quinta-feira, julho 07, 2005

Preliminares

A China acusa os Estados Unidos de proteccionismo comercial. O governo americano impediu que uma empresa chinesa, a CNOOC Ltd., adquirisse a UNOCAL Corp., uma empresa petrolífera de capitais norte-americanos. Bush simplesmente mandou bloquear a transacção, alegando que constituía “uma ameaça à segurança nacional”… argumento que caiu mal entre os chineses, provocou mesmo azia forte no governo de Pequim: “exigimos que o Congresso dos Estados Unidos mande corrigir o erro que é politizar assuntos comerciais e económicos e que pare de interferir nas trocas comerciais entre empresas dos dois países”, declarou o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China. Já vi declarações de guerra parecidas com esta declaração… e, o que se passa é, de facto, o preliminar de uma guerra. Uma guerra pelo controlo das fontes energéticas e das matérias-primas essenciais. O surgimento da China como potência global está a alterar os antigos equilíbrios geopolíticos e a aumentar a tensão internacional. O apetite chinês por combustíveis é irreprimível. O governo chinês ordenou às suas empresas para adquirirem tudo o que puderem no que respeita a exploração petrolífera, de modo a permitir a manutenção do ritmo de crescimento e a agressiva industrialização do país.
Este litígio à volta da aquisição da Unocal Corp., foi também o primeiro confronto entre a China e a multinacional petrolífera gigante Chevron Corp., que também pretende adquirir a empresa, mas por apenas 16 mil milhões de dólares, enquanto os chineses da CNOOC ofereciam 19 mil milhões de dólares…
Em Washington, os políticos realçam o facto da empresa chinesa ser estatal, isto é, “pertencer ao Partido Comunista da China”, o que “faz aumentar a ameaça”. Só de imaginar uma importante empresa norte-americana nas mãos dos comunistas chineses deve ter provocado insónias a muitos yankees… agora, penso que, hoje, já não faz sentido continuar valorar o termo “comunista” do mesmo modo, mas enquanto lhes der jeito, os comunistas continuarão a comer criancinhas ao pequeno-almoço.
Depois dos problemas motivados pela invasão têxtil chinesa, depois dos americanos terem reparado que o seu deficit comercial com a China já ronda os 160 mil milhões de dólares, depois dos americanos terem acusado a China de manter uma cotação artificial do yuan só para manter as suas exportações muito baratas, depois da China estar a ser acusada de manter uma classe operária sem quaisquer direitos sociais… a tensão política entre os dois países não podia ser maior. Tanto mais que problemas adjacentes continuam por resolver, casos do programa nuclear norte-coreano, em que a China acusa os EUA de “demonizar” o governo de Pyongyang. A questão de Taiwan permanece outro foco de tensão, mas o governo chinês parece estar a marcar pontos com a sua política de “aproximação entre as duas margens”.
Vamos ver o que acontece no próximo Outono, quando está prevista uma visita a Washington do presidente chinês, Hu Juntao. Se a visita abortar… Wall Street vai tremer… é que a China tem andado a comprar “toneladas” de acções no mercado americano, investimento calculado em 600 mil milhões de dólares. A retaliação chinesa pode ser, pura e simplesmente, largar aquilo tudo duma vez… e o “crash” de 1929 poderá repetir-se.
A coisa está a aquecer. Let`s wait and see...