma guerra contra terroristas à escala mundial e aqueles que os protegem e simultaneamente abriga e protege um terrorista com longo cadastro como o Posada.

As implicações de os EUA proporcionaram um abrigo seguro para um terrorista como Posada vão muito além da questão da hipocrisia e do próprio Posada. O que está em causa é muito mais básico: um sistema de poder, redes de terror, políticas estratégicas e as estruturas profundas que informam e sustentam o império americano.

Posada era e é apenas um de uma longa série de terroristas que foram ou são agentes instrumentais das campanhas de desestabilização americanas. Miami está cheia de ex-Contras da Nicarágua, ex-paramilitares líderes de esquadrões da morte do Haiti, Colômbia, Vietname e El Salvador.

Hoje terroristas chechenos, que foram responsáveis pelo assassínio de 323 alunos e professores na Rússia, estão a viver com estipêndios americanos em Cambridge, Massachusetts. Estes terroristas são parte de um sistema de poder. Eles trabalham para os numerosos aparelho de polícia secreta americanos no exterior (CIA, DEA, DIA, NSC, SEAL, etc), os quais se empenham em assassínios e sabotagens para fomentar os interesses imperiais americanos.

(...)

Posada, o terrorista confesso, não é uma "má memória". Ele é um lembrete hoje de que a tortura em Abu-Ghraib, Guantanamo e nas dúzias de centros de tortura por todo o mundo são parte de uma rede de terror americana à escala mundial. A rede de terror opera com milhares de agentes no Iraque, Afeganistão, Kosovo, Colômbia, Chechénia e em muitos outros lugares.

Ao garantir asilo a Posada, o Departamento de Estado está a proporcionar-lhe impunidade. É uma mensagem destinada a todos os seus colaboradores, quer sejam bombistas em Bagdad, assassinos curdos, ou senhores da guerra afegãos. Os que assassinam para o império, podem seguramente emigrar para os EUA. Aqui estará sempre um santuário de impunidade e uma gorda pensão de aposentadoria.



Comentário:

Não posso discordar mais de James Petras, o autor deste artigo.

Luís Posada Carriles, um funcionário público norte-americano desde há largos anos (em 1957 já mantinha contactos com o FBI e em 1961 vinculou-se por ordens da CIA às organizações que se preparavam para a invasão a Playa Girón), tem, aos 77 anos de idade, todo o direito a um santuário de impunidade e uma gorda reforma.

Senão, o que dizer do nosso “rigoroso” Ministro da Finanças, Luís Campos e Cunha, defensor da reforma aos 65 anos, e que se aposentou aos 49 anos, com 1500 contos por mês, apenas por 6 anos de trabalho no Banco de Portugal!

E diz Sócrates que se trata de uma campanha de “assassínio de carácter” do Ministro das Finanças!



Se fosse Posada Carriles a tratar do caso, não era apenas o carácter do Ministro a pagar as favas. Todo o frazino invólucro de Campos e Cunha seria aniquilado!

2 comentários:

Anónimo disse...

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